sexta-feira, 20 de julho de 2012

Ele acende o meu cèu feito conto de uma carta de amor

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São outras quinhentas palavras que desejam virar mil. Palavras prometidas, não à você, que nada pediu, mas à mim, que gosto tanto de me prometer em palavras para você. Escrever pra você é sentir a liberdade do vento nos cabelos. É rodar num carrossel mágico que permite tocar o céu. Escrever pra você é dançar palavras com batidas do coração. Dizem que oque nos salva são as palavras. Li isso em algum livro cheio de palavras. Dotados desse emaranhado de letras mágicas, quase viramos deus. Não como Deus em maiúscula, o Todíssimo Poderoso que tudo pode antes mesmo de pensar, mas como um pequeno criador de cenas. Um deus de uma cena que pode abraçar enredos, destinos, finais felizes que não acabam, verdades, contradições, pérolas e amores eternos e sólidos em uma cena única. Única e isolada do mundo.
Vivo em três cenas com você. Não as escolhi aleatoriamente. Foram cenas vividas com você acendendo estrelas pro meu céu escuro. Nas brumas dessas cenas, tenho o poder inebriante da liberdade amorosa, da essência criadora da alegria, e sinto que apenas uma lufada de ar vinda dessas brumas é o suficiente para nos manter vivos e jovens por séculos.
Como fosse um editor de imagens, meus emaranhados cerebrais capricham no recorte dessas cenas, enquadrando-nos á sós. Dois sóis no meu mundo. É nessa hora que meu coração desaperta. É como voltar à tona. A primeira cena tem eu , tem você, numa noite de verão. Tem um amontoado de estrelas que ofuscam as luzes noturnas, e tem paralelepípidos desgastados. Tem a alegria de te ver. A cena é em slow-motion. Quântico! Esse recurso avançado permite desquantificar o tempo. Cinco minutos ficam como sendo trezendos segundos, ou dezoite mil meio-segundos, que não passam, simplesmente, porque não desejam ser passados para trás por alguma cena banal. É quando o tempo perde as rédeas para uma grandeza superior. Sai de cena o tempo, entra a plenitude do amor. Plenitude do amor? É! eu acredito nisso, pelo menos nessa cena... Pelo menos, num instante amoroso. Então, querido, terão sido milhões de horas no comando das próprias horas se repetindo num mero instante vivido pela real divindade que nos habita: a felicidade genuína feita de partículas lilases que somente o encontro de uma alma que ama essa outra alma consegue eclipsar. Achou fantasiosa demais a minha teoria? Não é não, meu amor! Eu conheço essa teoria direitinho, minha intuição aprendeu a pular o muro das obviedades que nos separa do nosso poder de estrelas, aquele poder que não alcançamos sem termos estrelas na mãos e por sermos meros mortais, exceto, eu creio,  quando amamos profundamente, e talvez na arte, que é o máximo que chegamos. Eu amo física quântica. Não entendo nada de nada dela com o meu intelecto limitado, mas alguma parte de mim saltita mesmo que eu não entenda. Imagina se eu entendesse?  Você é um viajante do tempo, tua compreensão das coisas é outra, devo parecer um bocado boba e inadequada aos teus olhos azuis com impressões tão primitivas e desembasadas, mas, acredite, mesmo esse nada que eu penso sobre isso tudo já me faz ter a maior cara de maluca. Eu vejo isso nos olhos das pessoas...
Mas vamos á segunda cena. Já falei desse instante muitas vezes com você. Não foi um instante de palavras. Foi um instante onde você se entregou no gesto. Tudo estava nebuloso, como é sempre, aliás, em se tratando de nós. Já caíam os primeiros, os segundos e os terceiros pingos de chuva. Preparava-nos para um adeus decidido á muito custo. Mas tuas mãos resolveram te trair. Sob o comando do teu eu acendedor de estrelas, elas, as tuas mãos, tomaram as minhas que nenhuma resistência ofereceram, e tudo que não fora dito pelos mais torpes motivos, escapou-nos. O não, era sim. O fim queria chamar-se começo. O nunca mais era simplesmente um equívoco no caminho da confirmação de uma espera. Fico olhando esse movimento do encontro das nossas mãos. As células das tuas mãos misturaram-se às minhas. Você estará pra sempre nas minhas mãos. Isso não te soa metafórico? Você me tem em sua mãos. Mãos que acendem estrelas têm vida própria, e as nossas, recusaram-se à compartilhar de nossa decisão insana.
Engraçado é que visitando nossas lembranças, oque me vem são coisas pequenas, peculiariedades, gestos invisíveis, auto-comandados, sempre há algo inusitado no teu não falado.
A terceira cena não te conto por carta. Vai que ela vai parar nas mãos de algum endereço errado. Não nego de contar-te, mas somente ao pé dos teus ouvidos perfumados. A beleza dos fragmentos do amor. Rio deles. Riso de amor. Como quando perdi o equilíbrio e seus braços me protegeram. Quando rocei minhas pernas nas tuas e você me avisou do perigo. Quando te vi me olhando, de longe, me puxando pra perto e até quando você me mandou pra longe de novo, eu vi o teu amor. Sei decór cada uma das tuas entrelinhas, conheço cada ponta do teu ciúme, respiro o teu existir. Você me ensinou a ultrapassar o portal do tempo. Serei sempre grata por isso e pelas estrelas que que trazes pro meu céu.

Sendo e não sendo eu, o teu amor
sendo e não sendo você , o meu
seguimos, amalgamados e gamados
entrelaçados, eternamente, nessas
três cenas de amor.


p.s.
'não adianta nem tentar, me esquecer'

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Um comentário:

Cati Barros disse...

... de onde vem tanta inspiração???
tua inspiração nos inspira.
;)