quarta-feira, 27 de junho de 2012

É oque parece

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Ainda hoje de manhã,
sentindo o cheiro da manhã gelada,
pensei que cada um de nós oferece a
SUA VIDA À UMA IMPOSSIBILIDADE


_ Clarice Lispector



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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Simples assim




Felicidade é ter algo o que fazer
ter algo que amar, e algo pelo que esperar

disse, ARISTÓTELES



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Decidiu-se o que mesmo?...

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As 'grandes decisões"
da RIO+20 deram nos nervos até da flor do maracujá bandeira.


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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Sobre escrever

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Aristóteles deixou escrito em seus escritos que para ele,
escrever com estilo, é escrever com clareza.


Achei claro!



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terça-feira, 19 de junho de 2012

É um conto que pensa que é uma carta de amor



Quero escrever mil palavras pra você. Mil palavras. Vou dizer que ponto e vírgula não contam, porque não dizem nada, mas se eu usar reticências, aqueles três pontinhos misteriosos, elas poderão dizer bem   mais do que mil palavras. Talvez eu coloque entre parentêses o número de palavras que alguma reticência usada queira dizer, mas os parentêses mesmo não contam nada. Esclarecidas as regras, vou te falar de mim.
Tenho sonhado muito com você. Quando sonho, acordo e não caibo dentro de mim. É tanto eu do sonho que a eu que acorda, pira. Não consigo me vestir de mim, piro toda. Como você sabe,  sou várias. Esta que te escreve, aquela que te sonha, uma outra que te espera e a soberana de mim, aquela que não te quer. Que não te acredita e quer de ti a distância. Uma mentirosa! É a que mais te deseja. Desejos de corpo e urgências de alma. Somos todas um blefe. Somos todas tagarelantes e desabilitadas pra amar.
Chove agora uma chuva muito calma. Evidentemente te respiro em cada gota que cai. Saio sempre muito bem vestida quando chove. Vai que te encontro numa dessas esquinas marcadas por nós... ( três palavras).
Tenho sentido muitas saudades. Engraçado é como você se acende em mim, assim, sem aviso. É um sentimento de grande força. Faz as batidas do meu coração se alterarem para o bem,  numa sinfonia de contente. Tenho me preocupado muito com o tempo. Quanto mais ele passa, mais ainda ele passa, e com ele, passo eu, passa tu, e onde ficamos nós? Estamos retidos. Detidos no coração egoísta das nossas fraquezas. Causa-me grande espanto essa nossa desvalida opção amorosa. Não viver para manter vivo. O dia não passa, isso me irrita. É tão longo o tempo que nos separa, e tão curto o instante de um sim.
Disquei os noves e os oitos do teu telefone. Amo esses numerozinhos que ajuntadinhos me trazem você. Parece mágica. Vejo-me aqui, tão antiquada de lápis e papel à mão. Penso em você sempre. Fecho os olhos e percorro todas as ruas que nos afastam. Percorrendo, apago as luzes de todos os postes, de todas as casas e edifícios, coloco todas as gentes para dormir e chego logo ao seu outro lado da cidade. Só você não dorme. E eu. Você desce para ver oque houve no mundo. Será que acabou? Sou eu quem está à sua frente. Eu dirijo a cena. Você me vê. Inteira. Ficou surpreso? Coloco um imenso sorriso no azul dos teus olhos, faço teus lábios pronunciarem meu nome, e movo teu todo em direção à mim. Ligo teus interruptores e tua eletricidade é minha. Nos ligamos. Nos conectamos. Nos amamos. Dançamos e a noite se faz.
Anda difícil escrever. Sempre é, mas sem você por perto, sem os fragmentos que te roubo 'quando', é dureza. Você é a minha palavra. Minha emoção. O meu pedaço de mar. Penso em tuas retinas. Em tuas rotinas. Penso no gosto que o café tem na tua boca, penso nas minhas mãos passeando pela tua barriga lisa, zanzando teus pecados, penso no teu braço que é capaz de mundos em abraços, penso nos teus passos pelas calçadas que pisas em dias assim, e depois penso em você falando, tua voz, você rindo com os teus. Penso em você deitado em tua cama e enrolando seus pés nas cobertas frias. Estarão frias as tuas cobertas? Pensar em mim te acalma? Te irrita? A mim, me inspira. Gosto de imaginar teus movimentos. Você é tão linha reta!, e eu, pobre de mim, tonta de mim,  sempre a dar voltas... (4 palavras)
Esqueci de olhar pelas janelas ontem. Estava cansada e sem ânimo. Você passou por aqui? Chamou o meu nome? Morreu de amor? A gente morre um pouquinho todo dia, só o amor pra nos salvar. Só ele faz sentido. Eu ainda faço algum sentido pra você? Você sempre foi tão mais velho. Mais crédulo. Mais lindo. Mais pleno. Mais seguro. Você ficou com todas as qualidades? Não! você tem uns defeitos bem danados.
No rádio toca uma canção que faz as vezes por ti: _ por que não eu?... Porque não! O que você queria? A chatice, os desgastes, o sofá, os silêncios, a distância sem fantasia, as decepções, o envelhecimento, as rudezas? Talvez você quisesse os clichês, dormir de conchinha, assistir filmes entre edredons macios, cafés da manhã na cama e todas essas coisas românticas que duram três meses. Joguei  o tarot hoje. O resumo dizia para eu tomar cuidado: forças ocultas, inimigas mesmo, estariam à postos para me afastar do que mais quero. Mas... o que é que eu mais quero? Você, ou uma casa de frente pro mar, ou alguns milhões de dinheiros, ou alguma realização pessoal, ou conciliar tudo no mesmo pacote? O que será que eu quero que provoca a ira de alguma força desconhecida? Serei eu mesma a sabotadora das nossas ilusões? É por isso que você, não. Você não, porque te quero bem demais. Não vou te perder para as desilusões. Não vou te entregar para as banalidades. Se a gente descobre que tudo acaba, o que a gente faz? Eu fujo! Eu fujo de te perder e pra proteger esse amor. Assim, ele só cresce. Quanto mais não, maior. Cruel anomalia amorosa. E linda. E multi facetada. Você é tudo que eu sonhar. Um poeta. Um louco. Um lindo príncipe. Um sapo...
Eu ando mais calma. Se penso se arrisco, calmamente me pergunto: _ E se eu te perco por dentro? Eu morro? Lembra das tantas que eu sou? Todas vivem desse amor. Quero tanto dançar com você! umas musicas lentas ainda haveremos de dançar. Depois umas taças de algum vinho bom, e nenhuma roupa pra atrapalhar. Ando mais obscena. Não te contei isso? Aceitei o fato de que somos carne e perder-se em carne amada é permitido. Assim como é permitido falar mil e poucas asneiras pro ser amado, só porque a gente ama muito e quer falar. Feito um conto. Uma crônica de costumes. Uma fábula de um amor irrealizável. Creio que já  lá se foram umas 500 e poucas palavras aqui. Guardo a próxima metade. É pra te poupar de leitura tão longa. As outras 500 palavras não tardam. Já estão todas aqui, à um passo de te beijar. Você ainda olha aquela primeira estrela no céu? Você ainda me espera no portão? Você me ronda? Casa comigo essa noite?

Mil beijos são pouco.

Amor desta que sou eu,  e todas as que residem em mim.


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Folhas Azuis

Não fique tão só
tem lugar de sobra aqui,
é tão seguro...
São somente as folhas
a nos guardar.

Folhas de um sonho bom.

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domingo, 17 de junho de 2012

A chuva chorou tua ansência

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Eu pensei em te chamar
por causa da chuva. Queria agradar a chuva que cai,
fazer uma cena de cinema. Com você. Mas você não.

Daí fiz a cena só eu mesma,
mas a chuva não gostou. Pudera!


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De um ser que sempre é!

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_ Que bom que você ligou! Bom saber que eu ainda existo na sua mente.

_ Você não existe na minha mente. VOCÊ É!


[É mais bonito ser do que existir. Nunca tinha pensando nisso]


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terça-feira, 12 de junho de 2012

VOAR

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E se na terra não for possível,
construiremos nossos castelos no ar,

oque nunca deixaremos serão nossos sonhos pra trás.


[Hoje é dia de João e Maria]


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domingo, 10 de junho de 2012

Sonho

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Parecia uma braçada de flores
de todas as cores,
aquele sonho com você.


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quinta-feira, 7 de junho de 2012

Obséquio

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Eu estava olhando a tarde. A tarde de uma árvore na calçada. Tão viva no meio de tanto asfalto. Nem parece de verdade.  De repente, uma folha caiu. CURIOSIDADE:  foi ela que se desprendeu da árvore ou fora a árvore quem a repeliu? Pobre folhinha! ainda é tão verde, tão forte, tão bela como uma folha deve ser. Sinto ímpetos de tomá-la para mim. Não tarda  alguém passa e sem perceber passa por cima dela. Seria o seu fim. Pode também de bater um vento forte e acontecer de ela ser levada por esse vento. Ela sairia voando, livre leve solta feito uma folha deve ser. Haveria riso e romance. A folha e o vento. Teria ela fugido para cair nos braços do vento? Decido deixá-la correr o risco no chão que a abriga: _  ou será o vento ou será algum passo apressado. O risco está assumido. Olho para todas as outras folhas que pendem nesta árvore enorme. Qual delas será a próxima a atirar-se? Estarão observando a folha que caiu para ver quel será a sua sorte? Se o vento bater, haverão muitas folhas lançando-se, isso é certo. Concluo que o vento é um grande sedutor de folhas. E seu eu fosse uma folha? O que haveria eu como folha querer? Permanecer no seguro galho da árvore que me acolheu, ou, atirar-me aos braços de uma incerta liberdade? A seiva que alimenta e faz viver, ou o mergulho no vento que faz... morrer ou viver? Até para ser uma folha a vida é dura. Ter que escolher. Olho de viés para a árvore, pergunto-me quem estará fazendo o obséquio para quem?!... Haveria árvore sem folha? Haveria folha sem ávore? E o vento? O vento tem o ritmo de uma carta que não tarda. Mas... as notícias serão boas? Não sei. Decido permanecer folha, e volto para o meu galho de árvore até o próximo vento passar.


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