segunda-feira, 16 de maio de 2011

LUA



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Um dos astronautas que já pisaram na lua contou sua emoção: _ Aquele inusitado território repleto de crateras e mistérios prontos para serem desvendados ( ou não!), a atmosfera branco azulada, tudo muito lindo e diferente, tudo um espanto. Mas em seu relato, oque ele destaca como sendo a cena de tirar o fôlego, de perder toda e qualquer referência possível e imaginável aconteceu quando estavam retornando, já no espaço, na metade do caminho, quando se podia ver a lua de um lado e a terra de outro, sob o mesmo aspecto de distância e confusão, foi exatamente aí que seu queixo caiu. Ali, diz ele, ele experimentou seu contato com o Divino da existência. A Terra, e todas aquelas bilhões de pessoinhas, integradas, alinhadas, fazendo parte do Todo. Já pensou a piração de vivenciar uma imagem real assim? Olhar a terra como só mais um compenente do sistema solar, do Universo, do Infinito, e conseguir imaginar toda a vida ali dentro, Imaginar-se ali dentro. Imaginar o mar. As coisas grandes e as bem pequeninas, como o passarinho azul do outro dia. Imaginar o seu amor ali dentro. E todas as pessoas que você ama. E o seu pijama. A sua cama quentinha. Tudo ali, fazendo parte... Quando eu olho para a lua, como nesta noite de lua imensamente cheia e azulada, eu fico pensando poeticamente que ela está ali só pra arrancar suspirar e, como mais um caprichoso presente de Deus, seja só desfrutarmos de mais uma das tantas maravilhas da natureza. Mas como o astronauta, se fosse para olhar a terra de fora, flutuando no universo feito lua, creio que não conseguiria atinar isso como real, Aquela bola imensa, de longe parecendo ser apenas mais um planeta feito todos os outros, cheio de existência, cheio de nós, ocupado por tantos sonhos, amores, fantasias, dramas, comédias, assuntos, casas, muitas e tantas casas e dentro dessas tantas casas um mundo de pessoas com os narizinhos na janela, suspirando pela lua cheia e seus sinais de amor. É nessas horas que o improvável acontece e a gente se rende. Rende-se ao mistério, às significâncias e às insignificâncias de ser, de existir e de se saber fazendo parte. Já perdi o número de vezes que vi a lua cheia surgir no céu, em algumas dessas vezes, estava um pouco mais perto do céu, mas, de qualquer forma, é sempre um espanto, um encanto, um acalanto, vislumbrá-la em seu esplendor, essa redonda surpresa mensal, nascida para que não se perca, nunca, a esperança nas coisas do Amor, e no meio disso a Terra, dançando junto à Lua, de um lado, de outro, brincando de iludir e fazendo par nessa linda história de amor que é a Criação.

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Um comentário:

Adriana ♣* disse...

Lindo, Be!
Como sempre...
Bjs