segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O som de todo Mar





O som do mar é o exemplo da perfeição. É imenso, gigante mesmo!, ininterrupto e intenso, e ao mesmo tempo, é melodioso, suave, apaziguador, quase uma cantiga. O barulho do mar é o perfeito comunicar. Quantas são as suas mensagens, seus sinais, suas metáforas... pode-se sentir a força da vida em seu vai-e-vem, sentir a pequeneza humana perante as grandiosidades verdadeiras dessa vida. Pode-se ouvir histórias de amor, náufragas em alguma garrafa de vinho branco, doce, suave, pode-se ouvir suspiros de pescadores de peixes, de gentes, de almas, de tesouros perdidos... pode-se ouvir o choro das sereias, o riso das crianças, a delícia rasgada no desfrute de um veraneio merecido, pode-se ouvir a lua cheia negociando com o oceano o movimento das marés, e pode-se ouvir um mundo estranho de seres aquáticos e coloridos de tantas formas e curiosidades que pode-se até ouvir o som de homens vestidos de preto tentando virar povo do mar..., pode-se ouvir o som das cores quando molhadas, pode-se ouvir o Sol que quando refletido com seus incontáveis raios no lençol azul de todo mar, vira menino pequeno e também se põe à brincar. São todos belos sons. Não são ruídos de um mundo que está enlouquecido com seus sinais de fumaça, tão primitivos... é o SOM absoluto. É a mistura de palavras que compõem os mais belos poemas, as cartas mais amorosas, a sequência de uma reza, a canção de uma noite estrelada, é a mistura daquilo que a mãe sussurra no ouvido do filho no berço com seu aninhar de quem confia, são bençãos são palavras, são até as mais atrevidas, são palavras de chegada, são palavras de partida, é som do choro, do riso, do gozo, do todo unido na grandeza do som do mar. Em tempos de tantas palavras e verdades discutidas, ainda sou a mesma estranha que prefere que a noite seja à caminho do mar só para ouví-lo falar, ou cantar, ou declamar a plena expressão de um som que tudo diz. Sou sem hora, sem pressa, sem rumo ou grandes vontades perante a grandeza desse falar. Sou eu deitada na areia da praia, guardada pelas estrelas ou pelo brilho do sol, aprendendo o be-a-bá desse gigante a quem humildemente tenho o prazer de amar. É tão bonito tudo isso que dá até vontade de cantar: chuá, chuá, chuá!

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Um comentário:

Karine disse...

Me lembrou muito Ana e o Mar de O teatro mágico.