sábado, 15 de novembro de 2014

Até breve!

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Estou longe do mar. Quilômetros. Longos quilômetros me separam das águas que poderiam trazer um tipo de conforto especial, algo parecido com um carinho feito por Deus, delicada carícia de corpo inteiro, alívio de corpo e alma. Dói. Estranhamente, dói.

Assim como doem as partidas. Partidas sempre estendem em muito, os quilômetros de distância. O menino poeta dos passarinhos vivia à quilômetros e quilômetros de distância desta que tanto o ama. Era sonho um dia, entre árvores e flores miudinhas, entre sapos e latinhas, entre o passeio de uma cobra de vidro e a sorte do destino, topar com este menino de mais de oitenta primaveras bem vividas.

Não foi possível neste plano, porque quis o plano divino leva-lo pra cima, lá entre as grandezas, este miúdo menino poeta de instantes pequeninos e tanta lindeza de alma. _ Pra onde você foi, Manoel? Tá interessante aí em cima? Será que você pode me ouvir? Será que eu dizer que amo sua alma te deixa feliz? Será que você poderia sorrir pra mim? Mesmo que fosse em sonho?

Sabe, Manoelzinho, tua poesia das coisas pequenas me acalma. Traz paz. E sossego, e a mesma sensação do toque de Deus que só as águas de um mar tranquilo me trazem. Ler tuas palavras acende em mim a humanidade que parece perdida neste mundo confuso aqui da cidade.

Você se foi, e eu fiquei tão triste. Quando senti uma aguinha salgada alcançando meus lábios por saber da tua partida, lembrei do mar. E senti o mar tão perto... senti você por perto... percebi que já não existem mais quilômetros a nos separar. Você já pode saber do meu amor por ti. Amor puro e verdadeiro, amor que vive  num reino pequeno, nos grãos de areia que fazem berço pro mar, mar de amar que aprendi com tuas palavras.

Não sei oque nos aguarda por aí, neste lado para onde você foi, mas agora tenho certeza que deve de
ser um bom lugar. Um lugar cheio de borboletas, aquelas que você escolheu para nos governar. Não te esquece de mim, agora que não existe mais chão pra nos separar. Pisca uma estrela, manda um sinal. Eu que já olhava tanto pro céu, agora os olhos dele não vou desgrudar. Até te achar, menino poeta, até te sonhar .

Até breve, passarinho. Até mar!


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