sábado, 11 de janeiro de 2014

Já que eu não sou uma formiga...

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Fácil é tocar o bonde do conformismo. Fazer de conta que tá tudo certo, se tapear que os defeitos são só características e aceitar, e aceitar que o trem anda, a banda toca, a roda gira quer a gente mude ou não.
Ok, isso não é fácil, não!, isso é brutalmente difícil. Porque a gente tem consciência de vez enquando. Tem consciência que podia mais. Podia ser mais. Podia ousar mais. Podia ir além. Podia sentir asas no lugar dos braços. Podia até voar se não fosse a roda que n e c e s s a r i a m e n t e tem que girar. Assim falava Espinosa, aquele filósofo doce, que ousou quebrar a ordem das verdades vigentes e se estrepou todo, para ser admirado e aceito e até virar nome de rua, muitas e muitas décadas depois. Ele dizia que nada podia ser feito porque uma ordem absolutamente casual faria as coisas acontecerem na ordem que tivessem que ser, e não na ordem dos nossos desejos e aspirações. Faz sentido, ele é o gênio. Mas sentido sobretudo porque, de fato, quebrar a ordem das coisas para mudar alguma coisa e ser capaz de NOVAS ATITUDES é de fato, difícil pra caralho! Assim mesmo, para caralho, que é uma expressão meio chula, mas que virou expressão de salão pra afirmar alguma coisa c a t e g o r i c a m e n t e.

Espinosa, o tal filósofo que precisou se isolar pra conseguir pensar e atingir a sua lógica das coisas, falava muito sobre a substância de todas as coisas. Ele postulava isso, que Deus é a substância de todas coisas. O ponto falho de tudo isso é que ele achava que não adiantava nada de nada tentar estabelecer uma comunicação com Deus visando algo em troca. Lutei com este ponto. Ele postula que o amor não pode esperar nada em troca. Senão não é amor, sacou? Daí, empaquei. Concordo ou não concordo? De fato, quando a gente reza, a gente no fundo no fundo tá querendo pedir alguma coisa. Eu, pelo menos. Daí uma atitude que ando querendo mudar. Amar a Deus, no amor. Buscar a substância do Seu amor, por amor. Sem pedidos. Só agradecimentos. E entrega. Porque quando a gente ama, a gente se entrega. E com as pessoas também teria que ser assim. Difícil, hein?...tipo, para caralho...

A mudança, as novas atitudes que anseio,que eu tanto quero ter, estariam nas mãos da causalidade necessária a que se referia Espinosa? Estariam na quântica dos meus pensamentos quando disciplinados? Estariam na estrega ao Amor substancial do criador? Estariam na determinação da minha própria vontade? A verdade é que eu preciso de atitudes novas. Atitudes que pululam minha mente como um foguete que quer conhecer a lua. Quer zarpar para mais longe. Quero tanto conhecer uma de mim mesma, nova. Capaz de renovar. Capaz de entender uma filosofia, e ir além do óbvio. As atitudes. Tão pessoais. Tão definitivas. Nada que se mova, se move impunimente. Na verdade, nada que é pensado, está livre de consequência. Quando as letras sagradas dizem: _ vigiai e orai!, deve ser isso, atenção, disciplina, tudo reflete. Tudo continua imediatamente a seguir. Mire. Pense. Não são só flechas, atitudes são felicidades possíveis, ou serão ondas de uma tsunami, ou o tédio da mesmice sem fim. Pensar. Mudar. Por onde começar?...

Mas aí tem um outro gênio dos pensamentos, Epicuro, que inspirou muito Espinosa,que dizia muito docemente que a essência de uma vida boa é, expresso numa palavra absoluta, a TRANQUILIDADE. Tranquilidade para aceitar oque é de entender, tranquilidade para aceitar oque não é de entender, oque convenhamos, é um infinito de coisas, mas sobretudo tranquilidade para entender que a gente pode ler, buscar conhecimento, pensar, queimar a mufa, se doutrinar, contrariar tudo, seguir a maré, ou virar o barco, seja lá oque fôr,e no final, inevitavelmente, ou necessariamente, será oque tiver que ter sido.

O confuso postulado, ou oque eu entendi dele: postulado:
Seja lá oque fôr, no final, final este que nem existe, já que tudo continua, as coisas terão sido, pura e exatamente, como tinham que ser."

Espinosa, nesse instante, deve ter acendido seu charuto e pensado, _será que esta moça entendeu mesmo?...


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