terça-feira, 31 de dezembro de 2013

VOTOS

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Para 2014

Eu quero as asas do riso fácil,
quero a coragem para alçar voos novos,
e o silêncio amoroso dos sonhos antigos.

Quero olhos de enxergar as grandezas das miudezas e suas tantas bonitezas,
e quero todas as letras e os significados traduzidos em capacidade para o verbo amar.

Quero as pessoas por perto, bem mais perto do quer perto um dia foi,
e quero aprender que longe também pode se transformar em perto quando a rede é o coração.

Quero cair de sono,
cair de alegria,
cair de tanto rir,
e se eu cair por outros motivos,
quero ser forte na queda, quero saber me levantar,
quero ser digna do verbo acreditar.

Em 2014 eu quero ter mãos estendidas, abertas, acolhedoras,
e quero os passos em compasso com alguma dose de loucura, de ousadia,
e quero rebolar mais, saracotear mais por aí,
quero estravasar mágoas, repressar que nada!,
quero navegar, sobrevoar, semear, alegrar,quero suar, gozar e me esbaldar
na fonte da juventude onde se bebe a água das levezas, das doçuras, e das tristezas
que eu quero saber embalar.
Quero aprender a reconsiderar.

Reaprender a chorar sem amarelar,
quero não ter vergonha de ruborizar,
e quero voltar a colecionar bugigangas, fazer poesia,
aprender a fazer coisas novas para me reinaugurar.

Em 2014 eu quero melhorar, tipo não desistindo, insistindo, persistindo, e até voilá!,
desistindo se preciso, mas não sem estar sorrindo bonito, porque de 2014 oque eu mais quero
é isso, as asas do riso fácil, do verbo estendido, e é este o maior pedido:
_ 2014, eu quero te compartilhar!



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sábado, 28 de dezembro de 2013

Sonhei contigo!


"Todos os dias atravessamos a mesma rua ou o mesmo jardim; todas as tardes os nossos olhos batem no mesmo muro avermelhado feito de tijolos e tempo urbano. De repente, num dia qualquer, a rua dá para outro mundo , o jardim acaba de nascer, o muro fatigado se cobre de signos."

Quem escreveu foi Octávio paz, citado no livro da ostra feliz que não faz pérola de Rubem Alves.

E eu paro pra pensar porque o amor não acaba. Falo especificamente de um amor sentido por uma pessoa que já foi embora da sua vida. Porque ele permanece, mesmo sabendo-se causa de dor. Porque amor que não se vive, é belo e dói. Então penso no muro fatigado, e no quanto ele pode passar a ser outra coisa se são olhos apaixonados que o contemplam. Há certas coisas que só os apaixonados sabem. Como saber que um muro pode ser uma página em branco aguardando palavras de amor tatuarem-se às suas reentrâncias. Como saber que um madrugadouro muro pode conter um ponto, a sombra de encosto de um ser amado que ali ficou encostado enquanto mirava a janela de sua amada. Como sentir amor por um muro que portou-se como leito para um beijo inacabado. Como saber que um amor pode ser vivido em qualquer tempo, e que ele não se acaba só pelo detalhe de não caber neste tempo, ou neste espaço, de um muro fatigado, como fadiga um amor inalcansável... Certas coisas, só os não apaixonados sabem. Que o muro precisa de pintura. Que as janelas da casa estão corroídas. Que os pombos não são higiênicos. Que as calçadas guardam seres escuros na madrugada. Que existe o perigo fora de casa. Que as portas precisam ser trancadas. E as loucuras de amor trancafiadas. E as vontades sublimadas por tintas, coisas, materialidades e futilidades quaisquer.

Quais signos se há de preferir? A sensatez dos não-apaixonados, ou as insanidades dos tomados por suas paixões imorredouras?

Eu gosto de muros velhos. De casas velhas. De algum capricho. Dos passarinhos. Das poesias. Dos amores. Dos sonhos. Antigos. Desejos. Repremidos. Não contidos pelos muros da cidade. Antes, leitos. Leitos para canções e amorosidades. Encosto para o meu dândi perdido, ser amado, apaixonado, acolhido em seu amor, por este muro que não nos separa.


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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Relato de Natal

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E acabou sendo uma linda noite de Natal. Apesar de. Antes de sair para a ceia festiva, postei um bilhetinho no presépio aqui de casa pedindo ao Menininho pra me ajudar a ser uma boa convidada, afinal, não era a ceia em casa de entes queridos apenas, era uma festa pra lembrar as verdades de criança especial. Pois bem, fui atendida. Baixou sobre mim um espírito apaziguador. Eu preciso desta proteção todo ano no Natal, porque, me dói um bocado não ter TODAS as pessoas que eu amo por perto. E também porque fico sensível além da conta e qualquer palavra me faz questionar.

Mas eu fui atendida. Houve um milagre em mim. Eu aceitei que não dá pra se ter tudo. Quer dizer: aceitei é o modo de dizer, eu... na verdade, sublimei assim: vou ser o melhor de mim pras pessoas que estão aqui, para que, meu coração fique puro e alcance quem não está. Foi uma noite alegre, tudo divertido, cheia de sentimentos de encontro, abraços, palavras simples e bonitas, três criaças pequenas e lindas, e mais um monte de crianças crescidas dispostas ao milagre de uma noite feliz.

Minha mãe me tirou no amigo secreto. Ganhei dela uma vestido chocante de lindo, que fui eu que escolhi, claro!... é a vantagem de ter a mãe por amiga secreta. Dei à ela um lindo conjunto de calça e blusa, que ela não escolheu, mas adorou. Ganhei uma penca de livros: Milan Kundera, Tolstói, Edney Silvestre, Hermann Hesse, e por aí vai. Pelo jeito as pessoas aceitaram o fato que eu amo ler, mesmo que isso me isole um pouco delas e faça meus cometários parecerem meio fora da órbita contemporênea.

Esclhi cada um dos presentes que ofereci com mais carinho este ano. Tentei ser mais generosa e parece que as pessoas sentiram porque foram abraços mais apertados este ano. Foi aquele tipo de noite carinhosa da qual ninguém quer se desfazer. Madrugada à dentro, risadas gostosas, comidas e bebidas perfeitos, uma noite com cara de presente. Embora faltasse. Metade de mim. Faltava. E eu precisave encontrar. Precisava olhar pro céu como faço em todos os Natais e mergulhar nas estrelas para me acalmar.

No entanto, só consegui olhar para o céu após chegar em casa. Toda aquela excitação e mais a voz doce da minha sobrinha de três anos ecoando em meus ouvidos suas travessuras e doçuras tantas, foi somente depois de chegar em casa que consegui chegar à varanda pra tentar chegar perto dos tantos amores que estavam longe. O céu estava tão brilhante, mais do que sempre, uma noite quente, clara, com milhares de estrelas piscando mais que o normal. Era o segundo milagre. Era como se cada uma das pessoas que não tive por perto, pudessem ser alcançadas para um abraço, para um beijo, para uma prosa mais demorada, umas risadas, amor adentro na madrugada.

Não vou citar os seus nomes, tenho certeza que se sabem moradores do meu coração, estivemos juntos, de forma diferente, mas tenho certeza que estive perto de vocês, e foi uma grande emoção. Foi o melhor momento do Natal.


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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Você se vê num sorriso infantil?...

Feliz Natal, Amiga!

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Amiga querida,

Você sabe que eu estou aqui, né?... oque dói em você, dói em mim. Como irmãs de tantos passeios, coincidimos até nisso. Ando bem mais ou menos também, este estado de vazio, de inverno em pleno verão. Mas isso, como você disse passa. Vai e vem como marés. Somos filhas das oscilações. Faz sentido?

Queria escrever coisas bonitas pra você, pra alegrar teu coração, para sinalizar sementinhas de Esperança, que é oque me ocorre no momento pra lhe dizer: nós, que somos das flores, dos campos, das águas, da abundância, sofremos um pouco no tempo de semear, _ seremos ansisosas?

Creio que sim! Lá de onde a gente veio, não tinha tempo ruim. Era tudo bonito. Sonhei com meu pai onteontem: estava vestindo uma camisa bonita de cor lilás, e dizia (oras, veja!), que estava MUITO feliz porque lá no céu, decidiram que ele não vai precisar reencarnar. Disse-me que fizeram as contas da vida dele, que como pessoa ele foi mais ou menos, mas que como ele nunca se economizou para as pessoas em generosidade, o saldo vingou positivo, e ele está liberado para as delícias do novo mundo.

Não é demais? Fiquei feliz pacas por ele. Poder desfrutar novos mundos, porque este aqui uma vez tá bom demais.

Mana do coração:
Você tem uma família linda, é cheia de graça, linda e portadora de muitos dons. São preciosos presentes que desejo que se renovem sob as luzes de Natal. Entre uma luzinha e outra da árvore de Natal, lembra de mim, que nunca esqueço de você.

Beijo

Be

sábado, 14 de dezembro de 2013

tendeu?...

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Então,
a gente precisa superar
ultrapassar, ir em frente, se empurrar, reagir
fazer das tripas o CORAÇÃO,

e simplesmente ignorar
oque quer que tenha sido
dor, atraso, decepção, tristeza, despedida, perda, fracasso, abandono, carne viva,

e imaginar

'ALGO MAIOR E INFINITAMENTE MAIS BELO DO QUE O ÓBVIO',

para que oque é
sonho, seja o ECO na sua vida.



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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Parafusos Soltos

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Ás vezes os parafusos da caixola afrouxam. Afrouxam-se a ponto de tornarem-se soltos. Soltos, atiçam outros parafusos à esculhambação, e quando se vê, mais e mais parafusos caxolantes estão soltos e está aberta a temporada dos equívocos perturbáveis. Como não gosto de nada "frouxo", coloquei minhas mãos à obra, e sem muitas paciências, mas muito eficientemente, recoloquei os parafusos no lugar, e apertei devidamente. Aproveitei que estava com a mão na massa, e apertei os seus, para que não sintas mais frouxidão.

Assim, parafusos ajustados, acabou a CONFUSÃO.



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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

domingo, 8 de dezembro de 2013

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Habito sonhos


a noite
é
o meu
castelo



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Ele chora

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CERTAS EMOÇÕES SÓ AS LÁGRIMAS SABEM CONTAR! Seria muito absurdo dizer que queria te ver chorar? Nada muito dramático ou traumatizante. Uma outra classe de lágrimas. Queria te ver desaguar. Conhecer tuas razões, tocar teu coração, nem que fosse apenas uma única ( última) vez. Você seria olhos, e eu, ouvidos. Queria tanto te ver chorar... queria sentir o sabor da tua lágrima, sorvê-la para saber quantos anos têm tuas dores, conhecer o doce da tua tristeza, queria uma chuva torrencial das tuas emoções mais profundas, pra saber realmente quem você é, oque te justifica, oque te imobiliza, oque tanto te insensibiliza, queria ouvir tuas letras virarem soluços de quês infantis, pra colocar tua cabeça em meu colo, e beijar tua face, gota por gota, e te desvendar em meio à silêncios e águas sentimentais, e chorar com você todo o amargo, e toda essa acidez desnecessária, que te desprotege, e te afasta de de mim, de vez, quem sabe?... pra sempre...Queria te ver chorar. Torrencialmente, chorar. Ver teus olhos inchados de tanta água, desta água que lava, limpa, cura, hidrata as veias cansadas de pulsarem pelo que nem sabem se pulsam, se pulsam emoções reais, ou se é só cena pra levar a vida na lábia de um enganador, um encantador, ah! amor... como eu queria te ver chorar, chorar à cântaros, e ser eu a única, a única pessoa por perto, pra te secar de toda essa dor.


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Pira

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Imagina se chovessem letras,
e as letras formassem poesias...

_ seria o fim dos guarda-chuvas?

[ não sei!, tem muita gente que tem medo da poesia...]


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Na pista

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NÃO EXISTE PAIXÃO SEM UMA BOA DOSE DE "CARÃO" *