domingo, 9 de janeiro de 2011

Evidentemente

Prometi a Deus ser uma pessoa melhor nesse novo ano. Evidentemente, não vou conseguir. Parar de fumar, comer menos chocolates, ver menos tv, ler mais, bem menos internet, praticar esportes, ter olhos mais puros, ser mais paciente. Amar mais as pessoas... impossível. Cada ano que vivo me afasta um pouco mais das pessoas. A frase está errada? A cada ano que passa mais ME afasto das pessoas. Faço planos, mas para as próximas existências. Pago os carmas da impaciência e em alguma nova vida renasço livre da intolerância frente às hipocrisias e abusos de amizade. Abusos de amor. Seria o meu amor mesquinho? A minha doação uma falsidade?... é possível. Não sou flor que se cheire, mas tenho uma lembrança estranha de infância, boba como as lembranças infantis parecem ser, mas que ilustra. Tinha uns sete anos, e num dia daqueles de sorte, minha mãe mandou junto ao lanche um pacote de jujubas coloridas. No recreio, corremos para lanchar no gramado e tirei da lancheira meu saco de jujuba. As meninas sorriram, com aquela interrogação na carinha, tipo, será que ela vai dividir? Eu dividi, sim, com prazer. Abri o saco de jujuba e todas nos servimos igualmente. Foi divertido intercalar as cores com os sabores. No final da aula, uma das minhas amiguinhas, uma menina ruiva que não lembro o nome, veio me mostrar que havia guardado muitas jujubas. Não eram tantas, tá certo, mas ela tinha umas balinhas e as minhas tinham acabado. Coisa de criança, eu pedi umas. Ela respondeu: se você comeu as suas, azar, essas são minhas. E foi embora. Fiquei ali com cara de poisé e meia dúzia de lágrimas de menina chorona que se deu mal. Que bobo isso, não?... pois é!, é como eu vejo a vida. Se você não cuidar bem das suas preciosidades, sejam elas quais forem, afetivas, amorosas, materiais, espiritiuais, banais, vem uma menininha ruiva com cara de boa gente e era uma vez. Ingenuidade custa caro, e endurecer o coração, um bocado mais caro ainda. Seja como for, cada um sabe onde lhe apertam os sapatos. Os meus não apertam mais, decidi andar descalça, mesmo que isso signifique tanta dor ou ainda mais. Coisas da vida. Ops!, perdão, coisas da minha vida.



É isso aí!





*

8 comentários:

Juci Barros disse...

Ilustrou de forma linda sua forma de ver o viver.
Beijos.

Iara Maria disse...

Be, por mais que já seja 2011, e eu me esforço para ver isso todos os dias, sinto q ainda não deslanchou. Por aqui nada de novidades, o resta então é isso: Vamos cuidar das preciosidades!! Beijocas, Iara Maria.

Menina no Sotão disse...

Me fez lembrar uma bola de capotão que eu tinha que levava comigo para brincar com os meninos. Eu era a única que tinha bola na praça e só por isso eles me deixavam jogar. As meninas diziam pra mim "credo, vc parece um menino" e ficavam lá com suas bonecas. Eu tinha dúzias delas, todas guardadas em suas caixas, nunca abri nenhuma delas porque não gostava de bonecas. Então resolvi que iria dar todas elas para as meninas de vestidos brancos com bordadinhos feiosos. Passei a ser a menina legal depois disso e dei de ombros pra elas. Voltei para o meu jogo de futebol na grama, aprendi a dar drible e também percebi que não sou o que eu tenho, sou o que eu sou. bacio

Juliana* disse...

Pois eu concordo e me identifico em absoluto!

beijos e feliz menino levado!

Juliana

Leo disse...

Adoro o jeito que escreves as memórias, é intenso, detalhista. como só uma estrelinha sabe fazer.

Vou cuidar das minhas Jujubinhas.

A palavra do ano é. Foco.

Beijos, Be*

Michele disse...

Be, obrigada pelo carinho enviado a todos nós! Pegamos daqui com muito amor!

Só digo que estou apaixonada por cada gesto desse anjinho, cada biquinho, cada mexer de mãos! Eu não imaginava que podia amar tanto assim, nem quando ela estava na minha barriga! :)

Sobre seu post, acho que grande parte de nossas lições aprendemos ainda na infância. E como marcam essas coisas, não? E sabe, tudo o que você citou não são coisas apenas da sua vida, não. Já vivi esses sentimentos em parte da minha. Já me afastei e já me rendi, pouco depois. Sobretudo, aprendi bem a lição das jujubas: cuidar das preciosidades, antes que elas desapareçam de nossas mãos!

Um beijo grande, querida!

Adriana ♣* disse...

Assino embaixo, Be!

Também sinto que a cada ano que passa mais ME afasto das pessoas. Espero também renascer livre da intolerância frente às hipocrisias e abusos de amizade. Abusos de amor. Com certeza a maioria dos seres humanos não são flor que se cheire...

Uma grande preciosidade que tento preservar é o bom humor.

O bom humor é essencial... apesar de muitas vezes ser difícil conquistá-lo e mantê-lo.

Coisas da minha vida... rs

Beijos!

Patrícia disse...

Sei como é. Vivo assim entre o "bem" e o "mal". O melhor é ser livre.

Beijos