sexta-feira, 7 de junho de 2013

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Eu já sonhei um castelo de sonhos. Sonhos de castelo. Românticos sempre eram. Sonhos de muitas  cores. Muitos tecidos. Sonhos tecidos daquela maneira de quem não tem talento, mas tem capricho. Sonhar é um ato caprichoso. Se você sonha, é 'porque quer porque quer'. Um capricho. Do que são feitos os sonhos ninguém sabe. Nem os sabidos. Sabidos são os que não tem tempo pra sonhar porque viver lhes ocupa o tempo todo. Achava que era sabida quando menina. Uma sabida que sabia coisas desnecessárias, mas ainda assim, uma menina sabida. Depois você cresce e descobre que não sabe oque era mais importante de saber. Porque saber fazer mínimas coisas bem-feitinhas  não é coisa que gente considera coisa sabida. Sabido é aquele que alcança. E isso não vale pra fruta no pé, nem chegar por último na corrida da rua. Nem para os sonhos mais lindos. Nem pra nada de nada do mundo real. Acho que o mundo real tem raiva dos sonhos. É que  o mundo dos sonhos é mais bonito. Mais puro e mais limpo. Ninguém coloca dentro do seu sonho sentimentos contrários ao que é belo. Não cabe. Se couber é pesadelo, e para pesadelos, basta acordar. 

Eu já sonhei ser bailarina. Também já sonhei ser aeromoça quando menina. O desejo nasceu quando um dia, na escola, a professora de música soube que seria. Estávamos na sala de música em meio á dó-re´mis quando a freirinha entrou na sala apressada chamando a professora pois seu pai a aguardava com a notícia: foi escolhida para ser aeromoça, isso nos tempos em que isso parecia ser  muito mais glamuroso. Ela saiu correndo abraçar o pai, e nós, as alunas, fomos todas para janela do 2.andar pra olhar aquela nossa linda professora sair voando pra não mais voltar. Daquele dia em diante todas as aulas de música nos ensinaram a sonhar. Depois sonhei em ser miss. Também quis ser modista, artista de circo e patinadora de gelo. Distraída das atividades. DDA. Eu queria é voar. O mundo era bom. Ainda é, até. Mais não como nos sonhos. E isso é estranho. Não sei oque traz mais dano, um dia me perdôo por tanto engano.


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2 comentários:

Anônimo disse...

Cara Beatriz Lins, você escreve de maneira sublime! Tem o dom de expressar os seus sentimentos de maneira suave, agradável. Embora eles sejam densos, de uma profundidade que atinge minha alma.Descobri o seu blog a pouco tempo e foi um achado dos bons. Hoje mesmo passei horas me deliciando com os seus textos, com a delicadeza da sua poesia. Obrigada por nos presentear com essa linda obra.

Be Lins disse...

Cara Pessoa Anônima,
a quem deveria chamar
Pessoa das Delizadezas,

já que penso que destinar palavras gentis aos outros é uma das formas mais delicadas de se usar as palavras,

quero agradecer à você, e
BASTANTE,

não é todo dia que a gente se sente especial no pensar de alguém.

Beijo
e muitas felicidades pra você!