sábado, 1 de junho de 2013

O amigo e o filme



Amigo fala cada coisa, né? Fica sem filtro e viaja porque sabe que você vai rir e concordar. Meu amigo anda escasquetado do porquê ninguém faz um filme onde tudo dá certo. Tudo certo do começo até o final. Um filme que falasse sobre um dia que fosse, na vida de alguém onde a sucessão dos acontecimentos fosse suave e calmo como um dia deve ser. Roteiro de delicadezas...
O despertar. Quantas sensações dentro de uma única cena. O que se pensa, o que se projeta, a preguiça, os devaneios, o despertador, o raio de sol pela janela, o barulho da rua, vespertinas miudezas de acordar vivo. A cama. A maciez das cobertas, a sedução de um travesseiro de sonhos, e os sonhos, caso sejam lembrados, escritos rapidinho no caderno que mora ao lado. Mais um filme à parte. O telefone poderia tocar. O anúncio de alguma surpresa. Uma mensagem. Um rabisco amoroso,  anônimo no muro da frente, provocando todas as emoções, dúvida, surpresa, espanto, contentamento, de repente a certeza, a dança da alegria pela casa que abriga. A casa. Os cômodos ainda dormindo, preguiçosos e sem pressa de acordar. A sacada de trás, tons sépia de casa dormida, e num átimo de segundo uma cena enorme onde as cortinas se abrem para um jardim de árvores verdinhas, descortinadas porque oque quer se ver é a esperança de um dia de sonho. E depois a cozinha. A água pra ferver, os vapores de um café fresquinho sendo passado no coador, manteiga, suco de laranja, o mamão docinho num prato antiguinho. O paladar sendo explorado devagar. Um jornal onde só haveriam boas notícias: a cura de alguma doença, a viagem de mil dias de um homem à lua, um ovni que ronda a casa da menina, a festa de aniversário do moço que mora em Salvador, o lançamento de uma canção feliz, notícias sobre o livro. O som das folhas do jornal sendo lidas sem pressa, e um rosto sendo gentilmente focado na alegria...

Uma casa ao acordar. Depois outra. E outra. E outras sem comunicando por janelas, avenidas, ruas, bairros, vilas. Um despetalar suave de margarida. A vida, amiga. Vizinha...


_ Gostei da ideia do meu amigo, mas concluímos que o mundo ainda não está pronto pra inverter a ordem concebida  de que é preciso dor pra conhecer as delícias de uma vida de amor. Certamente não daria bilheteria. Mas se a gente ganhar uma bolada na loteria, daí a gente roda o filme, e distribui de grátis só pra semear alegria.





5 comentários:

Cris Guenin disse...

Torcendo pra vcs ganharem na loteria! :D

brisonmattos disse...

FAÇA o filme, ou só de decore de mais poesia, como essa linda.

Be Lins disse...

Valeu a torcida, Cris!

Brison, obrigada por ver beleza no que escrevo.

Beijos pra vocês!

Lianto disse...

http://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2013/06/cantor-e-compositor-pernambucano-siba-lanca-avante-em-sao-luis.html



E para chegar ao ar
respirar

é ainda onde há vida.




( foi aniversário de minha vó de 90 anos, emoções em detalhes, conto todas, quer ouvir ou ler? )




e o meu tá proximo,
hohohohohoh


VIVA A MORTE !!!!!!!!!!!

Be Lins disse...

Lianto,
que alegria você estar com sua avó, em data tão especial. Claro que quero saber tudo, me escreva, faça disso um conto, lindo assunto.

Quando é seu aniversário?

Beijos