sábado, 29 de dezembro de 2012

A gente segue se ajustando...

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Como é difícil se ajustar dentro do dia, - às vezes pensava.
Entro ou não entro.
O dia é uma roupa nova mal cortada.
O horizonte tem zíper ou botões?


Do livro Big Jato/ Xico Sá


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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

NOVO

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É reconhecível a fragância de algo quando novo,
tem as notas da poeira molhada, poeira lavada,
poeira colidindo numa escuridão amigável,
pronta para coincidir e fazer-se a luz do

novo, ano.

_ Coincidirão também comigo?


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terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Para sempre, Natal!

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Ainda será Natal
cada vez que a gente lembrar do outro antes de lembrar da gente,
cada vez que formos capazes de delicadezas, caprichos, carinhos,
abraços, presentes, ouvidos, palavras,
cada vez que nossas mãos,nosso tempo, nossa atenção,
nossa alegria forem divididas com o outro com a única intenção
de bem-querer...

o Natal reforça a nossa humanidade como sendo uma qualidade
simples, leve e carinhosa, e se repete em data festiva para lembrar
que a vida é isso, os feitios e as colheitas,  os preparos e os regalos,
os empenhos e as conquistas, é a vida com dignidade, acima de tudo.


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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Os Vazios do Natal


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O NATAL
é uma festa muito alegre.
Mas também é um pouco triste.

Quase sempre fica faltando alguém que a gente gosta tanto,
que não pode, não consegue, não é possível,
 tantos senãos...

Quase sempre fica algum abraço, alguma espera, alguma mágoa
bem ali atrás daquela pilha de presentes que serão tantos,
mas não serão... presenças...

Quase sempre vem uma lembrança de alguém que ficou, que se afastou
que a gente deixou escapar na correria que não levou à lugar algum

que não fosse á esta noite de Natal,

uma noite que a gente queria todos por perto, amigos de tantos nomes,
Marcinhos, Valérias, Isabelas, Fernandos,Vanessas, tantos João e Marias,

(...) LEIA SEU NOME AQUI!

então Menino Jesus, permita que sejam todos abraçados pela magia desta noite,
e que naquele instante de vazio, Tua presença nos faça lembrar e acreditar que para
o amor, tudo é possível, até abraçar aquele alguém, que ficou longe, mas nunca longe
do coração!


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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Isso!

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Todo mundo faz charminho
pra ganhar atenção.

E é sempre disso que se trata,
ATENÇÃO


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domingo, 16 de dezembro de 2012

O Pensamento que Ronda, ou Quanto ao Passado

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Às vezes é preciso quebrar os preâmbulos
e ir exatamente ao ponto:

_ Você pode me perdoar?...


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sábado, 8 de dezembro de 2012

Requinte

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a ADMIRAÇÃO é o SUPRA-SUMO do AMOR




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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Suave

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Suavizadas sejam as ansiedades
que nos impedem de enxergar as coisas tão lindas que existem entre o céu e mar.

Incluam-se aí,  as belezas dos corações.


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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

PEDIDO

Se for pra pedir, a gente tem que pedir coisas boas de serem dadas. Coisas que despertem no ente solicitado tanto prazer quanto na nossa imaginação.
Se for pra pedir, que seja um pedido que olhe o outro feliz junto, não só a gente. Senão não vale.
Pedido não é pra amarrar. É pra libertar oque todos querem. Todos dois, por exemplo.
Pedido tem que ser possível. Os impossíveis a gente entrega pra Deus, que como se sabe, é um Ser
muito bom com pedidos.

Dezembro é um bom mês para pedidos.
De preferência, pedidos gostosos...

[você tem um pedido?]



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sábado, 1 de dezembro de 2012

Sendo breve:



Com lavandas perfumarei tuas amarguras,
 lavarei teu corpo em alegrias e teus sentidos no prazer das águas frias,




Vou te seduzir em rosas pálidas
E, sim!, tema meu caro senhor das profundezas,
farei isso nem que precise bulir as profecias:

_ nossa história não será uma promessa vazia!


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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Tem alguém aí?!


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Viver também é sair por aí, procurando coisas que não se sabe muito bem oque são. Tem dias que parece que tudo falta. Em outros, parece que sobra. Oque não muda é a procura. Mesmo quando tudo parece calmo. Mesmo quando parece suave. Alguma coisa sempre está inquieta. Um desejo, uma saudade, uma aspiração, uma ansiedade, algumas dores, e as alegrias ali, tão acomodadas nem dando-se ao trabalho de se fazerem notar. E a gente procura. Seria uma chave? Um mapa? Uma pessoa? Muitas pessoas? Expectativas de um barulhinho bom. Barulhinho de chuva. de sofá de domingo. De bolo crescendo. De amigo chegando. De férias partindo. De braços abertos voltando. Barulhinho de carta. Sendo aberta em novidades. N o v i d a d e s . Às vezes a gente anseia as novidades. Para elas casarem direitinho com as belezurinhas da nossa vida. Tem gente que tem alma de visita. Alma de visitar. Alma de ser visitado. Visita é atestado de bem querer. 'Vim aqui só pra te ver'. Daquelas delícias que validam em plenitude a palavra novidade. E ainda traz de lembrança a felicidade. Ando em dias de visita. Olho nos olhos nas pessoas e só quero saber se 'tem alguém aí'. Alguém com alma de quem quer que eu o visite. E adore isso com toda a alegria casadinha com a felicidade. Vale lembrar: não precisa ser de outra cidade, pode visitar em todas as estações. Vale todo mundo que tem o dom da curiosidade. O DESEJO DE SABER DO OUTRO. Em tempos em que tudo é invasão, curiosidade virou palavrão. Mas não é não, gente!... querer saber é um jeito de gostar. Alguém quer vir me visitar?


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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Habitar-se

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Habitam-nos belezas indescritíveis
que só podem ser alcançadas com os olhos do coração,

quem por nós nutre afeição,
alcança um vislumbre, uma intuição,

quem não, nunca verá,
serão todos os esforços em vão.

_ não há beleza possível aos 'olhos do não'.

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domingo, 11 de novembro de 2012

Se tudo pode acontecer...

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Pra lembrar que PODE!


"se tudo pode acontecer
PODE ACONTECER QUALQUER COISA"

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sábado, 10 de novembro de 2012

Uma cena de filme

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Eram as horas de um  fim da tarde. Mais noite do que dia, mas com aquele pouquinho de dia que resta em todo entardecer. Ela estava em sua casa. Do aconchego desta casa que a abraçava, ela gostava. Só não gostava do que faltava, e oque faltava, era oque não podia ser. Não podia era tempo rejeitado, e oque não podia era sempre desejado. Todo dia, um pouco mais. Oque não podia rondava. Sem que ela o visse, no vazio do outro lado da rua, ele olhava. Olhava as luzes que se acendiam como se fosse um lindo começo de dia. Ela estava lá. Havia alegria.  Ele a via, sendo que ela sequer imaginava que ele estava tão perto de onde ela era guardada, dentro dos seus aconchegos quase perfeitos. Parecia estranhamente feliz e não feliz. Ele gostava de olhar. Ela de imaginar. Não há separação que suporte isso. Nada se conclui. Viviam  uma sintonia que não dormia. Não os poupava, e ademais, os oprimia. Sincronizados estavam seus corações afastados. Um respirar mais profundo de um e, logo ali, do outro lado da rua, era respondido no mesmo respiro segundo do outro. Correspondido. Parecia um chamado que queria ser atendido. E então, ela foi à janela. Sofria com toda aquela harmonia, e a culpa da falta do que não podia. Afastou-se de seus aconchegos e tomou o telefone. Sorriu tristemente e teclou aquele número inesquecível. O som de um telefone tocando reverberou por perto. Ele assustou-se. Era o seu o telefone a tocar. Na tela riscada, o nome daquela que não podia. Atendeu prontamente sob o o risco de ser flagrado ali, em frente á casa dela.  Olá. Olá. Silêncio. Palavras desconexas, sem nenhum sentido exato que não fosse, saudade. Ela fez que ligou por conta de algum acaso. Ele fez que surpreso estava no acaso. Enquanto ele a via em cores, ela o via nas cores de um  sonho. Tocaram-se naquele instante telefônico que os alimentaria por dias.Viviam das migalhas que concediam-se. Odiavam-se por isso. E amavam-se ainda mais.  Quando o amor não pode, ele arde mais e acaba sendo tão mais querido... Desligaram com os votos disfarçados de uma boa alegria. Qualquer coisa poderia ser dita. Uma só traduzia: queriam-se tanto que nem sabiam. Ela voltou pros seus pra dentros. Ele ficou nos seus pra foras. Seguiam incansáveis  na esperança de viver a mesma cena em circunstâncias favoráveis. Suspiravam, amoráveis, separados por suas eternas demoras.


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Farinha do mesmo saco!



ENTENDE:
_ é que a gente é areia da mesma praia, darling!



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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

f e l i c i d a d e

Percebe logo:

TODA FELICIDADE
COMEÇA COM FÉ


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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Porque restaurar é preciso

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A gente veste a vida
ou é a vida que nos veste?

Procura-se costureira/o com os dons da boa reforma.


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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O pulo do amor

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Sinto a chegada de ideias amorosas.
Pulo da cama. Pulo de alegria. Pulo pros braços do dia.


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terça-feira, 30 de outubro de 2012

domingo, 28 de outubro de 2012

Suaviza, Vida!

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Sempre gostei de 'dar nome aos bois".
Nenhum grande dom, gostar por gostar apenas.
Encasqueto-me por definições. É meio agonia.
É querer entender, sem ofender, por favor!

Faço isso aqui pra ver se acabo entendendo alguma coisa.
Não dá muitro certo. Mas eu tento. Não custa tentar!

Por exemplo:
_ encasqueta-me o aveludamento que alguns sentimentos
 g e n e r o s a m e n t e  provocam.
Será que eu quero entender, ou busco?

Pensar conforta!


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sábado, 27 de outubro de 2012

Feito Vida

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A FÉ
é uma criança bonita que está sempe pronta pra nascer.


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BOA FÉ


Todo mundo tem um sonho. Tem algum desejo. Tem alguma meta. Tem algo pra ser alcançado. Tem uma viagem dentro do coração preparada em detalhes irreais. Alguns, curiosamente, vão realizando esses sonhos ao longo do caminho. Ou alcançando, galho por galho, o topo de seus objetivos. Tem sonhos que florescem. Parece que o tempo favorece.  A pergunta que não cala seria oque foi feito para que a realidade resolvesse abraçar aquelas partículas sonhadoras e tansformá-las em vida. Sorte? Talvez, não! Seria meio injusto a sorte presentear-se à uns, renegando simplesmente à outros. Tem alguma coisa no coração dessas pessoas que realizam que as faz merecedoras de suas conquistas. Uma capacidade de concentrar-se, de determinar-se, de conectar-se, por coragem e persistência. ao objeto de seus anseios. Creio que o nome disso seja FÉ.

Pode-se dizer, então, que todos têm fé. Que no ato do desejar a fé fosse algo intrínseco. Ou ainda que uma coisa estivesse atrelada à outra. O Livro Sagrado diz, cruelmente á meu modo de vista que, "a fé sem obras é morta". Ainda que cruel, faz sentido. Daí, a outra pergunta permanente seria, de onde brota essa fé realizadora? O que faz a fé tornar-se adubo das flores mais bonitas que a gente quer ver no nosso jardim, e essas flores vingarem? É quando ocorre a palavra ingenuidade. O bom sentido dessa palavra que poderia trazer nas suas mãos de criança a mais bonita das qualidades, a BONDADE. E eis que surge uma fórmula: a fé nasce da bondade mais pura, fé esta capaz de realizar sonhos que nascem no coração. A verdadeira fé é um ato de bondade desprendida. Já nem é mais desejo, antes ainda, é a certeza natural que as crianças têm de que serão protegidas porque assim é que deve ser. Acreditar seria viver.

Não é fácil ser bom na vida adulta. A gente se envolve numa couraça cheia de recursos de proteção, e esconde a bondade pra não pensarem que a gente é bocó demais. E acostuma a ser pra dentro. A não acreditar no lado de fora. Leva uns sacodes daqui, outros dali e, _puxa vida!, quer proteger de todo jeito o sonho e a criança que nos resta por dentro. Ser uma pessoa bondosa quase soa como qualquer coisa do século passado. Sei lá! Talvez o negócio seja começar pela gente mesmo. Ser uma pessoa boa que abraça com bondade os próprios sonhos. E busca acreditar com bondade. Abraça o outro mesmo que os espinhos de tantos abraços não dados digam que não na prórpia pele. Uma fé que não busca a lógica, os argumentos, os julgos, as tantas considerações. Talvez ter fé seja simplesmente ser bom. Um desafio e tanto pra quem já experimentou na carne do coração os açoites da vida. Talvez daí que nasça uma fé maior. Uma fé que vence, que cura, que ultrapassa, que se recupera. Que remoça.

É preciso remoçar o coração da gente. Pra que caiba fé. Pra que caiba essa tal bondade. E mais meia dúzia de sonhos esperando pra nascer.


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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

PENSA!

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Se a gente pode pensar sobre qualquer coisa,
sobre as mais de mil coisas que fazem feliz:

_ por que escolher pensar justo pensamentos carentes de afeto?

Esquece e desfruta as mil delícias de um bem_pensar!


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sábado, 20 de outubro de 2012

Gostar de Esperar

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Meu nome é paciência. Meu verbo é o esperar. Oque eu aprendi é que não há desejo sem espera e que aguardar é um dos verbos da Esperança. Não perco nada na espera. Antes, ganho. Ganho o desejo. Ganho o prelúdio. Ganho o significado do tempo. Esperar demora. E ensina. E adestra a ansiedade. Eu espero tudo que consigo imaginar. E espero também que nada se realize. É o comando da calma. A gente vai ficando calminha, calminha, até que a espera vira um capítulo. De capítulo em capítulo, forma-se uma história que só termina no ponto final.


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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Figuras

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é preciso saber ler o AMOR,
é preciso que se veja em cada palavra amorosa

o poder de sonho das figurinhas...


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domingo, 14 de outubro de 2012

Olhando para o próprio nariz (...)

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Estar junto à NATUREZA
talvez seja o único momento em que se é possível experimentar
viver longe do verbo julgar. A Natureza simplesmente não julga.

Amar e os seus derivados deveriam causar sensações assim:
apenas naturais.


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sábado, 13 de outubro de 2012

Reverberações Amorosas

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O amor reverbera-se. Faz eco enquanto se perde nas avenidas que o levam ao destinado coração. Feliz é o amor que acha o endereço certo. Ele segue ecoando pelo caminho,e porque tem sorte, chega. Não tem descanço, mal ele chega e já é devolvido às alamedas amorosas para voltar ao movimento de reverberação de um amor correspondido. O amor vai-e-vem, mas a eficácia da sua chegada está nas mãos de quem o envia. Há que se ser rápido para que o amor não se distraia pelo caminho. É que são muitas as missivas amorosas. De tudo que se sente, o amor é sempre o sentimento mais recente. É o último grito, é o último sussurro, é o pensamento que insiste. É o conforto da mente. É pra onde corremos e recorremos quando dá para escolher. Por isso ele reverbera ininterruptamente. Porque o amor é o sentimento mais gostado de todos e volte e meia gosta de ser capturado, só pra iniciar uma nova reverberação. Quanta confusão!

Você acha que eu gosto de amar você?... ADORO. É o eco que eu provoco de maior deliciosidade. É o meu som mais bonito. É a minha sinfonia em Ré maior. Perdão pelo Ré, mas me recuso usar o DÓ.Coloco meu amor por você nos lugares mais bonitos, nas cenas das mais finas sintonias, ecôo meu amor por você no agora e nos tempos mais infinitos. Amor quando dá de ser amor mesmo, ecoa ADINFINITUM. Não sei mais, no entanto, se te alcanço nesses tantos ecos de amor. Ecos também se perdem em meio ao desordenamento das direções. Eu e minha dificuldade de orientação espacial, pequei quando acreditei no espaço que existe entre um segundo e outro, e me perdi. Acho que ando ecoando por aí, junto desde meu amor tão descabido de mim.

A culpa é minha nesse caso de perdição. Não treinei o meu amor na arte da reverberação absoluta, e creio ter sido justo essa indisciplina amorosa do meu sentimento quem disvirtuou o teu. Você tatuou a promessa de manter-se criança em espírito mas quem saiu pra brincar foi o teu amor. Com o meu. Posso sentir, te juro, os ecos do meu amor rindo alto as sacanagens que viaja nas mãos do teu. Fomos passados para trás, meu caro. Confiamos nas idas e voltas e fomos traídos pela liberdade concedida. Dizem que o pecado mora nas esquina das liberdades. Nosso amor pecou. Descobriu as asas dos destinos que não cessam e voam, se divertem e riem dos nossos suspiros saudosos. E fazem chover. Sabe porque chove? Chove para que se corte a estática e a gente possa ouvir melhor o nosso amor solto por aí, um nas garras do outro, chovendo e rindo de nós. Quando chove eu me emociono de amor. Não vejo tristeza. Sinto que o nosso amor criança está certo: antes esteja livre reverberando ao som de mais uma chuva da estação, do que retido em eternas indecisões. Antes ecoe livre, do que nos abandone na desilusão que seria virar desamor. Não há dor, amor, porque seja onde fôr, eu sei que a gente tem um lugar juntos nessa alegoria de amor. Eu sei, eu sinto. Eu me sinto leve sabendo que meu amor é sonhador.

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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Doze de Outubro

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Hoje é dia de abraço em todo mundo. Todo mundo que mantém seu lado criança vivo e forte dentro do coração. Hoje, eu não quero saber das "adultices" , quero saber das coisas dos meninos e meninas que  foram ficando á beira do caminho, para que a seriedade dos anos maiores se revelasse. A lógica diz que deixamos de ser criança a medida que crescemos em anos. A razão talvez diga que isso até que é bom. O coração, no entanto, parece sentir saudades. Saudade e falta daquele jeito simples de ver o mundo. Da crença num mundo inteirinho. Há muito sabedoria no coração da criança. Ela gosta do hoje. Ela gosta das pessoas. Ela perdoa fácil. Gosta de abraço, corre, libera energia, não tem medo de se jogar. Para a criança a vida é uma festa, mesmo quando a música parece não tocar. Crescer dói porque a gente vai deixando pra trás essa pessoinha destemida que somos em criança. Desafios e sobrevivência vão nos aprisionando dentro de nós mesmos assinalando que o mundo é um lugar perigoso, que precisamos ser competitivos, alcançar os primeiros lugares e com isso, esquecemos que os mais gostoso da história era simplesmente BRINCAR. A gente vai se contaminando pelo adulto que se recusa a ver a importância da simplicidade.  E isso é uma pena porque vamos perdendo toda a diversão. A diversão de EXISTIR. É preciso manter. É preciso somar. É preciso crescer, mas deixar se levar:

Meninos viram empresários, advogados, carpinteiros, fazedores de todo tipo de coisa. São meninos crescidos.Os que mantém seu lado criança vivo, se divertem. Os que sufocaram seus meninos achando que não há lugar para ingenuidade seguem sufocados pelo grito desse menino.
Meninas viram mães. Viram amantes. E viram presidentes de empresas, nações, de lares e corações. Fazem milhares de coisas num único dia: muitas serão eternas meninas. Por que? Porque estão presentes no caminho.
Hoje é dia de mariazinhas e joãozinhos. Não só os pequenos. Mas todos nós que temos muito a descobrir consultando nossas lembranças infantis, onde talvez residam a fonte da nossa maior inspiração pra viver, e também, de coragem. Coragem, aliás, palavra preferida de meninos e meninas, e de cada um de nós que teve a coragem de trazê-los junto, mãozinhas dadas em cada etapa, tudo junto e misturado na tentativa de ser feliz. Ser feliz, que aliás, tem tudo a ver com o coração de criança.


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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Tempo

Ocupar

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Das coisas óbvias
e nem por isso, fáceis:


A gente só supera o vazio
quando permite a OCUPAÇÃO



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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Despetalar

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Um dia a gente perde uma pétala de sonho
noutro, perde uma pétala de esperança
e segue deixando pelo caminho
pétalas de uma flor em si...




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sábado, 6 de outubro de 2012

Inquietudes

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Eu te amo, seja qual for o arredor, eu te amo.
Você sabe que é amor de todo jeito possível,
amor nervoso, amor teimoso,
amor que resiste, e insiste que existe do jeito que fôr.
Só que não está dando muito certo, né?
Então, eu pensei:

_ E se a gente mudasse de sonho?


_ Mudo qualquer coisa, amor,  só não mudo de amor.


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Outubro

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Quero um Outubro de grátis pra variar. Não tô afim de batalhar por nada. Quero tudo bem facinho, sem ter que me esfaufar pra conseguir. Não tô afim de sorrir primeiro. Tô querendo que os sorrisos me convidem pra sorrir. Não tô afim de oferecer, tô meio afim de receber. Demonstrações gratuítas, gentilezas gratuítas, e umas surpresas das boas, daquelas que a gente não esquece jamais de tão boas e surpreendentes. Tô afim de dias fresquinhos cheios de brisa no ar, tô afim de olhares atentos, de abraço apertado e de alguma visibilidade. São tantos meses de transparência, de uma quase abstração, que se é pra intimar Outubro, chega de nada. Tô meio afim de tudo. Tudo de bom. Quero achar o vestido perfeito, quero a tarde do teu olhar, quero a tua cara de espanto, quero ver você gaguejar. Quero o teu verbo alucinar.Quero ver você pirar. E quero a calma pra mim. A languidez das deusas amadas, quero desfilar uma de mim que não sai pra passear amiúde. Quero me dar folga, quero mimo, quero agrado, quero aquela canção na minha janela. Quero ver o algo a mais acontecer. E não quero pagar nada pra ver: faz de conta que se não for agora, não será jamais. Não se trata de  um desafio, caro Outubro. Já está decidido, só estou te comunicando.

Ficou claro?

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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

"Não nos deixe cair em tentação"

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Ando pensando muito sobre oque significa rezar. Pensando e pensando concluo que, se está difícil rezando, sem rezar fica impossível. Falo rezar no sentido de soltar no ar as boas intenções e o colorido dos sonhos. A gente deixa de rezar quando pára de acreditar nos sonhos. Nas pessoas. Na força do afeto e na possibilidade de transformação. Porque rezar vai além de recitar orações. Rezar de verdade é estabelecer uma ponte com o invisível que à tudo rege. Deve haver um regente, não? Um regente um pouco anárquico, que gosta de ver o movimento das notas auto comandadas. Talvez Ele goste da bagunça toda, só para ver  até onde uma nota é capaz de ir pra tocar. Voltar-se para dentro, ou para o azul do céu, ou ainda para o vazio das coisas não alcançadas é um ato bonito. Humilde e necessário. Quando foi dito que, quando um ou mais estiverem com suas  mentes voltadas para um comunicação maior, ali Ele estará, houve uma promessa. Imaginando-se que realmente o Regente maior nos ouça, isso, por si só já um momento e tanto. Ando rezando pouco. Quanto menos rezo, mais assomabrações me aparecem em forma de lembranças erradas, mágoas reavivadas, dores que voltam a doer e não realizações. De repente a coisa péga. A hora de rezar chega pra todos, geralmente chega quando as cores vão se apagando e a beleza parece oculta por uma manta de fumaça cinza. Afastar-se do primordial é se afastar do lado fantástico da vida, aquele lado que assinala possibilidades e esperanças. Rezar é se render. Render-se ao fato de que sem conexão somos simplesmente vítimas do que vai acontencendo. É seguir sem rumo, é um quase morrer. Acordei e vi meu céu sem cor. Decidi voltar a rezar. Acanhada e desengonçadamente que seja, eu vou rezar. Vou rezar porque não tenho o direito de bloquear o caminho das coisas bonitas com a minha pouca fé. Vou rezar nem que seja pra nada acontecer. Se o céu ficar mais bonito, já terá valido a oração. Vou rezar pra ter paz no coração.


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domingo, 30 de setembro de 2012

flores

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é preciso que se ame as flores do caminho
enquanto existem flores no caminho


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Volta

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Quando o amor
está fora de lugar,
só nos resta sentar,
e esperar que ele
 volte pro lugar...


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ESTRANHO

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A gente custa a acreditar, mas tem vezes que as coisas realmente acabam. Acabam-se como se acaba um dia, uma onda, uma flor, uma vida. Dá pra acreditar que até o amor acaba? O amor acaba como se fosse uma dança quando a música  parou.


Pode ser até que no ato de acabar a coisa se transforme em outra, e até haja alguma continuidade. Mas será outra coisa. Um nova coisa. Um algo desconhecido. O amor se transforma em que? Há substituto para o amor?
É verdade que restam fragmentos do que acabou e essa é outra parte difícil. As associações. O céu em seus tons de romance continua lá. O mar e seu convite ao azul dos mergulhos amorosos, resta calmo. A formorusa do cenário e até oque não tinha muito viço, estão lá, lembrando. Muita coisa sobrevive ao que acaba, mas sobrevive vazio. Sobra a sensação de que as horas já foram perdidas sem que elas ainda sequer tenham surgido. Tem o lado de fora da gente, vazio do que partiu, e tem lado de dentro da gente, que vira um deserto ainda mais vazio. É que o amor vira costume. A gente se habitua fácil ao que nos faz bem. Ao que nos faz feliz. O pensamento orbita exatamente aquela emoção. Quando o amor vai embora de vez, duas outras coisas vão embora junto. Aquela felicidade que existia só por causa de quem partiu. E parte junto um bom bocado de esperança. Resta desilusão. Resta a frustração de saber que tudo, mais hora, menos hora, vai acabar. É um bom motivo pra aproveitar? Decerto que sim, é quase um desespero.

São tristes os lugares deixados vazios. É oque resta: o vazio. Acabar não é um verbo bonito. Não faz muito sentido, inclusive. Se eu pudesse, eu acabava com essa história de acabar. Oque era bom devia ficar pra sempre, e à gente caberia, nunca nunca enjoar. Procura-se a lógica pra tentar explicar: _ Será que é por isso que tem que acabar?...

[Se há um consolo? _ sim!...a gente acostuma]


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POESIA

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Uma Utilidade da Poesia:
fazer a hora andar
no compasso de uma canção

HOJE QUEM TOCA É O CORAÇÃO



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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Num avião a decolar...

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_ Largo tudo, se a gente se casar Domingo



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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

PODIA

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Muito bem, muito bem! então você não pôde esperar. Tudo bem!, isso não é uma queixa, embora pareça o começo de uma daquelas minhas ladainhas, só que não é! Não vou me estender em lástimas que não fazem o tempo voltar. Ainda se fizessem... Mas não é o caso. O tempo não volta, e eu me pergunto _ por que será que decidiu-se que o tempo não pode voltar? Devia haver uma exceção à regra, já que parece haver exceções pra todas as regras dessa vida. Via de regra é que tudo tem uma razão de ser. Se acontece de não acontecer a gente logo pensa que foi melhor assim. Vai se enganar assim lá no raio que nos parta , hein? Quanta tapeação psicológica a gente não tem que criar pra aceitar oque nos frustra. Tanta coisa podia mas a gente aceita que como não pôde, simplesmente porque é o destino. Mas bem que podia, não é?

 Podia de ter acontecido igualzinho ao desejado: o dia teria amanhecido frio e delicado. Os pensamentos nada tímidos advindos dos pudores, dos experimentados desamores, e da extensa coleção de dores podiam ter se calado frente à beleza hipnotizante que a véspera de algo único provoca, e inaugurar assim um auto controle definitivo. Podia de ter sido uma manhã calma e lenta. Uma manhã de contemplações e intuições favoráveis. Podia de ter aberto o livro das horas e calhar de dar bem na profecia da alegria: PASSAGEM. Podia de ter caído algumas gotas de chuva só pra dar aquela transparência de romance ao meio-dia de frugal gulodice. Umas frutas vermelhas de sobremesa pra dar o tom da paixão para os lábios que desejam o desejo e a gula do outro. E podia que o 'agora' tivesse uma avesso, ou um outro lado qualquer, uma nova existência que estivesse livre de todos os reveses. Podia de a tarde ter se desviado do caminho óbvio. O caminho podia ter virado uma exceção para o caminho. Então ele seria naturalmente você. Não haveriam desvios, encruzilhadas, mãos duplas, nem mesmo esquinas. Seria uma linha reta entre a porta da minha casa e onde você estivesse. Você poderia estar em qualquer lugar. Seria sempre á minha espera. Ou melhor, à minha chegada. Podia de você não precisar mais esperar. Nem eu de tardar. Podia de o café não esfriar naquela mesa que queria degustações mais que amorosas. Queria as nossas palavras trocadas, nossos olhares encontrados no mais pleno alcance interior, queria deliciar-se enquanto nós nos deliciávamos um no outro. Podia de a história ser outra. Mais bem contada e de palavras mais claras. Podia que as palavras fossem muito benditas e nunca mais desentendidas. Podia que mesmo sendo a circunstância imprópria, eu tivesse chegado a tempo. E podia de o tempo resolver parar só pra olhar aqueles  dois seres tão humanos que só queriam se encontrar, do jeito que fosse, e apesar de tudo. Podia desse tudo ser tudo oque se quis. Mas não foi. O nosso caso é regra. Dar certo seria a exceção. Só que como se sabe, exceções são raras, demoradas,  tudo oque é raro gosta de nos fazer esperar. Tipo o nosso caso que pra  mim  é tão raro, que valida todas as minhas vidas só pra poder te encontrar. E se tudo que seja, seja apenas ansiar, saiba que se eu me atraso, é porque só aprendi a esperar.

_ Vai parar de esperar?


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sábado, 22 de setembro de 2012

Nós e os Outros

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Se a gente pudesse ver como o outro,
cada um de todos os outros que existem
se sentem por dentro,

talvez fôssemos mais sensíveis
e delicados com esse outro.

[E tudo seria melhor...]


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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Será miragem?...

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"O amor é um estado de exceção dentro da alma"


[lá onde o azul dos teus olhos mistura-se às minhas esvedeadas esperanças]


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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Ela dança

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Tem horas que é preciso botar as ideias pra dançar. Colocá-las para experimentar novos movimentos e repassar as aparências conhecidas. Tem horas que é preciso botar as impressões pra bailar. Rever o equilíbrio das coisas, arriscar novos passos para os pensamentos, desenferrujar as juntas do pensar e alongar os tentáculos do perceber. É preciso alegrar a cabeça. Fazê-la sentir a liberdade de fazer nada senão dançar. Deixar-se levar pelo belo. Apenas pelo belo e pela leveza do flanar. Tem horas que é preciso ensair novos passos na dança com a mente. Experimentar a delícia de deixar-se levar para lá, para cá sem intenção nenhuma além de acompanhar a melodia da existência. Para além do corpo seremos sempre alma.Tem horas que é preciso levar a alma pra dançar. Dançar na chuva das renovações, dançar com os sonhos enamorados, dançar com as resistências, com as crenças de impossibilidades, ceder-lhe o corpo para uma valsa nova. Tem horas que é preciso balançar as estruturas ao sabor de novas modalidades de pensar. Esvoaçar as vestes que não permitem que se revele oque de melhor de nós existe, e ousar numa dança de nudez, revelação e alegria. Há um céu inteiro por dentro pra ser dançado. Há luz que reflete a beleza. Há uma urgência chamando pra dançar. Só pra dançar...


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Recado

Recado do dia:
TÔ CHEIA DE ABRAÇOS PRA TE DAR


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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Meu tapete voador

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Quando eu era criança, eu realmente acreditava em tapetes mágicos.
Enquanto eu crescia, testava tapetes e mais tapetes. Mas eles nunca voaram.
Quando o amor chegou eu voei. Foi a primeira vez que saí do lugar sem
esforço. Mas os primeiros passos do amor são feito amostra grátis. Fáceis,
mas só  os primeiros são de graça.
Os demais você tem que validar com seus próprios recursos.
O amor vingou e eu nunca precisei tanto de um tapete mágico...
Era preciso te alcançar...
Tentei tecer um, com minhas próprias mãos, com fios tingidos nas minhas
cores preferidas que eram quase todas. Mas não voou.
Daí me falaram das palavras e eu comecei a tecer tapetes com palavras.
Deu certo. Juntei as palavras com o  amor e consegui voar.
Virei uma criatura voadora. E isso é quase sempre bom.

Foi assim que o meu amor por você virou o meu tapete mágico.


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domingo, 16 de setembro de 2012

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Será que fui só eu
que entristeci?


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Explicação

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Parece que para tudo na vida tem explicação.
Eu não gosto de ouvir explicações. Creio que na verdade, ninguém gosta.
Só que aí a gente tem um problema, porque sem ouvir a explicação do outro seja lá
sobre oque for, a gente acaba ficando sem entender na maior parte do tempo,
e  a cabeça fica  povoada de perguntas e quase sem nenhuma resposta.

Eu, por exemplo, me pergunto:
_ se as pessoas têm o potencial de fazer as outras pessoas ficarem alegres ou tristes,
o que justifica escolher entristecer?

Eu sei que deve ter uma explicação, mas eu acho difícil entender!


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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

AMIGA

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Eu tenho uma amiga que, mesmo distante, me ensina muito sobre como ser feliz na vida. Ela não faz nada pensando em agradar o outro, ela faz naturalmente as coisas serem bonitas, por ela, pelo gesto em si, e assim, naturalmente, pelo outro. Ela não encana com nada porque tem uma fé que é mais que fé, é comunhão. Se Deus é oque a gente escolhe, o Deus da vida dela é todo bonito. E se manifesta continuamente em sua vida de tantos afetos merecidos. Ela tem uma paz que vem de dentro, e não poderia ser mais bonita, já que até das ventanias ela extrai alegrias. Sob qualquer ângulo que se olhe, ela é assim: uma fada de todo encanto.

E de longe, eu vou tentando aprender.


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Para viver um grande amor (2)


(...)

Para viver uma grande amor é preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado,
pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.

_ Vinicius de Moraes



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