quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Eu posso! Eu posso?...



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Eu posso falar coisas boas sobre mim!
Eu posso falar coisas boas sobre mim?
Eu posso falar coisas boas sobre mim...
Eu posso falar coisas boas sobre mim,

mas, para isso, eu precisaria de uma boa dose de generosidade para comigo mesma,
uma generosidade consciente, quase plácida e autêntica, e essas qualidades, por exemplo,
eu não as tenho. Não alcanço a abrangências das coisas, não sei estar com a consciência
centrada num foco, muito menos tomando posse de uma calma transparente que nunca possui,
consciente ou inconscientemente. Eu não consigo me ver. Ver-me...

Você se reconhece?
Porque o tempo faz dessas, o tempo e as circunstâncias, eles vão nos moldando ao sabor de
seus temperamentais ventos e vendavais, enquanto a gente fica achando que tudo vira brisa.
Vira nada!
Tudo vira de cabeça para baixo, e o controle é outra grande ausência na minha lista de coisas
boas. Não controlo, não tenho controle de nada sobre nada. Sou um lenço de papel sem uso
rodopiando entre as folhas que o vento insiste em levantar do chão só para depois rir-se todo
por vê-las cair. Caías no chão.
Virei uma folha dessas. Uma folha que caiu da árvore e... oque se faz com uma folha?
Quem se abaixa para ajuntar uma folha caída no chão? Ás vezes eu faço. Sou louca por folhas.
Coleciono-as. Tenho cestos e mais cestos de folhas secas. Identificação?

Talvez!

Eu queria falar coisas boas sobre mim, mas prefiro falar das folhas que caíram e que mesmo caídas
ficam lindas no contraste com o branco das pedras da calçada. E o banco solitário que ali está,
parece, estranhamente, gostar muito da companhia delas.


*

2 comentários:

JasonJr. disse...

:D Deixando a super beijoca!

Patrícia disse...

Parece clichê, coisa de se comentar quando não se tem o que falar... mas esse texto é maravilhoso!
Descreveu meu sentimento em relação à mim mesma... querendo controlar e percebendo que não controlo nada... não há como!
Beijão