terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Eu vou, eu vou

Às vezes eu tenho uma certa dificuldade de me achar no meio de tudo. Na verdade, tenho sempre dificuldade de me encontrar dentro do dia. São tantas palavras, pensamentos, pessoas que entram e saem e falam e dizem, e as palavras e vibrações vão entrando sem pedir muita licença e quando o dia entardece e consigo dar uma paradinha pergunto-me:
_ Onde eu estou?... Você não sente isso?... Sorte sua! Pessoas centradas e que sabem fazer de suas existências algo racional, controlado, organizado e escolhido causam-me admiração. E espanto. Espanto-me com minha incapacidade de ordenar a bagunça. Ordenar tipo, FORA! vocês todos que não foram convidados à entrar e causar estragos aqui por dentro. Minha porta andava emperrada, não fechava de jeito nenhum, e assim era um entra e sai de todo tipo de gente que nem a casa da mãe Joana se comparava. Dei um jeito na porta mas, aquele jeitinho meia boca que é só dar uma forçadinha e ei-la lá a minha porta se abrindo para qualquer um entrar. Bem, por isso, ando pensando em me mudar para o mato. Algum lugar distante no meio do nada e de difícil acesso onde eu consiga viver como é de minha natureza escancarada. Diferente de hoje. Se vivo de máscaras? Vivo, sim! Tento fazer arzinho blasé, coisa que detesto, para tentar assegurar alguma distância, ou faço a sonsa pra não chamar a atenção, ou sei lá, olho pra cima e finjo que desmaio, só pra não ter que contrariar... Dureza essa vida de gente!... dureza quando tudo cansa, as máscaras, as falsas palavras, as alegrias alegóricas pra fazer boi dormir, as bobagens que precisam ser gritadas como se berrando positividades as pessoas se tornassem melhores que as demais só porque... são ditas em tom pastel... Oras bolas, em que mundo a gente vive? O meu tem todas as cores bonitinhas e docinhas e blablabla, mas têm muitos cinzas porquê apesar de tudo, eu sou gente de verdade, sujeita à intempéries, sustos e sobressaltos, e também muitos resfriados, afinal, minha porta é teimosa e insiste em estar aberta, mesmo quando eu a quero fechada. Quero só ver como será, se de fato, eu me mudar de vez, pro meio do mato. Pergunto-me: _ Será que as vozes sumirão?!...

aiai, viu!...


*

3 comentários:

Maria Clara disse...

Saudades de você no twitter:(
Me add se quiser (mcf-clara@hotmail.com)

Um beijo, Maria Clara.

Adriana ♣* disse...

viver de máscaras...
que triste isso, né?!
não poder ser você mesmo na vida é MUITO triste.
isso que causa ansiedade, stress e etc.
não temos tempo a perder, mas perdemos.
eu também quero me mudar para o mato.
voltar a essência.
é isso que vale a pena nessa vida.
bjs

Marina disse...

Nossa disse tudo!!! Duro é se encontrar depois no meio de toda essa bagunça que ficou desse entra e sai horroroso... acho que to nessa fase, de trancar a porta um pouco e tentar organizar a zona interior rs

Adorei o texto, mas posso te contar um segredo? Não, as vozes não sumirão indo pro mato rs só silenciarão qnd ocnseguir consertar a porta e colocar todo mundo pra fora, ficando apenas você e Deus, acredite, sei bem do que falo rs

Paz e Bem
Mari