quinta-feira, 19 de maio de 2011

Triste é não ter espaço para ser triste


Sabe,


não é bom ser triste. Não é nada bom.
E o pior em ser triste é que fica parecendo uma espécie de doença contagiosa, passível de críticas e dedos em riste como se sentir tristeza fosse OPCIONAL. Como se ser triste fosse coisa do mal. Como se Deus nos tivesse preterido, e... abençoasse somente os com propensão à felicidade. Não!, ser triste não exige que não se seja feliz. A gente é capaz de agradecer sim, todo dia. A gente é capaz sim, de se sensibilizar, e muito, e justamente por sentir, com a tristeza maior que nos rodeia. A gente não é um bando de malagradecidos, a gente só não sabe não se sentir assim, triste. Triste com a vida, com as pessoas, com as infelicidades, apesar de saber ver sim, as coisas bonitas. Não acho justo que se apontem dedos aos mais tristes. Mais conveniente seria usarem seus dedos felizes para qualquer outra coisa que não fosse em nossa cara e  direção. Os que estão acima da linha da tristeza, por sorte genética, circunstancial ou até de simples superioridade nos ganhos divinos pensam-se como portadores das curas das dores do mundo, como se um amontoado de suas palavras bordadas em otimismo dadivosamente escritas por suas mãos felizes, e mais a boa vontade, (porque é tudo uma questão de boa vontade, né?...), de que os tristes as leiam, ouçam, sintam e captem seguindo oque seu mestre mandar fosse o necessário para tudo salvar...
Falar em tristeza no calor de um berço esplêndido de alegria é vulgar. É ultrajante. É brincar com a sorte. É cuspir pra cima. Aliás, de qualquer parte que se esteja, é leviano falar das dores dos outros.


Queria contar apenas que não é bom ser triste, que se fosse fácil de sair desse estado, ninguém nele estaria, que não!, não é preciso um esforço enorme pra ser triste, é preciso um esforço enorme pra ser triste e ainda por cima aguentar as palavras cínicas revestidas de falsa generosidade, é preciso um esforço enorme pra com isso, não ficar ainda mais triste. Triste com o pouco caso alheio e geral da nação dos contentes. Deve dar prazer... ficar falando de fórmulas e de palavrinhas poéticas sem ter o menor conhecimento das causas. Eu aprendi com a tristeza que o buraco é bem mais embaixo do que parece. Sinto um embrulho no estômago com as lições de felicidade jogadas na cara da gente, os tristes, e queria apenas lembrar que... parece-me, ninguém está a salvo de nada nesse mundo, nem mesmo de vir a sentir... tristeza.

Sabia disso?...



p.s. como diz o dito popular, pimenta nos olhos dos outros, é refresco, até respingar pros lados.

*

3 comentários:

Adriana ♣* disse...

Be...
Faço das suas as minhas palavras...
Como é difícil ser triste e olhar em volta...
A maioria fazendo o jogo do contente.
Onde a gente se encaixa?
Sensação de andar na contramão...
Felicidade?
O que é felicidade?
Momentos? Instantes? Segundos?

Andressa disse...

Disse tudo...

saudades,um beijo Be

Maria Clara disse...

Be, você falou por mimmais um avez, é tão bom ser compreendida!

Beijos e obrigada :)