quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Os cegos do castelo

Tateava em vão aquelas paredes infinitas tão imensas quanto frias. Por vezes ansiava o fim. Outras vezes cansava e sentava-se no meio daquele vazio insólito e lhe restava apenas o pulsar e o seu próprio respirar. Fechados os olhos podia sentir um perfume que a mantinha desperta e crente. De onde vinha aquele perfume, pensava, se tudo parecia tão hermético? Era aquele perfume que a despertava de seus cansaços e a fazia voltar ao ilógico exercício de tatear as paredes daquele quadrado perfeito. Ou seria um círculo? Gostava de imaginar ser aquele pedaço de universo algo em forma quadrada porque assim, haveria de chegar à alguma quina determinante de algum começo. Ou final... Se redondo fosse, estaria dando voltas e mais voltas sem nunca saber que na verdade, não passava de uma barata tonta. Então, seguia tateando, e quando sentia a carne de suas mãos perto de abrirem-se em feridas, parava e voltava ao centro e olhava para um céu de eterna noite através de um teto de vidro inalcansável. Não chorava, não gemia, nem mesmo falava. Pensava muito, e em certas horas incertas, sentia uma presença. Uma presença além da sua própria presença e da presença da energia que a tudo inunda. Uma presença que tinha mãos que desenhavam seus contornos de aura, lenta e suavemente, até que aquela sensação a fazia dormir. Desperta, catava os retalhos de um sonho único, e assim, cobria sua nudez de alma e seus tremores advindos de temores sem fim. Eram esses retalhos de sonho que faziam-na sorrir. Muito discretamente, mas sorria, especialmente quando o retalho lembrava um abraço de braços muito longos, ou um beijo com sabor de chuva fresca, ou aquele perfil, daquele rosto muito fino, muito sério, muito seu, muito Ele, sendo Ele tão conhecidamente desconhecido. Nessas horas o perfume inundava o recinto e intensificava seu poder de hipnotizá-la, enrolada na sua colcha de retalhos de sonho bom. Sonho de uma refém cósmica, de uma fera sem garras, de uma alma enjaulada num castelo de paredes mágicas, que podiam conter espelhos, e espelhos que refletiam verdades e mentiras, desafio e fuga, entrega e dor, suspiros e lágrimas e uma saudade lilás, pálida, esquálida, mas que insistia em viver só pra lembrar daqueles olhos azuis.


*

8 comentários:

Tainá Oliveira disse...

que layout lindo, amei. belo post.

Marina disse...

Lindo! *__*

Rafaelle Melo. disse...

Que lindo, menina!


Estou cá a buscar a quina dos meus sonhos, das minhas saudades, dos meus amores... Cansei dos círculos também!


Beijo doce!

JasonJr. disse...

Ta na fachada do meu céu!!! :D

JasonJr. disse...

É vc quem cria as ilustrações???São show de bola!

Be Lins disse...

Olá, todo mundo,
é sempre bom ter suas palavrinhas por aqui.

Jason,
as ilustrações não são de minha autoria, não,
são dos mais variados artistas que vou descobrindo pela internet.

Muitos beijos.

Camilla Lourenço disse...

Que lindo esse blog, o post também.

Marí Oliveira disse...

Aqui estou
descansando, dos me dias turbulentos, com tão encantadoras palavras.


Um beijo, Be*



ps: e sinto falta de vc em outro ares...diariamente!