quinta-feira, 28 de maio de 2015

àguas de estrela, amor, esparramar

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Das coisas mais bonitas dentro da criação, inúmeras elas são. É tanta beleza, mais é tanta beleza, que a gente até se acostuma, e desacostuma de olhar. De prestar atenção e conceder à elas a devida devoção. Distração? Sei que são  tantas belezas, e algumas são de natureza tão maravilhosa, que é preciso falar. EXISTEM OS AVÓS.  Avô. Avó. Tem coisa mais querida na vida do que ter o privilégio de termos nossos avós? Geralmente eles já são velhinhos, mas é tão interessante que apesar disso, olhando dentro daqueles olhinhos, a gente se vê, a gente vê uma alegria que só existe dentro dos olhos deles, uma coisa juvenil, quase infantil, talvez reflexos de uma vida à mil, que vão, tão sábios, se  acostumando à ideia de uma vida nova, que parece, e essa é uma queixa!, que em breve será.  Breve é a vida dos vovozinhos. é fato. Meus queridos, os quatro, e mais meus nonos, todos gente de um bom humor estrondoso, já se foram, sem grandes arroubos, botar seus pezitos inquietos para bailar os salões do céu. Porque vô e vó não morrem, eles simplesmente vão pro céu.  A vó do meu amigo poeta, juntou-se à eles dias desses. 94 pétalas em flor. Rosa branca de amor. Todo dia lá se vai um velhinho, sem que a gente realmente perceba o quanto de beleza arrebata-se para além de nós. Se eu pudesse modificar alguma coisa nas minhas ações de vida seria, ficar mais perto deles. Fiquei perto. Até bem perto. Mas hoje, lembrando daqueles seres tão especiais, penso que podíamos ter tido mais. Eu queria mais. Muito mais. Nenhum amor no mundo todo se compara aqueles olhos em par. Olhos todinhos de amar.
 
Algo, no entanto, fica. Como se fôssemos suas sementes. Sementes de todo amor que eles conseguiram cultivar. Creio que lá de cima, nos regam. Nos regam com águas de estrela, torcendo para que a gente se multiplique, em amores, e continuemos amor, a se esparramar. Amar.
 
 
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