quinta-feira, 1 de junho de 2017

Desculpa qualquer coisa!




Eu não sei quanto à vocês, mas pra mim ruas sem expressão é chato. É limpo. Mas é frio. É estético sem ser. É como viver num lugar irreal, para os poucos e bons, um lugar  de 'faz de conta' que todo mundo é rico e burguês. E coxa. Que coxa é bem assim, né, varre tudo pra baixo do tapete. CINZA.

O grafite arte expressão ainda é tolerado. Mas aí entra a questão do PIXO e é _ OH, que horror!

Meu, para pra pensar.
A diferença entre grafite e pixo é basicamente sócio-econômica. Os nascidos com condições financeiras razoáveis tem seus dons artísticos estimulados e desenvolvidos em boas escolas, com material bom, acesso à informações de arte e adquire requinte ao seu DOM.

Esses privilegiados desejam se expressar de forma maior, ampla, transgredir ao cruel mercado de arte que estabelece quem é e quem não é bem vindo ao mercado, se rebelam e, bem,  as ruas estão aí, eles vão, grafitam maravilhas e são acolhidos, hoje até festejados,  ainda que hajam fascistas como o prefake da cidade que prefira o cinza higiênico e retrógado.

Mas existe a grande maioria. Que estuda em escolas muito prejudicadas, precárias de tudo,  onde arte e afins nem são matérias consideradas, onde material é raro, em núcleos familiares pobres, que pouco podem fazer para alterar a ciranda de vida difícil a que fazem parte.

E que são iguais aos privilegiados que saem às ruas pra se expressar impulsionados por um anseio. São iguais embora muito diferentes.  E eles têm um grito ali dentro. Gritos jovens. Naqueles corações. Pulsando naquelas mãos que desejam mudança num mundo em que nada muda pra melhor pra eles.

E eles olham os grafites. E eles também querem se expressar. E aí eles PIXAM. A arte como eles conseguem. A vida como ela é. Pra maioria. E é comovente. Não, não é lindo. Não é super estético. Não é nem mesmo harmonioso. Mas é pulsante. É VIVO.

e É DIRETO. Na veia. Na cara da sociedade que os exclui como algo a ser varrido.

Ah, mas os prédios branquinhos, os muros recém pintados, as fachadas das casas bonitas, o lay-out das cidades, que feio, noooossaa!

Pois é, caríssimos, é a vida real. São as desigualdades. São as limitações. É a diferença gritante de condições para se desenvolver.

Não tem que apagar o pixo. Tem que fazer escola pra pichação. Tem que acolher. Tem que aplaudir. é..., aplaudir. Eles estão ali gritando, manifestando, à parte de qualquer questão politica, eles estão alertando: estamos aqui. Não adianta pintar a gente de cinza, chutar a gente para periferias cada vez mais distantes.
Não!, a gente vai invadir a sua praia, e vai pichar em muitos códigos o que você não quer ver, a gente existe sim, e caso você não nos veja, aos pichos de cada dia você vai ver. VER.

Ver para quem sabe um dia, você consiga até  decifrar o que todos aqueles amontoados de códigos, grifos e riscos querem te dizer. À você, sim. E ao mundo. E á arte.

A arte.
A arte que é
e sempre será o retrato de um tempo.




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