sábado, 9 de julho de 2011

Àgua que passarinho bebe



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Amor é água que só passarinho bebe. Por isso eles não falam de amor, eles cantam. Na canção só há chamados de amor, de encontro, de encanto, de poesia amorosa. Falamos tanto de amor porque somos sedentos de amor, só que ao invés de beber na fonte, falamos sem parar. Amor é para a canção, não para a razão. Falamos muito em amor, talvez, porque saibamos coisa nenhuma de amor. Oque faz sentido já que, não há um amor específico para ser definido. O amor que Maria dedica à João é único, é o amor que Maria dedica à João, que certamente é muito diferente do amor que João dedica à Maria. Somos bilhões, oque pressupõe bilhões de formas de amar. Bilhões multiplicados já que um único ser pode tentar, eu disse tentar, sim, tentar amar muitas pessoas ao longe de uma vida. Vida. A vida é líquida, subjetiva, transparente, sombra e luz ao mesmo tempo. A vida é como o amor. Única em cada ser vivente, e só existe porque o ser aceitou viver. Viver e amar. Viver é amar?... Viver pode ser mágico quando se está na sintonia amorosa. Quando se tem a sorte ou a tendência de ser como passarinho. Será é que por isso que as pessoas bebem? Para tentar cantar feito pássaro? Soltar as asas, ensair vôos, aproximar o bico de outro bico e encenar o amor?!... Não só por isso, mas por isso também, por certo, assim como é certo que toda dor, todo vício, toda cena de vida gira em direção ao amor. A procura que nunca acaba. Somos sede. Somos ferida. Somos água reprimida. Somos pássaros impedidos de voar. Somos tristes. Somos a avidez do verbo desejar, mas somos também o verde, o azul, o rosa, somos esperança, somos taça vazia que aceita mais uma dose. Muitas doses. Todas as doses de amor que for possível mandar goela abaixo, porquê na verdade, viver é muito punk, e pra aguentar, haja amor!




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[Ilustração de Joojoo Etsy]

2 comentários:

JasonJr. disse...

Achei lindo! :D

Adriana ♣* disse...

A procura que nunca acaba...

punk, punk, punk!