quarta-feira, 9 de março de 2011

Eu me importo

Os acontecimentos costumam ser muito silenciosos. É como eu sinto, pelo menos. Por exemplo: o dia 08 de Março, quando comemora-se o Dia das Mulheres. Imagino toda aquela lengalenga sendo dita sobre as datas e seu aspecto comercial. Bem cômodo, jusitifica e assim, não pensamos sobre e, o silêncio do 'não pensar' segue predominando. Pelo que sei, o Dia Internacional das Mulheres nasceu nos idos de 1900, em virtude (?) de um acontecimento absurdo. Mulheres trabalhadoras de uma fábrica decidiram botar a boca no trombone e protestar contra a diferença de salários que sofriam em relação aos homens. Executavam as mesmas funções e recebiam descaradamente MENOS, como continua a acontecer nos nossos dias atuais, embora prefira-se a ilusão de que isso não acontece. Em revelia à petulância dessa atitude de insubordinação, essas mulheres em número de CEM, cem mulheres que pensavam além, pensavam além de seus papéis de mães e responsáveis pela cozinha, alcova e limpeza, viam-se como portadoras de potencial, atuantes, competentes e lúcidas a ponto de questionar oque as fazia menores em comparação aos homens para receberem menos..., foram trancafiadas num depósito e queimadas vivas para servirem de exemplo à todas as demais que se atrevessem a PENSAR, que dirá, pronunciar-se. Queimadas vivas, já pensou? Criaturas humanas sendo barbaramente castigadas pelo óbvio visto por elas e, ignorado pelo ignorantes. Foi por essa atrocidade que decidiu-se criar uma data onde muito mais do que comemorar nossos predicados de feminilidade, LEMBRÁSSEMOS do acontecido e pensássemos como andam as coisas... Curiosamente, o dia oito nasce e termina e ... ninguém tem muito saco pra pensar, né?... Faz alguma diferença um número de vítimas? o tipo da discriminação? Cem mulheres não somam uma representatividade suficiente para justificar uma data especial, onde oque se quer pensar não são em flores e cartões dizendo babaquices do tipo 'tão frágeis mas tão destemidas'... 'tão meninas e tão mulheres', mas parece-me que seria certo para essa data refletir. Debater. Avaliar nosso próprio comportamento. Evolui-se , é verdade. Mulheres ocupam posições nunca antes imaginadas, somos presidentes da República ( mas só Deus sabe a que preço de pré julgamentos) somos ricas, bem sucedidas, chefes de família, ( e novamente digo, só Deus sabe a que preço) vamos para lá e para cá, livremente, (?), na superfície até parece mas, muito honestamente, eu penso que no âmago, no cerne, na urgência de um conceito, há um longo, muito longo, caminho pela frente. Não sou otimista, nem positivista, não gosto de argumentos meramente românticos e poéticos. Sou realista, oque em absoluto quer dizer, negativista. Ser realista é ser pura e simplesmente dotada de olhos que vêem. Ver não é imaginar. Imaginamos que vivemos numa sociedade que respeita as mulheres, mas... respeita mesmo? Basta permitir-se um tempo para observar o cotidiano. Ele fala. Silenciosamente, mas é muito revelador, e declara: as coisas não vão tão bem assim. Observação é uma arte. Sei lá, resolvi escrever algumas palavras só pra não estar no bonde daqueles que fecham os olhos para oque não é translucidamente cor -de- rosinha choque, só para lembrar, pelo menos a mim mesma, que na minha condição de mulher, e em reconhecimento àquelas cem mulheres que perderam suas vidas para que a vida das demais mulheres melhorasse, avançasse, se modificasse, gritar, ainda que silenciosamente que eu me importo. Eu não me engano. Eu pago o preço. Eu grito. Eu, na condição de mulher adulta e realista comemoro sim, o Dia das Mulheres, e nessa data, renovo meu compromisso de respeito à mulher que eu sou. E à todas as mulheres que colocam o seu pezinho dentro de um bom salto dez e, elegantemente, metem o nariz sim, em todo lugar onde são chamadas, onde não são chamadas e onde haverão de ser chamadas. No topo do mundo.





[E os homens? ao lado, certamente, um bom lugar pra se estar á dois]





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2 comentários:

Leo disse...

E eu assino em baixo!

Beijos, Be!!

Adriana ♣* disse...

Ah... Essas datas comerciais...
Dia dos namorados, das mães, dos pais e etc.
Não é TODO dia?
Infelizmente a memória não é o nosso forte...
:S

Beijos!