sábado, 6 de outubro de 2012

Outubro

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Quero um Outubro de grátis pra variar. Não tô afim de batalhar por nada. Quero tudo bem facinho, sem ter que me esfaufar pra conseguir. Não tô afim de sorrir primeiro. Tô querendo que os sorrisos me convidem pra sorrir. Não tô afim de oferecer, tô meio afim de receber. Demonstrações gratuítas, gentilezas gratuítas, e umas surpresas das boas, daquelas que a gente não esquece jamais de tão boas e surpreendentes. Tô afim de dias fresquinhos cheios de brisa no ar, tô afim de olhares atentos, de abraço apertado e de alguma visibilidade. São tantos meses de transparência, de uma quase abstração, que se é pra intimar Outubro, chega de nada. Tô meio afim de tudo. Tudo de bom. Quero achar o vestido perfeito, quero a tarde do teu olhar, quero a tua cara de espanto, quero ver você gaguejar. Quero o teu verbo alucinar.Quero ver você pirar. E quero a calma pra mim. A languidez das deusas amadas, quero desfilar uma de mim que não sai pra passear amiúde. Quero me dar folga, quero mimo, quero agrado, quero aquela canção na minha janela. Quero ver o algo a mais acontecer. E não quero pagar nada pra ver: faz de conta que se não for agora, não será jamais. Não se trata de  um desafio, caro Outubro. Já está decidido, só estou te comunicando.

Ficou claro?

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