quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Relato de Natal

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E acabou sendo uma linda noite de Natal. Apesar de. Antes de sair para a ceia festiva, postei um bilhetinho no presépio aqui de casa pedindo ao Menininho pra me ajudar a ser uma boa convidada, afinal, não era a ceia em casa de entes queridos apenas, era uma festa pra lembrar as verdades de criança especial. Pois bem, fui atendida. Baixou sobre mim um espírito apaziguador. Eu preciso desta proteção todo ano no Natal, porque, me dói um bocado não ter TODAS as pessoas que eu amo por perto. E também porque fico sensível além da conta e qualquer palavra me faz questionar.

Mas eu fui atendida. Houve um milagre em mim. Eu aceitei que não dá pra se ter tudo. Quer dizer: aceitei é o modo de dizer, eu... na verdade, sublimei assim: vou ser o melhor de mim pras pessoas que estão aqui, para que, meu coração fique puro e alcance quem não está. Foi uma noite alegre, tudo divertido, cheia de sentimentos de encontro, abraços, palavras simples e bonitas, três criaças pequenas e lindas, e mais um monte de crianças crescidas dispostas ao milagre de uma noite feliz.

Minha mãe me tirou no amigo secreto. Ganhei dela uma vestido chocante de lindo, que fui eu que escolhi, claro!... é a vantagem de ter a mãe por amiga secreta. Dei à ela um lindo conjunto de calça e blusa, que ela não escolheu, mas adorou. Ganhei uma penca de livros: Milan Kundera, Tolstói, Edney Silvestre, Hermann Hesse, e por aí vai. Pelo jeito as pessoas aceitaram o fato que eu amo ler, mesmo que isso me isole um pouco delas e faça meus cometários parecerem meio fora da órbita contemporênea.

Esclhi cada um dos presentes que ofereci com mais carinho este ano. Tentei ser mais generosa e parece que as pessoas sentiram porque foram abraços mais apertados este ano. Foi aquele tipo de noite carinhosa da qual ninguém quer se desfazer. Madrugada à dentro, risadas gostosas, comidas e bebidas perfeitos, uma noite com cara de presente. Embora faltasse. Metade de mim. Faltava. E eu precisave encontrar. Precisava olhar pro céu como faço em todos os Natais e mergulhar nas estrelas para me acalmar.

No entanto, só consegui olhar para o céu após chegar em casa. Toda aquela excitação e mais a voz doce da minha sobrinha de três anos ecoando em meus ouvidos suas travessuras e doçuras tantas, foi somente depois de chegar em casa que consegui chegar à varanda pra tentar chegar perto dos tantos amores que estavam longe. O céu estava tão brilhante, mais do que sempre, uma noite quente, clara, com milhares de estrelas piscando mais que o normal. Era o segundo milagre. Era como se cada uma das pessoas que não tive por perto, pudessem ser alcançadas para um abraço, para um beijo, para uma prosa mais demorada, umas risadas, amor adentro na madrugada.

Não vou citar os seus nomes, tenho certeza que se sabem moradores do meu coração, estivemos juntos, de forma diferente, mas tenho certeza que estive perto de vocês, e foi uma grande emoção. Foi o melhor momento do Natal.


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Um comentário:

Lu disse...

Que lindo!!!

Adoro seu blog, suas palavras. Parabéns!

=)