domingo, 18 de setembro de 2011

Liberdades, por Clarice


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"_ Não! não, ela não estava perdida, ela ia mesmo fazer uma lista de coisas que podia fazer!
Sentou-se diante do papel vazio e escreveu:
comer- olhar as frutas na feira- ver cara de gente- ter amor- ter ódio- ter o que não se sabe e sentir um sofrimwnto intolerável- esperar o amado com impaciência- mar- entrar no mar- comprar um maiô novo- fazer café- olhar os objetos- ouvir música- mãos dadas- irritação- ter razão- não ter razãoe sucumbir ao outro que reinvindica- ser perdoada da vaidade de viver- ser mulher- dignificar-se- rir do absurdo de minha condição- não ter escolha- ter escolha- adormecer- mas de amor de corpo não falarei.

Depois dessa lista ela continuava a não saber quem ela era, mas sabia um número indefinido de coisas que podia fazer."

[Clarice Lispector]


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é que, ás vezes, a gente esquece o quanto de LIBERDADE existe no mais trivial dos gestos de todo dia e que desfrutá-los, entre morangos, aromas, pessoas, cores, lugares, passeios, sensações, risos, beijos, abraços, sabores, é um milagre que nos habituamos, mas que não deixa de continuar a ser, MUITO mágico.

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4 comentários:

JasonJr. disse...

...beijocas minha querida...

Aksa Bandeira disse...

É o que temos de mágico, saõ essas atitudes, essas coisas que muitas vezes passam despercebidas, passam como rotineiras e não damos o real valor que ela tem.

Lindo post.
Bjus flor!!

Marina disse...

Liberdade é algo que buscamos em grandes atos, mas que encontramos nas pequenas coisas... Como diz uma música do Teatro Mágico:
♪♫ "...que no fundo é simples ser feliz, difícil é ser tão simples, difícil mesmo é ser" ♪♫

Karine disse...

A tal sutileza dos detalhes (: