segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Belo

Há uma beleza especial no vazio. Um beleza fora de padrão. Nada a ver com cores, nem flores nem coisas mimosas. Uma beleza sem forma, sem cheiro, sem o óbvio apêlo do belo. Quem já experimentou o vazio, bem no fundo do mais fundo, descobre que de fato, o vazio não existe verdadeiramente. Ele é uma nova porta. Ele é o 'a partir de'... Navegando por seus gélidos domínios, estranhamente percebe-se que os sentidos de nada servem, não há frio, nem calor, é metafísica. É viagem. É toda e nenhuma ideia ocupando o mesmo lugar no espaço. No vazio há dor. Dor de dentro. Dor que não dói. Há contradição. Há presença. Há a ausência do imediato. Oque existe é a possibilidade de qualquer coisa. O vazio é uma cama de repouso em algum sanatório muito limpo onde a alma descansa. É espaço de cura, de cuidados invisíveis, é o 'se encontrar'. O vazio lembra o silêncio da neve branquinha e hipnotizadora. O vazio faz levitar, passear por lembranças remotas sem tocá-las. O vazio é amigo do verbo olhar. Como ele é amigo das estrelas, ele pode ser um balanço que permite abraçar o céu. O vazio permite. Quase tudo. O vazio sussurra, fazendo do silêncio a palavra mais eloquente do mundo. O vazio é a voz divina que nos lembra que 'somos o Tempo que nos resta'. O vazio é aconchego. O vazio é um pedaço de céu 'que não fecha nunca!'.


*

domingo, 30 de janeiro de 2011

sábado, 29 de janeiro de 2011

Um bom dia

Um dia para ser gostoso não precisa, necessariamente, conter grandes acontecimentos. Na verdade, os melhores dias são os que vão passando lenta e sossegadamente. Às vezes, eu lembro disso, às vezes, eu esqueço, e no sobe desce dessa gangorra emocional, alterno certeza e dúvida sobre a leveza dos dias. Hoje é um dia leve. Um dia de sol, generoso em seus raios de energia. Teve chuva também, muito fresca e exibida com seus milhares de pingos d'água transparentes. Teve gente, e talvez por ser um dia de Sábado, todos estavam menos apressados, mais sorridentes e dispostos à conversar. Então, teve conversas, e das conversas, muitos risos e exclamações e a delicadeza de dizer a gentileza. Teve gentileza, sim. Uma gentileza despretensiosa, que existe só porquê existe um bem querer verdadeiro. Teve trânsito mais lento, pessoas de chinelo, vestidos e bermudas, e muito sorvete. Teve calor. Teve frescor. E agora tem a noite, que surge simpática, acenando quente, calorosa e animadamente.

"Sábado à noite todo mundo quer VOAR..."

Bom Sábado!


*

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Adoradores do Mar

Lá está o barquinho de velas brancas, navegando no mar! Bem que ele poderia navegar só nas baías e enseadas, onde não há perigo e o mar é sempre manso. Mas, não! Deixando a solidez da terra firme, ele se aventura para sentir o vento forte enfunando as velas e o salpicar da água salgada que salta da quilha contras as ondas. Sem nunca ter um porto onde chegar, ele navega pelo puro prazer de entrar no mar.



[Rubem Alves]





*

domingo, 23 de janeiro de 2011

Saudade cor de mar

A minha praia é o Mar,
e só.


*

Eu sou poeira


Pra que se preocupar, afinal?
Que importância tudo isso tem?
Quem é quem pra apontar?
Palavras são só um amontoado de intenções
que podem mudar no próximo segundo
[independentemente]
A gente não passa de um sopro de distração
do Destino que nos arrasta feito POEIRA.
O resto é presunção.
*

sábado, 22 de janeiro de 2011

Lição de Casa

Enquanto o 'Livro das Sombras' falava dos dois lados da mesma moeda que em cada um de nós reside, o 'Livro das Profecias' vai além e multiplica a dualidade por mil. Multiplicadas facetas em um único ser. Não somos só pares contrários de qualidade e defeitos, mas mil lados de um diamante. O defeito aparente pode se refletir como uma virtude importante dependendo exatamente da ótica que se usar. O que coincide, no entanto, é o estado bruto e bem pouco conhecido dos nossos mares pessoais tão pouco navegados. De tempos em tempos esqueço de tudo que aprendi e vivo feito uma zumbi. Fico vagando feito alma penada sem pensar. Meio ócio, meio preguiça, meio cansaço, meio vencida. Mas, oque nos é próprio acaba chamando de volta e de repente a chama das perguntas certas acende-se e volto a pensar e procurar. O "Livro das Profecias" fala das coincidências. Os sinais de que 'é por ali mesmo', um sorriso de confirmação de um Deus Dono de Energias. "Deus é muito meu amigo". Li essa frase e morri de inveja. Mas não inveja passiva, mas aquela que sacode por dentro. Então, abri frentes desafiadoras dentro de mim, frentes para refletir de novo, e através delas, tornar-me um ser humano melhor, mais realizado e leve.

Os pontos da minha colcha de retalhos:

. Somos como diamantes, temos muitos lados e todos refletem luz. TODOS.

. Somos diamantes a serem lapidados dia após dias. Há muita luz para irradiar.

. Somos Energia. Energia bem trabalhada se transforma. Pensamento é energia.

. Deus é amigo e permite coincidências como uma forma de confirmar o caminho.

. Somos Energia, Pedra rara de mil lados, emitimos e irradimos energia, conscientes ou não.

. É sem pressa que se faz o caminho, tudo é passo, tudo é caminho, tudo é luz á irradiar.




[Tenho muitos e muitos pontos à tricotar,
pretendo cobrir meu mundo todo com minha colcha de energias.]


*

domingo, 16 de janeiro de 2011

Toda Palavra de Poeta é Poesia

Perto do céu ou
Perto do mar?

Aonde estiver
Perto
Longe
Sentimento que toca
Aprofunda mais ainda
A ESTAR

Estar a falar, dizer e
Tanto para sorrir
Com a tarde que agora vem...



['vejo flores em você']


*

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Ainda nas ondas da virada

Ele desejou à ela, um ANO ÚNICO.
Depois riu de si mesmo por concluir que todo ano é único.

[Não para ela:
Para ela um ano poderia conter mil anos, ou dia nenhum
poderia repetir-se infinitamente para que todas as possibilidades
fossem possíveis, ou poderia passar repetindo os dias dos dias dos
outros anos. Tudo dependeria de uma única coisa:

_ o tanto de AMOR.]

Mas ela apenas respondeu que haveria de ser um ano único
por poder ser um ano especial.
E torceu muito por isso naquele momento.

*

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

'Lágrimas de chuva'


Deitada na cama de espinhos
Deixo as cortinas afastadas ao lado
Para poder ver os pingos da chuva agarrando-se à janela
A chuva cai tão calma quase sem som bate no vidro e reflete
Em cada gota, uma lágrima, um riso, um suspiro, saudade e alguma dor,
Escorre como a tinta que compõe cada máscara diária que suponho só eu
VISTA...

Ao menos as que são minhas,
E que caídas estão,
Uma a uma,
Despidas de tudo
Só pra ver a chuva molhar.

*

domingo, 9 de janeiro de 2011

Evidentemente

Prometi a Deus ser uma pessoa melhor nesse novo ano. Evidentemente, não vou conseguir. Parar de fumar, comer menos chocolates, ver menos tv, ler mais, bem menos internet, praticar esportes, ter olhos mais puros, ser mais paciente. Amar mais as pessoas... impossível. Cada ano que vivo me afasta um pouco mais das pessoas. A frase está errada? A cada ano que passa mais ME afasto das pessoas. Faço planos, mas para as próximas existências. Pago os carmas da impaciência e em alguma nova vida renasço livre da intolerância frente às hipocrisias e abusos de amizade. Abusos de amor. Seria o meu amor mesquinho? A minha doação uma falsidade?... é possível. Não sou flor que se cheire, mas tenho uma lembrança estranha de infância, boba como as lembranças infantis parecem ser, mas que ilustra. Tinha uns sete anos, e num dia daqueles de sorte, minha mãe mandou junto ao lanche um pacote de jujubas coloridas. No recreio, corremos para lanchar no gramado e tirei da lancheira meu saco de jujuba. As meninas sorriram, com aquela interrogação na carinha, tipo, será que ela vai dividir? Eu dividi, sim, com prazer. Abri o saco de jujuba e todas nos servimos igualmente. Foi divertido intercalar as cores com os sabores. No final da aula, uma das minhas amiguinhas, uma menina ruiva que não lembro o nome, veio me mostrar que havia guardado muitas jujubas. Não eram tantas, tá certo, mas ela tinha umas balinhas e as minhas tinham acabado. Coisa de criança, eu pedi umas. Ela respondeu: se você comeu as suas, azar, essas são minhas. E foi embora. Fiquei ali com cara de poisé e meia dúzia de lágrimas de menina chorona que se deu mal. Que bobo isso, não?... pois é!, é como eu vejo a vida. Se você não cuidar bem das suas preciosidades, sejam elas quais forem, afetivas, amorosas, materiais, espiritiuais, banais, vem uma menininha ruiva com cara de boa gente e era uma vez. Ingenuidade custa caro, e endurecer o coração, um bocado mais caro ainda. Seja como for, cada um sabe onde lhe apertam os sapatos. Os meus não apertam mais, decidi andar descalça, mesmo que isso signifique tanta dor ou ainda mais. Coisas da vida. Ops!, perdão, coisas da minha vida.



É isso aí!





*

DOIS MIL E ONZE

Esse ano com cara de menino levado
já entrou nos meus dias, mas dentro de mim
ainda habito idos do século passado.

Tô sempre atrasada,
mesmo assim,

Feliz 2011, Pessoas!


*