quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Eu vou!

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Eu estarei lá
e a árvore que te abriga
calmamente florirá

semeada por nossos abraços
de um encontro sem fim
   para que,  enfim

faça-se Primavera em nossos corações.


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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Dias de Outubro


Como eu vou sair daqui?
Como faço para cessar o perigo que ronda, que você sabe que ronda, que você causa ou eu mesma causo sem saber?
São perigos d'alma. Perigos cármicos. Perigos da estirpe. Perigos  i n s o n d á v e i s .
É um pouco ingrata nossa condição. Você e seus metais, eu em meio aos ais, não há sais que nos confortem. Tomo todos pra suportar a dor. Tem tomado os seus? Há que se deixar de lado o drama para sermos telúricos. Como você gosta de dizer mesmo?... ou tudo ou nada? Nisso faz-se OUTUBRO. Doze sóis para uma lua celebrar. Soltamos nossos bichos ou deixamos que as flores floresçam como se deve, contemplativas e livres dos perigos das tempestades sentimentais?... Nossa especialidade. Querer que elas sejam vermelhas, quentes e ardentes, só mesmo as pimentas que animaram teus ouvidos infantis naquele sarau em frente ao mar. Porque você sabe, no mais, é sempre mar.  No mais, é sempre noite. Noite e mar é sorte pro verbo amar. Temos a noite, temos o fechar dos nossos olhos, o abrir das nossas portas, o calar  nossas besteiras, temos a liberdade para o querer mais certo, mais perto,  e a verdade que deixamos solta entre a noite e o mar de estrelas,  enquanto nos dias nos prendemos às raízes de uma árvore que nos proteje de todo mal e pra sobreviver... No mais, temos a noite, quieta e  doce, etílica e fantasmagórica, livre e etérea, solta e nossa, a noite, onde de tudo pode se soltar, até a voz do coração. Por isso eu digo: Amo-te daqui, e por amor, sempre te alcanço, e cada vez mais. Que venham as noites de OUTUBRO.

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sábado, 24 de setembro de 2011

EmbarcAção

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A palidez
de um mar de amor


faltou sol, som
faltou cor, dom
faltou eu com você
faltou você em mim

perdemos
os dois

a hora
de embarcar
[encarar]

o amor

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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Antes dentro do que fora...

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Há a ilusão. A ilusão de que para ser livre temos que estar do lado de fora. A ilusão de que a felicidade é algo á se alcançar, estando, muitas vezes, com ela na palma das mãos. A ilusão de que as cores são mais fortes, os perfumes mais intensos, o mistério mais ao alcance. Há a ilusão de que fora não existem milenares pudores. Há a ilusão de que o permitido ganha dimensões fantásticas da porta pra fora da gente mesmo. E deve ter muita verdade nisso. E por isso, a gente se atira para fora. Fora de casa, fora das regras, fora do contexto ensaiado, fora da alma, fora do quarto como se fosse fora a casa do sonho mais caro. E deve até ser. A gula pela vida, pelo novo, pelo excitante, por mais vida, por ritmo, a busca de algo tão grande que quase parece a procura da gente mesmo. E deve até ser um caminho. Sair pra fora. Mas... depois que a gente sai bastante descobre, ou melhor, meio que pressente o inevitável. Não é fora. Fora vira dentro quando a gente sai pra fora, e qualquer lugar para onde se vá, haverá mais foras pra buscar. Então vem o olhar para dentro. A gente olha e vê que é grande por dentro. Também é um mundo. Tem muita cor, e perfume e tem uma coisa que só dentro a gente consegue que é um respirar mais profundo que te liga ao mais misterioso dos mundos e finalmente, se relaxa. Quando eu volto pra casa eu me sinto no céu. Descobri, ou sondo isso, posso ter todo o mundo dentro de mim, dentro da minha casa. Ansiar não é mais o verbo dominante, cedeu seu trono para " oque dér e viér eu traço", da vida, das pessoas, das sensações, de mim mesma, do cosmos, de Deus. E por fim, depois de tanto procurar, arrisco dizer que o maior experimento que fiz até hoje quanto a sentir-me livre, ocorre dia por dia, na livre aceitação de que todo lugar é dentro e é fora, saber desbravar é um bom caminho. Desbravo-me, e com isso, descubro-me livre.



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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

PORTAS

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Engraçado que na vida
acabam sendo sempre as mesmas portas

a serem abertas, ou fechadas...

Oque não quer dizer que serão sempre os mesmos

os começos
os recomeços
ou os pontos finais.


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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Hello, Primavera!

Primavera parece nascer da Esperança, portadora de sementes de Renascer...




domingo, 18 de setembro de 2011

Liberdades, por Clarice


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"_ Não! não, ela não estava perdida, ela ia mesmo fazer uma lista de coisas que podia fazer!
Sentou-se diante do papel vazio e escreveu:
comer- olhar as frutas na feira- ver cara de gente- ter amor- ter ódio- ter o que não se sabe e sentir um sofrimwnto intolerável- esperar o amado com impaciência- mar- entrar no mar- comprar um maiô novo- fazer café- olhar os objetos- ouvir música- mãos dadas- irritação- ter razão- não ter razãoe sucumbir ao outro que reinvindica- ser perdoada da vaidade de viver- ser mulher- dignificar-se- rir do absurdo de minha condição- não ter escolha- ter escolha- adormecer- mas de amor de corpo não falarei.

Depois dessa lista ela continuava a não saber quem ela era, mas sabia um número indefinido de coisas que podia fazer."

[Clarice Lispector]


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é que, ás vezes, a gente esquece o quanto de LIBERDADE existe no mais trivial dos gestos de todo dia e que desfrutá-los, entre morangos, aromas, pessoas, cores, lugares, passeios, sensações, risos, beijos, abraços, sabores, é um milagre que nos habituamos, mas que não deixa de continuar a ser, MUITO mágico.

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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

STOP

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é que sabe?
é tanto mar
é tanto céu
é tanto eu
é tanto você
é tanta coisa

com razão,sem razão

que viram pequenas
as rusgas que rasgam
a grandeza do meu e do seu

  C O R A Ç Ã O


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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Qual a cor do seu céu?


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Hoje, o ceú que paira sobre a minha cabeça estava amarelado. Muitos tons de amarelo num final de tarde igual e lindamente amarelo. Queria ter mais tempo para ficar assistindo as nuances que não se repetem nunca deste meu céu mas, as mil pequenas coisas de todo dia se impõem e esse prazer tão simples e apaziguador vai ficando para depois. Tanta coisa importante vou deixando para depois... Será que eu penso que só porque ele está sempre ali, a disposição de todo olhar, posso me dar ao luxo de disperdiçar o aplauso à tão grande espetáculo? Sorte ele ser bem grande de alma e me compreender em meio à um sorriso amarelo. Amarelo solar. Alegria, prosperidade, boas vibrações parecem associar-se bem aos amarelos, e foi pelas mãos desse céu colorido e generoso que me abraçou por inteira, que fui voltando para casa, ele trouxe-me pelas ruas, e ao chegarmos, beijou-me no portão, de onde eu entrei e pensei " como estou feliz por chegar em casa!"... uma exclamação amarelinha de felicidade, coisa bem simples, feito os pequenos grandes milagres da vida: um céu todinho seu como namorado num fim de tarde, suas flores de todas as cores para me fazer lembrar que a vida é composta igualmente de muitas nuances, e um lar quentinho pra voltar. Pra chegar. Pra ficar. Pra ser feliz de toda cor. Tudo bem simples assim!

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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Você tem a força?




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Eu tenho para mim que é quase certo que todas as pessoas sonham em ser APRECIÁVEIS. Aceitas, gostadas, admiradas, acolhidas, abraçadas, bemvindas, bem amadas. Existe uma fórmula para se seguir aplicadamente e conseguir esse intento de desejo unânime? Creio que não!... Existem algumas pistas, uns sinais pelo caminho, sorrisos, abraços, saudações que podem indicar alguns acertos mas, cativar o bem querer das pessoas parece-me ultrapassar a intenção e o aprendizado. Primeiro por que a gente acaba sendo oque a gente é... dá até pra dar uma melhoradinha aqui, uma disfarçadinha ali mas, no frigir dos ovos, não dá pra gente ser outro ser só pra anguariar afeto. Então, na hora da carência, o melhor é não querer contabilizar. Afeto não é coisa para associar com numerais. Apreciação passa por variáveis um tanto mais complexas do que um mais um igual a dois. Poderia falar em qualidade mas até isso é relativo ja´que, oque é perfeito para um, pode ser apenas trivial para outro. Segundo que pensar nisso é colocar o dedo na ferida e eu me pergunto: _ pra que colocar o dedo na ferida? Há que se ser feliz com oque se é, e se o preço a se pagar para ser oque se é for parecer menos merecedor, ou menos apreciado ou menos criativo ou menos isso ou menos aquilo, ainda assim, há que ser feliz pelo que se é mesmo que isso represente alguma solidão. Depois, sabe oque é?... ninguém é melhor do que ninguém. É certo que sempre haverá algum super herói ou heroína por perto desfilando suas superioridades e regando os ares com suas flores de bem querências garantidas, mas quer saber?... e daí?... Se alguém quiser esfregar na sua cara qualquer coisa que te diminua, lembre-se que nós somos, na real mesmo, todos do mesmo tamanho pra quem importa. E quem importa? Importa quem é importante pra você, e no resto somos todos filhos do mesmo céu, beijados todas as noites pelas mesmas estrelas e fortificados pelos mesmos raios de sol todas as manhãs, indistintamente. Graças aos céus, os céus parecem não ligar muito para essas coisas de ser o tal. Então, quanto a mim " eu faço a cena que eu quiser" e se por perto só houver o silêncio, agradeço ao silêncio a sua distinta companhia.

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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O FAZ DE CONTA DE CLARICE

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"Sentou-se para descansar e em breve
fazia de conta que ela era uma mulher azul porque o crepúsculo mais tarde,
talvez fosse azul...

faz de conta que fiava com fios de ouro as sensações
faz de conta que a infância era hoje e prateada de brinquedos
faz de conta que uma veia não se abrira e
faz de conta que dela não estava em silêncio
faz de conta que amava e era amada
faz de conta que não precisava morrer de saudade
faz de conta que estava deitada na palma transparente de Deus
faz de conta que era sábia o bastante para desfazer nós
faz de conta que tinha um cesto de pérolas só para olhar a cor da lua, pois era lunar
faz de conta que se fechasse os olhos seres amados surgiriam quando os abrisse
faz de conta que tudo não era faz de conta
faz de conta que ela não estava chorando por dentro

_ pois agora mansamente, embora de olhos secos, seu coração estava molhado."

[Clarice Lispector]


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Quando eu era criança pequena
fazia de conta que já era grande
só pra já poder te encontrar.
Eu, quando criança pequena,
já fazia de conta que sabia amar.


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Quando Clarice rezou


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Resolveu rezar,
"como se o que fosse pedir a si mesma e a Deus precisasse de muito cuidado porque o que pedisse, nisso seria atendida.
Pedir? Como é que se pede? E o que se pede?
Pede-se vida?
Pede-se vida.
Mas já não está tendo vida?
Existe uma mais real.
O que é real?

Ela sabia que não devia pedir o impossível.
Então fez sua prece:

Alivia a minha alma,
Faze com que eu sinta que Tua mão está dada à minha,
Faze com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade já estamos na Eternidade,
Faze com que eu sinta que amar é não morrer, que a entrega não significa a morte,
Faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária,
Faze com que eu não Te indague demais, porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta,
Faze com que eu receba o mundo sem receio,
Abençoa-me para que eu viva com alegria o pão que como,
O sono que durmo,
Faze que eu tenha caridade por mim mesma, pois senão não poderei sentir que Deus me amou,
Faze com que eu perca o pudor de desejar,
E que na hora da minha morte haja uma mão humana amada para apertar a minha,
Amém!


[Clarice Lispector, O LIVRO DOS PRAZERES]

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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Meu Céu

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Deixa-me tirar uma foto sua
com as nuvens por detrás

pra eu guardar como lembrança
de como é o MEU CÉU ?!...


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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Welcome!

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Quando Setembro chega
Ele diz:

_Quero ser poeta
pra fazer de você POESIA



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Passe a Estrela!




Funciona mais ou menos assim:
Não requer muita prática nem habilidade embora saiba-se, prática e habilidade adquire-se praticando, não faz-se necessário muitos alardes nem muitas palavras, até bem justo pelo contrário, eficiente se faz o uso de uma entonação suave onde os gestos falam tanto que nem se imagina o quanto... recursos infáliveis a serem usados são os sorrisos francos, saídos diretamente da porta da frente de onde aguardam os carinhos mansos  prontos para serem doados, uma dose generosa de compreensão, ampla, irrestrita, acolhedora, irmã... irmã de sangue ou de alma ou tudo isso junto, e, não há necessidade alguma de agendamente por ser sempre causa urgente onde literalmente, toda hora é hora, e onde a boa vontade deve ter a prontidão do piscar dos olhos; fundamental dar-se um chega pra lá na dona preguiça e ter a certeza de que a recíproca nesse caso é e sempre será, absolutamente verdadeira.

Fazer algo de bom para outra pessoa visando o coletivo, passar a estrela da alegria adiante é mais ou menos como uma corrida de revezamento:
um segundo conquistado por cada um da equipe será a vitória de cada um da equipe, a chegada coroada por sorrisos e bem-estar será de todos, compartilhada em abraços e calor que só o conjunto nos traz. Passar a estrela da alegria pra frente é a nossa pequena forma de fazer do dia-a-dia dias que valem a pena serem vividos, e do mundo, um lugar mais iluminado, onde todo mundo pode brilhar um pouco, e todo mundo pode ajudar o outro a brilhar um pouco também, e com isso, fazer-nos todos, CONSTELAÇÃO.

Acho que é mais ou menos assim, tô na turma dos aprendizes e ainda estou treinando, mas é aquela história do início, prática e habilidade, adquire-se! Bóra praticar!

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