quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL!




Pra mim o ano novo começa no Natal. Eu creio do fundo do coração que Jesus nasceu para abrir nossos olhos para as Boas Novas. Acredito que através do Espírito Santo ele habita em cada um de nós, mesmo quando não cremos ou entendemos muito bem como. Eu acredito no Natal do dia 23, do dia 24, do dia 25, de Dezembro a Dezembro. Celebramos oque desejamos uns aos outros no dia de Natal, e depois, seguimos com alegria renovada os nossos dias.

Quero agradecer bastante á todas as pessoas que estiveram aqui durante esse ano. Sou muito feliz por ter esse espaço e dividí-lo com vocês. Desejo uma sucessão imensa de coisas bonitas, de crenças positivas e boas vibrações.

Feliz Natal, meninos e meninas!

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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Uma História de Natal


Fazem três anos. Poderiam ser quatro, dez, tanto faria. É uma data parada no meu espaço sideral. Dia 24, véspera de Natal, meu pai e minha mãe resolveram preparar toda a ceia pessoalmente. Todos os detalhes. Passaram o dia todo juntos em casa, coisa não tão comum para dois 'rueiros juramentados', como comuns não pareceram as atitudes e o comportamente do meu pai naquele dia. Ficou grudado em minha mãe o tempo todo, falando de coisas do passado. Queria conversar, falar sobre tudo... Do nada, saiu. Voltou com chocolates. Pra comerem juntos enquanto preparavam tudo. Ferrero Rocher. Virou o 'chocolate do pai', aqui para nós. Arrumou-se bonito para ir à missa, e durante, ficou calado e com uma expressão muito diferente no olhar. Na saída da missa ele disse à minha mãe que a data mais amada dele era justamente o Natal. Nunca ele havia dito isso. Ele amava o Natal. Chegaram por primeiro ao salão onde seria nossa ceia, como por primeiro ele sempre chegava em todas as festas, porquê se considera um festeiro por natureza, e preparar a festa já é festa para os bons festeiros. Mas ele não parecia um festeiro naquele dia. Estava introspectivo. Mas doce, muito doce. Quando desci para a festa, o vi no portão. Fumava um dos seus cigarros, placidamente, olhando para o céu, e olhando pra mim. Abraçou-me e disse que estava a minha espera e que eu demorei demais. Demorei demais, sem dúvida. Perdi tempo com detalhes bobos, coisas banais tipo esqueceram de acender aquelas velas, telefonando pra minha tia atrasada como sempre, falando coisas corriqueiras com minha minha mãe. O meu eu racional. O meu eu ali presente. Mas o meu eu intuitivo observava coisas que só me lembrei tempos depois. Tive a certeza de haver um 'eu interno' depois dessa ocasião. Eu havia percebido coisas que ficaram registradas por olhos internos que registravam que algo não estava correndo normal naquela noite. Papai sempre foi um apreciador dos prazeres etílicos, mas naquela noite, aceitou apenas água. Notei aquilo, mas não atinei ao significado daquilo. Conduziu a ceia, à cabeceira da mesa, falou umas palavras bonitas e serviu o peru de Natal orgulhosa e pessoalmente à todos. Falou sobre sonhos. Falou que no próximo ano ele queria mudar muitas coisas. Estava cheio de planos de se tornar uma pessoa mais leve. Fiquei tão feliz por ouvir seus novos planos para uma nova vida. Uma vida mais leve. Ele estava com uma suave expressão em seu rosto forte e único. Foi uma bonita e tranquila noite de Natal. Na hora da despedida, quando ele decidiu se recolher, pegou minhãs mãos e disse: _ desculpe! Eu devo ter feito uma cara de espanto, obviamente. Perguntei, _ desculpe de que, Pai?... Ele apenas respondeu: _ as besteiras que eu possa ter dito à você. Abraçamo-nos e ele subiu. Fiquei com um amargo na boca, eu e meus eus ali parados no portão. Meu pai me olhou na chegada, e eu fiquei ali, olhando a sua saída.





[Se a gente soubesse...]





Entrei, dei umas voltas em torno da mesa, do pátio, estava inquieta, bem mais do que o costume. Liguei pra mim minha mãe, queria saber do meu pai. Ela disse que ele já havia deitado, e como boa portadora da síndrome DDA, minha mãe distraída nada percebeu demais. Perguntei se ela achava que ele tinha gostado da ceia, se tinha se distraído, se estava bem. Ela disse que sim e que eu precisava relaxar a minha cabeça tensa. Desliguei com a confirmação de que ele estava bem. Sempre foi um gigante. Creio não ter lembranças de tê-lo visto com dor, ou deitado, ou doente. Ele sempre estava bem. Mas com a saída do meu pai da festa, decidi ir dormir também. E dormi um sono estranho, ainda mais estranho do que os meus já costumeiros sonos estranhos. No meio do meu sono o telefone tocava insistentemente. Uma vez, duas, três... eu tinha que atender mesmo não querendo. Temendo. Não era sonho, o telefone tocava. Meu irmão, às oito horas da manhã do dia de Natal me ligava para avisar que o nosso pai estava no hospital. Ele apenas disse: _ Venha logo! De repente pareceu que eu nunca tinha dormido na vida. Vesti a primeira porcaria de roupa que vi pela frente e sai rumo ao hospital com meus dois eu falantes: meu eu racional ia no caminho pensando em qual hospital devíamos transferí-lo, quais amigos médicos ligar para pedir orientação, operacionalizando ensandecidamente. Meu eu intuitivo apenas sabia, e acarinhava minha parte de alma que tanto doía. Entrei no hospital e avistei em cada canto alguém conhecido.Meus irmãos, minha mãe, caras conhecidas e tristes iam chegando, em silêncio. Tantos amigos. Nossos, os amigos deles, os amigos nossos. Um médico amigo. Doutor André. Aproximou-se de mim e eu, feito uma louca fui perguntando oque iríamos fazer, para onde levar, se precisaria operar, oque eu poderia ir providenciando. Ele ficou em silêncio e me olhou como se nos conhecêssemos a anos. Pegou as minhas mãos e disse apenas: foi fulminante, fizemos tudo oque podíamos.



[COMO ASSIM?]



Ele acordou muito cedo e ficou zanzando. Eles iam para chácara preparar o almoço de Natal. No caminho, ele não sentiu-se bem. Estacionou o carro, e mamãe sugeriu passarem primeiro no hospital. Como um gentleman, ele dirigiu até o hospital, estacionou o carro, desceu e caminhou até o saguão do hospital, onde desmoronou. Ele não deu trabalho nenhum, trouxe minha mãe até aquele local para que ela não tivesse que passar pelo susto em casa. Nem ela, nem nós. Creio que essa é a pior parte. Imaginá-lo sentindo uma dor absurda capaz de roubar-lhe a vida. Ele caminhou até a morte como um cavalheiro autêntico. Meu pai sempre foi um gigante. Foi um construtor. Traçou seus planos, e seguiu feito um trator realizando. Era bonito, um lorde. Muito alto, muito charmoso, muito elegante, uma cabeleira cinza muito vasta, parecia um leão,tinha porte, alguma alegria, muitos enigmas. Era triste também, portava essa tristeza genética de quem não consegue se adaptar, não consegur entender, embora não alardeasse isso. Eu sabia oque ele sentia porque sentia igual. Éramos muito parecidos. Somos todos dados a parar e ficar olhando o nada por horas a fio. Sem pensar nem entender nem procurar. Apenas, plainar. Ele queria ser aviador. Mas vovó não deixou. Queria seu filho com os pés no chão. Roubou-lhe as asas e o sonho, a boba. Toda vez que um avião pequeno risca o céu, eu penso nele. Penso que pode ser ele num aviãozinho celestial me vigiando pra ver se não cometo o mesmo erro que ele: pensar demais. Sua frase preferida foi talhada por uma vida movimentada e testada nos limites:

_ não esquente a cabeça. O homem de cabeça quente, recomendava o que não seguia.



Doutor André ficou me olhando. Olhando a minha não reação. Devo ter ficado com os olhos arregalados e sem movimento. Nunca imaginei algo tão bizarro para viver. A morte. Eu apenas perguntei se ele tinha certeza que nada mais poderia ser feito. Ele contou-me que seis meses antes, perdera seu pai nas mesmas condições fulminantes. Disse-me no meio das suas lágrimas que tudo que ele queria ter feito para salvar o pai dele, ele fez pelo meu pai. Nos abraçamos e uma paz entranha tomou conta de mim. Ele foi falar com os outros todos, e fiquei só. Fechei os olhos, e senti meu pai ao meu lado. Ele dizia num som que não sei definir, que andava muito cansado, e disse algo sublime _ ... aqui está tão bom! Eu ri, abracei ele apertado dentro da minha mente e fiz oque ele esperava de mim. Levantei a cabeça. Não entrei para vê-lo. Não repcisava ver aquilo. Ele não estava mais ali. Ele estava do meu lado. Livre. Livre de todo e estava bem. Em partes. Óbvio.

Fomos os quatro, eu e meus irmãos providenciar tudo, enquanto amigos pipocavam de todos lados, cuidando da minha mãe, trazendo cafés, calmantes, balas, carinho, abraços, lágrimas, dor. Assinamos um papel onde constava o nome do homem que esteve em meus registros de vida todos. Aquele nome elegante num atestado que falava de causas que ningupem queria conhecer. Um abrigo para o seu corpo de carvalho maciço. Um local de despedida distante, no meio de um parque onde o pó voltaria ao pó, para brotar verde. Nunca imaginei que ele fosse tão querido. Um dia de Natal e todos os amigos, parentes, clientes, funcionários, abriram mão do dia de festa para estar conosco. Para ver o amigo sair dessa cena, e adentrar dignamente na próxima. Fiquei em silêncio durante todas aquelas imensas horas estranhas. Mas não senti dor. Física. Nenhuma dor. Ficava pensando como de fato ele era um festeiro. Fez sua despedida no dia da sua festa preferida e conseguiu reunir todos, todos os seus seres amados num dia de Natal.

[Estranho conseguirmos reunir tanta gente na morte e não conseguirmos reunir igualmente na vida...]

Passados esse anos sem a presença física de meu pai eu noto o quanto ele foi especial. Muitas nuances maravilhosas dele eu só percebo a grandiosidade hoje, e arde feito brasa pensar que não disse muitas coisas à ele, não fui oque poderia ter sido, perdi tanto tempo, podia ter feito tanto... queria tanto que ele soubesse da minha admiração. Da minha imensa admiração. Resolvi escrever para lembrar. Para sentir. Nunca mais vai haver um Natal realmente feliz. Fico pensando nas pessoas, que como eu inclusive, acham que é só uma data comercial, que tudo é uma palhaçada, que reunir e abraçar uma vez por ano é hipocrisia, aqueles argumentos insensíveis vindo de corações que na verdade doem, né?... fico pensando que se eu soubesse, antecipadamente que aquele seria o meu último Natal com ele, teria feito todas as extravagâncias imagináveis para que a noite de Natal fosse muito mais linda. Muito mais repleta de alegrias, de surpresas, de abraços, de euteamo, mesmo que depois a gente não fosse tão efusivo assim, mas naquela noite, eu não perderia a chance de fazer quem eu amo feliz. Ele feliz. E é pelas pessoas que eu amo e que são muitas e especiais, minha mãe, meu anjo e meu amor, meus irmãos, meus amigos, meus queridos, toda gente que me faz sentir um pouco gente também que escrevo aqui essas mal traçadas linhas, para acarinhar a lembrança e para que a força me habite, para que, apesar de tudo eu ainda consiga realizar um Natal cheio de amor. Por ele, e por todos que igual a ele, um dia irão partir. E a hora, a gente nunca sabe na véspera...

[Ele, meu pai, segue leve dentro de algum aviãozinho intergaláctico, porquê céu deve ter a ver com sonho, e o sonho dele era voar. Leve, tenho certeza que ele voa. Amo você, Pai!]


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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Para sempre!

Eu quero essa luz que você é.
Quero essa luz que só você acende em mim.
Quero nossas luzes encostadas alternando brilho
feito um casal de pirilampos alegres e felizes,

[e se me permite]

Eu quero pra sempre!

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sábado, 18 de dezembro de 2010

Todo mundo é parecido

É possível coincidir preferências nas coisas simples. Por exemplo: todo mundo ama final de semana. Todo mundo adora tirar férias pra ver o mar. Todo mundo se deleita com a ceia de Natal. E quem não gosta de presente bem bonito sem hora certa de chegar? Todo mundo gosta de surpresa boa. De rir escancarado. Todo mundo gosta de uma manhã com sol. Todo mundo adora brigadeiro e café fresquinho com pão e manteiga. Todo mundo gosta de dormir, de roupa limpinha, de casa cheirosa, de amigos reunidos em volta da mesa, na mesa do bar, juntos em todo lugar. Todo mundo gosta de beijo, de abraço apertado de ser amado e de amar. Todo mundo gosta de si mesmo e deseja ser feliz. Entre uma oscilação ou outra, basicamente somos todos muito parecidos. Pelo menos quando lembramos oque simplesmente somos: Gente.

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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Considerações

Redes Sociais. O mundo virou de pernas para o ar com elas, e pra mim, isso parece muito repentino. A tentação de conhecer e fazer parte, querer desbravar esse admirável mundo novo faz-me lembrar da antiga recomendação da minha mãe para que eu não brincasse com fogo. Não se trata de uma novidade, eu sei, mas para mim parece. Escrever em 140 caracteres, porquê a vida tem pressa e a objetividade demonstra... inteligência, ou abrir a face como num book dos tempos de colégio, quando no fim do ano a gente preenchia um questionário bonitinho num caderno que rodava entre as meninas e os meninos perguntando indiscrições, só que muito mais complicado que isso. Há que se ter uma imagem. Estudada, acrescida de muitos requintes e que me deixam tonta porque nunca vi tanta gente bem sucedida, bonita, viajada, resolvida e de bem com a vida como nessa rede moderna de ser. Um caderno. Lápis. Canetas... que nostalgia se abate sobre mim. Não me vejo nessas novas redes, sinto uma hostilidade doída quase na pele quando zanzo por elas. Penso que a minha tentativa não deve durar muito, eu estou tentando, mas saio entristecida delas. Definitivamente sou oldfashion e não gosto de novidades. Oque eu adoro são os blogs. Essa miscelânia, essa abundância, essa permissão de palavras, de imagens, de simplicidades. Eu adoro aqui. Aqui eu me sinto sozinha e ao mesmo tempo me sinto acompanhada de bons olhos. Apenas bons olhos. Sinto proteção e carinho. Estranho mas sinto.



Eu vou me permitir escrever um elogio que recebi de um amigo, porquê como eu não me poupo de me auto escolhambar frequentemente aqui, creio que não pegará tão mal.
Então, conversa vai, conversa vem, ele me disse:

_ Você é bastante simples. Mas paradoxalmente, você é muito sofisticada.

Eu tenho a impressão que o máximo da sofisticação seja justamente a simplicidade. E não me refiro àquela simplicidade estudada, calculada, que segue um padrão, mas a mera expressão do que se é, pura e simplesmente.

Voltando às redes sociais, sinto que é muito perigoso ser simples. Natural. Os sentimentos são estudados, as palavras precisam de pares combinados com muito estilo, e olhos críticos, validos de intelectualidade e padrões nem sei por quem estabelecidos, fazem com que eu me sinta uma idiota, oque talvez eu até seja mas, isso grita por lá. Como mania de perseguição é comigo mesma, quando vejo aquela sucessão de críticas, conselhos, dicas, e tanta coisa estranha eu penso que é tudo pra mim e saio deprimida. Eu sinto que nos caracteres está embutida uma obrigatoriedade de alguma coisa que não entendo, e que não alcanço. E para falar bem a verdade, não quero entender nem alcançar. Tentei porquê tive curiosidade, mas não gostei não.

Fico aqui, no meu bom e velho caderno de anotações. Mais feliz ficaria, se nada disso existisse, e as palavras dormissem felizes no bom e velho caderno, namorado safado de várias canetas Bic.



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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Abraço de um Segundo Cósmico

Eu penso tanto que até canso de pensar. Penso em muitas coisas mas oquê mais me leva a pensar são as pessoas. Penso em pessoas o tempo todo. Nas pessoas e nas suas relações com as outras pessoas, e claro, basicamente, com a minha própria pessoa. Existimos a partir do outro e isso é um bocado complicado de assimilar porquê, aparentemente, achamos que somos individuais. Perdão!, eu penso que sou individual. Mas que noção eu teria de mim mesma se não fossem as minhas relações com as pessoas? Como eu me saberia sem o outro me falar através de nossas trocas de vida? Pensando assim, e creio que porquê é Dezembro e eu estou um bocado sensível , penso que pessoas são bençãos. São estrelas guias que nos conduzem mais pra perto da gente mesmo. Para perto daquele lugar para onde devemos ir. Um lugar que suponho seja o âmago, o núcleo, o ponto de chegada ou até mesmo o ponto de partida. O PONTO. Então, todos os que passaram pela minha vida foram estrelas me conduzindo. Nem sempre parece, é verdade. Mas é meio como Judas, coitado. Alguém tinha que fazer aquele papel para a história prosseguir e as boas novas pretendidas serem anunciadas. Não houve grandeza em aceitar tal papel?... Esse ano eu me deparei com a inevitabilidade dos avessos. Das sombras. Da dualidade. Nunca havia pensado tanto sobre a importância de reconhecer o oposto. Aceitar o oposto. E dentro do pensar oposto, ir além,e conseguir vislumbrar o oposto do oposto. A infinidade das visões possíveis. Especialmente quando se trata de pessoas e relações humanas. Se tivesse que escolher algo como absoluto, uma única verdade, creio que esta seria: nada que passa por nossa vida passa por acaso ou sem intenção. Intenções apenas. Nem boas nem más, mas necessárias. São estrelas nos levando à caminho de Belém. Nem sempre é fácil amar, e amar os causadores de mágoas, de tristezas, de dores, muitas vezes parece missão impossível. Mas tentando enxergar o avesso, é possível sentir também o pensar do outro, a dor do outro e a disponibildiade do outro em fazer um papel não tão bonito, mas que nos fará chegar mais perto de onde precisamos estar. Certo, não existe uma exata consciência de que o mal causado era para o bem. É algo misterioso, um sim que dizemos em outro nível de existência, uma disponibilidade pré-assumida sabe-se lá quando e com quem mas que, funciona. A gente cresce com a dor. Logo, causadores de dor nos fazem crescer. São amigos às avessas. Um dia a gente vai entender. Mesmo assim, tenho que respirar fundo, fechar os olhos e pensar com força nas estrelas tão lindas do céu para acalmar meu coração e conseguir colocar todas, todas as pessoas que tive o privilégio, claro ou obscuro, de esbarrar com o coração em seus corações, dentro de um grande abraço. Fecho os olhos e abraço um por um, num segundo cósmico, e me sinto um pouco mais limpa. Um pouco mais curada das dores do mundo. Um pouco mais alguma coisa que não sei definir em palavras, mas que é bastante bom e curioso. É muito curioso, de verdade, pensar nas pessoas que já se foram da minha vida por causa de desafetos e olhá-las com o coração. Lembrar de seus sorrisos, de quando era bom, e de quanto devo à elas oquê eu sou e conheço de mim hoje. Minhas estrelas guias. Não sei oquê me deu de pensar assim, mas creio que tem alguma coisa a ver com essas lindas luzes de Natal.


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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Desejo

E quando a noite chegar
a gente deita na areia macia
e nada no céu de tantas ESTRELAS


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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

SEI LÁ

Pensamento positivo. Não sei dizer se acredito ou não. O quê eu acredito sem dúvida é no livre-pensar, no livre-sentir, no livre-exprimir. Eu acredito na dualidade das coisas, e acredito que examinar a vida por todos os prismas nos abre leques ainda mais variados de cor. Nada é absoluto. Talvez algumas dores sejam, dores de corpo, de alma, e aí não existe pensamento positivo que dê jeito. É evidente que pensar coisas bonitas é uma atitude mais elegante perante a vida, mas mesmo o positivo tem seu quê negativo. É da criação. É assim que parece-me ser, eu pelo menos não conheço ninguém que só tenha maravilhas para contar, ou que só pense coisas positivas ou que nunca tenha sentido dor, ou derramado umas lágrimas. E queira escrever sobre. Eu gosto de ler sentimentos. Todos eles, e tenho afeição em especial pelas palavras que falam da multiplicidade dos sentimentos humanos. Eu aprendo com as alegrias que leio, que vejo, que vivo, mas aprendo também com as dores que leio, que vejo, que vivo. Eu acredito que seria mais feliz se conseguisse dominar meus sentimentos e meu pensar, mas eu não consigo. Sou movida pelo verbo sentir, e o verbo sentir não escolhe nem sujeito, nem predicados, ele quer sentir de todo jeito, e multiplicar minha existência na capacidade de me entender e me encontrar em todas as possibilidades. Eu prefiro as possibilidades positivas, mas não sou ingênua a ponto de acreditar que só elas existam, mesmo que eu morra de tanto pensar.


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sábado, 4 de dezembro de 2010

I M P R E S S Ã O


Viver é ter que tirar coelhinhos da cartola todo santo dia. Claro que isso é uma impressão pessoal. Tenho, inclusive, a impressão que realmente não é assim pra todo mundo. Deve ter a ver com grandeza interior, ou pureza de espírito, ou tendência à alegria, ou uma vantagem genética, preciosidades que não possuo. Sou pequena, não consigo ter pensamentos leves, principalmente no que diz respeito às pessoas e a minha alegria é tirada à forceps todo dia. Não tive a vantagem genética de descender de uma linhagem positivista, até justo pelo contrário. Somos do time do contra, somos os inconformados, somos os que acham que tudo teria que ser diferente, e isso, basicamente, nos inclui por primeiro. Tenho a impressão que estamos fritos nessa nossa ciranda de insatisfações. Imagino que na hora do juízo final o Grande Juiz nos perguntará: _ Vocês estão achando que são o quê?... Deus?! E todos nós, um a um devemos arregalar nossos olhos que tudo vêem e responder: _ Como assim, Senhor? O Senhor tá achando que é moleza. Não fomos dotados da faculdade do 'não perceber'. A gente percebeu. A gente percebe todo dia. É dureza atingir expectativas, manter a pose, ser especial, formidável, genial, fora de série, suprasumo, amáveis. Sabe o que é? A gente não consegue. Somos comuns, e é bastante difícil pras pessoas comuns ver o desfile diário de super heróis. É... porquê é assim que é, um desfile de super heróis, de gente que define que você tem que ser i n c r í v e l para justificar sua existência aqui na terra. Se você não consegue, Senhor, ou se tudo oque você quer é falar umas besteiras, rir de coisas triviais, comer espetinho com farofa e se regalar, ser simplório assim, pura e simplesmente, acaba sendo oque eu escrevo aqui ,nessas muito mal traçadas linhas: Viver é ter que tirar todo santo dia muitos coelhinhos da cartola. Mas claro que isso é só uma impressão de uma pessoa comum.

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