sexta-feira, 31 de maio de 2013

terça-feira, 28 de maio de 2013

Você tem olhado o mundo? Ele te parece bem?

.


Parar o olhar. Parar de pensar. Simplesmente conseguir parar a engrenagem das coisas por um segundo. Um segundo que fosse. Um segundo que conseguisse ser mais longo que todo tempo vivido. Um segundo de coisas bonitas que de forma alguma fossem esmagadas por qualquer tipo de maldade. Um segundo de reinado absoluto para o silêncio das coisas invísiveis e puras. Um segundo que abraçasse todo mundo ao mesmo tempo. Todo  o mundo. O mundo inteiro. Poderoso instante de êxtase da beleza original. Sem interferência humana. Sem tentações e surrealismos a que se chama realidade. Ninguém pensaria. Ninguém interferiria. Só o silêncio e o segundo que reunisse tudo de novo ao cosmos. Um segundo no tempo de um abraço único. Tudo e todas as coisas se reencontrando. Um segundo perturbador que nos aliviasse de todas as feridas do mundo que foi transformando-se bruto, e de repente, num único segundo de siêncio e apreciação reconduzisse a vida aos fluídos de um outrora desconhecido. Por desconhecido diria-se bom. Inconscientes por um segundo deste mundo. Na volta, para o próximo segundo, seres mais tocados. Mais sentimentais. Menos capazes de produzir dor, mais inspirados pelo amor. Amor diferente. Original. Amor por todas as coisas por em todas haver o reconhecimento de encontro. O mundo doente, curado. Reinventado num segundo de silêncio coletivo. Uma viagem de onde todos retornariam juntos e limpos. E um alívio. Poder acordar sem medo do mundo. E o mundo sem medo de nós outra vez. 



_ Olhando o mundo pelos olhos dos tantos canais possibilitadores de informação, ou pelo pequeno mundo que habito, tão avizinhado de perturbações e egoísmo, penso em quanto o mundo precisa de prece. Não uma coisa estritamente religiosa, veia tão congestionada de contradições, mas algo feito no pensamento do coração. Não um fazer de conta. Mas um pensamento de força. Uma prece pelo mundo que faz de conta que se diverte sob ângulos fantasiosos de que está tudo bem, quando, no fundo, no raso, por todo lado, dói, dói no todo, e dói, sobremaneira  em cada um de nós, mesmo quando as feridas só nos são simbólicas. Os tantos canais de informação nos contam todos os dias, sobre violência, corrupção, falência de todo tipo de valores, exposição de figuras públicas, celebridades e futilidades, gente e mazelas de todo tipo,os mais bizarros casos, um pobre dentista queimado vivo por não ter dinheiro em cash para ofertar aos assaltantes...Estarrecedores casos. Todos os dias, todas as horas, todos os minutos, especialmente na nossa pátria amada mãe gentil. Acostumamo-nos à barbárie. Tudo soa normal. Falar sobre é ser chato. Até que bate à porta de algum ente querido e a gente pensa. Pensa. Pensa. Pensa:
 Ás vezes eu penso que o mundo anseia acabar. De vergonha.


*



domingo, 26 de maio de 2013

Domingos Inquietos

.


Em um mundo que tudo se mostra,
o obsceno não é mostrar, O OBSCENO É ESCONDER



_José Castello





*

Sopro

.


Admirável é o intenso,
fogo que arde contínuo, calmo
um tanto frágil quando pede o sopro, risco
que é pra atiçá-lo
mas pode apagá-lo,
o cultivo de uma existência tem que arder intenso
sem o sopro atento e exato, as ardências se perdem

e oque aquece
faz que permanece
chama, que no instante ausente, resiste mas acaba
que se apaga
e fim


*

sábado, 25 de maio de 2013

Por dentro

.





As melhores palavras
feito as grandes lembranças
acabam ficando guardadas
no leito que nos habita por dentro...


*

Só nos resta esperar!

.

Se as palavras realmente disessem oque têm a dizer estaríamos mais perto. Ou mais distantes?
Oque parece é que oque realmente importa sempre se escapa da palavra, como se palavra fosse uma partícula imperfeita de onde se esvai a essência secreta do que originalmente deveria ser dito. Brotaria nos recônditos desconhecidos e inacessíveis do que se chama coração, meio que arrancado, meio que por opção, dúbia condição, liberar pureza para contaminá-la?, e o pensamento fosse assim resgatando-a, trazendo-a para as ruelas da mente, tantas e tão poluídas por dores e rancores e coisas sem grande notação, que quando finalmente chegam à boca, diz meio, dá volta e meia para dizer, porque note, o coração sempre aperta no ato de dizer. Então a palavra vem encoberta. Sai alva mas quando chega, chega cinza, pobre dela, não suporta o caminho, tenta disfarces, faz rodeios, diz de acordo com os acordos de vigência ,tem medo, rodeia, rodeia,  por que afinal, ela se esconde?, a quem quer proteger senão o sangue de quem a habita? Palavras num fluxo sem nexo, vazio que só anseia estancar a ferida de tanta palavra de pouca serventia,

A verdadeira palavra, a palavra mais linda, nunca está pronta pra vir ao mundo,
na falta de confissões, segue-se um mundo de palavras desgastadas...


* 

terça-feira, 21 de maio de 2013

OPEN


.


O amor não emperra
quando o sorriso aberto
impera,

que imperativo nos seja
sorrir e amar!


*

domingo, 19 de maio de 2013

A paz é toda azul

.

Faz parte de todo coração apertar às vezes,
e é nas horas de aperto que a gente tem que pensar no azul,

azul do céu, azul dos olhos, azul do mar e  do amor que mora ao lado
que mora do lado de dentro, que se às vezes aperta, em seguida desaperta

porque nada é mais imperioso do que os pensamentos que tocam o azul
que purifica as intenções...


*

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A poesia

.

_ Bem, vou sair do trabalho ás 18, mas se dér, me escapo antes. Compro pão e queijo. Chego e me livro das roupas do dia pra me vestir de mim mesma, qualquer coisa macia que não me estrangule as carnes. Prendo o cabelo e lavo o rosto as mãos e as marcas do dia. Todo dia deixa sua marca. Umas bem pequenas, outras maiores, tenho planos de não captar essas marcas. Faço café. Faço bolo. Faço novena. Faço prosa. Faço verso. Faço companhia pro mundo que meu livro carrega. Volto. E abrigo-me. Até canto neste canto chamado casa. Cuido um pouco dela se o cansaço não me vencer. Caso vença, estiro-me em todos os lugares sentáveis e aprecio. Depois vou para muitos lugares via oque o acaso me trouxer. Pode ser via radio, ondas cibernéticas, algum convite de última hora, ou o sono, o mais sedutor de todos. Daí rezo, tento pensar em coisas bonitas, beijo todo mundo que me vem á cabeça e adormeço.

Cadê a poesia no meio dessas trivialidades?
Encontrá-la é sempre o meu maior plano.


*


quarta-feira, 15 de maio de 2013

SOL-TE

.



SOL-TE

SOLTE O SOL

SOLTE
TODO SOL
TODA SORTE

PODE
QUE VOLTE

SOL-TE


_ Paulo Leminski


*

terça-feira, 14 de maio de 2013

Talvez

.

Foi só uma promessa,
talvez, um tipo de tropeço divertido.
Ou foi  só um poema.
Talvez, aquele tipo de solidão que atiça.
Acho que foi só fantasia.
Foi o tempo de uma flor
que a gente guarda as pétalas num caderno,
e esquece, até que.
Talvez tenha sido lentidão,
ou alma datada em desapego,
a réstia de um raio de sol
sob a aba do seu chapéu
de tão pouca serventia.
Talvez tenha sido só preguiça
de dividir o dia-a-dia,
e resolveu prevaricar com a poesia
que se não tem alegria
tem melancolia invertida
feito o verso da saia da menina.


*

domingo, 12 de maio de 2013

Mamy

.


inextinguível amor,
só no teu olhar
eu acho abrigo
para ser...

eu sou
a tua flor!


*

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Deixa em paz seu coração!

.

e com o tempo sua alma descobre
que tudo que quer é uma boa sombra
e umas borrifadas de àgua fresca!


*

Sentido

.

Esqueci de anotar o autor, mas não sai da minha cabeça sua resposta à uma pergunta óbvia:
_ O senhor acredita em Deus?
_ Eu acredito muito, mas gostaria que Ele fosse diferente.

Por diferente oque será que ele quis dizer?
Um criador mais próximo, menos enigmático, mais decifrável, mais acessível, mais real?...
MAIS PERTO.

Meu amigo não anda de bem com as coisas do amor. Chama-me a atenção para o fato de que as pessoas podem ser más. Eu já sabia. Sempre soube, e por isso mesmo me guardo em revelações. A gente vai se guardando até não se achar mais. Esse é o negócio. Aprendemos ISSO com este Deus que vive brincado de esconde-esconde, que não se revela e ao mesmo tempo se revela em tudo que faz. Feito a gente e as tantas coisas que não somos capazes de trazer para as mãos das palavras, mas que somos, pensamos, sentimos, queremos, desejamos...
Há suspeita no movimento. Parados somos mais bonitos. Como quando dormimos e escapamos para os sonhos que nunca fazem sentido. Estamos sempre às voltas com o enigma. Quem no rege, quem somos, quem nos cerca, quem nos ama, quem não engana... O meu Deus seria um "cadinho' mais bonzinho se eu pudesse. Ele tirava logo de circulação a maldade e tudo ficava mais fácil. Nada de cíúmes, invejas e mesquinharias, ninguém precisava mais ficar oscilando entre oque é puro  e oque é diabólico. Toda maldade é pequena e começa estupidamente, então não precisaríamos mais fatiar a alma e tudo seria claro. E a vida não seria mais bruta em suas revelações porque tudo que se revelasse seria bom. Mas a leveza é tida como fútil e insuficiente. Daí um enigma de grandes proporções: perderia a graça viver sem o risco?

Se são so riscos que dão graça ao viver, então não seria errado dizer que nossos malfeitores são, ao mesmo tempo, os possibilitadores de nosso crescimento, evolução e coisas e  tals. Seriam o relâmpago, o anúncio, a generosidade de se exporem aos maus papéis para que a nós fosse notável a dor, a coragem e a superação. O salto. Seriam o nosso impulso rumo ao auto-conhecimento?

As coisas não fazem sentido. Talvez se para Deus fosse perguntado se Ele acredita nos homens, Ele respondesse:
_ Eu acredito muito, mas gostaria que eles fossem diferentes...

O que Ele poderia querer dizer com diferente?
Mais leves, menos ansiosos, mais apreciadores, mais calmos, mais confiantes, mais amorosos, mais atentos, menos exigentes e melhores sobretudo uns com os outros, e entremeio à esse enigma tão vazio de sentidos, essa seria uma coisa que faria, extraordinariamente, um grande sentido.


*

sábado, 4 de maio de 2013

"toda gente qué!"

.


Internet é legal,
mas decididamente
ela é incapaz
(  e inoperante)
 na arte de  fazer cafuné...


*