terça-feira, 31 de dezembro de 2013

VOTOS

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Para 2014

Eu quero as asas do riso fácil,
quero a coragem para alçar voos novos,
e o silêncio amoroso dos sonhos antigos.

Quero olhos de enxergar as grandezas das miudezas e suas tantas bonitezas,
e quero todas as letras e os significados traduzidos em capacidade para o verbo amar.

Quero as pessoas por perto, bem mais perto do quer perto um dia foi,
e quero aprender que longe também pode se transformar em perto quando a rede é o coração.

Quero cair de sono,
cair de alegria,
cair de tanto rir,
e se eu cair por outros motivos,
quero ser forte na queda, quero saber me levantar,
quero ser digna do verbo acreditar.

Em 2014 eu quero ter mãos estendidas, abertas, acolhedoras,
e quero os passos em compasso com alguma dose de loucura, de ousadia,
e quero rebolar mais, saracotear mais por aí,
quero estravasar mágoas, repressar que nada!,
quero navegar, sobrevoar, semear, alegrar,quero suar, gozar e me esbaldar
na fonte da juventude onde se bebe a água das levezas, das doçuras, e das tristezas
que eu quero saber embalar.
Quero aprender a reconsiderar.

Reaprender a chorar sem amarelar,
quero não ter vergonha de ruborizar,
e quero voltar a colecionar bugigangas, fazer poesia,
aprender a fazer coisas novas para me reinaugurar.

Em 2014 eu quero melhorar, tipo não desistindo, insistindo, persistindo, e até voilá!,
desistindo se preciso, mas não sem estar sorrindo bonito, porque de 2014 oque eu mais quero
é isso, as asas do riso fácil, do verbo estendido, e é este o maior pedido:
_ 2014, eu quero te compartilhar!



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sábado, 28 de dezembro de 2013

Sonhei contigo!


"Todos os dias atravessamos a mesma rua ou o mesmo jardim; todas as tardes os nossos olhos batem no mesmo muro avermelhado feito de tijolos e tempo urbano. De repente, num dia qualquer, a rua dá para outro mundo , o jardim acaba de nascer, o muro fatigado se cobre de signos."

Quem escreveu foi Octávio paz, citado no livro da ostra feliz que não faz pérola de Rubem Alves.

E eu paro pra pensar porque o amor não acaba. Falo especificamente de um amor sentido por uma pessoa que já foi embora da sua vida. Porque ele permanece, mesmo sabendo-se causa de dor. Porque amor que não se vive, é belo e dói. Então penso no muro fatigado, e no quanto ele pode passar a ser outra coisa se são olhos apaixonados que o contemplam. Há certas coisas que só os apaixonados sabem. Como saber que um muro pode ser uma página em branco aguardando palavras de amor tatuarem-se às suas reentrâncias. Como saber que um madrugadouro muro pode conter um ponto, a sombra de encosto de um ser amado que ali ficou encostado enquanto mirava a janela de sua amada. Como sentir amor por um muro que portou-se como leito para um beijo inacabado. Como saber que um amor pode ser vivido em qualquer tempo, e que ele não se acaba só pelo detalhe de não caber neste tempo, ou neste espaço, de um muro fatigado, como fadiga um amor inalcansável... Certas coisas, só os não apaixonados sabem. Que o muro precisa de pintura. Que as janelas da casa estão corroídas. Que os pombos não são higiênicos. Que as calçadas guardam seres escuros na madrugada. Que existe o perigo fora de casa. Que as portas precisam ser trancadas. E as loucuras de amor trancafiadas. E as vontades sublimadas por tintas, coisas, materialidades e futilidades quaisquer.

Quais signos se há de preferir? A sensatez dos não-apaixonados, ou as insanidades dos tomados por suas paixões imorredouras?

Eu gosto de muros velhos. De casas velhas. De algum capricho. Dos passarinhos. Das poesias. Dos amores. Dos sonhos. Antigos. Desejos. Repremidos. Não contidos pelos muros da cidade. Antes, leitos. Leitos para canções e amorosidades. Encosto para o meu dândi perdido, ser amado, apaixonado, acolhido em seu amor, por este muro que não nos separa.


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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Relato de Natal

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E acabou sendo uma linda noite de Natal. Apesar de. Antes de sair para a ceia festiva, postei um bilhetinho no presépio aqui de casa pedindo ao Menininho pra me ajudar a ser uma boa convidada, afinal, não era a ceia em casa de entes queridos apenas, era uma festa pra lembrar as verdades de criança especial. Pois bem, fui atendida. Baixou sobre mim um espírito apaziguador. Eu preciso desta proteção todo ano no Natal, porque, me dói um bocado não ter TODAS as pessoas que eu amo por perto. E também porque fico sensível além da conta e qualquer palavra me faz questionar.

Mas eu fui atendida. Houve um milagre em mim. Eu aceitei que não dá pra se ter tudo. Quer dizer: aceitei é o modo de dizer, eu... na verdade, sublimei assim: vou ser o melhor de mim pras pessoas que estão aqui, para que, meu coração fique puro e alcance quem não está. Foi uma noite alegre, tudo divertido, cheia de sentimentos de encontro, abraços, palavras simples e bonitas, três criaças pequenas e lindas, e mais um monte de crianças crescidas dispostas ao milagre de uma noite feliz.

Minha mãe me tirou no amigo secreto. Ganhei dela uma vestido chocante de lindo, que fui eu que escolhi, claro!... é a vantagem de ter a mãe por amiga secreta. Dei à ela um lindo conjunto de calça e blusa, que ela não escolheu, mas adorou. Ganhei uma penca de livros: Milan Kundera, Tolstói, Edney Silvestre, Hermann Hesse, e por aí vai. Pelo jeito as pessoas aceitaram o fato que eu amo ler, mesmo que isso me isole um pouco delas e faça meus cometários parecerem meio fora da órbita contemporênea.

Esclhi cada um dos presentes que ofereci com mais carinho este ano. Tentei ser mais generosa e parece que as pessoas sentiram porque foram abraços mais apertados este ano. Foi aquele tipo de noite carinhosa da qual ninguém quer se desfazer. Madrugada à dentro, risadas gostosas, comidas e bebidas perfeitos, uma noite com cara de presente. Embora faltasse. Metade de mim. Faltava. E eu precisave encontrar. Precisava olhar pro céu como faço em todos os Natais e mergulhar nas estrelas para me acalmar.

No entanto, só consegui olhar para o céu após chegar em casa. Toda aquela excitação e mais a voz doce da minha sobrinha de três anos ecoando em meus ouvidos suas travessuras e doçuras tantas, foi somente depois de chegar em casa que consegui chegar à varanda pra tentar chegar perto dos tantos amores que estavam longe. O céu estava tão brilhante, mais do que sempre, uma noite quente, clara, com milhares de estrelas piscando mais que o normal. Era o segundo milagre. Era como se cada uma das pessoas que não tive por perto, pudessem ser alcançadas para um abraço, para um beijo, para uma prosa mais demorada, umas risadas, amor adentro na madrugada.

Não vou citar os seus nomes, tenho certeza que se sabem moradores do meu coração, estivemos juntos, de forma diferente, mas tenho certeza que estive perto de vocês, e foi uma grande emoção. Foi o melhor momento do Natal.


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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Você se vê num sorriso infantil?...

Feliz Natal, Amiga!

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Amiga querida,

Você sabe que eu estou aqui, né?... oque dói em você, dói em mim. Como irmãs de tantos passeios, coincidimos até nisso. Ando bem mais ou menos também, este estado de vazio, de inverno em pleno verão. Mas isso, como você disse passa. Vai e vem como marés. Somos filhas das oscilações. Faz sentido?

Queria escrever coisas bonitas pra você, pra alegrar teu coração, para sinalizar sementinhas de Esperança, que é oque me ocorre no momento pra lhe dizer: nós, que somos das flores, dos campos, das águas, da abundância, sofremos um pouco no tempo de semear, _ seremos ansisosas?

Creio que sim! Lá de onde a gente veio, não tinha tempo ruim. Era tudo bonito. Sonhei com meu pai onteontem: estava vestindo uma camisa bonita de cor lilás, e dizia (oras, veja!), que estava MUITO feliz porque lá no céu, decidiram que ele não vai precisar reencarnar. Disse-me que fizeram as contas da vida dele, que como pessoa ele foi mais ou menos, mas que como ele nunca se economizou para as pessoas em generosidade, o saldo vingou positivo, e ele está liberado para as delícias do novo mundo.

Não é demais? Fiquei feliz pacas por ele. Poder desfrutar novos mundos, porque este aqui uma vez tá bom demais.

Mana do coração:
Você tem uma família linda, é cheia de graça, linda e portadora de muitos dons. São preciosos presentes que desejo que se renovem sob as luzes de Natal. Entre uma luzinha e outra da árvore de Natal, lembra de mim, que nunca esqueço de você.

Beijo

Be

sábado, 14 de dezembro de 2013

tendeu?...

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Então,
a gente precisa superar
ultrapassar, ir em frente, se empurrar, reagir
fazer das tripas o CORAÇÃO,

e simplesmente ignorar
oque quer que tenha sido
dor, atraso, decepção, tristeza, despedida, perda, fracasso, abandono, carne viva,

e imaginar

'ALGO MAIOR E INFINITAMENTE MAIS BELO DO QUE O ÓBVIO',

para que oque é
sonho, seja o ECO na sua vida.



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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Parafusos Soltos

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Ás vezes os parafusos da caixola afrouxam. Afrouxam-se a ponto de tornarem-se soltos. Soltos, atiçam outros parafusos à esculhambação, e quando se vê, mais e mais parafusos caxolantes estão soltos e está aberta a temporada dos equívocos perturbáveis. Como não gosto de nada "frouxo", coloquei minhas mãos à obra, e sem muitas paciências, mas muito eficientemente, recoloquei os parafusos no lugar, e apertei devidamente. Aproveitei que estava com a mão na massa, e apertei os seus, para que não sintas mais frouxidão.

Assim, parafusos ajustados, acabou a CONFUSÃO.



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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

domingo, 8 de dezembro de 2013

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Habito sonhos


a noite
é
o meu
castelo



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Ele chora

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CERTAS EMOÇÕES SÓ AS LÁGRIMAS SABEM CONTAR! Seria muito absurdo dizer que queria te ver chorar? Nada muito dramático ou traumatizante. Uma outra classe de lágrimas. Queria te ver desaguar. Conhecer tuas razões, tocar teu coração, nem que fosse apenas uma única ( última) vez. Você seria olhos, e eu, ouvidos. Queria tanto te ver chorar... queria sentir o sabor da tua lágrima, sorvê-la para saber quantos anos têm tuas dores, conhecer o doce da tua tristeza, queria uma chuva torrencial das tuas emoções mais profundas, pra saber realmente quem você é, oque te justifica, oque te imobiliza, oque tanto te insensibiliza, queria ouvir tuas letras virarem soluços de quês infantis, pra colocar tua cabeça em meu colo, e beijar tua face, gota por gota, e te desvendar em meio à silêncios e águas sentimentais, e chorar com você todo o amargo, e toda essa acidez desnecessária, que te desprotege, e te afasta de de mim, de vez, quem sabe?... pra sempre...Queria te ver chorar. Torrencialmente, chorar. Ver teus olhos inchados de tanta água, desta água que lava, limpa, cura, hidrata as veias cansadas de pulsarem pelo que nem sabem se pulsam, se pulsam emoções reais, ou se é só cena pra levar a vida na lábia de um enganador, um encantador, ah! amor... como eu queria te ver chorar, chorar à cântaros, e ser eu a única, a única pessoa por perto, pra te secar de toda essa dor.


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Pira

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Imagina se chovessem letras,
e as letras formassem poesias...

_ seria o fim dos guarda-chuvas?

[ não sei!, tem muita gente que tem medo da poesia...]


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Na pista

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NÃO EXISTE PAIXÃO SEM UMA BOA DOSE DE "CARÃO" *

sábado, 30 de novembro de 2013

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Uma Amiga e seus Balões

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Amiga,
lembrei do teu gosto por balões vendo esta imagem, que poderia bem ser você, cabelos ao vento, como você gosta, e generosa, a qualidade principal da tua prosa, das tuas rosas intenções, saindo pra voar com balões reservas para caso mais alguém queira chegar pro vôo, e rir junto, e dividir o tanto, o pouco, o que dér e oque vier, porque é desta qualidade que se faz uma pessoa especial: a azulada, a abençoada, a doce capacidade de querer amansar. E o que mais amansa, abranda, acalma, aquece e quase se desfalece um coração do que o outro ser disposto a nos ter por perto?

E essa é você, né?... amiga que se sai pra voar, sai com balões extras, coragem extra, coração grande, braços abertos, cantando as lições dos mestres dos sonhos como aluna exemplar, sempre guardando um lugar pra quem costuma se atrasar. Tipo esta amiga que vos escreve, que só não repete de ano porque aprendeu a colar. Alguém cola na escola ainda? Porque, Van, eu me acabei de tanto colar. Tinha prazer na cola, preparava tiras compridas em letra pequeniníssima, depois fazia tipo uma sanfona, e lá estava o resumo de toda matéria. Escrevia lembretes nas réguas, nas mãos, nas pernas, na borracha, passava a noite toda preparando minuciosamente tudo, e não é irônico, isso?, não seria mais fácil simplesmente estudar?

Poisé, era meu jeito torto de estudar. Uma garantia. Você sabe, né? sou a rainha das garantias. Se desse o tal branco, eu estava prevenida. Não saio de casa sem um plano BE. Usava todas as colas por via das dúvidas. E adorava ser conhecida como A especialista em cola. Só fui pêga uma vez,(desculpe se escrevo pêga, é que sou da geração pré-reforma-ortográfica, e sou conhecida também como rainha do não-desapego) e ainda assim, argumentei com a "fêssora", e ela me deixou fazer uma nova prova, na qual não fui tão bem. Faltou a adrenalina do risco e as minhas amadas colas por garantia.

Quanto mais o tempo passa, mais me lembro de mim quando menina. Ai, Van!... você fez tanta falta, precisava de uma irmã destemida, dona dos cabelos e dos versos mais bonitos pra me fazer lembrar de brincar mais. Tomar tenência e ser segura. Fico tentando acertar os passo da menina que fui, agora. Se ela (eu) decide que quer ser cozinheira, vou pra cozinha. Se ela ( eu) decide que quer ser garota surfista, rumo pra praia. Bióloga, chácara. Bailarina, música. Dona dos móveis, loja. Artista, canto, _ e daí me dou conta que não posso ser cantora em hípótese alguma, pois sou a desafinação absoluta. Sonhava em ser artista. Qualquer coisa artística. Patinadora, , atriz, pintora, bailarina, claro!, escritora, cantora, decoradora, domadora de leões, artista de circo, artista tem que ser bom de acrobacia, e eu que nunca nem consegui fazer uma cambalhota direito...

Você falou em descobrir, né? E que a gente pode ser oque quiser, pelo lado de dentro, que é lado mais bonito, e que é de onde vem toda explicação. Você me ensinou. Vem me ensinando. Passando cola pra essa sua amiga distraída, um pouco medrosa, mas que no fundo no fundo, tem até que um bom coração. Eu continuo colando, porque não vou desistir de aprender. Confia em mim.

_ e já que você insiste, não desiste e garante que não tem perigo
ok, ok, ok, também quero viajar nesse balão-super-fantástico-amigo,
mas amiga, não larga a minha mão!

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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Um recado para o MAR

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Menino mais lindo do mundo esse Mar. Sou louca por ele. Menino feito de água, que pede mergulho, abraço, 'se achegue", saudade. Ser absurdamente louca por alguém ou alguma coisa envolve mais do que gostares e amares conhecidos, são delírios de profundidades não acessíveis à mente do agora, é um passeio inconsciente, um vai-e-vem que nunca se revela, mais que existe em partículas, que viram ondas, que se movem na velocidade do que só se alcança com a alma, e nela mergulho, pra chegar nos teus braços de mar.


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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Adoro!


Todas as cartas pra você, é pouco!

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Oi, Amiga!

Vamos fazer de conta que o longe ficou perto, que oque era doce encumpridou-se, e que tudo que sair da veneta será passarinheira estrofe, e os regabofes serão seguidos de vôos sem fim?
É que tua amizade pra mim, é assim, desse jeito mesmo que você disse na estrofe que brinca de ver a banda passar falando coisas de amor, porque afinal, do tal planeta que viemos e agora orbitamos secretas, e ainda de todas as eternidades arriscadas, algo sempre será pontual:
_ OS AFETOS.

Seus segundos, seus ritmos, seus movimentos, oscilações, temperamentos, despudores, temores e atá as dores, genuínas e doces, afetos de outro verso, e atravesso de olhos fechados qualquer dor desde que ela haja, e haja afeto!
Daí você falou das "sarjetas", e eu adorei porque a vida não é só bolinho, e eu adoro as margens e marginalidades tão amáveis que são, e porque amiga que é amiga vai pra lama junto, garra a briga pra si, não interessa a razão que sempre será nossa, e bebe o amargo, e chora nas espirais de todas as frustrações, e se tiver que varar madrugada, no disco da mesma conversa fiada, lá estaremos, pra ser oque tiver que ser:
ombro, parceria, cumplicidade, calmaria, e no final de toda presopopéia, vai ser a estrela da esperança imorredoura que se dá a cada recomeço. A gente sempre está a recomeçar. A gente não cansa, né?

E pra começar uma prosa outra, você me fala das minhas elegâncias, parcas que são, meus poucos alardes, que são muitos, você sabe, logo você, menina que desfila, meio bailarina, meio garota esperta que não faz fita, sempre linda em todas as suas expressões, oras veja!

Outra prosa:
_ você já começou a envelhecer? Ando com vontade ficar velha.
Leia-se: largar mão de tanta ansiedade tola, desses hormônios que me deixam louca, e de querer "tudo ao mesmo tempo, agora", e virar uma velhinha-meio-louca-criança-feliz, pintar os cabelos de roxo, desenhar coraçãozinho nos lábios, aquela boquinha, sabe?, e deixar de usar blush pra usar rouge, e mais mil pulseiras, feito aquela linda Iris Apfel, 92 anos, it-girl, demais!, ela me inspira, com seus grandes óculos, e pulseiras,quero virar uma pessoa exótica, capaz de ligar finalmente o 'dane-se' e ser apontada como aquela senhorinha muito louca da loja da esquina.

_ Vamos viajar juntas um dia?
Imagina, duas velhinhas assanhadas por Paris.
Oque me diz?
Você dirige o carro porque eu sou distraída agora, imagina depois..., e depois de fuçar tudo em Paris, seguimos para Provence, paramos em todas aquelas vinícolas, e jogamos charme para os todos os franceses que virmos pela frente, e paramos para degustar todas as delícias do caminho, vamos às feiras que nunca fecham, repletas de tantos sabores, frutas, queijos, cores, toda aquela manteiga, e azeites, e olivas e lavandas, e por fim, pausamos em alguma costa bem azul, olhando aquele mar cor dos olhos de algum amor, e pedimos um café completo, e ficamos lá, intrépidas, vendo como passa a banda por aquelas bandas de lá, mas sempre falando de amores, afetos e coisas assim.

Van,
preciso dizer obrigada!
Agradecer por você não desistir de mim, da nossa amizade de tantas, por você perseverar nas cores que você insiste em ver nos meus arredores, por você existir, por seu canto, por suas asas, e por me fazer sentir especial.

Momento básico de tensão:
[não te parece curioso o movimento inverso que ronda o mundo? humor demais, generosidade de menos, ironias que substituem acalantos, primeiro o Eu, segundo o Eu, terceiro também, e o NÓS, tadinho, todo enosado, tropeçado, estrepado, enfim... É uma revolta que não passa...]

Tenho muito pra te contar, embora você saiba, porque você sempre sabe de mim.

Be


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domingo, 10 de novembro de 2013

SEGUNDA-FEIRA

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Então a calma volta. Você vai aprendendo o seu caminho. Acostumando a alma que só na calma existe a esperança. Dá té alegria. A volta da calma é sempre bem-vinda. Como as segundas-feiras. Amo uma segunda como quem ama as sextas. Estranho porque nasci numa quarta, embora minha mãe conte que já fazia anúncios de chegada na segunda. Conta que agitei seus interiores segunda o tempo todo, também a terça, mas que quando chegou quarta, parei. Mas aí já se fazia a boa hora. Dela, não minha. De repente me acovardei, queria porque queria e na hora H, estacionei-me agarrada ás suas entranhas e quase desisti de vir. Ela precisou de mais médicos, toda sua coragem e em certa hora um grito alto que dizia: _ vamos lá garota, vem pra cá, não vai desistir agora, não!, e eu acabei vindo. A primeira pessoa que me viu depois dos asseios foi minha vó. A minha pessoa mais favorita de todo mundo. A única que me fazia rodar nos seus braços. Foi o meu primeiro abraço. Chorei quando sai daquele colo perfumado à água de colônia e pó de arroz clarinho. Dizem que eu era uma bebê bonita, de pele cor de pêssego, xuquinha nos cabelos, e um olhar de perguntas.

A última vez que estive com minha vó misteriosa, que dizem que foi uma das moças mais bonitas de seus tempos, foi um dia antes dela partir. Iria completar oitenta anos de coluna ereta, elegância a toda prova, e pernas para que te quero qua sempre estavam em inquietos movimentos. Sofria da síndrome do 'bicho carpinteiro'. Nunca estava parada. E no coro da igreja, era de todas, a voz que mais se destacava. Alta, esguia e com um quê desconcertante nos olhos, como olhos que vêem um paralelo em tudo que vivem. Éramos almas complementares, almas que sorriam na simples menção de seus nomes. _ Betininha, Betininha, hoje você vem almoçar comigo. Fui, é claro. Batatinhas sotées, um peixe aromatizado por suas ervas secretas, arroz soltinho, dois lugares bem colocados à sua mesa da varanda, ao lado de todas as suas flores que nunca murchavam, e suas histórias de amores secretos. Bebemos, e depois acompanhadas de um licor de flor de laranjeiras, degustamos um puff suave de frutas vermelhas. Era uma segunda-feira.

No dia seguinte, ela seguiu, altiva a sua viagem. Lânguida, alta e secreta como uma alma de porte deve ser. E pensar nela me reconstitiu a calma. A suave calma de quem sabe que a realidade não é exatamente oque importa. Importa é oque temos por dentro. Importa os domínios do amor. Importam os sentimentos mais puros que somos capazs de sentir por alguém. Importa ser especial por dentro. E se não fôr pedir demais, por fora também. Importa acreditar nos sonhos. Mesmo que não passem de sonhos. Ou exatamente por serem obra das mãos das coisas mais belas, aquelas nas quais acreditamos porque existe amor. E porque existe a segunda. E depois a terça. E Outubros, Novembros, Dezembros, e dias e horas e tudo infinitamente, porque quando você ama alguém que já partiu você descobre que o poder do amor transcende a presença. Comprova o sonho. E eu sonho. E acredito nas Segundas-feiras.


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sábado, 9 de novembro de 2013

Num é?...

NOVEMBRO

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E agora,
depois de tantos blefes
blefe-------- atitude pouco confiável para manipular o outro,
_ para qual história vão se abrir as cortinas de NOVEMBRO?


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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Para minha amiga preferida!

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Oi, Amiga!

Recebi tua mensagem.
Mais do que isso.
Recebi teu carinho,
tua atenção e toda extensão das tuas palavras.
Como não sei ser sucinta, resolvi responder por aqui, este recanto que me acalma, me traz boas recordações, e faz com que eu sinta melhor as minhas emoções.
Pura contradição,
porque, este mundo enm existe, e é onde eu insisto em existir.

Tenho certeza que você me compreende, porque teus comunicados são coisa de alma, e me alcançam, e me acalmam. A inquietação não passa. Sabe quando não passa? Não passa, não passa, não passa não! Uma coisa eu aprendi, querida, as coisas não mudam. Há qualquer que coisa PRECISA ser aprendida e tudo se repete, infinitamente, até que o milagre aconteça. Sou muito boa em cálculos, adoro números e os mistérios da Física, no entanto, nos assuntos da simplicidade da vida real, não passo de ano, sou uma repetente distoante em meio às espertas criancinhas aqui do jardim de infância.

Se estou feliz? _ Sim, estou. Tenho uma lista interminável de graças maravilhosas que fazem da minha vida uma vida boa.
Se estou completa? _ Não!, não estou.

E você irá me dizer com toda a sua profunda sapiência:
_ oras, Be, acorda, alguém está?
E eu vou dar uma risada, e agradecer à Deus por você existir e me dizer coisas que sempre me chegam na hora certa e direcionam minha bússola maluca para o norte, e me fazem prosseguir. Suas palavras e sua energia sempre perfumam minha memória, você é uma preciosidade, amiga dos passarinhos, e que sabe cantar. Me conte de você. Escreva. Manda um passarinho até aqui! Be

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Adivinha

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_ Porquê eu só quero com você... _ O quê?...
_ Adivinha oquê!...

[canção de Lulu Santos, antes dele virar a cadeira]


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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Tesouros

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Memórias,
e tudo que há para guardar
não há limites para as LEMBRANÇAS [pessoas mudam, memórias não]


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Mais que PERTO

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Poderia significar tanta coisa:
_ eu te amo!

poderia simplesmente querer dizer que
você está mais perto do que qualquer coisa
que eu possa imaginar que está perto,

_ está tão perto que já nem sei mais se sou eu, ou se é você esse alguém que eu sou!


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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Transbordar

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Não sei se faz muito sentido falar de amor. Conheço quem prefira os gestos. Não lhe tiro as razões por tal preferência. Dizer que ama é a mesma coisa que amar? O que vem primeiro, o gesto ou a palavra? O mar, por exemplo, por amor, não transborda, e com isso, nada precisa falar, existir sem transbordar é, sem dúvida, uma grande prova de amar. Vale lembrar os peixes que também não falam mais têm vida amorosa animada e dançante. Nadam em vez de falar. Nada é a fala. Mas oque eu posso fazer além de falar? Tenho vício por palavras. Sonho palavras. Amo palavras. Desenho palavras. Rabisco palavras. Brinco palavras e... Escrevo. Escrever pra mim é tipo nadar, quando escrevo viro peixe que nada num oceano que transborda sem transbordar. E assim eu amo. Se não transbordo, é só pra não te invadir demais.


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domingo, 13 de outubro de 2013

Sobre ANJOS

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é bom pensar que estamos sendo cuidados. Melhor ainda é acreditar que estamos sendo cuidados...



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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Quando é um AGORA que gosta de esperar...

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Quando, senão quando
quando pode ser tanto tempo,
como quando a gente acorda
e volta a dormir
porque pensa
que tem o segundo despertar
que é quando o quando
pode esperar...
quando
é poder adiar
por algum mistério
que quer apenas
conservar
a espera
e fazer do quando
uma equação insolúvel
só pelo prazer
de
buscar


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domingo, 6 de outubro de 2013

O Amor Chove!

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As mãos dadas, as palavras serenas, a cidade assaltada por perfumes, intenções levemente apimentadas pela ausência de limites, limitadas estariam apenas as estradas de acesso ao medo e às crenças que desconsideram as verdades amorosas, pela incompetência de ser estar transformar-se em alguém mais amoroso. Um mundo são milhões de pessoas, e um mundo pode conter apenas dois. E o amor no meio disso. Presente. Sempre. Fazendo-se vento, folhas caem para sinalizar _ olha o amor!, flores pipocam em ipês amarelo-solares, e sussurram, _ olha o amor!, um beijo, dois beijos, muitos beijos acontecem exatamente neste instante, e no instante que se fará seguinte, e em todos os demais, beijos estalam-se mais do que so teimosos nãos que somos capazes de dar, e para que?, para dizer _ olha o amor!, o movimento dos carros, as idas e vindas, quem chega, quem parte, quem fica, quem volta, quem é que não faz tudo que faz exatamente por amor, como se toda alma ultrapassasse os domínios aparentes do corpo, adquirindo vida própria e valendo-se de cada gesto para lembrar _ olha o amor!, OLHA O AMOR, CAMARADA!, renda-se, não se oculte em sombras bobas que nada mais são do que, (oras, vejam!) amor, é tudo amor, sombras, mágoas, lágrimas, dor, é tudo amor, do avesso, do direito, em cada botão de rosa ou de roupa que cai no chão quando o amor se faz também com o corpo de quem se ama. Está tudo impregnado de amor, embora Ele seja muito muito muito maior do que se pode ver.

E quanto mais você conseguir crer nisso,
mais e mais amor haverá. Isso não é AMOROSAMENTE incrível?


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domingo, 29 de setembro de 2013

Um dia para OUTUBRO

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E quando tudo quer dizer nada, como fica o significado de tudo? Perdoe-me, esse não é um bom começo para uma prosa sobre tudo. Não existe lugar para o nada embora no nada resida a essência do tudo. Tudo. Tudo pode ser um para sempre, tudo pode ser uma transa, tudo pode ser casamento, tudo pode ser ficar junto, tudo pode ser oferecer a alma e tomar a alma do outro num gole só, um cálice de vida, um história bem contada, um conserto para um romance mal iniciado, tudo pode ser passear no parque num dia lindo de Domingo, depois um beijo, mãos se dando como se dá um laço de presente, tudo pode ser para sempre numa única sequência de segundos, tudo pode ser atrasar o relógio e fingir que o tempo não passa, que o tempo não passou, que o tempo nunca mais vai passar pra nós, e nós vamos pisar em cada um dos recantos dos nosso sonhos e o mundo só será pouso, paragem, leito pra gente se deitar, e olhar as estrelas, e ver desenhos que se formam feito códigos de nós, uma mão, um dragão alado, uma prece, qualquer coisa fica linda do seu lado, uma flor, uma pedra, uma montanha feita de pedras, com flores nascendo por entre os intervalos, e de repente é uma montanha de flores noturnas e pirilampos acendendo e apagando um pisca-pisca para fazer cena pra gente se amar. Tudo pode ser uma questão de amor, ou de quanto se pode amar alguém. Pode-se amar além de tudo, sobretudo, com tudo que nos cerca, o amor, caro ser amado, quer tudo, e nisso você tem razão, mas mesmo assim, desejo que me digas

_ OQUE SEGINIFICA TUDO PRA VOCÊ?


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sábado, 28 de setembro de 2013

Mar de Sonho

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Sonhar é mergulhar no impossível. Sem precisar tomar ar. É um piscar de olhos, e o sonho vem. Florais de sonhos bons. Descobri recentemente. Psicodélico liquidozinho. Eu, que só era dada a sonhos escabrosos, dei de ter sonhos que são mergulhos no azul do teu mar. Tomei gosto de deitar cedo. Vou indo, indo, passo à passo em direção ao quarto, depressa, mas muito devagar, para que se não houver mar no meu sonho, retarde-se, mas para que se houver, permita-me dormir até mais tarde...


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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Paraíso

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O PARAÍSO:

substantivo de um lugar
pra se estar à sós, só nós
e nossos nozinhos de amor...


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sábado, 14 de setembro de 2013

Cada um com seu jardim!

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O que é um jardineiro?
_ é uma pessoa cujo o pensamento está cheio de jardins.

[Rubem Alves]

....................... eu acho que sou uma amareira,
porque meu pensamento está cheio de (a) mar.


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Acomoda-te!

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No pouso
vento acaricia tuas asas
sofá se faz folha
acomoda-te
e ama tua casa!
Calor se faz sol
banho se faz chuva
que flor perfuma
amor se faz beleza
a tua natureza.


[poesia de menino J.Jr]


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La Vie en Douce


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Amor parece brigadeiro. Todo mundo ama brigadeiro, quer comer logo de colher, na panela, às colheradas fartas que fazem sentir um prazer digno de deuses. Amor é que coisa dos deuses. Melhor que isso, só amor com brigadeiro e Olimpo está alcançado.

Aos doces sejam dados os méritos. Todos remetem aos afetos. Talvez por isso sejam tão difícil resisti-los. Beijinho de coco, uma explosão de delícia doce na boca, feito um beijo, beijo que não é doce, é ácido, é beijo com falta do açúcar que só o amor contém. Camafeus, doce de leite, esses bolinhos da moda, cupcakes, todo mundo só fala em cupcakes, que até são bem gostosos, mas não como bolinhos de chuva feitos em casa numa tarde de sábado que chove chuva. É amor puro.

Disponibilizar-se à produzir docinhos pra quem se ama é puro amor. É sedução pura. É a festa de Babette adentrando os sentidos de quem se ama. Chás perfumados com bolo de fubá. Goiabada com queijo. Ciúmes abrandados por biscoitinhos amanteigados... e os sonhos, imbatíveis, redondinhos transbordando recheios amorosos. Chega a ser erótico de tão bom. Amor pra mim tem que ser doce! *

terça-feira, 30 de julho de 2013

Deixa


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Uma pessoa alegre nunca passa,
antes, fica. Permanece feito janela escancarada.
Guarda sentidos. Exala fragrâncias.
Toques etéreos.
As boas maneirasque a alegria enaltece
deixa um rastro de brisa multicor,
suave,
o portador do dom que é a alegria
conhece,
reconhece atalhos para uma sabedoria
maior. Muito simples.
Mil palavras serão ditas, e todas
entendidas,
acolhidas,
atendidas.

Então uma alegre pessoa de bem com a sua vida
diz algo muito calmo,
algo que ultrapassa gramáticas,
antes, são didáticas, ensinamento pra vida:

esperança fé coragem alegria,

ou resumidamente:
_ Deixe Deus te surpreender!

Ele disse lindas palavras, grandes e simples,
mas o mais belo de tudo foi Francisco lembrar
que precisamos pedir, delicadamente, licença para entrar.

Fiquei alegre e entrei. Entrei na sua onda:
_ pedi licença à vida e fiz as pazes com a alegria.


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quinta-feira, 18 de julho de 2013

Platônico é existir...

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Maria gostava de ser apenas Maria,
sem mais  nem porquês,

mesmo que isso significasse nada à não ser...




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segunda-feira, 15 de julho de 2013

Laços e Nós

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Às vezes a gente complica um pouco.

Começa imperceptível o hábito de dar nós.
Complicar é dar nós por dentro.
Um nó numa ideia, outro nó num sentimento,
o pensamento vai pegando gosto de dar nós,
e quando se vê, tá tudo um nó só, complicado.

E aí a gente vê que não foi uma boa ideia essa
de "garrar gosto" em dar nós por dentro,
porque o estrago se vê do lado de fora.

Solução:
descomplicar,
que vem a ser a arte de desfazer pacientemente
os desnecessários nós dados por dentro,
mesmo que tudo que se tenha querido
fosse se dar laços bonitos.


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quinta-feira, 4 de julho de 2013

Receita

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Se o mundo parece virado de
ponta-cabeça

e isso rouba os sorrisos

dá-se uma cambalhota pro mundo
e no giro

a gente reencontra o sorriso.


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sexta-feira, 28 de junho de 2013

CASAS


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As casas velhas de lá, não são como as daqui, neste jovem lugar que tem tanta pressa de se livrar do que é antigo. Lá elas são preservadas. Aqui, elas são derrubadas.  Entre prédios e avenidas, no entanto, ainda existem casas. Velhas casas de lembrar felicidades antigas. Casas de frente acanhada que guardam algum segredo que foi perdido na aceleração do tempo. O tempo aqui tem pressa. E gosta mais dos prédios do que das casas. Poucas resistem e permanecem. E permitem lembrar. Lembrar que toda casa que se preze tem quintal. E todo quintal que se preze tem árvores. Caipiras árvores frutíferas para a gente poder comer fruta no pé. Nem que seja um limoeiro. Aquela árvore desengonçada, meio sem gracise, muitas vezes até nanica de tudo mas que produz os limões mais doces do mundo. Limões doces. Só mesmo uma casa velha guarda em seus fundos um pé de limão que nunca será azedo. Crescem às pencas, alaranjados, primo-irmãos da laranja em tamanho, doçura e cor. Deles teremos a limonada mais arretada, o tempero perfeito pras saladas, a cor, o sabor, a lembrança. A fruta ao alcance das mãos. Nos fundos de uma casa velha. Nunca num playgroud. Não gosto de prédios. Não gosto de casas com design. Não gosto de modernices que mais parecem esquisitices. Tudo tão frio, desprovido do valor mais certo, a ternura de abrigar. Abrigo. Casas eram para ser isso: acolhida, abraço, amor, acalanto. Janelas abertas, murinho baixo, varandinha, cores suaves, mais cores, muitas cores, de todas as cores, pra vibrar, pra mostrar que lá dentro mora gente, gente boa, gente que sempre terá café no bule, um petisco, um tira-gosto, um molha-goela, uma conversa, energia, vida, abundância. Casa que a gente não se acanha de bater porque antes de mais nada, é ela quem chama. Diz com seus tijolinhos de dois furos amontoados um coro: bem-vindo cidadão que passa! Chegue, se aprochegue, não tenha medo, você existe aqui. As casas velhas estão sumindo. No lugar delas, pipocam prédios de pastilhas frias e cinzentas, interiores de mármore e granito,  e gente pouco aquecida que nunca saberá o quanto um limão pode ser doce.


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sexta-feira, 21 de junho de 2013

Um Mundo

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Afinal,
o que é preciso além de


um  livro
dois cafés
três  flores
e algum afeto

para ser feliz?



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quinta-feira, 20 de junho de 2013

Corações

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A poesia pode ser tão simples
quanto uma chave que perdeu-se da sua porta:

_  dispensada do peso de ser útil, vira uma chave qualquer
mas ainda assim, com o poder que lhe foi concedido,
o poder de abrir portas.


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domingo, 16 de junho de 2013

Não pára!

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"Nosso planeta gira veloz pelo cosmos,
mas esquecidos disso, nos deitamos tranquilos
à beira do mar e DORMIMOS."



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sábado, 15 de junho de 2013

A Grande Tratadora de Galinhas

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Tem gente que nasceu para os grandes feitos. São as super-gentes. Fazem todo tipo de coisa grandiosa: fazem arte grande, grandes descobertas, portam grande beleza, são gente como aquelas estrelas de maior grandeza que definem no macio chão do céu os destinos de quem nasceu para fazer grandes coisas pelo mundo que é um lugar danado de grande. 

Também tem gente que nem é grande mas faz com grandeza as coisas pequenas. Formiguinhas que vão fazendo bem-feito suas pequenas coisas que somadas à tanta gente que faz, vão fazendo o grande acontecer. Elas aumentam o mundo com seus corações grandes. 

Eu não sei fazer grandes coisas. De maior que eu fiz foi conseguir fazer uma pequena horta de manjericão no nosso pequeno jardim. Plantei as sementes e porque elas são grandes como sementes, por algum milagre que desconheço, germinaram, bem grande, e perfumam os ares detrás da nossa casa. E fazem  maior nosso molho de tomatelos do jantar. 

Fazer qualquer coisa não deve contar como grandeza, mas sei fazer um feijão muito bom. Sei sorrir quando tenho vontade de xingar. Sei controlar as palavras feias de forma que não sejam ditas para dar grandeza ao mau-estar, e sei calar na maior parte do tempo, uma coisa que não tem nada de grande mas previne maiores contratempos.

Sei bordar tapetes. Em ponto arraiolo e cores suaves. Já fiz uns grandes, mas não creio que ficaram grandes coisas aos olhos dos outros. Grande que eu fiz foi pintar um quadro que repousa grande em nossa sala. Tenho grande orgulho dele, embora nenhum grande traço o caracterize. É que tenho grande amor por ele desde que tive coragem de contemplá-lo. Ele me fala das coisas grandes que não fui capaz de realizar.

Ás vezes quando o sono não se faz grande, tenho grandes pensamentos. Procuro pelas minhas grandes lacunas, e por grandes respostas. Respostas maiores. Ou quem sabe uma grande ideia que me fizesse sentir alguém maior. Maior assim, nas qualidades. No amor. Não sei ser grandes coisas nos afetos. Tem gente que se entrega grande. Tem abraços enormes e palavras gigentes em alegria. Tem gente que tem o dom de fazer o outro se sentir grande, uma coisa que além de grande, é realmente linda.

Grande é a minha timidez. Minha insegurança que só faz aumentar. E meia dúzia de lembranças, nada de grande, até bem miúdas, não sei porque as coisas mais bonitas são tão pequenas para lembrar enquanto as que doeram estão sempre em destaque nesta minha cabeça não tão grande. Grande contradição. 

Lembrei que quando criança fazia uma coisa que considerava enorme e me fazia sentir muito especial. Alimentava as galinhas no galinheiro quando visitava minha vó. Pensava que aquilo devia ter um valor enorme: alimentar as galinhas. Todas elas. E sozinha. Vovó confiava a mim a gemela de milhos amarelinhos e cabia exclusivamente a mim distribuir igualmente para cada uma das bichinhas. Que me adoravam porque uma coisa grande que eu sabia era ser generosa nas porções. 

Grande vovó, sempre me dizia que as galinhas cresciam mais quando era eu quem distribuía o milho. Ficavam bem gordinhas.  E eu inflava-me toda por ter achado uma grandeza em mim: _  grande tratadora de galinhas. Imagino como se sentem os grandes que fazem bem-feito os seus grandes feitos. Se fôr qualquer coisa parecida com alimentar as galinhas, deve ser a melhor coisa do mundo, algo parecido com ser grande no coração de alguém.


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sexta-feira, 14 de junho de 2013

Se Entregar

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na mira do mar
está a menina

amar é estar na mira
e ainda assim
não recuar


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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Hoje é dia...

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Dia doze. De Junho. Um dia qualquer do calendário não fosse o motivo que o destaca como data. Dia dos namorados. É meio chato. Artificialmente chato. Tem qualquer coisa de obrigatório que não combina com a paixão. Aliás, paixão e namoro são coisas distintas. O namoro começa na mesma cadência de passos que levará a paixão embora. Claro que ela será substituída pelo grande e imenso amor que todo par de namorados acredita e sonha e jura com seus pares de pés juntos que assim será, e não vou ser eu e meu invariável humor que irei contrariar, mas o fato é que o dia existe para lembrar de que é preciso paixão. Não é irônico? Apaixonados não precisam de lembretes, nem de datas, porque como todo mundo que já passou por uma grande paixão sabe, paixão é febre que não larga, exceto quando realizável.

Na noite do dia 12 de Junho também iniciam-se as festividades que comemoram Santo Antônio, santinho camarada tido como casamenteiro, deve ser o santo com a central de pedidos mais congestionado já que toda gente quer casar, coisa muito louca porque, passam-se os anos, as décadas, os séculos, e isso não muda: todo mundo se apaixona, todo mundo namora, e todo mundo se casa, com algumas exceções devido á ineficiência do nosso santinho que daí amarga fitas na cintura, cabeça para baixo e geladeiras invernais.

Muito interessante no dia de hoje é também a comemoração do aniversário das Filipinas e a sua independência. Tudo a ver. Primeiro porque é um paraíso, e segundo porque um paraíso que se preze tem que ser livre. As Filipinas são um reino de águas claras, um mundo à parte dentro do mundo, um vasto arquipélago de 7107 ilhas de origem vulcânica. Um paraíso quente. Agora me diga se um lugar assim não tem tudo a ver com paixão:  celebrar a paixão que resiste ao namoro, ao tempo, às cotidianices, livre e cativa, num lugar assim. Daria até pra sucumbir aos apelos.

E hoje, dia 12 de Junho também é o dia do aniversário do queridíssimo Lianto, um habituè deste espaço, inspirador e poeta, uma pessoa de encanto natural, que faz a alegria existir, e para quem quero desejar a felicidade que ele já possui, a particular felicidade que ele possui de ser quem ele é, natural, leve, apaixonado pela vida, pela alegria, uma espécie de ser de outro planeta, na verdade ele é um planeta que deve ter por missão fazer os dias das pessoas daqui um pouco mais especial. 

Lianto, desejo que você tenha toda a camaradagem de Santo Antônio à seu favor nos favores amorosos que você possa precisar, que a vida seja tua namorada de um amor imorredouro, que você possa estar em muitos lugares maravilhosos ao longo da sua vida, inclusive as Filipinas, um lugar lindo que desejo que você tenha a sorte de  visitar. Feliz aniversário!

E para todos os que acreditam no amor, nos poetas,  na paixão, em namoro, em Santo Antonio, na liberdade, na vida, nas coisas pequenas e nas ilhas que podem revelar segredos:
_  Muitos dias de amor!


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segunda-feira, 10 de junho de 2013

Flor do Mato

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Se eu fosse uma flor, eu queria ser uma flor amarela. Super viva. Tipo margarida, só que bem longe das mãos dos amantes que insistem em despetalar suas pétalas na ânsia de repostas amorosas. Já ia logo gritando na língua das flores:
_ bem-te-quer, bem-te-quer!

Queria ser uma flor de boas novas. De esperança. De inspiração. De certezas. De alegrias. De mãos cuidadosas que me regassem e meio que sossegassem de me ver no jardim. Queria crescer no quintal de dois amantes felizes que não precisam de vasos para aprisionarem suas pequenas certezas. Queria significar liberdade. Feito as flores dos canteiros que minha vó tinha. Flores caipiras, crescendo juntas e misturadas em tantas formas e cores, enquanto a margarida estava sempre ali, fazendo moldura para as mais vistosas, como as rosas cor-de-rosas, os xodós da minha vó. 

A manhã nasceu tão linda que senti uma desejo de ser flor. Mesmo que uma flor do mato, aquela mais miúda de todas, que para se conseguir ver tem que chegar bem perto, e faz com que corações fiquem comovidos e deixem até o mato em paz. Sem cortar. Queria uma manhã de flor pra você. Mesmo que a sua flor não seja eu.


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