terça-feira, 28 de maio de 2013

Você tem olhado o mundo? Ele te parece bem?

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Parar o olhar. Parar de pensar. Simplesmente conseguir parar a engrenagem das coisas por um segundo. Um segundo que fosse. Um segundo que conseguisse ser mais longo que todo tempo vivido. Um segundo de coisas bonitas que de forma alguma fossem esmagadas por qualquer tipo de maldade. Um segundo de reinado absoluto para o silêncio das coisas invísiveis e puras. Um segundo que abraçasse todo mundo ao mesmo tempo. Todo  o mundo. O mundo inteiro. Poderoso instante de êxtase da beleza original. Sem interferência humana. Sem tentações e surrealismos a que se chama realidade. Ninguém pensaria. Ninguém interferiria. Só o silêncio e o segundo que reunisse tudo de novo ao cosmos. Um segundo no tempo de um abraço único. Tudo e todas as coisas se reencontrando. Um segundo perturbador que nos aliviasse de todas as feridas do mundo que foi transformando-se bruto, e de repente, num único segundo de siêncio e apreciação reconduzisse a vida aos fluídos de um outrora desconhecido. Por desconhecido diria-se bom. Inconscientes por um segundo deste mundo. Na volta, para o próximo segundo, seres mais tocados. Mais sentimentais. Menos capazes de produzir dor, mais inspirados pelo amor. Amor diferente. Original. Amor por todas as coisas por em todas haver o reconhecimento de encontro. O mundo doente, curado. Reinventado num segundo de silêncio coletivo. Uma viagem de onde todos retornariam juntos e limpos. E um alívio. Poder acordar sem medo do mundo. E o mundo sem medo de nós outra vez. 



_ Olhando o mundo pelos olhos dos tantos canais possibilitadores de informação, ou pelo pequeno mundo que habito, tão avizinhado de perturbações e egoísmo, penso em quanto o mundo precisa de prece. Não uma coisa estritamente religiosa, veia tão congestionada de contradições, mas algo feito no pensamento do coração. Não um fazer de conta. Mas um pensamento de força. Uma prece pelo mundo que faz de conta que se diverte sob ângulos fantasiosos de que está tudo bem, quando, no fundo, no raso, por todo lado, dói, dói no todo, e dói, sobremaneira  em cada um de nós, mesmo quando as feridas só nos são simbólicas. Os tantos canais de informação nos contam todos os dias, sobre violência, corrupção, falência de todo tipo de valores, exposição de figuras públicas, celebridades e futilidades, gente e mazelas de todo tipo,os mais bizarros casos, um pobre dentista queimado vivo por não ter dinheiro em cash para ofertar aos assaltantes...Estarrecedores casos. Todos os dias, todas as horas, todos os minutos, especialmente na nossa pátria amada mãe gentil. Acostumamo-nos à barbárie. Tudo soa normal. Falar sobre é ser chato. Até que bate à porta de algum ente querido e a gente pensa. Pensa. Pensa. Pensa:
 Ás vezes eu penso que o mundo anseia acabar. De vergonha.


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8 comentários:

Dudamical disse...

Olhando assim, nessa perspectiva poética, ele me pareceu lindo.
Parabéns pelo texto. Magnifico!

Be Lins disse...

Oi, Duda!

Obrigada por seu comentário tão amável, fiquei feliz.
Passei pelo seu blog e achei muito bonito, atmosfera iluminada por poetices emocionantes. Voltarei lá sempre.

Beijo

Be

Anônimo disse...

Você escreve de um modo incrível! As suas palavras me tocam a alma. Parabéns, de coração!

Anônimo disse...

Você escreve de um modo incrível! As suas palavras me tocam a alma. Parabéns, de coração!

Anônimo disse...

Você escreve de um modo incrível! As suas palavras me tocam a alma. Parabéns, de coração!

Anônimo disse...

Você escreve de um modo incrível! As suas palavras me tocam a alma. Parabéns, de coração!

Aurora disse...

Texto lindo!
O mundo parece bem, mas será que realmente está?

Be Lins disse...

Caro Anônimo!

Agradeço de coração
suas palavras.
Eu gosto muito quando escrevem anonimamente para mim, porque de certa forma este segredo abraça todas as pessoas que eu queria que escrevssem aqui.

Um beijo pra você,

e pra todo mundo!