quinta-feira, 30 de outubro de 2014

TODA GENTE

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A vida é muito curiosa. Vive de opostos. Opostos que se atraem. Retraem. Sondam. Movimentam-se em versos, reversos, múltiplos prismas de uma vida que, tal qual reflexo , se abre para um novo reflexo que se abre para um novo reflexo, e em cada movimento, muda, amplia-se, encolhe-se, perde o original de si mesmo, mas ainda assim, permanece. Permanente é o gesto que não cessa sua busca. Busca entender. Busca modificar. Busca transformar-se em mais. Para todo lado, mais. Mas, que porra é essa de lado? De que lado você está? Depende do dia. Depende da hora. Depende do assunto. Depende de tudo. Só não depende, se tiver que abrir mão da essência. Da coisa básica que se oscila, oscila sem perder as estribeiras. Não dá pra dar bobeira quando se tem gente na história. E alguma vez, por acaso, não tem gente na história? Sempre tem a ver com gente. Gente com que a gente vive todo dia, gente com quem a gente trabalha, namora, se enrola, gente com quem a gente só esbarra, gente que força a barra, gente que traz a alegria na sacola, e tem gente mala, tem gente que pouco fala, tem gente que que quando deveria, cala, tem gente que saca o lance, tem gente que se faz de bobo, tem gente que cresce e aparece, tem gente que desaparece, e não deveria, porque tem que ter gente pra ter alegria. Gente de todo lado. Por todos os lados. Das altas rodas, das periferias, gente que se faz de burguês, gente que vira freguês, gente que tem manias, gente que tem as mãos frias, gente que já vem logo pro abraço, gente que se deixa vencer no cansaço, tem gente com paciência, tem gente com carência, tem gente que dá preferência às velhinhas que estão na fila, e tem gente boa na vila, nos pampas, às pampas, tem gente boa que tem a barriga verde,tem gente que fala guria no lugar de menina, gente que vive nas grandes cidades, que tá no centro, que tá na crista de alguma onda , e tem uma gente mais do que boa, lá pro lado de cima, onde sol com tudo rima, sorriso certo, mesmo quando o julgo é incerto, gente de cabeça erguida, gente sofrida, gente que sabe o valor da vida, essa vida que se estende para mais além deste oceano, atlântico, e vira índico, pacífico, como toda gente quer ser, ou deveria, ser pacífica, da paz, aquela gente que de tudo faz, ou pouco faz, tanto faz, oque a gente quer, toda gente do planeta, é se agarrar na cauda de um cometa e esquecer os lados, esquecer as fitas, esquecer as rixas, e cair no abraço, e viver em paz. Isso é coisa de gente, isso é coisa da vida, curiosa vida, de tantos lados, de tantos versos, que nos envolve à todos, deste pequeno universo.



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terça-feira, 28 de outubro de 2014

Delírio e Recordação: Condição

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Curioso, esse ser, humano, e sua diária e pequena solidão. Solidão preenchida por insanos momentos de reclusão. Ou serão momentos sãos? Um momento para chamar de seu. Nele repousam  inquietações. Ou seriam, reflexões? Oque foi feito daquele sonho. Oque será daquele anseio. Onde foi parar meu coração. Naquela canção? Como era mesmo o refrão? Tudo um dia será esquecido? Virei solidão? Desilusão? Estarei eu na contramão? Quem abrirá mão do desejo quando tanto bem se quis? Foi por um triz que não fiz oque sempre quis. Quis com esse, quis com ze, quis pouco ou pouco te quis? Nada faz sentido quando se está só. Quando sorrateiro arrasta-se o silêncio pelas paredes, e soleiras, desconsiderando as eiras e as beiras e enxergar minha derradeira condição? Continuo aqui, e cada um vai por aí. Entre seus livros, seus discos, seus programas de televisão, sem saber que aquele rosto ainda traz, e tanta, RECORDAÇÃO.



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terça-feira, 21 de outubro de 2014

... é TREZE, CORAÇÃO!

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Na  minha casa, a gente aprendeu desde cedo que é preciso confiar nas pessoas. Mas sempre com critério. Com análise. Com inteligência. Meu avô sempre dizia: _ Não quero saber de neto seguindo rebanho, vocês têm cabeça, e cabeça foi feita pra pensar.

Na minha casa, a gente aprendeu desde cedo também, que para se ter uma omelete, é preciso que se quebrem os ovos. Ou que se jogue o jogo. Em ambos os casos, a gente aprendeu que, se tem omelete, todo mundo tem direito de comer. Ou todos comem, ou ninguém come, simples assim. E isso inclui TODO MUNDO. Sem exceção ou privilégios, na mesa e no jogo da vida.

Na minha casa a gente aprendeu que não basta ter uma grande inteligência, é preciso que ela vá além e seja emocional. Que a gente se comova com as pessoas, todas as pessoas, e coloque as mãos na obra ao invés de reclamar, ou postergar, ou se acovardar.

Nem todo mundo desta casa grande que era a casa do meu avô, captou a lição, umas foram pra cá, outros foram pra lá, mas quem ficou do lado de cá, aprendeu que respeito é uma palavra chave, indispensável, e que honestidade a gente reconhece porque se reconhece nela.

Na minha casa, a gente aprendeu e muito o valor do que é GRATIDÃO. Tinha até uma palavra que a gente aprendeu como repgunante: VIRA COXO. Você podia agir de qualquer forma para se testar na vida, mas sempre foi, veementemente proibido ser uma pessoa ingrata, uma pessoa que vira as costas para quem tanto ou pouco fez por nós. Saber reconhecer o esforço, a generosidade, as dádivas, ou oque quer que fosse, _ aprendemos, faz do caráter de uma pessoa algo reconhecível como bom.

A gente aprendeu que não há mérito em vencer com desonra. Que não há mérito nas manipulações da verdade. A gente aprendeu que tem que ser bom para todo mundo. Que não se conta vantagem. Que não se marginalizam pessoas, por credo, raça, cor, preferência, política, por nada, porque somos todos seres humanos passíveis de acertos, de erros, mas que tomar porrada sem reagir é burrice. Aprendemos que temos direito a uma posição, e podemos defendê-la, mesmo sob risco de marginalização.

A gente aprendeu sobre coragem e sobre valentia. Sobre homens e mulheres serem seres de Deus, sem um nem outro ser superior ao outro, e que às mulheres cabe um extra de carinho, respeito e consideração. A gente aprendeu que tem que ser elegante, que tem que saber se comportar, que tem que ter carinho com as pessoas, que tem que saber falar as coisas, que tem que saber ouvir, que tem que ser capaz de ouvir opiniões contrárias sem se ofender e sem perder as convicções e a ternura 'jamás'.

A gente aprendeu um monte de coisa. Muitas precisam ser revisadas minuto à minuto desta vida, porque é dureza fazer certo. A gente é imperfeito pra caramba, mas tem horas que não deveria ser permitido errar. Meu avô sempre se posicionaou politicamente. Falar sobre os caminhos políticos de nossa cidade, estado, país, sobre o mundo, sempre foi uma prática em casa. Mas com a mente bem aberta, o mais ampla possível, e buscando as mais variadas fontes, porque só com bastante conteúdo a gente é capaz de chegar perto da verdade.

E por ter tido o privilégio de ter tido um avô como o meu, ter tido o privilégio de estudar, de aprender, de saber por a cachola pra funcionar e pensar por ela mesma, por respeito e consideração á tudo que me foi transmitido desde o dia que nasci é que venho até este espaço onde coloco minhas opiniões mais variadas e declaro delicadamente que voto na Presidenta Dilma com muito sossego e alegria. Ela me faz lembrar a casa. A grande casa do meu avô. Ela me faz lembrar família. Luta diária. Olhos atentos. Coração valente e amor por toda gente, seja lá quem for, com ela eu aprendo que para ser uma grande mulher há que se ter muito mais do que os predicativos básicos, há que ter uma enorme capacidade de gerar amor,

e amor é oque eu deixo nestas linhas, amor para os que comungam destes pensamentos, e sobretudo amor aos que discordam dele, porque caros amigos, tudo que a gente quer é um país melhor, mais direitos e alegrias para todos, e que a sua convicção pode ser diferente da minha, mas no final, oque a gente quer é que a felicidade seja geral.

Boa Sorte, à todos. Por um país sem exceção.!



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segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Caraminholas

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Há tanta coisa boa pra pensar...
Pra que prender caraminholas na cachola
como se cabeça fosse gaiola
se quando soltas
elas podem voar?

_ Deixa virar passarinho
bater asas e voar,
deixa pensamento florear...



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