quinta-feira, 7 de junho de 2012

Obséquio

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Eu estava olhando a tarde. A tarde de uma árvore na calçada. Tão viva no meio de tanto asfalto. Nem parece de verdade.  De repente, uma folha caiu. CURIOSIDADE:  foi ela que se desprendeu da árvore ou fora a árvore quem a repeliu? Pobre folhinha! ainda é tão verde, tão forte, tão bela como uma folha deve ser. Sinto ímpetos de tomá-la para mim. Não tarda  alguém passa e sem perceber passa por cima dela. Seria o seu fim. Pode também de bater um vento forte e acontecer de ela ser levada por esse vento. Ela sairia voando, livre leve solta feito uma folha deve ser. Haveria riso e romance. A folha e o vento. Teria ela fugido para cair nos braços do vento? Decido deixá-la correr o risco no chão que a abriga: _  ou será o vento ou será algum passo apressado. O risco está assumido. Olho para todas as outras folhas que pendem nesta árvore enorme. Qual delas será a próxima a atirar-se? Estarão observando a folha que caiu para ver quel será a sua sorte? Se o vento bater, haverão muitas folhas lançando-se, isso é certo. Concluo que o vento é um grande sedutor de folhas. E seu eu fosse uma folha? O que haveria eu como folha querer? Permanecer no seguro galho da árvore que me acolheu, ou, atirar-me aos braços de uma incerta liberdade? A seiva que alimenta e faz viver, ou o mergulho no vento que faz... morrer ou viver? Até para ser uma folha a vida é dura. Ter que escolher. Olho de viés para a árvore, pergunto-me quem estará fazendo o obséquio para quem?!... Haveria árvore sem folha? Haveria folha sem ávore? E o vento? O vento tem o ritmo de uma carta que não tarda. Mas... as notícias serão boas? Não sei. Decido permanecer folha, e volto para o meu galho de árvore até o próximo vento passar.


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2 comentários:

Tallita Monteiro disse...

Poxa que lindo!!! Texto com uma suavidade como a brisa que as toca nossas vidas!!



Bjuss flor!

Patrícia disse...

Eu ADOREI!!!
Também não sei se me liberto da árvore e espero o vento passar...
Beijo