domingo, 27 de fevereiro de 2011

E vamos em frente, que atrás vem gente!

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'Não fosse isso, com certeza,
seria outra coisa...'

então relaxa e envia
uma grande energia de luz e amor
para oquê foi, para oquê não foi
e principalmente

para oquê poderia ter sido.


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PSIU!




Fico me perguntando quantas milhares de vezes eu já disse pra mim mesma:
_ Fecha a matraca, Dona Maricota!...

Maneira gentil de dizer, fica quieta e se concentra nas coisas pequenas da vida, porquê das grandes, não te cabe nem compete. Aliás, principalmente, não são de sua competência. Ou talvez até sejam, mas não pelo caminho que frequentemente escolho trilhar. Aquele caminho que à tudo nota, tudo repara, tudo questiona, tudo avalia, tudo julga, e muito pouco relaxa. Muito pouco aproveita... Pela milésima vez, prometo a mim mesma voltar os olhos para o AQUI. O AQUI, aquele lugar onde eu estiver pequena. Não no contexto, apenas na existência. Por que visito tanto os decaminhos de tentar compreender o incompreensível? Seres humanos são múltiplos e impossíveis de prever apesar de quem diga o contrário, e como circunstâncias são como estrelas no céu, INFINITAS, cada dia é uma possibilidade nova impossível de ser adivinhada, e depois avaliada, e depois refletida em milhares de reflexões vazias que não levam a lugar algum, exceto ao tédio, à amargura e ao vazio. Sentir-se é tudo que nos cabe, individualmente e ponto. Aos outros, idem, e no meio disso, o prazer das coisas pequenas. Estendê-las aos outros sempre que houver espaço, sem esperas de retorno ou recompensa. E no mais, uma vida, a minha própria, já é bastante coisa pra ser cuidada, resolvida, acarinhada etc. e tals... afinal, sempre tem alguma coisa gostosinha pra fazer e ajudar a reencontrar o caminho de dentro.

Será que eu aprendo a ficar mais quietinha?
[Que Deus permita!]


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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Triste assim

É que a tristeza é, às vezes, um lugar muito confortável. Nunca tive medo de me sentir triste. Creio que até muito pelo contrário, na tristeza eu me reconheço e me sinto em casa. Gosto de imaginar o lado bom das coisas que não parecem tão boas. Virou mania. A tristeza, por exemplo. Ela é o meio mais eficaz de me fazer fechar a matraca e a imaginação e cair na real. É como sair de um porre e voltar à lucidez. É bem mais real do que as efemêras alegriazinhas dessa vida. Na tristeza eu me pego no colo e canto pra eu mesma dormir. Sou mais carinhosa, pero non mucho, porque na tristeza não tem espaço pra bibibidobobobó, faz-se a luz. Nessas horas tristes, tão efemêras também, consigo perceber oque de fato é bom nessa vida, e constato que muitas dessas coisas eu possuo, e outras, muito provavelmente, nunca as terei. Mas tenho o direito de entristecer-me um pouquinho e não achar a pior coisa desse mundo, derramar meia dúzia de lágrimas bobas e me sentir a última de todas as princesas do castelo do rei. Acho consistente esse estado. O chão é firme, e daqui de dentro não há lugar para medos. Pelo menos não para os medinhos conhecidos. Creio que um bom descanso nessa cadeira vazia faça bem mais bem do que muitas situações vazias, nos lugares onde há um mundo de gente, um mundo de risos, mas estranhamente, pareçam todos, muito muito tristes. Eu aqui, na minha cadeira triste, estranhamente me sinto a pessoa mais feliz das redondezas. Vai entender...!


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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Na Praça Des Vosges



'Podia ir
aonde quisesse, correr
ou sentar, entrar ou sair
em suma, era livre.
Essa era a minha ILUSÃO'
ás 13 horas naquele café,

Num dia de cor muito linda
muito limpa, muito frágil

assim

como era linda, limpa e frágil
a estampa das minhas intenções.

[Toda ilusão resplandece em lilás]


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domingo, 20 de fevereiro de 2011

GULA

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Saindo uma semana fresquinha
em suculentas sete fatias:

NHÁC!


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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Dia de Luz Acesa


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Gosto dos dias que nascem amarelos.
São mais vibrantes, intensos, completos.
É meio como se, a bateria de energias
estivesse carregadinha de elos unidos
a outros elos amarelos... igualmente
vibrantes, intensos, completos.


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Conexão é um troço sério,
mais sério do que supõem
"as nossas vãs filosofias...'



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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Câmbio, responde...

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Caríssimo Senhor Freud:

Sei que andas muito tranquilo esparradado aí pelos divãs celestiais, mas sei também que quem tem alma de investigador de almas não resiste a dar "aquela espiadinha básica". Então, se numa hora dessas estiveres com os olhos voltados para esse infantilíssimo planeta, e se ainda por mais acaso seus olhos passarem aqui pelos lados dos trópicos, poderias voltar sua atenção um pouco mais para o sul e captar uma questão dessa que vos escreve e fazer a finesse de me responder do jeito que dér?

Qual é a questão?

_ Bem , é o seguinte. Queria saber,
porquê a gente sempre reincide nos MESMOS ERROS?


[Será que ele já matou essa charada?...]


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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

P.S.

Mil palavras poderiam ser escritas das mais diversas formas. Poderiam se juntar em rimas poéticas, prosas elegantes, versos carinhosos, e todos os verbos mais encantadores do mundo poderiam ser conjugados no tempo da Esperança mas, de repente, ocorreu-me que a resposta mais breve, aquele punhadinho de letras que acomodam-se tão bem juntas, iria encurtar nossos descaminhos e te fazer sorrir bem mais rápido.

Por isso, meu bem,
é só um P.S.:

EU TE AMO

[sempre]

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domingo, 13 de fevereiro de 2011

Inevitável


'Lança, menino
Lança todo esse perfume,
Desbaratina,
Não dá pra ficar imune...'


RÁ!


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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Os cegos do castelo

Tateava em vão aquelas paredes infinitas tão imensas quanto frias. Por vezes ansiava o fim. Outras vezes cansava e sentava-se no meio daquele vazio insólito e lhe restava apenas o pulsar e o seu próprio respirar. Fechados os olhos podia sentir um perfume que a mantinha desperta e crente. De onde vinha aquele perfume, pensava, se tudo parecia tão hermético? Era aquele perfume que a despertava de seus cansaços e a fazia voltar ao ilógico exercício de tatear as paredes daquele quadrado perfeito. Ou seria um círculo? Gostava de imaginar ser aquele pedaço de universo algo em forma quadrada porque assim, haveria de chegar à alguma quina determinante de algum começo. Ou final... Se redondo fosse, estaria dando voltas e mais voltas sem nunca saber que na verdade, não passava de uma barata tonta. Então, seguia tateando, e quando sentia a carne de suas mãos perto de abrirem-se em feridas, parava e voltava ao centro e olhava para um céu de eterna noite através de um teto de vidro inalcansável. Não chorava, não gemia, nem mesmo falava. Pensava muito, e em certas horas incertas, sentia uma presença. Uma presença além da sua própria presença e da presença da energia que a tudo inunda. Uma presença que tinha mãos que desenhavam seus contornos de aura, lenta e suavemente, até que aquela sensação a fazia dormir. Desperta, catava os retalhos de um sonho único, e assim, cobria sua nudez de alma e seus tremores advindos de temores sem fim. Eram esses retalhos de sonho que faziam-na sorrir. Muito discretamente, mas sorria, especialmente quando o retalho lembrava um abraço de braços muito longos, ou um beijo com sabor de chuva fresca, ou aquele perfil, daquele rosto muito fino, muito sério, muito seu, muito Ele, sendo Ele tão conhecidamente desconhecido. Nessas horas o perfume inundava o recinto e intensificava seu poder de hipnotizá-la, enrolada na sua colcha de retalhos de sonho bom. Sonho de uma refém cósmica, de uma fera sem garras, de uma alma enjaulada num castelo de paredes mágicas, que podiam conter espelhos, e espelhos que refletiam verdades e mentiras, desafio e fuga, entrega e dor, suspiros e lágrimas e uma saudade lilás, pálida, esquálida, mas que insistia em viver só pra lembrar daqueles olhos azuis.


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Tem Que Existir!

_ Não há uma porta? _ exclamou Mary.

_ Tem que haver uma porta...!

_ Não há nenhuma porta que você possa achar,
nem mesmo uma porta que importe à alguém...


do livro 'Jardim Secreto', 1910
Frances Hodgson


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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Eu vou, eu vou

Às vezes eu tenho uma certa dificuldade de me achar no meio de tudo. Na verdade, tenho sempre dificuldade de me encontrar dentro do dia. São tantas palavras, pensamentos, pessoas que entram e saem e falam e dizem, e as palavras e vibrações vão entrando sem pedir muita licença e quando o dia entardece e consigo dar uma paradinha pergunto-me:
_ Onde eu estou?... Você não sente isso?... Sorte sua! Pessoas centradas e que sabem fazer de suas existências algo racional, controlado, organizado e escolhido causam-me admiração. E espanto. Espanto-me com minha incapacidade de ordenar a bagunça. Ordenar tipo, FORA! vocês todos que não foram convidados à entrar e causar estragos aqui por dentro. Minha porta andava emperrada, não fechava de jeito nenhum, e assim era um entra e sai de todo tipo de gente que nem a casa da mãe Joana se comparava. Dei um jeito na porta mas, aquele jeitinho meia boca que é só dar uma forçadinha e ei-la lá a minha porta se abrindo para qualquer um entrar. Bem, por isso, ando pensando em me mudar para o mato. Algum lugar distante no meio do nada e de difícil acesso onde eu consiga viver como é de minha natureza escancarada. Diferente de hoje. Se vivo de máscaras? Vivo, sim! Tento fazer arzinho blasé, coisa que detesto, para tentar assegurar alguma distância, ou faço a sonsa pra não chamar a atenção, ou sei lá, olho pra cima e finjo que desmaio, só pra não ter que contrariar... Dureza essa vida de gente!... dureza quando tudo cansa, as máscaras, as falsas palavras, as alegrias alegóricas pra fazer boi dormir, as bobagens que precisam ser gritadas como se berrando positividades as pessoas se tornassem melhores que as demais só porque... são ditas em tom pastel... Oras bolas, em que mundo a gente vive? O meu tem todas as cores bonitinhas e docinhas e blablabla, mas têm muitos cinzas porquê apesar de tudo, eu sou gente de verdade, sujeita à intempéries, sustos e sobressaltos, e também muitos resfriados, afinal, minha porta é teimosa e insiste em estar aberta, mesmo quando eu a quero fechada. Quero só ver como será, se de fato, eu me mudar de vez, pro meio do mato. Pergunto-me: _ Será que as vozes sumirão?!...

aiai, viu!...


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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Com Você no Iglu

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"Cada vez que ouço essa canção
fico desejando estar contigo em um iglu."


http://www.youtube.com/watch?v=Uve3yOIj1Rg


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