quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Um mar para chamar de meu...




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Eu pensei que queria uma casa. Uma rua. Uma localidade. Pensei que queria gente por perto. Pelos lados, ao redor dos meus arredores. Os de dentro, sobretudo. Eu pensei que queria lindas roupas, um monte de sapatos, coisas belas de todas as formas. De comer, de beber, de engolir. Devorar. Eu pensei por tanto tempo sobre onde eu queria morar, e nunca achei uma resposta. Nenhum lugar parace ser o lugar... eu estou totalmente fora de lugar. Desajustada? Desequilibrada? Desconfiada? Desarranjada? E s c u l h a m b a d a ? Tudo junto e misturado, sem tempero algum.

Então, eu pensei que não tinha mais jeito. E concordei comigo:_ não tem. Onde quer que eu estivesse, não estaria. E não estou. Estaria, á muito custo, meu corpo com minha cara estranha que se faz cada vez mais estranha e só. E assim tem sido. É o que parece ser. Tudo perdeu o valor. Eu pensei que amava as coisas. Eu pensei que amava as pessoas. Eu pensei que amava existir. Mas eu pensei errado. Eu estou do lado de fora, meu lugar é nenhum. Meu lugar é só um. É silêncio. È metáfora de deserto. É interrogação seguida de interrogação. Meu lugar é o não ser... Meu lugar não existe, exceto, talvez, quando vou ao mar.

Poderia viver ali. Se eu fosse... Se eu fosse...
Poderia sentar ali e viver ali. Viver de areia, de brisa, de sol, de maresia, de siris, de fogo, de água salgada, de sal no corpo, de sol na cara, de céu, e de estrelas, e de escuridão e talvez, de alguns temporais.
Ah!, Meu Deus... eu não suporto mais os meus tantos ais. Eu que já estranha demais sou, consegui ultrapassar estranhezas.

Olhei aquele estranho representante de todos os estranhos e perguntei:
_ hei, você!...
você acha que está me vendo?
Mesmo?

E eu mesma respondi à ele:
_ Você não está me vendo. Sabe porquê?
Porquê eu simplesmente não estou mais aqui,
sua interlocutora não passa de uma miragem do que um dia foi um ser que pensou demais!






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3 comentários:

Karine disse...

foi [a]mar. talvez seja o maior amor.

thiê disse...

sal na pele e sol nos olhos faz esquecer qualquer estranheza.

Adriana ♣* disse...

Oi, Be!

Tudo jóia?
Não tenho aparecido e vai ficar cada vez mais difícil porque vou passar uns meses em Minas e lá vou ter pouco acesso a internet.
Mas continuo ADORANDO tudo por aqui!

Beijocas,

Adri