sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Seres Estranhos

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TEM MAIS PRESENÇA
EM MIM
O QUE ME
FALTA...




_ Manoel de Barros




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Flores e Jardins

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Saudade na Pele


Da saudade
quem sabe
é alma

mas como sabe da saudade
também a pele...

Ah! como dói uma pele
que lembra o toque
da pele
de um ser
que um dia
foi amado

saudade
é a alma
na pele que não cicatriza


SAUDADE, DÓI



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sábado, 25 de janeiro de 2014

01:01

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e se terra pulasse
para o lado da lua

e o amor aceitasse
e eu pudesse ser sua?...


Delírios noturnos.


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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Tudo de lindo que se ouve por aí, ou simplesmente, receita para uma vida boa

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"FAÇA UMA REVERÊNCIA À TUDO QUE TE TROUXE ATÉ AQUI, E SEGUE EM FRENTE!"


_ achei perfeito, é tanta coisa, que o mínimo perante o Senhor da Substância de todas as coisas
seria plantar reverentemente a cabeça no chão dos nossos dias, e de todo coração, agradecer.

[funciona]


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domingo, 12 de janeiro de 2014

As árvores mais bonitas da cidade

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A cerca de uns oito meses atrás, cortaram duas lindas e imensas árvores numa das ruas perto da minha casa. Foi um susto! Eram duas árvores irmãs, lindas, não sei dizer a espécie, mas sei dizer que eram frondosas, espalhavam-se pela avenida com sua copa de folhas grandes, folhas que pareciam recortadas uma à uma, muito verdes nos dias quentes, e que iam mudando seus tons quando os dias frios imperavam. Aí, elas caiam no chão, estas folhas, e formavam um tapete de folhas acastanhadas, muitas delas que tratei de catar para enfeitar pacotes de presentes, fazer vitrines, ou simplesmente porque eram lindas e a lindeza não resta no chão. Cortaram-nas, mas não completamente, ficaram seus trinta centimêtros de tronco, envergonhados, restantes e aparentemente, sem função.

Mas milagres acontecem. Porque pra mim é um milagre, um espanto, quase um susto, só que um susto bom quando, ontem, enquanto caminhava caraminholando pensamentos, me deparo nesta rua, e me dou conta que não são mais dois tocos de árvores. ELAS RESSURGIRAM. Não pude crer. Quando, como foi que isso aconteceu? De onde foi que estas duas árvores encontraram forças, em meio a tanto asfalto e poluição, para, estarem agora, como mais de meio metro de altura, cheia de folhas novinhas em folha, de um verde que jamais nelas havia visto, resplandecentes, bebês que já ultrapassam seus primerios passos, ressurgidas de alguma seiva muito milagrosa, e que, fente ao meu espanto, quase um embaraço, gargalhavam felizes desta minha limitada visão das coisas?... Foram elas, as duas árvores irmãs mais lindas da rua que me ensinaram a lição que tanto quero aprender: _ é possível!, enquanto houver um fio condutor que nos una à substância das coisas todas da vida, é possível ressurgir.

Pasma e feliz, decidi: Se as árvores daquela a rua, as quais eu considerei findas par todo sempre conseguiram voltar ao espetáculo da vida, lindas e exuberantes na promessa de ainda mais esplendor, porque eu não posso me ver ressurgir dos meus próprios cortes, mesmo que eles já tenham sido tantos?... 

sábado, 11 de janeiro de 2014

Já que eu não sou uma formiga...

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Fácil é tocar o bonde do conformismo. Fazer de conta que tá tudo certo, se tapear que os defeitos são só características e aceitar, e aceitar que o trem anda, a banda toca, a roda gira quer a gente mude ou não.
Ok, isso não é fácil, não!, isso é brutalmente difícil. Porque a gente tem consciência de vez enquando. Tem consciência que podia mais. Podia ser mais. Podia ousar mais. Podia ir além. Podia sentir asas no lugar dos braços. Podia até voar se não fosse a roda que n e c e s s a r i a m e n t e tem que girar. Assim falava Espinosa, aquele filósofo doce, que ousou quebrar a ordem das verdades vigentes e se estrepou todo, para ser admirado e aceito e até virar nome de rua, muitas e muitas décadas depois. Ele dizia que nada podia ser feito porque uma ordem absolutamente casual faria as coisas acontecerem na ordem que tivessem que ser, e não na ordem dos nossos desejos e aspirações. Faz sentido, ele é o gênio. Mas sentido sobretudo porque, de fato, quebrar a ordem das coisas para mudar alguma coisa e ser capaz de NOVAS ATITUDES é de fato, difícil pra caralho! Assim mesmo, para caralho, que é uma expressão meio chula, mas que virou expressão de salão pra afirmar alguma coisa c a t e g o r i c a m e n t e.

Espinosa, o tal filósofo que precisou se isolar pra conseguir pensar e atingir a sua lógica das coisas, falava muito sobre a substância de todas as coisas. Ele postulava isso, que Deus é a substância de todas coisas. O ponto falho de tudo isso é que ele achava que não adiantava nada de nada tentar estabelecer uma comunicação com Deus visando algo em troca. Lutei com este ponto. Ele postula que o amor não pode esperar nada em troca. Senão não é amor, sacou? Daí, empaquei. Concordo ou não concordo? De fato, quando a gente reza, a gente no fundo no fundo tá querendo pedir alguma coisa. Eu, pelo menos. Daí uma atitude que ando querendo mudar. Amar a Deus, no amor. Buscar a substância do Seu amor, por amor. Sem pedidos. Só agradecimentos. E entrega. Porque quando a gente ama, a gente se entrega. E com as pessoas também teria que ser assim. Difícil, hein?...tipo, para caralho...

A mudança, as novas atitudes que anseio,que eu tanto quero ter, estariam nas mãos da causalidade necessária a que se referia Espinosa? Estariam na quântica dos meus pensamentos quando disciplinados? Estariam na estrega ao Amor substancial do criador? Estariam na determinação da minha própria vontade? A verdade é que eu preciso de atitudes novas. Atitudes que pululam minha mente como um foguete que quer conhecer a lua. Quer zarpar para mais longe. Quero tanto conhecer uma de mim mesma, nova. Capaz de renovar. Capaz de entender uma filosofia, e ir além do óbvio. As atitudes. Tão pessoais. Tão definitivas. Nada que se mova, se move impunimente. Na verdade, nada que é pensado, está livre de consequência. Quando as letras sagradas dizem: _ vigiai e orai!, deve ser isso, atenção, disciplina, tudo reflete. Tudo continua imediatamente a seguir. Mire. Pense. Não são só flechas, atitudes são felicidades possíveis, ou serão ondas de uma tsunami, ou o tédio da mesmice sem fim. Pensar. Mudar. Por onde começar?...

Mas aí tem um outro gênio dos pensamentos, Epicuro, que inspirou muito Espinosa,que dizia muito docemente que a essência de uma vida boa é, expresso numa palavra absoluta, a TRANQUILIDADE. Tranquilidade para aceitar oque é de entender, tranquilidade para aceitar oque não é de entender, oque convenhamos, é um infinito de coisas, mas sobretudo tranquilidade para entender que a gente pode ler, buscar conhecimento, pensar, queimar a mufa, se doutrinar, contrariar tudo, seguir a maré, ou virar o barco, seja lá oque fôr,e no final, inevitavelmente, ou necessariamente, será oque tiver que ter sido.

O confuso postulado, ou oque eu entendi dele: postulado:
Seja lá oque fôr, no final, final este que nem existe, já que tudo continua, as coisas terão sido, pura e exatamente, como tinham que ser."

Espinosa, nesse instante, deve ter acendido seu charuto e pensado, _será que esta moça entendeu mesmo?...


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Um Canto de Águas

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Vamos até logo ali, pro canto
logo ali
bem no canto do que um dia foi encanto?...
Vamos tapear o coração?
Eu faço de conta que você "não"
Você faz de conta que eu "sim",
e a gente vai saber que é ali
por causa do barulhinho gostoso da água
e aquele ar fresco, convidando
você e à mim
a tirarmos junto às nossas roupas
nossas mágoas
equívocos
nossas palavras que não podiam ser ditas
e as que erronemante foram
parar goela abaixo
do teu
dos meus cansaços
vamos nos achar neste canto
deste lago, deste lado, esquerdo do peito
e lavar e lavar e lavar
este amor que tá perdido,
mas é teimoso,
e que não passa?...

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Não-te-esqueças-de-mim

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Presente bom se multiplica. Multiplica-se porque tem a substância das coisas bonitas, é presente pelo dom de querer presentear, mas é mais, é também a substância da pessoa que ofertou com o coração, que envia partículas de bem-querer. A querida Pipa me mandou de presente um vaso de flores. O nome da flor : NÃO-TE-ESQUEÇAS-DE-MIM.
Não poderiam ser mais bonitas. O perfume, uma provocação. Um chamado: se mexa, garota! Para que elas vicejem em todas as suas possibilidades, há que se empenhar. Cuidados com a planta, que só quer se espalhar. Fiz delas, mudas, porque, ah!, para quantas pessoas tenho vontade grande de enviar... NÃO-TE-ESQUEÇAS-DE-MIM, faça-me presente, me ligue, me faça bem. E vice-versa. E versa e vice, como brincava com o Mar. É a minha planta de ano novo. Farei duas mil e quatorze mudas, e enviei, e reenviarei, e espalharei pelos quatro cantos afetivos da minha vida, para lembrar, ser lembrada, para pefumar este ar com esta plantinha mágica, que minha amiga Pipa tratou de arranjar.

Beijo Pipa.

O jardim dela:

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Substância. Quero te encontrar!

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Descubro
aos poucos
que a SUBSTÂNCIA DE UMA VIDA BOA

reside na casa do verbo SE ENCANTAR...


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