quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Quando pensar não tem legenda...

Uma coisa puxa a outra.
Um sonho, por exemplo:

Você sonha com uma noite chuvosa, sente frio, e acorda pra puxar as cobertas caídas ao longo da cama. Fica curiosa. Será que tá chovendo? Será que tem alguém passando? Que horas serão?Olha pela janela. Não está chovendo, ninguém está passando e a rua muita limpa está dormindo o sono dos justos. Ainda na janela, você vê a lâmpada que ilumina a calçada e lembra do tempo que olhava para o céu.  Ele está encoberto. Não dá pra ver as estrelas. Será que vai chover? Será que cairá uma estrela? Será que ...?
Quando chove o ar fica fresco e mais puro. Palavra mais leve essa tal pureza. O mundo tem tanta impureza pra contar. Pureza, não! Pureza é raridade quando não se está dormindo. Eu sou impura até dormindo.
 Pureza. Como purificar um pensar? Não lembra?
 Lembra como cansa pensar. Pensamentos são como uma chuva que não se cansa de chover. Chove, chove, chove, e não molha. Não é água. São impurezas.
Tem vezes que é bom como uma chuva de verão num dia de todo calor. Mas é mais raro que comum. Comum é doer no pensar. E dói...
Tem vezes que não! Tem vezes que assusta mesmo, assusta
pela intensidade desnecessária, pelo barulho. Barulho de enxurrada.
É certo que limpa tudo. Mas pode destriur também.
Pensar demais danifica. Mas como calar os pensamentos? Como fazê-los chover de mansinho? Como fazê-los dar lugar à noites DE ESTRELAS? Como fazer silêncio? Como reverter? Como não calar? Como não pensar o impensável?
A noite está quieta. A noite está quieta neste quarto quieto desta casa que é tão quieta. Tudo calado nesta janela que dá pra  essa rua quieta desta quadra de segredos que guarda essa lado quieto desta cidade que não fala nada além de barulhos e ausências. E eu que não me aquieto. De repente, um trovão. Faz-se um clarão. É um raio. Precipam-se gotas após lindas gotas de chuva. Abro a janela e colho um pouco de chuva nas mãos. Passo a água que cai do céu pelo meu rosto, pelos meus cabelos, na minha nuca e finjo que me acalmo. Não sou boa em me tapear, mas tento porque meu corpo tem sono.
Fecho a janela, apago a pequena luz azul do abajour e volto pra cama. Quando chove lá fora a calma faz visita, embora ajam cerimônias e mesuras desnecessárias. Mas enfim,  o sono vem. Ou volta... Gira o mundo e volta quieto.
Durmo e sonho. Dormir é bom. É um flerte arriscado com a morte. Mas não há vida sem risco. Nem sonho. Nem sorte. Por sorte, de manhã, acordei. E havia chuva.

*

5 comentários:

Tainá Oliveira disse...

"Dormir é bom. É um flerte arriscado com a morte. Mas não há vida sem risco. Nem sonho. Nem sorte. Por sorte, de manhã, acordei. E havia chuva."
Nossa que saudades de passar por aqui e me encantar com seus textos. Acho que não fico mais tanto tempo sem te visitar, adoro como escreves. Tem um texto novo lá no meu blog, se puder confira depois. Um excelente 2013, cheio de chuvas e estrelas nas mãos, pra você!

BEEEEEEEEIJOS

http://www.venenosemacas.blogspot.com.br/

Tainá Oliveira disse...

"Dormir é bom. É um flerte arriscado com a morte. Mas não há vida sem risco. Nem sonho. Nem sorte. Por sorte, de manhã, acordei. E havia chuva."
Nossa que saudades de passar por aqui e me encantar com seus textos. Acho que não fico mais tanto tempo sem te visitar, adoro como escreves. Tem um texto novo lá no meu blog, se puder confira depois. Um excelente 2013, cheio de chuvas e estrelas nas mãos, pra você!

BEEEEEEEEIJOS

http://www.venenosemacas.blogspot.com.br/

Aurora disse...

"Pensar demais danifica. Mas como calar os pensamentos? Como fazê-los chover de mansinho? Como fazê-los dar lugar à noites DE ESTRELAS? Como fazer silêncio? Como reverter? Como não calar? Como não pensar o impensável?"
Quem me dera ter as respostas, quem me dera não pensar demais. Pensar é mesmo como a chuva, às vezes boa, às vezes rápida, às vezes desastrosa... Mas se pensarmos bem: é necessário.
Beijo.

M. Silva disse...

Sabe uma coisa? Adoro o seu blog e venho cá todos os dias para a ler. Este é um dos meus cantinhos favoritos da internet. Não pare, nunca, de escrever porque o que você escreve é magico!

Be Lins disse...

Obrigada pelo carinho, meninas!

..........

M. Silva,
se existe mágica, é porque existem pessoas dispostas no coração, como você.

Beijos