sábado, 31 de dezembro de 2011

Serenô!

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Pode vir 2012
coração tá batendo arrumadinho
pra você chegar.


Feliz 2012 à todos!
s e r e n i d a d e


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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Aceno!




Foi só quando soltaste minhas mãos
que eu percebi que elas eram minhas.



Bonitas são as mãos,
mas eram tão mais belas
quando dadas às tuas
que parece que se foi,
para nunca mais...



O que faço eu
das minhas mãos
sem as tuas
agora?
Talvez, acenar?...
Adieu!




*

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Zarpar

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Não é a ti que eu liberto
Quando te solto,
Mas à mim,

que descubro-me capaz
e além
dos afazeres de uma
âncora...


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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Tudo passa, tudo sempre PASSARÁ

Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre, passará

A vida vem em ondas
Como
Um mar
Num ir e vir infinito

Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente viu a um segundo
Tudo muda
O tempo todo
No mundo

Não adianta fugir
Nem mentir pra si mesmo
Agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro, sempre
Como uma onda no mar

[Cançao de Lulu Santos]




FELIZ 2012!


*

Fazendo as Pazes




Preciso fazer as pazes comigo. Preciso fazer as pazes contigo. E com o destino, com a Vida, com o tempo, com tudo que deu errado e até com os meus poucos acertos. Preciso fazer as pazes com os desencontros, com as impossiblidades, com as lágrimas que chorei e com os sorrisos que não consegui me dar. Com os sorrisos que não consegui te dar. Com os carinhos guardados, com a paz que eu podia ter acrescentado, com os presentes que esqueci de comprar, e com os abraços, com todos os milhares de abraços que simplesmente me recusei a abraçar. Não foi por mal. Foi pior. Foi por descrença. Uma dolorida ferida que se recusa a fechar. Como fazer as pazes com a Esperança?...como fazê-la uma grande amiga, tão grande que seja possível aprender com ela, e a partir dela, ser alguém melhor?! O Ano Novo se aproxima e vai logo dizendo: _ CHEGA DE RECLAMAR!... faça acontecer! E eu achando 2011 severo... Eis mais um perdão a ser pedido: preciso fazer as pazes com este ano, antes que Ele termine. Fazer as pazes com toda a beleza que eu não expressei, com o otimismo que chamei de tolo, com o bom humor que tanto me aborrece. Preciso fazer as pazes com as coisas pequenas: com o passarinho que canta na minha janela, com teus sinais no céu azul quando você sai pra voar, preciso tanto fazer as pazes com você... Tanto quanto com o sol, com a chuva, com as bençãos diárias que não fui capaz de agradecer, preciso fazer as pazes com tudo a que me neguei neste ano, usando a tão miserável desculpa de que EU NÃO CONSIGO!. Eu não fiz o meu melhor. Eu não me entreguei, eu me encolhi em não-aceitações, em críticas rabugentas, eu pouco vivi. Permiti ser absorvida pelo trabalho, pelo estresse, pelo materialismo, pelo cansaço, pela tristeza, pela angústia, pelas dores, pelo meu lado mais sombrio. Mergulhei em águas turvas pra fugir da coragem, que é com quem mais quero fazer as pazes depois de você. Seria 2012 um ano de coragens? Não sei dizer porquê mas, acho que existe sincronia quando digo 'dois mil e doze e muita coragem'.... Será que a coragem me perdoa? Será que eu me perdôo? Será que você consegue me perdoar? Será que a Vida me concederá seu perdão?

Quem sabe?!...
De uma forma ou de outra, eu precisava
dizer que preciso muito FAZER AS PAZES!

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domingo, 25 de dezembro de 2011

Feliz Natal!

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São tantos percalços,
dores, mágoas e cansaços...

Há momentos em que parece que
nunca mais será nos permitido acreditar...

É quando surge a Estrela do Natal,
que invade com seu brilho nossos olhos,
nossos corações, e reacende nossa Esperança
ao dizer,  para cada um de nós:

_ EU TAMBÉM ACREDITO EM VOCÊ!


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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Quanto a mim...

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QUANTO A MIM
NÃO SEI CONTAR ESTRELAS SEM VOCÊ,

MEU CÉU FICA VAZIO!


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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Faça o pedido

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Desafie o Destino
Suba no mais alto topo do mundo
E peça
Apenas peça com a força e a coragem
De quem ousa ultrapassar o medo

De cair, de errar, de perder, de se decepcionar

E deseja abraçar
Todos os riscos e todas
As grandezas do  a s s u s t a d o r  verbo AMAR.

[E não esqueça de então, me enviar os sinais]


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sábado, 17 de dezembro de 2011

Eu queria saber dos sorrisos de Jesus





Eu queria saber dos sorrisos de Jesus. Queria saber quais foram as suas primeiras palavras e do que Ele gostava de brincar. Queria saber se Ele gostava de deitar na grama pra contar estrelas e se tinha pesadelos em certas noites ruins. Queria saber dos brinquedos de Jesus. Se Ele era bom em matemática e se roubava frutas nas árvores dos vizinhos junto com os outros meninos. Queria saber se Jesus corou com as suas descobertas de ser humano e se vibrou com isso. Eu queria saber das alegrias de Jesus. Quais suas comidas preferidas, se Ele gostava de abraçar as pessoas e se seu sorriso era bonito. Queria saber das suas esperanças e dos seus anseios terrestres. Se Ele tinha sonhos de visitar lugares, se as flores e o pôr do sol o faziam suspirar, queria saber se Jesus sabia nadar. Eu queria saber das palavras doces de Jesus. As que Ele usou com as pessoas comuns, no cotidiano, queria saber das suas gentilezas, da sua educação. Eu queria saber das delicadezas de Jesus. Das suas sutilezas, das milhares e milhares de frases formadas em sua jovem cabeça que não foram escritas, relatadas, que precisam ser... sonhadas. Eu queria saber oque Jesus pensava sobre o Amor, sobre os amigos, sobre o infinito, sobre os mistérios, até sobre as tristezas eu queria saber. Mais que tudo ainda, eu queria saber oque Jesus pensava sobre as mulheres. Queria que tivesse sido relatado que sua amiga mais querida foi uma mulher, que à Ela, Ele contava seus segredos e que em suas mãos também colocava a Sua História. Eu queria saber dos detalhes da vida de Jesus, porquê reza o ditado, Deus neles está, mora e se revela. Eu queria que os passos desse Menino que nasce todos os dias nos corações de gente de boa fé tivessem sido contados por mulheres embevecidas de carinho. Creio que se assim tivesse sido, os detalhes mais bonitos, não teriam sido, simplesmente, esquecidos e o aniversário do Jesus Menino talvez fosse mais lembrado como o nascimento de um Amigo e da sua Alegria, que se abre sim, a cada presente, mas se abre, sobretudo, com oque a gente carrega bem dentro do coração.



E que se faça sempre,
UM FELIZ NATAL!


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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

É tanto que já virou tudo!

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Então,
se dirá:
_ é certo ir diminuindo
essa gostar de tanto engano,

ao que será dito:
_ como diminui-lo,
se em mim, esse gostar
multiplica-se em oceano?


[e quem haverá de conter
um mar de amar
desse tamanho?! ]


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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

PAIXÃO

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Não é possível que essa tal de paixão
seja apenas um sequência de arranjos químicos
orquestrada tão somente a perpetuação da espécie e só;

Tem que ser mais do que isso!,
se bem que mesmo que fosse isso e ainda que fosse apenas
um dia vivido dentro da esfera alucinante da paixão,
ainda sim, teria valido cada segundo dela vivido.

Ter experimentado uma grande paixão
valida uma vida. Absolutamente.


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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O som de todo Mar





O som do mar é o exemplo da perfeição. É imenso, gigante mesmo!, ininterrupto e intenso, e ao mesmo tempo, é melodioso, suave, apaziguador, quase uma cantiga. O barulho do mar é o perfeito comunicar. Quantas são as suas mensagens, seus sinais, suas metáforas... pode-se sentir a força da vida em seu vai-e-vem, sentir a pequeneza humana perante as grandiosidades verdadeiras dessa vida. Pode-se ouvir histórias de amor, náufragas em alguma garrafa de vinho branco, doce, suave, pode-se ouvir suspiros de pescadores de peixes, de gentes, de almas, de tesouros perdidos... pode-se ouvir o choro das sereias, o riso das crianças, a delícia rasgada no desfrute de um veraneio merecido, pode-se ouvir a lua cheia negociando com o oceano o movimento das marés, e pode-se ouvir um mundo estranho de seres aquáticos e coloridos de tantas formas e curiosidades que pode-se até ouvir o som de homens vestidos de preto tentando virar povo do mar..., pode-se ouvir o som das cores quando molhadas, pode-se ouvir o Sol que quando refletido com seus incontáveis raios no lençol azul de todo mar, vira menino pequeno e também se põe à brincar. São todos belos sons. Não são ruídos de um mundo que está enlouquecido com seus sinais de fumaça, tão primitivos... é o SOM absoluto. É a mistura de palavras que compõem os mais belos poemas, as cartas mais amorosas, a sequência de uma reza, a canção de uma noite estrelada, é a mistura daquilo que a mãe sussurra no ouvido do filho no berço com seu aninhar de quem confia, são bençãos são palavras, são até as mais atrevidas, são palavras de chegada, são palavras de partida, é som do choro, do riso, do gozo, do todo unido na grandeza do som do mar. Em tempos de tantas palavras e verdades discutidas, ainda sou a mesma estranha que prefere que a noite seja à caminho do mar só para ouví-lo falar, ou cantar, ou declamar a plena expressão de um som que tudo diz. Sou sem hora, sem pressa, sem rumo ou grandes vontades perante a grandeza desse falar. Sou eu deitada na areia da praia, guardada pelas estrelas ou pelo brilho do sol, aprendendo o be-a-bá desse gigante a quem humildemente tenho o prazer de amar. É tão bonito tudo isso que dá até vontade de cantar: chuá, chuá, chuá!

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domingo, 11 de dezembro de 2011

Paraíso

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Eu tenho um pedaço de paraíso
bem dentro de mim,

só não sei como chegar lá...


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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Em estado Interessante

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a gestação de uma coragem leva quanto tempo?






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SIM

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Sexta-feira

o dia do SIM



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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Metaforicamente

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Não consigo imaginar nada mais romântico na vida
do que um beijo de amor verdadeiro trocado no meio de um temporal...


[a metáfora também é válida]


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sábado, 3 de dezembro de 2011

Believe

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Eu queria muito dizer que acredito que tudo na vida reside no verbo
ACREDITAR, mas eu não acredito.

Isso não impede, no entanto, que quando chove demais
e eu sinto falta do sol, eu coloque um sabão na janela
pra Santa Clara clarear.

Quando clareia, eu agradeço muito crente que foi a minha simpatia,
quando não, eu me toco da minha insignificância perante os desígnios
da natureza e simplesmente aceito que não sou eu e as minhas vontadezinhas
que faremos o mundo girar pra onde Ele simplesmente tem que girar.
E volto pra chuva.


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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

CHUVA





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Poderia ter sido uma chuva perfeita, mas faltou você. Não faltou por inteiro porque uma parte tua, que é minha e eu não largo, estava aqui. Então, foi uma chuva quase perfeita. Eu a vi da janela. Ainda não aprendi a me dar aos meus próprios ímpetos e com isso, não!, não fui lá fora, assisti da janela e algumas vezes coloquei os meus braços o mais perto que pude e trouxe a chuva pra perto de mim. Em cada gota sorvida, você estava. Estava sem estar, mas estava. Foi uma chuva esplêndida. Ou fazia muito tempo que eu não olhava com atenção ou realmente foi uma das chuvas mais bonitas que vi. Uma chuva com ares de boas novas. Tá certo que isso é puro desejo que seja mas, parecia. E você apreciaria. Ou apreciou já que a mesma chuva caiu pra você. Será que você me viu nela? Se viu nela comigo? Notou como estava calma, como as gotas eram grandes mas comportadas, caindo com ritmo como numa noite de dança devidamente ensaiada?!... Uma chuva ensaiada, encomendada, aguardada com todas as entradas vendidas. O perfume da água fresca lembrou-me tua pele. Você tem pele com gosto de água de chuva, _ eu já disse isso à você?... uma mistura estudada e alucinógena de folhas molhadas, de grama molhada, de vida regada somada à todos os meus suspiros doces que estão como que tatuados, milemetricamente em você, feitos por mim quando fechavas os olhos . Tua pele tem meu cheiro junto, tanto que sou de você. Misturei-me, e agora, assim é. Respiro. Essa chuva lavou-me por dentro. Trouxe-me alguma redenção. Ou salvação. Uma salvação que tem o tempo de uma chuva de verão. Respirar ficou sendo uma coisa mais leve, como se cada partícula de água que colhi entrasse pelos meus poros apaziguando minhas ansiedades de você. Foi uma hora perfeita. Noturna e convidativa. A chuva já parou, oque é uma pena, as coisas todas ficam mais belas molhadas. Mas deixarei a janela do meu quarto de dormir aberta hoje. Enquanto houver esse perfume de chuva, de alguma forma, eu quero estar lá fora. E estarei. De alguma forma também, sei que você também estará. E se eu te vir, terei coragem e sairei pra me molhar com você nas poças d'água que a chuva deixou.
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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Eu dancei dentro dos teus olhos

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Você quer mesmo me machucar?

Me dê um tempo para tomar consciência do meu crime
Deixe amar e roubar
Já dancei dentro dos teus olhos
Como posso eu ser real?

Você quer mesmo me machucar?
Você quer mesmo me fazer chorar?
Beijos precioso, palavras que me queimam
Amantes são aqueles que nunca perguntam porquê
Em meu coração há um fogo que arde
Escolha minha cor, encontre uma estrela
Pessoas preciosas dizem
Que isso já é dar um passo longo demais

Poucas são as palavras que eu falei
Eu poderia desperdiçar mil anos
Embrulhado em mágoas, palavras são garantias
Venha para dentro e apanhe minhas lágrimas
Você esteve falando mas acredite em mim
Se é verdade, você não sabe
Esta pessoa ama sem uma razão
Estou preparado para deixar você partir

Se é amor que você quer
Então pode levar ele embora com você
As coisas não são aquilo que você vê
Terminou, outra vez

Você quer mesmo me machucar?

[Do You Really Want to Hurt Me?/ Culture Club]


*



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'Você reclama contra o meu desalento. Tem razão, F., sou um pouco desalentada, preciso demais dos outros para me animar. Meu desalento é igual ao que sentem milhares de pessoas. Basta, porém, receber um telefonema ou lidar com alguém que gosto e minha esperança renasce, e fico forte de novo. Você na certa deve ter me conhecido num momento em que eu estava cheia de esperança. Sabe como eu sei? Porque você diz que sou linda. Ora, não sou linda. Mas quando estou cheia de esperança , então de minha pessoa se irradia algo que talvez se possa chamar de beleza (...) a hora de rir há de chegar, F..'

[Clarice Lispector]

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REFRESCO



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E então, eu me vi. Reflexos de mim por todas as partes. Vidros, espelhos, janelas, vitrines, olhos alheios e sonhos cortados ao meio, no susto... eu estava ali, em toda parte e em partes. Era preciso juntar tudo isso para entender, mas era impossível juntar tudo aquilo. Em cada reflexo havia um caco meu. Eu era uma centena de cacos espalhados ao meu próprio redor. Era quase uma cena de horror, eu estava dividida em pedaços, pequenos pedaços de frustração. Eu não era mais eu. Eu era um amontoado de cacos.

E isso era muito mal...

Foi então que eu parei. Parei e me detive em cada caco com atenção. Eu estava neles, mas não estava em nenhum deles. Eu havia me partido em mil pedaços tentando construir um eu que já se foi, ou que talvez, nunca tenha sido. Um eu e suas histórias de amanhãs e o eu, sou hoje. Não há como ser o eu que já fui, muito menos fugir do eu que serei mesmo que isso represente um ser formado anti-esteticamente de cacos.

E então, eu me vi fente a frente com a inevitabilidade da vida.
Foi nessa hora que notei minha garganta doendo.Eu tinha febre e sede. Eu tinha sede. Uma sede arcaica. Uma sede de muitas vidas. Uma sede de vida. Uma sede de querer bem . Uma sede nova. Uma sede só não tão urgente quanto a própria vida.
Nessa hora, só pude pensar que era mais do que hora de ME DAR UM REFRESCO.
Foi dessa hora em diante que resolvi desistir daquela que fui, e resolvi que serei só eu. Apenas eu, a eu que sobrou em mim. Eu e meus cacos devidamente aceitos e refrescados. Enfim!


[ás vezes, é permitido mentir]



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sábado, 26 de novembro de 2011

Conjunções


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O Amor me parece ser uma conjunção de boa sorte. Uma conjunção de tempo e espaço. De sincronicidade. Uma conjunção de boas intenções e disponibilidade. Um encontro de coincidências que aceleram partículas misteriosas que fazem o mágico do amor acontecer. Não passa pela lógica, não passa pela razão, não passa pelo conhecimento. Passa por uma ponte que só desce vezenquando. Ou quase nunca. Depende. Depende da sorte. E do encontro que haverá com outro alguém de sorte. E de coragem. E de coração grande. E de sorriso largo. E de gestos calorosos. E de palavras fluídas. E de segurança. Interior e contagiante. Amor parece querer fazer barulho. Amor que é amor é tagarela. É vontade incontrolável de tudo dizer, de tudo declarar, de querer estar junto. Amor é encarar a barra. Que houver. Qualquer uma. Conjunção de coragens. Conjunção de bem querer. Conjunção de decisões. CONJUNÇÃO DE GESTOS DE AMOR. Amor não tem nada de econômico, muito antes disso, é gastador desmedido. E não precisa de garantias, muito menos de fiadores e avalistas. Ou detetives e conselheiros. Amor não parece precisar de tempo para descobrir se é amor. Nem de questionários, indagações, muitas conversas, investigações minuciosas a caminho de pistas para obter certeza ou comprovação. Amor é intuição misturada à uma grande quantidade de fé. Amor é desejo de amar. Assim, desse jeito mesmo: você decide que quer amar, e se abre à caminho. E se joga. Ou se atira, se arremessa, se entrega. E deseja de todo coração que aconteça. E às vezes, ele acontece bonitinho. A tal conjunção de dois corações, e assim se faz um mundo. E o mundo. Assim caminha a humanidade. Quando é unilateral, amor sozinho, amor de um, amor sem par, aí, sei lá, que me perdoem os céus se me equivoco, mas aí não me parece amor, não!, parece-me mais como um castigo por mal comportamento. A sorte é que passa, só que a gente é teimoso e então... começa tudo outra vez, se a gente decidir que as conjunções valem a pena.


"O VERDADEIRO AMOR É COMO GRÃO"

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Hora Certa

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E o céu se fará azul, porque o azul decidiu assim,
E as flores se abrirão em perfume, porque escolheram a estação,
E os muros serão só detalhes porque, uma hora, a gente consegue ver, além,

E as suas palavras, por fim, serão ditas, não porque eu quis, exigi, supliquei
mas porque elas simplesmente acontecerão dentro de você,

o que eu pergunto, no entanto,  é:
_ Dará tempo?

Parece haver tempo e hora certa para tudo na vida,
exceto para as urgências de um certo coração.


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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Irá tudo mudar tão de repente?


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E exatamente então ela ouve alguma coisa. É uma coisa enxuta que a deixa ainda mais seca de atenção. É um rolar de trovão seco, sem nenhuma saliva, que rola mas onde? No céu absolutamente azul, nem uma nuvem de amor. Deve ser de muito longe o trovão. Mas ao mesmo tempo vem um cheiro adocicado de elefantes grandes, e de jasmim da casa ao lado. Irá tudo mudar tão de repente?

[Clarice Lispector]


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TRISTES

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Perguntei: por que estamos tão tristes?
Respondeu: é assim mesmo.
É assim mesmo!


[Clarice Lispector]


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_ Querida, cheguei!


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Pai é uma coisa engraçada, né? o meu era pelo menos. Tinha uma cara grandona que olhando meio rápido dava até um certo medo mas, chegando mais perto e depois de dois sorrisos e um pedido meio envolto à razões nem sempre muito lógicas, uma historinha, um pedido de parceria, uma piscadela de cumplicidade, e mais o irresistível _ ah, pai, deixa!... e _ voilá!... o desejo era concedido. _ Eu deixo! A gente ria das coisas, não como pai e filha mas como, pessoa e pessoa. Gostava de ver nos seus olhos o eu que ele via em mim. Acho que pai é aquele sujeito que não cresce muito, só faz carão. Eu sinto falta do meu grande brincalhão.

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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Lateral



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Eu acho que a lateral de uma casa fala muito mais de seus habitantes do que a frente da casa. Ou os fundos. A frente mantém-se porque é a frente. Os fundos, porque vive-se muito nos fundos... mas as laterais são apenas o que?... as laterais, certo? ... quem lembra de olhar a lateral? Quase ninguém, suponho, exceto eu, talvez, que sou uma pessoa assim, meio lateral também.




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domingo, 20 de novembro de 2011

Musiquinha pra dar SORTE

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Vivo esperando e procurando
Um trevo no meu jardim

Quatro folhinhas nascidas ao léu
Me levariam pertinho do céu

Vivo esperando e procurando
Um trevo no meu jardim


_ Fernanda Takai


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sábado, 19 de novembro de 2011

Disse Clarice:

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"DEUS FAZ DOÇURAS MUITO TRISTES TAMBÉM"



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Metáfora Lunar

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Século XXI - Quem guardará a lua em casa?

[Lianto Segreto]


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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Do que consegue ser Perfeito

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e não serão as coisas pequenas
as coisas mais importantes?


[são sempre as mesmas perguntas...]



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terça-feira, 15 de novembro de 2011

A Esperança é feito doce da Vovó


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A minha Esperança é sim, PAPO DE VOVÓ!... é papo de titia, é papo com a família. É a poção milagrosa das palavras de uma amiga, é papo de vizinha regado à bolo formigueiro e chá de calmaria. A minha Esperança é papo com o mundo. Com os livros. Com as imagens, com tudo que se move, se entrega, se derrete, se comove, se envolve, se restaura através do cuidado do outro. A minha esperança não é papo de Ilha: não sou só eu e as minhas escolhas, sou eu e o mundo e a sorte de cruzar com gente que acha que ESPERANÇA tem sim!, muito a ver com papo de vovó: aquelas bandagens que vão aliviando a dor e que aquela mãozinha tão doce aplicava, fazendo a dor parar. Esperança é amor multiplicado por dois. E cresce no abstrato apesar do concretismo que a dor causa. É coisa límpida que não se encontra em confessionários de carvalho cheios de culpas, mas antes, nos altares do perdão. Ou na casa rosa na rua dos Voluntários, onde a porta estava sempre aberta, o cheiro era sempre de café fresco e de biscoitos saindo do forno à lenha, e onde nunca, nunquinha da Silva, uma pessoa era preterida por suas interioridades escuras. Ao contrário, era convidada à dormir em casa e conversar pelas madrugada, onde nada deixava de ser dito, nem as verdades mais duras, mas sempre havia a delicadeza das toalhinhas quentes sobre os olhos para relaxar. Suavemente. Aliás, só conheço recomeços através das suavidades. A Esperança é um fio condutor. Faz-se um nó aqui, enlaça o outro acolá, e assim vai se formando o tricozinho da vida, outra coisa muita linda que aprendi com minha vó: Tricotar. Tricotar com os fios da vida.

Assim como a minha liberdade de expressão esbarra na
liberdade de expressão do outro e respeito idem,
esperança tem passe livre pra invadir corações.

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domingo, 13 de novembro de 2011

O FAROL




O que te serve de farol?


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Concreto

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Para tapear a consistência da dor
a efemeridade dos sonhos.
É difícil sonhar em meio à dor,
d e v a n e a r ,

mas é preciso.




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Móbile



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"SOU UM MÓBILE SOLTO NO FURACÃO"



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sábado, 12 de novembro de 2011

Insensibilidade me deixa louca

Sabe o que é?
_ não tem essa coisa de maluco se curar em terapia.

Cada um segue portando suas insanidades,
com maior ou menor grau de 'disfarceabilidade'.

Deve ter alguma coisa a ver com os signos e seus elementos.
Há os de fogo. Tão maravilhosamente intensos.
Há os da àgua. Tão profundamente calmos e amáveis...
Há os do ar. Tão sublimes em seus vôos.

E há os da terra, no qual me enquadro.
São os que mais sofrem. Seguem ali com seus pobres pés gravados
na terra, ardendo em fogo, desejosos de todo mergulho afetivo,
e os olhos quando olham para o céu e percebem a distância...,
quanta distância com suas naturezas ávidas de lógica.
Sua inquietude é um pouco mais doída, porque existe um cordão
indissolúvel de incompreensões das dádivas dos outros elementos
um misto de "também quero viajar nesse balão" com "o dia me que a terra parou"
e aquele infanto-juvenil desejo de à tudo mudar, e não tendo como, se inquietar.

por que sabe?
tem muita coisa estranha rolando no mundo,
e isso nos atinge à todos,
seja de fogo, de terra, de água ou de ar,

louco pra mim é ser insensível


e sair por aí à cutucar feridas.


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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Em 11.11.11

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Alma minha
Tenha pressa
Te empresto a bicicleta
Mas corre
E com as gentes
Te peço: seja prudente
Não pare para falar
Deixando de pedalar
Assim chegarás livre
E verás o começo do dia...

[Tradução Livre do poema de Giorgio Caproni]


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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Eu quero ÁGUA



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A leveza gosta de gente leve. A elite não acessível à qualquer mortal. Estou falando de estado de espírito. De estresse, de cansaço, de saco cheio, de um estado onde não se quer falar nada com ninguém porque as pessoas cansam, suas conversas sobre toda a banalidade do mundo cansam, e os lugares cansam, e todas as cadeiras, camas, sofás, e paredes, tudo parece ter espinhos e cansam ainda mais. A boca dói com isso, ATM mais severa do que nunca, e as costas parecem carregar todas as dores do mundo. O peso é tanto que só dá vontade de largar. Largar os bet's, gritar TÔ FORA!, pedir um tempo, chorar aos pés de Deus, rezar pra não pensar tanta besteira e por pouco não tomar algumas daquelas pilulinhas pequenininhas pra dormir e escapar de sonhar. Tá punk o negócio.

O limite. Não fui trabalhar de tarde. Excepcionalmente, declarei _ NÃO VOU!.Fui na minha ortodontista pedir pra refazer minha plaquinha. E voltei pra casa, escancarei todas as janelas e peguei uma jarra de vidro bonita, enchi até a boca de gelo, água, algumas gotas de limão e laranja e me esparramei numa espriguiçadeira no jardim. Embaixo da árvore mais frondosa que existe pra mim, pedi à Natureza que olhasse por mim. E finalmente, me senti melhor, não como uma pessoa leve porque amanhã não posso repetir a folga, mas me senti melhor por conseguir lembrar de como é ficar de papo pro ar, VIVENDO, porque trabalhar como loucos não é coisa de gente, é coisa de doido, enquanto que o ócio, esse sim, parece ser coisa de gente sã. E sábia.



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domingo, 6 de novembro de 2011

Ele é o meu Azul

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"Para vermos o AZUL,
olhamos para o céu.
A terra é azul para quem a olha do céu.
Azul será uma cor em si, ou uma questão
de distância?
Ou uma questão de grande nostalgia?
O INALCANSÁVEL É SEMPRE AZUL."


_ Clarice Lispector

sábado, 5 de novembro de 2011

Novembro

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Então tudo virou flor
só pra ver NOVEMBRO
passar bonito!



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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Onde você sempre está...




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Eu não sei como isso é possível mas alguma parte de mim está estacionada nos meus dozes anos de idade. Uma noite dessas tive um sonho intrigante onde eu aparecia tagarelando com duas pessoas sobre o tempo. Só que eu estava em outro tempo. Falavam sobre o tempo não ser do jeito que a gente está habituado a pensar. Na maior parte das vezes, achamos que o tempo é exatamente aquilo que o relógio marca. Vinte e quatro horas, uma depois da outra, uma à uma. E assim, seguimos os dias olhando as coisas pequenas perdidas no meio dessas horas pequenas e tudo parece até bem confortável. Quase sempre, exceto quando a mente resolve desobedecer o delicado comando de: _ Fica quieta!!, e sorrateira, sai querendo aprontar pra cabeça, literalmente. No sonho foi assim. Sonhei que essas pessoas me diziam, ou tentavam me explicar que existem fendas no tempo, entre um segundo e outro existem os milésimos de segundo e que entre esses milésimos, existem fendas milésimas até não poder ser mensurado tudo isso, e que, através dessas fendas pode-se estar, quase que ao mesmo tempo, em dois tempos diferentes, que necessariamente não precisam ser vizinhos. E isso, multiplicado por todos os tempos que coexistem. Uma coisa que poderia classificar como infinita. No sonho eu franzia a testa, não conseguia entender e aquelas pessoas se irritavam comigo, e no sonho, eu era uma menina de doze anos... Uma garota. Eu gostava de mim aos doze anos. Era bem viajona, e de fato, eu conseguia viver no meu meu mundo cotidiano aparentando normalidade, mas lembro que sumia da realidade por horas e horas, parada fazendo nada, ou sentada no jardim, ou pensando coisas que nem lembro mas que eram muito fora de padrão. Para onde ia a minha consciência naquelas horas quietas? Quase ausentes... Engraçado é que tento puxar na memória mas, não lembro. Lembro de coisas que fiz aos quatro anos, mas... nos meus doze eu só lembro de estar ali sem ali estar. Aí hoje comecei a ler um livro sobre uma menina de doze anos que fala sobre o tempo, e as fendas do tempo. O livro fala algo como se o tempo passasse ao mesmo tempo por todos os momentos, e esses momentos coexistissem e ficassem suspensos no espaço aguardando nosso retorno. Ou uma visita. O livro diz que oque importa é em qual momento você está. Como se a gente pudesse de fato escolher qual das milhares de facetas já vividas se quer estar. Desafiador esse enigma sem chave. Porque sabe?!... a chave é o poder. Com a chave você não precisa bater com a cabeça na parede para as minhocas se calarem, você as quer. Porque pensar nisso faz com que cada célula do meu corpo se esperte e parece que estão todas pedindo _ vamos lá! vamos lá! Mas lá aonde? Eu queria estar no mundo daqui uns cem ou duzentos anos, quando a mente humana conseguir ir além das comprensões atuais, porque como diz o livro, o senso comum de limite atrapalha o contato com a verdade que o véu embasado pelos milionésimos de segundos nos impedem de ver.

Agora, eu me pergunto porque eu quero tanto crer que isso existe?... Que vidas coexistem. Que uma mesma de mim pode estar aqui, e se atirar numa outra consciência sem que nem essa mesma eu perceba. Pra que eu quero isso? Tudo bem que o assunto é muito legal, muito intrigante, muito viagem e eu adoro!, mas no fundo, eu quero essa possibilidade só por causa de você. Só pra poder te alcançar, te abraçar imensamente e olhar mais uma vez tua expressão olhando a minha, e te tocar, e ter realidade corpórea nesse amor de tanto tempo. Coisas que se guardam, coisas que escondemos, coisas que viram segredos... que me importa escancarar meus delírios se você está onde tudo oque eu sou e em tudo oque eu vivo, como se fôssemos um menino e uma menina de doze anos que descobriram um jeito de brincar de esconde-esconde entre as fendas do tempo, mas que entre uma e outra brincadeira, sempre se acham pra trocar um beijinho. Um beijo muito casto, afinal, só temos doze anos.




"A experiência mais bela que podemos
ter é o m i s t e r i o s o . "


_ Albert Einstein
Livro " Como Vejo o Mundo" 1931

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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Mil Cores





Que cor você levaria pra sua cama?


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terça-feira, 1 de novembro de 2011

O VESTIDO

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Mas aí eu saí e comprei um vestido
todo lindo, todo florido,
até parece um jardim,

e então, estranhamente
a ESPERANÇA voltou
pra dentro de mim.


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"A Esperança é a meninice do mundo"

_ Machado de Assis


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A CURVA


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Eu acreditei por tanto tempo que acreditar parecia ser a única coisa óbvia a se fazer. Eu não fazia mais nada. Eu era o verbo acreditar. Eu pulava da cama para manhãs de acreditar. Acreditava que cada dia nascido seria O Dia. O dia de qualquer coisa que me fizesse acreditar que a curva que nos separa hoje não nos alcançaria. Era uma crença cega, desembasada, sem linha, sem chão, sem lógicas. Era uma crença formada de sóis que vinham de dentro de mim. Na verdade não eram os teus sinais azuis que me faziam acreditar mas a minha fé de que a curva não nos estava vendo. Eu tinha um olho na terra e outro no céu e não via a curva se aproximar e isso me fazia ainda mais acreditar. Então eram luas cheias de acreditar, céus de tantos sonhos, suspirantes confianças vindas de uma canção, de uma palavra que se escorregara em minha direção e me fazia forte, destemida, enganadora das curvas malvadas que separam as pessoas de seus amores. Mas ela era enorme. Tão maior que meus olhos tão cheios de apenas você não a viam. Nem mesmo a sombra que ela fazia já à algum tempo sobre nós eu percebia. Eu acreditava nos meus sóis internos iluminando ou despistando a curva. A curva única dona do banco de reservas de possiblidades. Sovina proprietária. A curva do destino que levou você pra longe de mim, não levou apenas você, ela levou a mim também. Trapaceira, catou esperancinha por esperancinha como quem cata morangos frescos na horta do vizinho, e devorou todo o frescor . Ela levou a colheita que não colhemos. Ela levou os frutos que não tivemos tempo para saborear. Ela levou a mim, levou a você e daqui de onde estou só sinto saudade que nem saudade mais é: saudade é coisa de quem ainda acredita e agora eu só acredito que as curvas existem, e são más, e não gostam de crianças. Não gostam das crianças que se mantém em espírito. Levam-nas embora e ficamos como restos de personagens de um velho romance qualquer ,esquecido na estante de alguém.
É a curva do tempo.
Mesmo assim, ainda deixo a luz daquela janela eterna acesa, para caso um dia a curva se distrair, você escapar e saber pra onde voltar.

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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

domingo, 30 de outubro de 2011

Existe Amor

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"O Amor
vai te contar um segredo
não precisa ter medo
nem sair correndo:

EXISTE AMOR"


[O Tom do Amor, Zelia Duncan]


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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Se ele fosse uma casa




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Se ele fosse uma casa, essa casa seria espaçosa, com poucos cômodos, porém. Se ele fosse uma casa, o aroma dessa casa seria de comida feita na hora, num fogão à lenha que tem seu fogo sempre aceso. Se ele fosse uma casa, todo canto dessa casa teria uma cadeira, um balanço, uma cama, uma rede, convidando à preguiça, à languidez e às safadezas de um momento perfeito. Se ele fosse uma casa, essa casa seria sólida, de materiais brutos e nada perecíveis, tudo muito intenso ao toque, ao encostar de pele, de corpo, de alma... Se ele fosse uma casa ela seria o esconderijo acima de qualquer suspeita por sua discrição elegante e misteriosa. Se ele fosse uma casa, essa casa estaria fora de moda, ou acima dela, misturando objetos às lembranças e suspiros saudosos a cada olhar. Se ele fosse uma casa, não haveria um canto sequer mal cuidado, ou esquecido, seria como um pequeno grande mundo zelado por um deus caprichoso e amante do que é bom nessa vida. Se ele fosse uma casa, essa casa seria um pouco como o mar, as férias perfeitas, o sonho bom, o melhor lugar pra ir, pra estar, pra ficar. Se ele fosse essa casa, sem a menor sembra de dúvida, esse seria o lugar onde eu gostaria de morar. Pra sempre.





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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Eu posso! Eu posso?...



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Eu posso falar coisas boas sobre mim!
Eu posso falar coisas boas sobre mim?
Eu posso falar coisas boas sobre mim...
Eu posso falar coisas boas sobre mim,

mas, para isso, eu precisaria de uma boa dose de generosidade para comigo mesma,
uma generosidade consciente, quase plácida e autêntica, e essas qualidades, por exemplo,
eu não as tenho. Não alcanço a abrangências das coisas, não sei estar com a consciência
centrada num foco, muito menos tomando posse de uma calma transparente que nunca possui,
consciente ou inconscientemente. Eu não consigo me ver. Ver-me...

Você se reconhece?
Porque o tempo faz dessas, o tempo e as circunstâncias, eles vão nos moldando ao sabor de
seus temperamentais ventos e vendavais, enquanto a gente fica achando que tudo vira brisa.
Vira nada!
Tudo vira de cabeça para baixo, e o controle é outra grande ausência na minha lista de coisas
boas. Não controlo, não tenho controle de nada sobre nada. Sou um lenço de papel sem uso
rodopiando entre as folhas que o vento insiste em levantar do chão só para depois rir-se todo
por vê-las cair. Caías no chão.
Virei uma folha dessas. Uma folha que caiu da árvore e... oque se faz com uma folha?
Quem se abaixa para ajuntar uma folha caída no chão? Ás vezes eu faço. Sou louca por folhas.
Coleciono-as. Tenho cestos e mais cestos de folhas secas. Identificação?

Talvez!

Eu queria falar coisas boas sobre mim, mas prefiro falar das folhas que caíram e que mesmo caídas
ficam lindas no contraste com o branco das pedras da calçada. E o banco solitário que ali está,
parece, estranhamente, gostar muito da companhia delas.


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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Musiquinha

" A Felicidade
está cheia de A
está cheia de E
está cheia de I
está cheia de O
está cheia de U

que a Felicidade
desabe sobre seus ombros..."





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sábado, 22 de outubro de 2011

"Atraversiamo"

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Talvez ninguém possa saber como as coisas são para outra pessoa,
assim como talvez, ninguém possa saber porque certas PONTES parecem
querer partir corações...


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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Enquanto ele fala, as flores se abrem em flor.

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Todo mundo sabe que aprender é viver mas
_ quem nunca aprendeu que só o AMOR ensina?

Ainda que Ele seja um sentimento tão pleno,
o que temos ao alcance para encontrar a felicidade?
Por tudo que vemos, tem os gestos, olhares,
mais ainda nesses detalhes são apenas formas de ver
para ver o quanto somos TODO O ENCANTO,
e num piscar de olhos, tudo muda e fica mais colorido.

Quanto mais nos damos, mais temos a receber e, assim,
não há como por na vida toda em demasia,
ainda que nos segredos de cada detalhe a alegria pulse.
Ela nos faz completos.


por, Lianto Segreto


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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Tic Tac

O relógio da sala
Batia uma hora
Que fora engolida
Enquanto o tempo
De dentro dela
Virava poeira
De outra vida...


Vamos dar uma volta?


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Assista!

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P U R A   D I V E R S Ã O


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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Arte em Movimento

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Artistas
fazem o mundo
e do mundo
um lugar melhor



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Eu sou da chuva

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É que gente precisa
É que a gente precisa
É que é coisa de gente

acreditar que chove além de chuva
que sementes precisam ser regadas por
tudo que uma chuva traz em cada pingo transparente:

em cada pingo chove a essência de um milagre pequeno,
uma planta, uma árvore, uma fruta, uma estação, uma plantação,
é vida em multiplicadas metáforas molhadas regadas nas gotas do amor.

Eu chovo!


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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

"Quando o corpo pede um pouco mais de alma..."

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... é que além de chuva,
eu queria que também chovessem
(gotas que fossem)

de múltiplas delicadezas.


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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Eitha!


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Eu me espanto com as pessoas. Na entrada do outro dia, mais espanto. Eu me espanto do nascer ao pôr do sol. Minha familiaridade com gente perde-se a cada palavra. Olho as pessoas e pergunto-me: onde está a sua verdade? Alguém fala a verdade nos dias de hoje?... ou houve algum tempo em que a verdade foi dita? Eu, não digo. Se dissesse seria banida para algum sanatório público bem decadente e talvez nem o poder públido me quisesse por lá. É que eu não entendo. Juro que tento, mas não consigo um átimo sequer de compreensão. Porque as pessoas agem estranhamento com pessoas estranhas como eu. Mas, oque é estranho? Ter os braços abertos? Um sorriso de boas vindas? Uma atenção ao que o outro tem de bom? Ser ingênuo é estranho? Não falar maledicências e querer comentar como a lua está linda? Gostar de flor, de bicho, de criança, de falar bobeiras, de livros?... Legal é oque? status, poder, superiordade, alcances sociais, e essa papagaiada toda?
Putz, bem hoje, dia das crianças fui escolher de ficar de bad, que droga!... Sei lá, tá tudo assim hoje, parece que passou um vendaval, e eu tenho tentado tanto fazer olhos de não ver para a hiprocrisia que reina no meu reino... vai ver que a minha criança de dentro, que porto com tanto carinho e cuidade para que não se machuque resolveu chorar hoje porque... é crazy, is very crazy esse mundo.
Andei falando num dia de sol que é preciso semear o caminho para que ele seja bonito, e eu semeio, eu leio, eu sonho, eu viajo, eu abraço, eu comungo, eu esqueço, eu perdôo, eu tento mesmo, mas o efeito estufa não está somente na pobrezinha camada de ozônio, está nos campos de pensamentos coletivos também , e muitas chuvas e calores fora de hora andam prejudicando não só a natureza mas principalmente as naturezas mais simples.
Mas bóra lá, né?... porque a gente não desiste nunca, a gente levanta, sacode a poeira, e volta a plantar sementes puras no coração. Até o dia que Deus quiser. Ou a gente puder.

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domingo, 9 de outubro de 2011

Passando do Ponto

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Estou chegando lá segundo a segundo.
Lá, eu não sei bem onde. Meus passos parecem muito lentos,
e o são, na verdade, mas quem se importa?
Se eu passar do ponto, quem vai chorar por isso?
Talvez nem mesma eu. Eu simplemente não me importo mais:
_ o tempo das importância também já passou...

Todavia,
não desgrudo dos meus vermelhos-paixão que crêem
que o sol sempre está a caminho.
Enquanto isso, sigo segundo a segundo cantarolando
aquela mesma canção,
 me esforçando ao máximo para fazer de conta.
Para fazer de conta que eu simplesmente NÃO ME IMPORTO.


sábado, 8 de outubro de 2011

YO TE CIELO

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"Se pueden inventar verbos?
Quiero decirte uno:
YO TE CIELO, así mis alas se
extienden enormes para amarte
sin medida"

_ Frida Kahlo


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É isso!

http://thatreference.tumblr.com/tagged/ryan_woodward

O INTANGÍVEL

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é que tem um certo tipo de vazio
que nada consegue ocupar:

é nessa hora que o sentido se faz:
_ É PRECISO SE RENDER À VIDA

[...e a vida, é MAIS]


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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Adeus é uma palavra que não lhe cabe...

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"Você já está nu,
não há razão para não seguir seu coração."

[Steve Jobs]


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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Românticos

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ELE:

_ E aí?... pensa e daí?
Enquanto
eu pergunto e você pensa,
os dias passam, o tempo passa,
e oque eram para ser momentos
o s   n o s s o s  m o m e n t o s
deixam de existir.

EU:
respondo com essa canção:


"Eu,
fico pensando em nós dois,
cada um na sua,
perdidos na cidade nua,
empapuçados de amor,
numa noite de verão,
(ah! que coisa boa)
meia luz, a sós, à toa,
você e eu somos um
caso sério,

ao som de um bolero,
dose dupla,
românticos de cuba libre,
misto quente,
sanduíche de gente..."


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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Eu vou!

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Eu estarei lá
e a árvore que te abriga
calmamente florirá

semeada por nossos abraços
de um encontro sem fim
   para que,  enfim

faça-se Primavera em nossos corações.


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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Dias de Outubro


Como eu vou sair daqui?
Como faço para cessar o perigo que ronda, que você sabe que ronda, que você causa ou eu mesma causo sem saber?
São perigos d'alma. Perigos cármicos. Perigos da estirpe. Perigos  i n s o n d á v e i s .
É um pouco ingrata nossa condição. Você e seus metais, eu em meio aos ais, não há sais que nos confortem. Tomo todos pra suportar a dor. Tem tomado os seus? Há que se deixar de lado o drama para sermos telúricos. Como você gosta de dizer mesmo?... ou tudo ou nada? Nisso faz-se OUTUBRO. Doze sóis para uma lua celebrar. Soltamos nossos bichos ou deixamos que as flores floresçam como se deve, contemplativas e livres dos perigos das tempestades sentimentais?... Nossa especialidade. Querer que elas sejam vermelhas, quentes e ardentes, só mesmo as pimentas que animaram teus ouvidos infantis naquele sarau em frente ao mar. Porque você sabe, no mais, é sempre mar.  No mais, é sempre noite. Noite e mar é sorte pro verbo amar. Temos a noite, temos o fechar dos nossos olhos, o abrir das nossas portas, o calar  nossas besteiras, temos a liberdade para o querer mais certo, mais perto,  e a verdade que deixamos solta entre a noite e o mar de estrelas,  enquanto nos dias nos prendemos às raízes de uma árvore que nos proteje de todo mal e pra sobreviver... No mais, temos a noite, quieta e  doce, etílica e fantasmagórica, livre e etérea, solta e nossa, a noite, onde de tudo pode se soltar, até a voz do coração. Por isso eu digo: Amo-te daqui, e por amor, sempre te alcanço, e cada vez mais. Que venham as noites de OUTUBRO.

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