sexta-feira, 10 de maio de 2013

Sentido

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Esqueci de anotar o autor, mas não sai da minha cabeça sua resposta à uma pergunta óbvia:
_ O senhor acredita em Deus?
_ Eu acredito muito, mas gostaria que Ele fosse diferente.

Por diferente oque será que ele quis dizer?
Um criador mais próximo, menos enigmático, mais decifrável, mais acessível, mais real?...
MAIS PERTO.

Meu amigo não anda de bem com as coisas do amor. Chama-me a atenção para o fato de que as pessoas podem ser más. Eu já sabia. Sempre soube, e por isso mesmo me guardo em revelações. A gente vai se guardando até não se achar mais. Esse é o negócio. Aprendemos ISSO com este Deus que vive brincado de esconde-esconde, que não se revela e ao mesmo tempo se revela em tudo que faz. Feito a gente e as tantas coisas que não somos capazes de trazer para as mãos das palavras, mas que somos, pensamos, sentimos, queremos, desejamos...
Há suspeita no movimento. Parados somos mais bonitos. Como quando dormimos e escapamos para os sonhos que nunca fazem sentido. Estamos sempre às voltas com o enigma. Quem no rege, quem somos, quem nos cerca, quem nos ama, quem não engana... O meu Deus seria um "cadinho' mais bonzinho se eu pudesse. Ele tirava logo de circulação a maldade e tudo ficava mais fácil. Nada de cíúmes, invejas e mesquinharias, ninguém precisava mais ficar oscilando entre oque é puro  e oque é diabólico. Toda maldade é pequena e começa estupidamente, então não precisaríamos mais fatiar a alma e tudo seria claro. E a vida não seria mais bruta em suas revelações porque tudo que se revelasse seria bom. Mas a leveza é tida como fútil e insuficiente. Daí um enigma de grandes proporções: perderia a graça viver sem o risco?

Se são so riscos que dão graça ao viver, então não seria errado dizer que nossos malfeitores são, ao mesmo tempo, os possibilitadores de nosso crescimento, evolução e coisas e  tals. Seriam o relâmpago, o anúncio, a generosidade de se exporem aos maus papéis para que a nós fosse notável a dor, a coragem e a superação. O salto. Seriam o nosso impulso rumo ao auto-conhecimento?

As coisas não fazem sentido. Talvez se para Deus fosse perguntado se Ele acredita nos homens, Ele respondesse:
_ Eu acredito muito, mas gostaria que eles fossem diferentes...

O que Ele poderia querer dizer com diferente?
Mais leves, menos ansiosos, mais apreciadores, mais calmos, mais confiantes, mais amorosos, mais atentos, menos exigentes e melhores sobretudo uns com os outros, e entremeio à esse enigma tão vazio de sentidos, essa seria uma coisa que faria, extraordinariamente, um grande sentido.


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