quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Todas as cartas pra você, é pouco!

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Oi, Amiga!

Vamos fazer de conta que o longe ficou perto, que oque era doce encumpridou-se, e que tudo que sair da veneta será passarinheira estrofe, e os regabofes serão seguidos de vôos sem fim?
É que tua amizade pra mim, é assim, desse jeito mesmo que você disse na estrofe que brinca de ver a banda passar falando coisas de amor, porque afinal, do tal planeta que viemos e agora orbitamos secretas, e ainda de todas as eternidades arriscadas, algo sempre será pontual:
_ OS AFETOS.

Seus segundos, seus ritmos, seus movimentos, oscilações, temperamentos, despudores, temores e atá as dores, genuínas e doces, afetos de outro verso, e atravesso de olhos fechados qualquer dor desde que ela haja, e haja afeto!
Daí você falou das "sarjetas", e eu adorei porque a vida não é só bolinho, e eu adoro as margens e marginalidades tão amáveis que são, e porque amiga que é amiga vai pra lama junto, garra a briga pra si, não interessa a razão que sempre será nossa, e bebe o amargo, e chora nas espirais de todas as frustrações, e se tiver que varar madrugada, no disco da mesma conversa fiada, lá estaremos, pra ser oque tiver que ser:
ombro, parceria, cumplicidade, calmaria, e no final de toda presopopéia, vai ser a estrela da esperança imorredoura que se dá a cada recomeço. A gente sempre está a recomeçar. A gente não cansa, né?

E pra começar uma prosa outra, você me fala das minhas elegâncias, parcas que são, meus poucos alardes, que são muitos, você sabe, logo você, menina que desfila, meio bailarina, meio garota esperta que não faz fita, sempre linda em todas as suas expressões, oras veja!

Outra prosa:
_ você já começou a envelhecer? Ando com vontade ficar velha.
Leia-se: largar mão de tanta ansiedade tola, desses hormônios que me deixam louca, e de querer "tudo ao mesmo tempo, agora", e virar uma velhinha-meio-louca-criança-feliz, pintar os cabelos de roxo, desenhar coraçãozinho nos lábios, aquela boquinha, sabe?, e deixar de usar blush pra usar rouge, e mais mil pulseiras, feito aquela linda Iris Apfel, 92 anos, it-girl, demais!, ela me inspira, com seus grandes óculos, e pulseiras,quero virar uma pessoa exótica, capaz de ligar finalmente o 'dane-se' e ser apontada como aquela senhorinha muito louca da loja da esquina.

_ Vamos viajar juntas um dia?
Imagina, duas velhinhas assanhadas por Paris.
Oque me diz?
Você dirige o carro porque eu sou distraída agora, imagina depois..., e depois de fuçar tudo em Paris, seguimos para Provence, paramos em todas aquelas vinícolas, e jogamos charme para os todos os franceses que virmos pela frente, e paramos para degustar todas as delícias do caminho, vamos às feiras que nunca fecham, repletas de tantos sabores, frutas, queijos, cores, toda aquela manteiga, e azeites, e olivas e lavandas, e por fim, pausamos em alguma costa bem azul, olhando aquele mar cor dos olhos de algum amor, e pedimos um café completo, e ficamos lá, intrépidas, vendo como passa a banda por aquelas bandas de lá, mas sempre falando de amores, afetos e coisas assim.

Van,
preciso dizer obrigada!
Agradecer por você não desistir de mim, da nossa amizade de tantas, por você perseverar nas cores que você insiste em ver nos meus arredores, por você existir, por seu canto, por suas asas, e por me fazer sentir especial.

Momento básico de tensão:
[não te parece curioso o movimento inverso que ronda o mundo? humor demais, generosidade de menos, ironias que substituem acalantos, primeiro o Eu, segundo o Eu, terceiro também, e o NÓS, tadinho, todo enosado, tropeçado, estrepado, enfim... É uma revolta que não passa...]

Tenho muito pra te contar, embora você saiba, porque você sempre sabe de mim.

Be


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