sábado, 30 de novembro de 2013

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Uma Amiga e seus Balões

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Amiga,
lembrei do teu gosto por balões vendo esta imagem, que poderia bem ser você, cabelos ao vento, como você gosta, e generosa, a qualidade principal da tua prosa, das tuas rosas intenções, saindo pra voar com balões reservas para caso mais alguém queira chegar pro vôo, e rir junto, e dividir o tanto, o pouco, o que dér e oque vier, porque é desta qualidade que se faz uma pessoa especial: a azulada, a abençoada, a doce capacidade de querer amansar. E o que mais amansa, abranda, acalma, aquece e quase se desfalece um coração do que o outro ser disposto a nos ter por perto?

E essa é você, né?... amiga que se sai pra voar, sai com balões extras, coragem extra, coração grande, braços abertos, cantando as lições dos mestres dos sonhos como aluna exemplar, sempre guardando um lugar pra quem costuma se atrasar. Tipo esta amiga que vos escreve, que só não repete de ano porque aprendeu a colar. Alguém cola na escola ainda? Porque, Van, eu me acabei de tanto colar. Tinha prazer na cola, preparava tiras compridas em letra pequeniníssima, depois fazia tipo uma sanfona, e lá estava o resumo de toda matéria. Escrevia lembretes nas réguas, nas mãos, nas pernas, na borracha, passava a noite toda preparando minuciosamente tudo, e não é irônico, isso?, não seria mais fácil simplesmente estudar?

Poisé, era meu jeito torto de estudar. Uma garantia. Você sabe, né? sou a rainha das garantias. Se desse o tal branco, eu estava prevenida. Não saio de casa sem um plano BE. Usava todas as colas por via das dúvidas. E adorava ser conhecida como A especialista em cola. Só fui pêga uma vez,(desculpe se escrevo pêga, é que sou da geração pré-reforma-ortográfica, e sou conhecida também como rainha do não-desapego) e ainda assim, argumentei com a "fêssora", e ela me deixou fazer uma nova prova, na qual não fui tão bem. Faltou a adrenalina do risco e as minhas amadas colas por garantia.

Quanto mais o tempo passa, mais me lembro de mim quando menina. Ai, Van!... você fez tanta falta, precisava de uma irmã destemida, dona dos cabelos e dos versos mais bonitos pra me fazer lembrar de brincar mais. Tomar tenência e ser segura. Fico tentando acertar os passo da menina que fui, agora. Se ela (eu) decide que quer ser cozinheira, vou pra cozinha. Se ela ( eu) decide que quer ser garota surfista, rumo pra praia. Bióloga, chácara. Bailarina, música. Dona dos móveis, loja. Artista, canto, _ e daí me dou conta que não posso ser cantora em hípótese alguma, pois sou a desafinação absoluta. Sonhava em ser artista. Qualquer coisa artística. Patinadora, , atriz, pintora, bailarina, claro!, escritora, cantora, decoradora, domadora de leões, artista de circo, artista tem que ser bom de acrobacia, e eu que nunca nem consegui fazer uma cambalhota direito...

Você falou em descobrir, né? E que a gente pode ser oque quiser, pelo lado de dentro, que é lado mais bonito, e que é de onde vem toda explicação. Você me ensinou. Vem me ensinando. Passando cola pra essa sua amiga distraída, um pouco medrosa, mas que no fundo no fundo, tem até que um bom coração. Eu continuo colando, porque não vou desistir de aprender. Confia em mim.

_ e já que você insiste, não desiste e garante que não tem perigo
ok, ok, ok, também quero viajar nesse balão-super-fantástico-amigo,
mas amiga, não larga a minha mão!

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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Um recado para o MAR

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Menino mais lindo do mundo esse Mar. Sou louca por ele. Menino feito de água, que pede mergulho, abraço, 'se achegue", saudade. Ser absurdamente louca por alguém ou alguma coisa envolve mais do que gostares e amares conhecidos, são delírios de profundidades não acessíveis à mente do agora, é um passeio inconsciente, um vai-e-vem que nunca se revela, mais que existe em partículas, que viram ondas, que se movem na velocidade do que só se alcança com a alma, e nela mergulho, pra chegar nos teus braços de mar.


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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Adoro!


Todas as cartas pra você, é pouco!

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Oi, Amiga!

Vamos fazer de conta que o longe ficou perto, que oque era doce encumpridou-se, e que tudo que sair da veneta será passarinheira estrofe, e os regabofes serão seguidos de vôos sem fim?
É que tua amizade pra mim, é assim, desse jeito mesmo que você disse na estrofe que brinca de ver a banda passar falando coisas de amor, porque afinal, do tal planeta que viemos e agora orbitamos secretas, e ainda de todas as eternidades arriscadas, algo sempre será pontual:
_ OS AFETOS.

Seus segundos, seus ritmos, seus movimentos, oscilações, temperamentos, despudores, temores e atá as dores, genuínas e doces, afetos de outro verso, e atravesso de olhos fechados qualquer dor desde que ela haja, e haja afeto!
Daí você falou das "sarjetas", e eu adorei porque a vida não é só bolinho, e eu adoro as margens e marginalidades tão amáveis que são, e porque amiga que é amiga vai pra lama junto, garra a briga pra si, não interessa a razão que sempre será nossa, e bebe o amargo, e chora nas espirais de todas as frustrações, e se tiver que varar madrugada, no disco da mesma conversa fiada, lá estaremos, pra ser oque tiver que ser:
ombro, parceria, cumplicidade, calmaria, e no final de toda presopopéia, vai ser a estrela da esperança imorredoura que se dá a cada recomeço. A gente sempre está a recomeçar. A gente não cansa, né?

E pra começar uma prosa outra, você me fala das minhas elegâncias, parcas que são, meus poucos alardes, que são muitos, você sabe, logo você, menina que desfila, meio bailarina, meio garota esperta que não faz fita, sempre linda em todas as suas expressões, oras veja!

Outra prosa:
_ você já começou a envelhecer? Ando com vontade ficar velha.
Leia-se: largar mão de tanta ansiedade tola, desses hormônios que me deixam louca, e de querer "tudo ao mesmo tempo, agora", e virar uma velhinha-meio-louca-criança-feliz, pintar os cabelos de roxo, desenhar coraçãozinho nos lábios, aquela boquinha, sabe?, e deixar de usar blush pra usar rouge, e mais mil pulseiras, feito aquela linda Iris Apfel, 92 anos, it-girl, demais!, ela me inspira, com seus grandes óculos, e pulseiras,quero virar uma pessoa exótica, capaz de ligar finalmente o 'dane-se' e ser apontada como aquela senhorinha muito louca da loja da esquina.

_ Vamos viajar juntas um dia?
Imagina, duas velhinhas assanhadas por Paris.
Oque me diz?
Você dirige o carro porque eu sou distraída agora, imagina depois..., e depois de fuçar tudo em Paris, seguimos para Provence, paramos em todas aquelas vinícolas, e jogamos charme para os todos os franceses que virmos pela frente, e paramos para degustar todas as delícias do caminho, vamos às feiras que nunca fecham, repletas de tantos sabores, frutas, queijos, cores, toda aquela manteiga, e azeites, e olivas e lavandas, e por fim, pausamos em alguma costa bem azul, olhando aquele mar cor dos olhos de algum amor, e pedimos um café completo, e ficamos lá, intrépidas, vendo como passa a banda por aquelas bandas de lá, mas sempre falando de amores, afetos e coisas assim.

Van,
preciso dizer obrigada!
Agradecer por você não desistir de mim, da nossa amizade de tantas, por você perseverar nas cores que você insiste em ver nos meus arredores, por você existir, por seu canto, por suas asas, e por me fazer sentir especial.

Momento básico de tensão:
[não te parece curioso o movimento inverso que ronda o mundo? humor demais, generosidade de menos, ironias que substituem acalantos, primeiro o Eu, segundo o Eu, terceiro também, e o NÓS, tadinho, todo enosado, tropeçado, estrepado, enfim... É uma revolta que não passa...]

Tenho muito pra te contar, embora você saiba, porque você sempre sabe de mim.

Be


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domingo, 10 de novembro de 2013

SEGUNDA-FEIRA

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Então a calma volta. Você vai aprendendo o seu caminho. Acostumando a alma que só na calma existe a esperança. Dá té alegria. A volta da calma é sempre bem-vinda. Como as segundas-feiras. Amo uma segunda como quem ama as sextas. Estranho porque nasci numa quarta, embora minha mãe conte que já fazia anúncios de chegada na segunda. Conta que agitei seus interiores segunda o tempo todo, também a terça, mas que quando chegou quarta, parei. Mas aí já se fazia a boa hora. Dela, não minha. De repente me acovardei, queria porque queria e na hora H, estacionei-me agarrada ás suas entranhas e quase desisti de vir. Ela precisou de mais médicos, toda sua coragem e em certa hora um grito alto que dizia: _ vamos lá garota, vem pra cá, não vai desistir agora, não!, e eu acabei vindo. A primeira pessoa que me viu depois dos asseios foi minha vó. A minha pessoa mais favorita de todo mundo. A única que me fazia rodar nos seus braços. Foi o meu primeiro abraço. Chorei quando sai daquele colo perfumado à água de colônia e pó de arroz clarinho. Dizem que eu era uma bebê bonita, de pele cor de pêssego, xuquinha nos cabelos, e um olhar de perguntas.

A última vez que estive com minha vó misteriosa, que dizem que foi uma das moças mais bonitas de seus tempos, foi um dia antes dela partir. Iria completar oitenta anos de coluna ereta, elegância a toda prova, e pernas para que te quero qua sempre estavam em inquietos movimentos. Sofria da síndrome do 'bicho carpinteiro'. Nunca estava parada. E no coro da igreja, era de todas, a voz que mais se destacava. Alta, esguia e com um quê desconcertante nos olhos, como olhos que vêem um paralelo em tudo que vivem. Éramos almas complementares, almas que sorriam na simples menção de seus nomes. _ Betininha, Betininha, hoje você vem almoçar comigo. Fui, é claro. Batatinhas sotées, um peixe aromatizado por suas ervas secretas, arroz soltinho, dois lugares bem colocados à sua mesa da varanda, ao lado de todas as suas flores que nunca murchavam, e suas histórias de amores secretos. Bebemos, e depois acompanhadas de um licor de flor de laranjeiras, degustamos um puff suave de frutas vermelhas. Era uma segunda-feira.

No dia seguinte, ela seguiu, altiva a sua viagem. Lânguida, alta e secreta como uma alma de porte deve ser. E pensar nela me reconstitiu a calma. A suave calma de quem sabe que a realidade não é exatamente oque importa. Importa é oque temos por dentro. Importa os domínios do amor. Importam os sentimentos mais puros que somos capazs de sentir por alguém. Importa ser especial por dentro. E se não fôr pedir demais, por fora também. Importa acreditar nos sonhos. Mesmo que não passem de sonhos. Ou exatamente por serem obra das mãos das coisas mais belas, aquelas nas quais acreditamos porque existe amor. E porque existe a segunda. E depois a terça. E Outubros, Novembros, Dezembros, e dias e horas e tudo infinitamente, porque quando você ama alguém que já partiu você descobre que o poder do amor transcende a presença. Comprova o sonho. E eu sonho. E acredito nas Segundas-feiras.


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sábado, 9 de novembro de 2013

Num é?...

NOVEMBRO

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E agora,
depois de tantos blefes
blefe-------- atitude pouco confiável para manipular o outro,
_ para qual história vão se abrir as cortinas de NOVEMBRO?


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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Para minha amiga preferida!

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Oi, Amiga!

Recebi tua mensagem.
Mais do que isso.
Recebi teu carinho,
tua atenção e toda extensão das tuas palavras.
Como não sei ser sucinta, resolvi responder por aqui, este recanto que me acalma, me traz boas recordações, e faz com que eu sinta melhor as minhas emoções.
Pura contradição,
porque, este mundo enm existe, e é onde eu insisto em existir.

Tenho certeza que você me compreende, porque teus comunicados são coisa de alma, e me alcançam, e me acalmam. A inquietação não passa. Sabe quando não passa? Não passa, não passa, não passa não! Uma coisa eu aprendi, querida, as coisas não mudam. Há qualquer que coisa PRECISA ser aprendida e tudo se repete, infinitamente, até que o milagre aconteça. Sou muito boa em cálculos, adoro números e os mistérios da Física, no entanto, nos assuntos da simplicidade da vida real, não passo de ano, sou uma repetente distoante em meio às espertas criancinhas aqui do jardim de infância.

Se estou feliz? _ Sim, estou. Tenho uma lista interminável de graças maravilhosas que fazem da minha vida uma vida boa.
Se estou completa? _ Não!, não estou.

E você irá me dizer com toda a sua profunda sapiência:
_ oras, Be, acorda, alguém está?
E eu vou dar uma risada, e agradecer à Deus por você existir e me dizer coisas que sempre me chegam na hora certa e direcionam minha bússola maluca para o norte, e me fazem prosseguir. Suas palavras e sua energia sempre perfumam minha memória, você é uma preciosidade, amiga dos passarinhos, e que sabe cantar. Me conte de você. Escreva. Manda um passarinho até aqui! Be