segunda-feira, 2 de junho de 2014

Egrégoras

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A gente é que oque é. E oque pensa. E oque todos pensam sobre. Tudo junto. Ao mesmo tempo. Misturado e emaranhado numa rede interminável de pensamentos e sentimentos sem fim. Daí, a importância de vigiar. Estar atento. Perceber-se e perceber o outro. Nossa imensa rede interna. E as tantas outras externas. Talvez por isso seja difícil conviver. Tem que bater. Associar. Simpatias e antipatias. Versos e inversos. Simetrias e padrões. Opiniões. Emoções. Somos um, e somos todos, ao mesmo tempo. Como se faz para conciliar tantos universos? Contar com a conspiração divina que rege um universo de estrelas faiscantes?!..., bebês de tudo, estrelas e mais estrelas que habitam o mesmo etéreo e não se chocam. Ou caso nunca. Deve ser possível...
Por isso nos agrupamos. Nos juntamos. Ou nos isolamos uns dos outros. Em alguns lugares, sentimo-nos em casa. De outros, só queremos correr. Energias. ENERGIA, assim em maiúscula expressão. É tudo que temos. Podemos chamar de crenças, valores, inspiração, noção. Mas a gente nem tem noção de o quanto é preciso vigiar. Vigiar oque pensamos, oque falamos, oque sentimos, como colocamo-nos ao mundo. Tudo interfere em tudo.
Então não se trata apenas de tratar de ser feliz. Tratar do bem-estar. Tratar de se dar bem. Implica em algo além. Alteramos a rota uns dos outros, mesmo sem saber. Queremos que haja paz, mas não temos pensamentos de paz. Queremos que haja amor, mas temos reservas como sentimentos românticos. Queremos nos sentir seguros, mas emanamos o medo de tudo. Queremos ser fortes, mas acovardamo-nos frente aos primeiros tropeços. Queremos um mundo bom, mas não temos mais fé neste mundo. Nas pessoas que habitam este mundo. E isto se reflete em... realidade.
E aí a gente estranha. Estranha o mundo ser tão diferente do que a gente sonha. Só que a gente sonha curtinho. fraquinho. Sem firmeza. As convicções mais fortes são, infelizmente, devotadas ao que há de pior.

Senão, vejamos:

Sem querer entrar em grandes méritos da questão, estamos em Junho, à dez dias da Copa do Brasil. A Copa. A gente adora. Todo mundo adora copa. Não adianta dizer que não, contagia. Sempre houve festa quando a copa se passou em outros países. Verde e amarelo para todo lado, uma lúdica e sinceramente, saudável sensação de que é possível agrupar-se para torcer, para festar, para ser um pouco criança. Não tem utilidade nenhuma, mas, é daí?...
Agora, a copa é no Brasil. E os brasileiros estão torcendo o nariz? Como assim? Aguardando o pior dos piores... Manifestações, ineficiências, caos, ruas perigosas, gringos temerosos, como assim?

[O Brasil não é só um país. São muitos países dentro do Brasil. Existe o Brasil da corrupção, sim. O Brasil do impostos mais absurdos, sim. O Brasil de deficiências mil, sim. O Brasil sem educação, sem saúde boa, de guerra velada, de estradas violentas, de buracos por todos os lados. Mas existe também o Brasil gigante. Lindo. Imenso. Acolhedor. De gente que trabalha sério. Que pega condução por horas pra chegar ao trabalho. Que gosta de samba. Que tem sorriso aberto. Que se vira, que faz acontecer, que empreende, faz de pequenos negócios familiares uma vida, de crianças coloridas, de bola, de muita gente boa,e de futebol também. ]

Oque nossos pensamentos estão criando para este momento memorável? Houve muito investimento que só aconteceu por causa da copa. Dá pra pensar assim: muito dinheiro foi desviado? Foi!, mas aquele dinheiro que conseguiu ser investido, este reverte em benefício para o país. A verba que conseguiu ser investida em melhorias em cidades, aeroportos, infra-estrutura, estádios, linhas de condução, sinalização, treinamento policial, segurança e tudo mais, é nosso. Fica aqui depois da copa. Já é um ganho se a gente pensar que talvez nada disso fosse feito, e talvez, tudo fosse desviado... Não seria pior?

Mas, o mais importante é que a gente trabalha, a gente paga imposto pra caramba, a gente acorda cedo, dorme tarde, dá um duro danado e aí, quando chega uma festa cheia de alegria a gente não vai festar? Vai manifestar?... Hey!, é ano de eleição. A hora de botar a boca no trombone é na época das eleições. Agora é hora de festa. De comemorar. De deixar as crianças, TODAS ELAS, grandes e pequenas, que estão contando os dias na folhinha, curtir. Se divertir. Porque lutar por direitos é uma coisa mais que justa, mas é justo que se faça isso na hora certa. O documentário "Como fazer uma Revolução", é muito útil pra entender que violência não conquista nada. Precipitações também não.

E voltando às egrégoras, verde e amarelo é uma bela combinação, e todas as demais cores juntas também, ,cores de todos os países deste mundo que não é nada perfeito, mas que precisa, muito, e sempre, de gente que se disponha a pensar melhor. A pensar feito gente grande, sem, no entantto, esquecer de ter viva a criança, que não se cansa de ter esperança, dentro do coração. #euamocopa



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