segunda-feira, 25 de agosto de 2014

O que o seu medo diz sobre você?

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A gente tem muita curiosidade sobre o 'outro'. Nossa mente vive no outro. O tanto que o outro nos afeta. Ou por que não os afetamos com o nosso afeto, ou os fascínios que se abrigam além dos nossos umbigos. Olhar pra dentro e saber quem é este que se interessa tanto pelo outro é movimento complicado.

Existe o medo. E certamente, poucas coisas falam mais sobre nós mesmos do que os nossos medos. Medos comuns, da morte, da ausência da saúde, das violências, esses todos tem. E não são estes que mais nos falam. Estes são medos gritantes que rondam à todos. Nos traduzem como humanos expulsos de um dito paraíso onde dor e fim não eram palavras existentes.

Existe o medo. Um mais interno. É deste silencioso e dito corrosivo medo que falo. Ele é um sabotador? Fala-se muito mal dos medos silenciosos, como se fossem inimigos, e talvez até o sejam, mas, quem nos protege, afinal, senão este dito sinal?

Intuição, por, exemplo, quem acende seus interruptores? Decidir ir pra esquerda, permanecer na direita, parar, mudar de rumo, não comprar, se esquivar, ficar em casa, ou antes de tudo, ir dormir? Se oque temos por dentro é aquilo que somos, então, faz sentido dizer que somos, também, os nossos próprios medos.

Tem como ser amigo, caro medo? Certamente, que sim! Tem vezes que a gente tem que fazer alguma coisa que aponta o contrário do que nossos mimados corações anseiam. Tudo é permitido? Não!, não é! E tem mais a particularidade de sermos cada um, um unicamente. Olhe suas digitais. São suas, unicamente suas, não há mais ninguém no mundo que tenha outras iguais as suas.

Nossas digitais de dentro também são únicas, e o medo de cada um, é o medo de cada um, justifica-se por sua originalidade. Daí ser tão fácil aceitar os nossos medos, mas chamar de covardia o medo dos outros. Há que se ter empatia aos medos alheios. E com os nossos. Será mesmo que eles nos roubam do melhor que poderia ser se não fosse o medo que paralisa?

Será?


Será que ele, o medo, não faz o papel do amigo chato que está ali pra dizer que não, não é uma boa ideia, por mais tentadora que seja a ideia? Aquele amigo que depois que a merda foi feita, vem e diz _ eu não te avisei?... Às vezes, o ato de maior coragem é resistir. Ou permanecer. Ou não mudar. Ou se conformar. Ou sei lá, qualquer coisa que vá na contramão do desejo frequentemente infantil de ser algo diferente do que se é. Isso não lembra medo?... medo de ser o que se é? medo de seguir os traçados planos que apontam dificuldades? Ilusão de que existe algum caminho mais fácil?

Gosto de pensar na qualidade do que frequentemente é apontado como sem qualidade. Deve ser um desvio de conduta, mas como tudo no mundo tem dois lados iniciais, e destes dois lados, novos e infinitos lados, é bom lembrar que a surpresa nem sempre está nos braços do sossego, às vezes é, oras vejam, o desassossego quem nos fárá relaxea. Contraditório? _ Ah! Deixa estar!



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