quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Dançar conforme a Música

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Então a praia ficou vazia,
nada mais havia pra nos separar,

 _ Eu e o mar nas suas preleções sobre oque é amar:
alguma distância, grande respeito, limites de entrega, zero de cobranças,
a ausência de expectativas nas ondas da alegria do jeito que vier...

Ele canta suas canções de marés oscilantes,
e eu danço, porquê amar é dançar conforme a música que tocar:

Toca D.J.


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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Senha

Eu tenho acesso ao teu coração. Um acesso limitado, é verdade, só tenho uma senha, justo teu coração tão cheio de senhas,  e ela me leva apenas à um lugar que eu inventei pra mim, dentro de você. Caminho pela intuição, mas pode chamar de piração onde  é sempre de noite. Lá eu posso ver o teu céu. Está sempre encoberto, mas não de todo. Dá pra ver uma estrela. E umas nuvens que formam desenhos desconexos. Dá pra ouvir as tuas músicas e entender as tuas mágoas. Não é grande, porque eu nunca fui espaçosa, mas tem espaço o suficiente para armazenar tudo que eu acho bonito em você, e também para correr entre a brisa das tuas lembranças mais caras, de você menino, de você descobridor dos sete mares, dos ares, e das cenas de amor por mim. Ás vezes sinto um descompasso. Todo o teu coração bate diferente deste pedacinho que eu inventei pra mim. É doido porque é o meu sangue que corre nessas veias metáforicas, que detestam rejeição.  É daí que eu vejo como é pequeno este espaço. Sinto-me invasora e me retiro. Decido não te ocupar mais, mas então, quando noites ou mesmo em fragmentos de dia que me conectam à você ocorrem, eu fecho os olhos e digo bem baixo a senha e tudo começa outra vez. Tenho esperanças. E ilusões.  Penso que estou alargando meu domínio despercebido porque sempre descubro alguma coisa nova. Tenho sonhos de que um dia desses, sem que eu saiba como nem porque, eu tenha acesso a outro pedaço de senha, e consiga entrar no seu coração, o seu mesmo, não este inventado por mim, e  com a sua permissão, com a sua emoção,  e mais até do que isso, com um chamado seu, eu amplie meu saber de ti.
Enquanto isso, guardo, aguardo e abusa da senha:  '   e n t r e    r a z õ e s   e    e m o ç õ e s   '   .



"grande mesmo é aquele que tem coragem de tirar seus erros pra dançar."


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domingo, 20 de janeiro de 2013

Ilusão






Meia lua é ilusão.
A lua é sempre inteira
assim como é ilusão tudo que pensam de nós.

Somos luas inteiras passando por fases,
_ ora crescentes, ora minguantes,
faces de uma
multiplicada em nós.






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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Uma vaga no olhar

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 Eu não sei oque sinto quando olho, ando tão destraída olhando, ando caminhando pelo verbo vagar,


_ vagando e divagando com as estrelas!



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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Observadores

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No fundo somos todos OBSERVADORES uns dos outros. Não é á toa que o assunto preferido é sempre o outro. É que o outro nos emociona. Mexe com a gente nas nossas inúmeras capacidades de emoção. A alegria pode fazer rir, mas pode também fazer chorar. É no outro que a gente se vê, e vê de tudo: alegrias que também somos, a tristeza que é sempre doída, o movimento dos dias, as janelas. Em tempos de conexão, é engraçado falar 'janela'. Nunca se sabe se a palavra se refere ao virtual ou ao real. Oque è virtual é real? E oque é real?... é real mesmo? Somos donos de grande imaginação. Nada a ver com inteligência, muito mais a ver com intuição. É sempre por intuição que vamos elegendo nossos assuntos e pessoas preferidas. Observar é um ato de admiração. Os velhinhos que o digam. Sempre tem algum pendurado nas janelas das ruas das cidades. Olhos de recordações e admiração. Olhos de recado que têm sempre o mesmo conteúdo: _ APROVEITE, APROVEITE! Nem sempre a gente aproveita porque observa demais, compara demais, censura demais, se aumenta ou se dminuí demais. Dois movimentos: Observar e aproveitar. Dois movimentos prazerosos. Observar também é uma forma de aproveitar, embora seja muito indicado intercalar, que é pra  ter graça pra todo mundo.



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sábado, 12 de janeiro de 2013

O que seria da vida, sem a POESIA?




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Poeta sempre foi uma raça em extinção. Só que uma extinção diferente. O poeta teima e a extinção, comovida,  finge que se acaba. Resta a poesia. Ponto pra vida!
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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Sereninha

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Sereninha é a tarde
com perfume de florzinhas
que desejam ser
colhidas


Nada pra fazer
Nada pra dizer
Só mesmo o  prazer
De ver a tarde
entardecer,

feito flor pra se colher!


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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Canta pra mim!

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Quer saber de uma coisa que me alegra?
_ O canto dos BEM-TE-VIS.

E eles voltaram com tudo. Para o bem
eles se chamam,
eles nos chamam,
eles me chamam:
_ Beeeeeeee!

Falando em algo significativo,
que seja um canto de bom augúrio à despertar outros cantos...


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sábado, 5 de janeiro de 2013

SIGNIFICATIVO

Significativo é quando os sinos tocam. Por dentro da gente. Na capela dos nossos sentimentos. Quando a sensibilidade  é a linguagem que todo mundo entende. É como receber flores. Ou olhar as estrelas de mãos dadas com o seu amor. Significativo é oque fez um momento ser único. E de verdade. De verdade absoluta porque nada que é significativo poderia ter sido de mentira. Significativo é quando algo é  aboslutamente de verdade. Palavras, respostas, encontros, perguntas. Como  quando Guimarães Rosa pergunta para onde nos atrai o azul? Por ser tão significativo, o azul nos atrai para o amor, assim como o amor nos leva a passear nos azúis do grande mar. Um mar de significados azúis.

Significativo não tem como ser banal. Muitas cenas de algum significado serão vividas, outras de quase nenhum, mas um momento significativo será como ver o mar. O mar nos dá a certeza que algo pode se repetir e repetir e repetir, e ainda assim, estará lá o seu amplo significado. Significativo é algo que ultrapassa tamanhos. Como o mar que não tem tamanho. Como pode uma imensidão de azul misturado de verde, tão grande e igual em toda parte, significar tanto? Ele tem o poder de ser significativo. Lembra o amor, as viagens, a nossa pequenez, o nosso lado infinito que a gente acha que é coisa de maluco que gosta de física quântica, que nada mais é do que a ciência mais significativa de todas. Por quê? Simplesmente porquê é muito significativa a ideia de que somos mais do que dizem os meros significados alcançados. Significativo é oque ultrapassa os significados. Ou que faz nascer um sentido novo. O novo é muito significativo. Assim como algumas antiguidades que só fazem valorizar na moeda do coração.

Significativo é o amor. É a saudade de alguém que não se esquece. É conhecer alguém especial além da conta. É conseguir alguma coisa, sendo que conseguir é dos verbos, um dos mais significativos. Significativo pode ser um silêncio desejado, uma bagunça improvisada, um caos que trará alguma mudança, significativa é a esperança. Não na palavra vazia, mas na sensação de alegria que algo é possível. Algo que fará nascer um significado novo dentro de tanto vazio.
Significativo é a gente descobrir que ainda dá tempo pra alargar significados. Que ainda dá tempo de fazer dessa existência única e pessoal, algo realmente significativo. Que dá tempo. Tempo. Essa coisa tão significativa...


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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Quando pensar não tem legenda...

Uma coisa puxa a outra.
Um sonho, por exemplo:

Você sonha com uma noite chuvosa, sente frio, e acorda pra puxar as cobertas caídas ao longo da cama. Fica curiosa. Será que tá chovendo? Será que tem alguém passando? Que horas serão?Olha pela janela. Não está chovendo, ninguém está passando e a rua muita limpa está dormindo o sono dos justos. Ainda na janela, você vê a lâmpada que ilumina a calçada e lembra do tempo que olhava para o céu.  Ele está encoberto. Não dá pra ver as estrelas. Será que vai chover? Será que cairá uma estrela? Será que ...?
Quando chove o ar fica fresco e mais puro. Palavra mais leve essa tal pureza. O mundo tem tanta impureza pra contar. Pureza, não! Pureza é raridade quando não se está dormindo. Eu sou impura até dormindo.
 Pureza. Como purificar um pensar? Não lembra?
 Lembra como cansa pensar. Pensamentos são como uma chuva que não se cansa de chover. Chove, chove, chove, e não molha. Não é água. São impurezas.
Tem vezes que é bom como uma chuva de verão num dia de todo calor. Mas é mais raro que comum. Comum é doer no pensar. E dói...
Tem vezes que não! Tem vezes que assusta mesmo, assusta
pela intensidade desnecessária, pelo barulho. Barulho de enxurrada.
É certo que limpa tudo. Mas pode destriur também.
Pensar demais danifica. Mas como calar os pensamentos? Como fazê-los chover de mansinho? Como fazê-los dar lugar à noites DE ESTRELAS? Como fazer silêncio? Como reverter? Como não calar? Como não pensar o impensável?
A noite está quieta. A noite está quieta neste quarto quieto desta casa que é tão quieta. Tudo calado nesta janela que dá pra  essa rua quieta desta quadra de segredos que guarda essa lado quieto desta cidade que não fala nada além de barulhos e ausências. E eu que não me aquieto. De repente, um trovão. Faz-se um clarão. É um raio. Precipam-se gotas após lindas gotas de chuva. Abro a janela e colho um pouco de chuva nas mãos. Passo a água que cai do céu pelo meu rosto, pelos meus cabelos, na minha nuca e finjo que me acalmo. Não sou boa em me tapear, mas tento porque meu corpo tem sono.
Fecho a janela, apago a pequena luz azul do abajour e volto pra cama. Quando chove lá fora a calma faz visita, embora ajam cerimônias e mesuras desnecessárias. Mas enfim,  o sono vem. Ou volta... Gira o mundo e volta quieto.
Durmo e sonho. Dormir é bom. É um flerte arriscado com a morte. Mas não há vida sem risco. Nem sonho. Nem sorte. Por sorte, de manhã, acordei. E havia chuva.

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