sábado, 9 de abril de 2011

Apaixonada pela Paixão


Então, sabe quando te baixa uma energia muito estranha, de natureza subatômica, e não sobra pedra sobre pedra nos recônditos, ou melhor, no submundo onde habitam seus delírios mais absurdos de paixão? Irresponsáveis, egoístas, lascivos, delirantes, obscenos, deliciosos, altamente inflamáveis, perigosos como a encosta de um precipício qualquer, tentadores, registros de alta tensão, alucinação nada segura, uma fantasiosa ideia que de repentina passa a ideia fixa. Pirar o cabeção. Mandar tudo pro inferno, ligar o dane-se e... voilá... ser aquilo que se deseja ser caso as consequências fossem palavras que se pudessem jogar num lixo triturante. Ou como se pudesse colocar a vida atual num stand-by, e depois de deixar a vida certinha de sempre repousando numa pausa de cem dias, sorrateira, fugir como a gata borralheira que de repentemente vira, a senhora das suas horas. E tudo é permitido. Às vezes fico olhando as pessoas aleatoriamente e me pergunto: _será que essas pessoas sonham, será que estariam a um passo de quebrar tudo, será que têm desejos secretos e que quando olham na janela ainda esperam passar ali, pela sua rua, aquele amor mal resolvido, ou quem sabe, pensam em sair pela porta como quem vai , clichê total ,comprar cigarros, e... atirar-se ousadamente nos braços da noite, das tentações, de alguma viagem?!... Eu penso. Tenho vontade de pegar todos os meus trocados economizados, comprar uma passagem para a terra do amor, e experimentar andar solamente com as minhas próprias pernas. Não trabalhar, não me preocupar com nada, só zanzar pelo mundo, como uma alma errante muito ousada, vestir roupas muito loucas, de épocas e de cores que bem me dessem na veneta, e cantar na rua se eu quisesse assim cantar, e sentar-me sozinha em algum bar para escrever sobre a vida que eu visse por ali passar, e sorrir para quem não sorrisse pra mim, e chamar esse alguém pra dançar no saguão de algum hotel antigo da cidade luz, e trocar juras de amor. Talvez, ligasse para todas as pessoas que não soube me relacionar direito e resolvesse finalmente falar. Abertamente falar. E depois de falado, sentir-me ainda melhor e mais autêntica. Quem sabe, chamasse pra perto algum amor que ainda lateja, daqueles mal resolvidos que nunca acabam e resolvesse ter algumas ardentes noites de amor. Ou tardes, feito as mesalinas, tudo muito bubble, tudo muito lilás, tudo cheirando baunilha e chocolate fresco. Com champagne. Beber e beber sem nada temer. Quem sabe experimentar algumas substâncias alucinógenas só pra ir um pouco mais pra dentro e se reconhecer mais e se gostar mais. E com isso, finalmente, ser amada mais. Engraçado é pensar que, se eu fosse quem eu realmente gostaria de ser, parece-me, quase que com certeza, que eu seria uma pessoa muito melhor. Pelo menos, uma pessoa mais verdadeira, e mais perto de ser feliz. Não que eu não seja. Eu sou de fato. Mas eu sou feliz trivial básico, e a minha alma quer estar em Paris, ouvir j'taime sussurrado no ouvido por algum amante misterioso, e não ter hora nem dia nem espaço para limitar os meus vôos da paixão. Alguém decidiu que temos uma quota xis de paixão na vida, e que depois de certas conquistas na vida, elas, as paixões, passam a ser, imorais, ou erradas, ou sei lá. E isso, francamente, me parece a pior porcaria que poderia acontecer pras pessoas. Quem somos nós, sem os arroubos da paixão?... somos os robozinhos comportadinhos, que passam a se ocupar das vidas alheias, a ter um monte de quesitos sociais, que transitam em seus carros com air-bag duplo e freios abs, como se isso, e mais um monte de filhinhos e uma conta positiva no banco e sei lá mais oque pudessem substituir e fazer-nos sossegar o facho. Isso, aplica-se, com ainda maior determinação às mulheres. E a gente até acha que deve ser assim. Ou, não? Momento confuso. Deve ser a idade, devem ser os hormônios, deve ser essa síndrome DDA, deve ser saudade, deve ser loucura, deve ser o fim de mundo, deve ser a inquietação própria dos acometidos pela vocação equivocada e exagerada à paixão. Paixão pela paixão. Assim somos nós, os pobres e sofredores devotos da paixão.



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5 comentários:

JasonJr. disse...

Nossa de tirar o folego! :D :D :D
Adorei!
Bjocas mocinha!

Adriana ♣* disse...

Be...
Comprar a passagem e se mandar pra terra do nunca ou da paixão é a melhor idéia.
Mas somos como burros que 'empaca'...
Quem sabe um dia possamos apenas ser nós mesmos...

Bjs

Joyce Lobe disse...

Perfeito...amei...todos podem se ver um pouco nesse texto...

Beijoo

Anônimo disse...

Ameeeeeeeei,

um beijooo Be.

Anônimo disse...

Já sigo o Blog há um tempo...mas esse texto me fez ver....que não estou 'sozinha'....isso sou eu!