quarta-feira, 30 de maio de 2012

AZUL

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Vou te enfeitar de azul. Não há oque estranhar: homens podem se enfeitar. Vou te regar com pingos azúis, meio cor de céu de manhã bem cedo, meio cor de sombras que caminham azuladas por um intante auspicioso: tudo pintado de azul conspirador. Minha esperança nesse caso complicado é azul e tem todas as matizes que se alteram entre palavra desejo e silêncio. Te envolvo em azúis e você é meu moço azul. Daí eu peço:  NENHUM PENSAMENTO TE PERTURBE NESTE AZUL.

Depois, chove. Chove azul.

E eu pergunto:
_ de que te serve o azul dos teus olhos se insistes a andar pelos breus do mundo?

Descobrir é um verbo azul. A palavra certa é tatuada em azul. O toque que arrebata batiza-se na pureza do azul. Toda volta é envolta nas transparências azuladas do amor que não se acaba. Azul é um sonho bom: acordar numa cama de flor e amor.


 Azulo tudo que é para inaugurar um novo azul: Azul-você!


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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Bocó, por Manoel de Barros




Ouviu a palavra bocó e foi para casa correndo a ver nos seus trinta e dois dicionários que coisa era bocó. Achou cerca de nove expressões que sugeriam símiles a tonto. E se riu de gostar. E separou para si os nove símiles. Tais: Bocó é sempre alguém acrescentado de criança. Bocó é uma exceção de árvore. Bocó é um que gosta  de conversar bobagens profundas com as águas. Bocó é aquele que fala sempre com sotaque de suas origens. É sempre alguém obscuro de moscas. É alguém que contrói sua casa com pouco cisco. É um que descobriu que as tardes fazem parte de haver beleza nos pássaros. Bocó é aquele que olhando para o chão enxerga um verme sendo-o. Bocó é uma espécie de sânie com alvoradas. Foi o que colheu em seus trinta e dois dicionários. E ele estimou.

_ Manoel de Barros


E como sendo uma bocó, acrescento que bocó
é daquele tipo de gente que como eu, acredita,
só porquê acha muito bonito o dom de acreditar.

Acreditar em que?, perguntarão os espertos:
_ Em tudo, ué! Tudo que dér na telha.


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sábado, 26 de maio de 2012

Rega



Você pode regar gente. Porquê sabe, né?... gente murcha, gente enfraquece, gente desanima, fica sem vitamina, gente também sofre intempéries. E tantas são. Então você tem o poder da rega. O poder de aguar. Você é o jardineiro com mãos de cura e ferramentas e insumos. Feito o sorriso. Você rega gente com sorrisos. Aduba com atenção sendo o adubo a atenção. Canta palavras de estímulo, não deixa a planta sozinha. Vela madrugadas frias. Faz reza pra espantar as pragas, os mau-olhados, o olho-gordo. Você joga sobre ela a água dos sentimentos mais puros. Bota reparo, cuidado, faz carinho, cobre, descobre, 'vareia' de caro pra caso, e é quando algo se faz, e aquele meio pedaço de gente, aquele meio pedaço de flor murcha que quase mais nada se dava,  ressurge nessa fração de amor. Cuidar do outro é um pouco como cuidar da gente mesmo, zelar pelo nosso próprio jardim. Porquê é bem desse jeito mesmo:

 GENTE QUE É FLOR FEITA TODINHA DE AMOR


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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Aquele abraço!

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é bonito o 'dia do abraço'
mas é mais bonito o abraço de um dia


[ Pode-se comemorar de um tudo
dentro de um abraço ]


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segunda-feira, 21 de maio de 2012

A lua pulou a janela pra te chamar...

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Escrever o que não acontece é tarefa da poesia


_ Manoel de Barros



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sábado, 19 de maio de 2012

Tolices



Algumas coisas existem só por causa do amor:
Esse pensamento, por exemplo:

Imagino uma tarde bem verde. O pincel dos caprichos escolhe
pistache, eu, chocolate. Misturamos tudo. Um amor em tom pastel
em tardes de verde e sorvete. De pistache. E gotas de chocolate.
E uma folga aos grandes tons.


[ Amor e verdes tolices. Perdoa-se só por amor ]


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É oquê vale!

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Troca-se um coração
por um buquê de rosas vermelhas enroladas em promessas de amor.


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quinta-feira, 17 de maio de 2012

Quem?

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Quem um dia irá dizer
que existe razão pras coisas
feitas pelo coração

e quem irá dizer que não existe razão...


[Renato Russo]


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Quando ele cala, é quando ele diz...



Estava vagando entre as palavras. Há diferença entre oque se tem a dizer do que se tem a falar? Não queria saber da gramática. Queria ir além do dicionário. De verdade?... só me interessa oque o teu coração tem a dizer. Então eu te toco e é o teu coração que se põe a falar:

_ Eu não quero falar. Eu quero dizer. Quero te contar que o meu coração virou um recanto muito calmo desde que você chegou. Não sabia que precisava disso pra viver.Eu era um zumbi portador de um coração que só servia para sangrar. Meus mergulhos eram todos no escuro das relações que o acaso me obrigava, mesmo sabendo que preferia a quietude de um metal que não fala mas diz muito sobre a dor de não sentir dor. De não sentir nada. Eu não tinha um por dentro. Também não era nada por fora. Nem por lado nenhum. Eu era o desconhecer.

Até te reconhecer. Te reviver. Te reencontrar. Foi uma explosão. Não!, não eram fogos coloridos de algum artifício festivo, muito menos poéticas estrelas cadentes precipitando-se à terra. Eram milhares de fios desencapados alvoroçando-me o caos. O que eram aquelas batidas, aquelas dores, aquela invasão, aquela coisa apertada que eu sentia no peito e que parecia me sufocar? Fui descamando, me alargando, me esticando, me arrebentando, me estoporando, ' o que é isso?', eu perguntei. E algo me disse: _ é a dor.

Você me trouxe a dor do querer. A dor do enxergar. A dor do acordar. A dor das tempestades. A dor dos raios do sol. A dor das estrelas que se esbarram. Do universo. Do infinito. Do existir. Do ser. Humano. E aquilo era uma tortura. À marteladas, meus ouvidos se abriam, meus olhos desescondiam-se, eu senti o gosto da minha boca seca, do meu mundo seco, e senti o pulsar das minhas mãos fechadas em punho... meu corpo pulsava, minha pele pulsava, meu sangue pulsava, o medo pulsava, o descontrole pulsava, o mundo inteiro pulsava pelas minhas veias que nunca foram tão azuis. Eu estava sob o fogo. Eu estava morrendo? _ Eu tô morrendo?

Então você sorriu. Sorriu pra mim. E uma chuva mansa desaguou. Uma chuva que tinha aroma de menina. Fiquei branco. Depois azul. Depois vermelho, e depois todas essas tuas cores foram me tomando e escolhambando meus breus, eu era um caleidoscópio na forma de um homem nu. Recém-nascido. Um desconhecido. Um ser tomado, assustado. Perdido. Um ser frágil, minúsculo, vivo, desejoso, acordado, lúcido no pior sentido da palavra. Eu tomara consciência de algo que eu queria. Ou nunca quisera. As rajadas da tua energia me derrubaram. Eu estava no chão. E o descobri frio. Descobri-me frio ao me ver no fundo dos teus olhos escuros e estranhos.

Eu vi tudo que eu não tinha. Eu vi você me olhando, mas não entendia oque você via. _ Esse não sou eu! Eu não sou esse que seus olhos invadem. Seus olhos de mil braços que dançavam em minha direção. E os braços dos teus olhos me invadiram pelo meu único ponto de azul. Foi uma invasão de você se abrindo em mim. Eu ia sendo cada vez mais um desconhecido, à medida que te via me ver. Senti um baque no peito. Aceleração. Aceleração. _ Meu Deus, como dói esse coração à bater! Eu gritei: _ pare de bater, pare de bater, pare de bater!

Inútil. Eu não sabia nada de coisa nenhuma exceto que ERA VOCÊ. Exceto que no vazio do meu coração escuro eu guardava uma gota muito ínfima  de chuva que me disseram , um dia, me traria você. Mas eu nunca esperei você. Você foi INESPERADA. Feito a tua primeira palavra que não foi uma palavra, mas um gesto naquela hora de chuva que me trouxe você. Um gesto. Precioso. Definitivo. Indiscutível. Você me levou pra dentro. Para o teu centro. Para o epicentro de um lugar chamado amor.

Eu vivi o instante perfeito. Eu guardava uma gota de chuva durante uma vida toda e agora eu era o dono da chuva. Eu podia imagina-la cinza, e cinza ela ficava. E todos esses tons de cinza viravam rosáceos quando você sorria. E eu fiz a chuva ser morna, quente, ardente, doce, oscilante de aromas, de ilusões, de óticas, de toque, de simplicidades que eu sou.

Foi dentro de você que eu sorri. E te chamei de Chuva que era a única coisa bonita que eu conhecia. E você gostou de ser chamada de Chuva. E cantou pra mim. E dançou pra mim. Me contou coisas. Abriu uma janela e me falou das estrelas, de uns absurdos românticos que eu nem entendia, mas sabia, você não sossegaria, até eu saber. Depois, você me chamou pra passear por você. Vi seus quartos, seus livros, seus altares, suas vaidades. Tuas luzes, teus cristais, tua fragilidade, tuas meninices, tuas flores e acabamos no teu jardim, onde por fim, você me convidou à morar.

Que nem por um segundo eu pensei em aceitar. Fui tomado por uma nova onda de medos e um pânico tão genuíno que só pensava dali me arrancar. Eu só queria escapar. Fugir dali. Fugir de você e desse alguém que eu nascia dentro de você. Porque eu não me via mais? Eu sumi. Eu não me reconheci mais nada. Eu morri. Eu deixei de existir no antes e nesse teu durante perfumado. Você era o medo de perder. Eu não queria te conhecer. Eu não queria nada de você saber. Eu era o estremecer. E estremeci quando você abriu tua boca tão fina e falou. Você disse palavra por palavra, num flashe frenético que me trouxe para fora de ti com meus sentidos todos retidos pelas mãos do destino, palavra por palavra você disse:_ tô nervosa!

E riu. Então era isso? Você abria a tua boca e resumia tudo da forma mais simples do mundo? Eu descobria a beleza de uma menina simples. Covardemente, então, você tocou meu braço. Tão de leve... Você sabia exatamente oque estava fazendo... Você estava dando ao amor a qualidade do IRREVERSÍVEL. Você me mostrou o reverso do verso. E pude ver pelo toque da tua mão, a tua viagem para dentro de mim, com todos os medos de inesperados fins acontecendo, passo a passo, em mim. Como fora eu, em você. E foi então, que eu me rendi.

Havíamos morrido e nascido na coincidência perfeita da mão de um carteado quântico qualquer. Formamos a canastra real e até o próximo segundo explosivo do Universo, éramos nós. Renascidos em ouro, acolhidos um no outro pra saber oque é amar. E eu soube.

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Eu não sei oque ele cala, eu não sei oque ele diz, mas sei exatamente oque o seu coração sentiu.
 Nem sempre a gente vai achar na palavra tudo aquilo que deseja escutar.


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domingo, 13 de maio de 2012

Fica bem!

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Vou fazer uma oração pra te proteger. Te proteger da tristeza, das cores escuras, dos pesadelos diurnos, da fúria, das dores que doem ardidas e queimam. Vou fazer uma oração pra te proteger de você mesmo das tuas noites eternas de monstros do mal, e até  de  mim mesma e meus dias chuvosos de cinzas teimosos eu vou rezar. Vou fazer uma oração pra te proteger e para que as portas se abram pra tua sorte avançar-te em um abraço de urso e para que você nem tente escapar. Vou rezar pela tua alegria trancada ser libertada nas asas de uma borboleta amarela que te faça sentir. Vou fazer uma oração pra tocar teu coração. E soprar pó de felicidade dentro dele e ver todas as feridas cederem em flor. Vou fazer uma oração pra que teus olhos se abram e suas dores se fechem. E para que você alcance um jardim. Vou rezar pra você chegar em casa todo dia e dormir com  sonhos amigos. E gostar da vida, das pessoas, dos acertos e até dos erros vou pedir pra  você gostar. Vou pedir pra que os fantasmas se afastem e você nunca mais tenha medo de nada por causa do fim.  E por fim vou pedir pra que todo dia você descubra algo novo em mim.

_ Se eu penso que vou ser atendida?
Eu rezo por um SIM.



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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Amor Corado

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Eu vou sorrir pra você,
Isso é um fato.
Eu vou sorrir pra você,
E vou corar no ato.

Isso é outro é fato!


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terça-feira, 8 de maio de 2012

Eu vou sorrir pra você




Eu vou sorrir pra você. Vou sorrir pra que você saiba que o amor faz de um sorriso uma promessa. Vou sorrir e você vai ver um sim desenhado de uma ponta a outra desse sorriso. Eu vou sorrir pra você e você vai entender. Entender das palavras que só cabem num sorriso. Vou sorrir pra você ver a minha alma quase pulando pra fora pra poder te tocar. Vai ver que no sorriso será o meu amor a falar. A dizer das coisas que eu ainda não disse, por desconhecer certas forças. A força misteriosa que às vezes nasce da mais frágil emoção. Você verá  no meu meu sorriso a cartografia de uma vida.  No meu sorriso você vai ver as manhãs mais bonitas dos dias mais simples que um amor de todo dia pode ofertar. Vai ver lençóis arrumados, desarrumados, vai ver noite de estrelas num céu de folhas verdes daquela árvore que floriu só pra nós. Vai ver canções muito bregas cantando palavras amorosas pra nós. Vai ver tardes eternas e janelas que nunca mais vão se fechar. Eu vou sorrir pra você e você verá o meu mundo. Do mundo que eu não falo. Só sonho. Vai ver as minhas manhas,  e até as minhas artimanhas você verá refletidas nesse grande sorriso que guarda uma vida.. Eu vou sorrir pra você um sorriso inteiro. Derradeiro. Decisivo. Definitivo. Um sorriso que faz sentido. Você verá meu sorriso encontrar o sentido.  Você vai se ver nesse sorriso. Vai se ver dançando comigo. Vai se ver dormindo comigo. Acordando comigo. Andando comigo. Vivendo comigo. Vai se ver plantando flores e colhendo amoras num grande jardim. Eu vou sorrir pra você e nesse sorriso você vai ver um mundo. Um mundo onde finalmente cabemos os dois. Nós dois e mais o mundo que criarmos pra nós. Vou sorrir pra você  e você vai ter certeza. Uma daquelas certezas únicas, que a gente sabe que vai revolucionar a gente por dentro. Por fora. Em qualquer parte do mundo que a gente tocar com a essa história que começa num sorriso. Eu vou sorrir pra você e tudo ficará claro. Eu vou entender pra poder explicar pra você. E haverá luz.  Tudo será iluminado. Calmo. Fresco. Suave. Muito doce. E bonito. Vou sorrir um sorriso com gosto de chuva, com gosto de beijo, com gosto de para todo sempre de quem quer para sempre sorrir pra você . Eu vou sorrir pra você porque sei que no meu sorriso você verá a porta se abrir. O mistério se render. A mania de se afastar, se afastar pra sempre de nós.  Será nessa hora, em que eu vou sorrir pra você,  que eu verei o teu sorriso se abrir. Teu sorriso guardado revelando-se meu ninho. Você não será só  um menino. Você será o sorriso de um menino que não vida ainda não  achou um sim. Mas ele estará. Um sim em forma de um sorriso falante. Então será encontro. Do sorriso de um à caminho do sorriso do  outro. Seremos o sorriso de um resplandecendo no sorriso do outro. Seremos um, no outro. Sorrindo as flores do nosso caminho de todo sorriso que um amor, e só o amor sabe dar. Eu vou sorrir pra você e você nunca mais deixará de me amar.

domingo, 6 de maio de 2012

é por isso que eu rezo!

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A vida é um negocinho
que a gente tem que rezar pra dar certo


todo santo dia!


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Aloha!


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coisas boas acontecem
quando a gente não perde de vista
OS SINAIS






quinta-feira, 3 de maio de 2012

Valeu a folga, EU!




Então
eu disse pra mim mesma:

_ hoje você tem direito à um pedido.

Pedido feito, pedido realizado.

[não é sempre assim, excepcionalmente eu me digo sim.
que é pra não me acostumar mal e ficar muito mimada.]

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