domingo, 30 de setembro de 2012

ESTRANHO

.

A gente custa a acreditar, mas tem vezes que as coisas realmente acabam. Acabam-se como se acaba um dia, uma onda, uma flor, uma vida. Dá pra acreditar que até o amor acaba? O amor acaba como se fosse uma dança quando a música  parou.


Pode ser até que no ato de acabar a coisa se transforme em outra, e até haja alguma continuidade. Mas será outra coisa. Um nova coisa. Um algo desconhecido. O amor se transforma em que? Há substituto para o amor?
É verdade que restam fragmentos do que acabou e essa é outra parte difícil. As associações. O céu em seus tons de romance continua lá. O mar e seu convite ao azul dos mergulhos amorosos, resta calmo. A formorusa do cenário e até oque não tinha muito viço, estão lá, lembrando. Muita coisa sobrevive ao que acaba, mas sobrevive vazio. Sobra a sensação de que as horas já foram perdidas sem que elas ainda sequer tenham surgido. Tem o lado de fora da gente, vazio do que partiu, e tem lado de dentro da gente, que vira um deserto ainda mais vazio. É que o amor vira costume. A gente se habitua fácil ao que nos faz bem. Ao que nos faz feliz. O pensamento orbita exatamente aquela emoção. Quando o amor vai embora de vez, duas outras coisas vão embora junto. Aquela felicidade que existia só por causa de quem partiu. E parte junto um bom bocado de esperança. Resta desilusão. Resta a frustração de saber que tudo, mais hora, menos hora, vai acabar. É um bom motivo pra aproveitar? Decerto que sim, é quase um desespero.

São tristes os lugares deixados vazios. É oque resta: o vazio. Acabar não é um verbo bonito. Não faz muito sentido, inclusive. Se eu pudesse, eu acabava com essa história de acabar. Oque era bom devia ficar pra sempre, e à gente caberia, nunca nunca enjoar. Procura-se a lógica pra tentar explicar: _ Será que é por isso que tem que acabar?...

[Se há um consolo? _ sim!...a gente acostuma]


*

3 comentários:

Mayda Araújo Cunha disse...

Identificação total com seu texto, aliás sou sua fã,você escreve muito bem, sigo você faz tempo.
Engraçado é como as pessoas entram na nossa vida se encaixam em lugares que antes eram vazios, e vão embora, e nunca sabemos se para sempre, ou por quanto tempo.
Não deveria acabar, doí tanto!

Mayda Araújo Cunha disse...

Não deveria acabar, doí tanto!
Identificação total com seu texto, aliás com seu blog, adoro tudo que você escreve, parabéns!

A primeira estrela disse...

As vezes o "acabar" pode ser um alívio, mas quando não é...também estava assim Be, mas se você prestar atenção, os passarinhos não deixaram de cantar de manhã cedinho! ;)