domingo, 28 de novembro de 2010

Grávida

Creio que tenho alma de mulher grávida. Ou melhor, creio ser uma mulher de eterna gravidez. Sou uma mulher de esperas, ainda que tudo tenha. Estou sempre esperando algo que parece fecundado mas que parece nunca encontrar a hora de romper a bolsa da chegada. Vivo de esperas mesmo carregada de tantos frutos nascidos. A cada nascimento de uma felicidade, de uma conquista, de uma alegria, de uma boa nova, descubro-me, novamente, mais grávida do que nunca. Estou grávida de sonhos que só fazem crescer dentro de mim. É bonito até, mas com tantas crias, como tenho coragem de engravidar e engravidar e engravidar? Meu fecundador é muito sedutor e resolveu criar um time de alegrias contagiantes. Já tivemos meninas apelidadas de conquistas, e meninos, chamados de objetivos alcançados, mas queremos mais, queremos uma família imensa de pimpolhos sorridentes feito anjos que circundem nossas vidas de alegria e sentido pra existência. O milagre da vida tem seu tempo e enquanto for meu tempo, não haverei de deixar de aceitar cada gestação, por mais incômodo e pesado que possa parecer. Nasci pra ser mãe de mim mesma e pra viver em estado interessante. Interessante de espera. Que venham todos os meus eus, os filhos dos meus eus, meus eus multiplicados em sonhos ilusões aspirações e afins porquê, ainda existe muito espaço para uma imensa família, aqui, bem dentro de mim.


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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Por Nós


Sim, haveriam muitas palavras ainda a serem ditas. Tantas e tão belas, simples bobagens repetidas diariamente por todos os enamorados apaixonados desse espaço sideral, mas quando nossas, ah! quando nossas, transformam-se tão facilmente em tesouros!...

[Sonhou comigo? Dormindo não! Com você eu sonho sempre, só que acordado]


Deveria haver uma regra divina que estabelecesse que todas, todas as palavras que falassem de amor, carinho bem querer e afins fossem, absolutamente verdadeiras. Se não fossem, a pessoa que almejasse más intenções com as palavras, engasgaria e simplesmente não conseguiria pronunciá-las. Já pensou? !...


[Quando quiser ser amada, ainda que só um pouquinho, eu estarei aqui]


Abrir o coração para abrigar outro coração é quase um parto. Concebemos a ideia, alojamos a semente, permitimos que cresça, que nos invada,nos inunde com todo seu ser, amamos cada centímetro daquela imensidade que nos habita para, em meio à dores de aceitação e contrações de um corpo que não quer sofrer, parirmos o amor.


[Venha aqui!]


Tantas coisas ainda a serem ditas. Tantas coisas que queria ouvir de você, como essas guardadas aqui, como todas as que sonho, ou sonhei, porquê creio que nem sonho mais. Mas, sabe?!... infelizmente, parece-me que certas palavras não nasceram para serem ditas por nós. Culpa nossa, por não termos entrado a tempo na fila dos finais felizes.



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domingo, 21 de novembro de 2010

Sua Resposta




O quê eu quero? Eu quero tudo. Quero oquê você chama de realidade. Quero oquê eu chamo de sonho. Quero muitos beijos de amor, quero a tua eternidade encostada na minha, quero encontrar teus olhos à minha procura, quero o encontro, as horas, os planos, os desejos. Quero seus sonhos acordados, quero seus sonhos dormidos, quero suas noites habitadas por mim. Quero o seu sim, quero o meu sim, quero seu sorriso à salvo das dores do mundo, à salvo das dores que eu causo, quero sua vida vibrando nas ondas da minha, intensa e concomitantemente. Nos paralelos, nas esquinas, nas ruas, aqui dentro. Dentro das possibilidades. Quero distância dos maus pensamentos, quero tua liberdade por livre arbítrio convidando a minha pra dançar. Pra sair de mãos dadas pelo mundo como a gente sempre quis. Eu quero você. Todo. Eu quero o verbo poder. Eu quero teu abraço apertado e suas palavras quentes lambuzando meu ouvido. Quero fechar os olhos enquanto seus lábios os tocam, num beijo de muitos inícios e nenhum fim. Quero te ver. Nos meus sonhos. Na minha vida. Hoje, amanhã, por todas as horas de todos os dias. Quero te ver feliz, te fazer feliz. Quero ser assim, simples e amorosamente feliz.

É pedir muito?


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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Nas ondas do dial

Canta comigo?...

Vamos pegar o primeiro avião
com destino a felicidade
felicidade, pra mim é você.

PENSA EM MIM

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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Pílulas Cor-de-Rosa


_ Preciso de algo que me ajude, Doutor!

_ O que você deseja sanar?

_ Meu desasossego.

_ Então tome uma dose de células mãe do Sossego.

_ Só isso?

_ Não, tem mais uma coisa.

_ O que?

_ Faça uma escolha e não olhe para trás.

_ Certo! Vou ficar com meu pãozinho de queijo.



[Boa escolha!]


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Deve haver pra tudo isso, alguma explicação...

O telefone tocou. Mesmo quando são dias que se estendem em semanas sem palavras trocadas, retomar as falas nos é tão natural quanto viver. Ele contou-me coisas suas com a naturalidade de quem as considera como minhas as suas coisas. Devem ser, porquê, por ele eu oro, e de igual forma ele disse orar por mim. Talvez ele precise de mim. E eu, da sua necessidade de mim. Foi agradável como nem sempre é, e a tal ponto de, fechando os olhos parecer-me que estamos sentados na grama daquele parque, embaixo daquela árvore, sua cabeça repousada em meu colo e os pássaros cantando pra gente como sempre foi, ou é, ou sei lá... De repente ele disse que tá fazendo tudo errado. Perguntei do que ele falava, ao que ele riu como se tivesse descoberto alguma coisa boa. Muito boa. É que enquanto conversávamos, ele dirigia de volta pra casa, mas, quando ele deu por si, por si porque disse não saber como tinha feito aquilo, tinha mudado completamente o caminho, e [oras, vejam!] estava a caminho da estrada que dá para as praias. _ Pra praia, seu doido? rimos juntos, e ele disse:
_ Você fala tanto desse seu bendito amor pelo mar que deve ter me hipnotizado pra dentro do seu sonho de viver muito longe de tudo defronte ao mar. Para sempre. Não parece uma má ideia, parece?

Não deu tempo de responder, acabou a bateria do meu celular. Mas também, tem coisas que nem precisa responder, é tão óbvio quanto uma onda depois de outra onda no vai-e-vem do grande mar.



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terça-feira, 16 de novembro de 2010

CARTA

Cara Amiga Pipa,



por aqui, a magia também acabou. Decolei no dia a dia, e nele finquei pés, alma e algum coração. Não aquele coração de outros dias, de múltiplos inícios, de capacidades perceptivas instigantes, de força e paixão que me acendiam para cada minuto como se de fato cada minuto guardasse em seus braços de vento uma espécie de milagre. Ou paralelo de vida. Meu coração vivia em uma esfera imensamente borbulhante de novidades, e todas elas, todas essas novidades giravam e versavam em torno de um ser único e multiplicado, que me fez viajar muito mais léguas submarinas que eu imaginei navegar. Voei entre estrelas com ele, visitei seres sem rosto que só ele conhecia, recebi todo tipo de atenção, menos a mais fundamentel para meu ser trivial que seria a atenção trivial de todo dia. Desci da nave, pulei do jipe, perdi a capacidade de me deslumbrar com todo aquele amor ódio fascinação e luxúria que me foi oferecido em doses diárias que não decifrei ainda se tratou-se de elixir ou veneno. Veneno desses lentos, sabe? Que não matam nem dilaceram subitamente mas que, destroem a essência. Um elixir? Pode ser uma mistura disso com aquilo pois, da mesma forma que padecia, ressurgia com renovadas vontades e urgências e vitalidade para novos e novos encontros com o meu ser paralelo. Sinto saudade. Uma saudade de algo muito muito distante. Tudo que vivi não parece que foi vivido de fato. Foi só uma criação de uma mente sem descanso. Quando acabou a magia? Da mesmo forma como começou. Do nada. Um belo dia, ou melhor, num não tão belo dia acordei eu mesma, desacrescida dele. Foi confortável. É mais fácil respirar agora, só que o ar não tem mais aquele aroma inebriante de um ser que lugar algum mais, jamais, me apresentará novamente. Se eu penso que o término da magia é absoluto? Penso que sim. Não deve ser permitido aos seres viventes viver mais que uma coisa desse tipo por vida embora, no mais íntimo do meu íntimo, lá onde só vislumbro sombras aja uma fagulha que não apaga. É verde meio azul. Sabe, né?aquela cor presente e permanente na vida daqueles que nasceram dados a esperanças e ilusões. Um certo dom que nunca acaba.



Um abraço da sua amiga,



Be

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Distrações

Nunca fora dada a portar grandes certezas,
mas subitamente ocorreu-lhe a certeza de que
desviar os olhos do que bem se quer para colocá-los
em distrações de pouco impacto era a maior e mais arriscada

PERDA DE TEMPO.


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sábado, 13 de novembro de 2010

Paixão

Eu comprei um maiô. Palavra estranha de sotaque diferente. Maiô. Tem que fazer biquinho pra pronunciar direito. _ Moça, quero comprar um m a i ô, por favor! Comprei um maiô branco para as tardes de verão. Prentendo que meus fins de tarde, quando o sol vai namorar do outro lado e as primeiras estrelas parecem fazer cricri, sejam elegantes. Quer dizer, não sei se essa é a palavra. Desejo que sejam como em outros tempos. Tempos em que havia mais romance apesar da paixão.

[Pobres seres aqueles que se apaixonam. Adoecem de corpo e alma. Tudo e todo gesto é dirigido ao outro. Isso não deve ser muito elegante, sugere haver uma luz em neon piscando alegoricamente sobre a cabeça dos apaixonados alardeando a doença em uma denúncia de que naquele corpo habita uma alma sem amor. Próprio. Território dominado pela paixão. Poderá se questinonar, _ mas, oras, todos os seres se apaixonam. Há controvérsias. Nem todos são invadidos. Há que se ter personalidade determinada para a paixão tomar conta em sua grandeza. Em sua totalidade. Ensaios de paixão não são paixão. No portal das paixões estão os riscos, os mergulhos, as incertezas, as armadilhas, as incógnitas, as equações de uma matemática particular em que, só saber as quatro operações básicas não se faz suficiente. Paixão é saber que existe o fim, e querer ir até o fim mesmo assim. É obsessão.]

Descubro recentemente que não sou ser talhado às paixões. Não tenho estrutura, saúde, coragem, disposição, luminosidade, grandeza, criatividade para um mergulho dessas proporções. Estranhamente, comprar um maiô me fez pensar nisso. Finais de tardes tranquilos, a água morna do mar aos meus pés, o sol se pondo na promessa calma de outro dia, companhias calmas e apaziguadoras ao lado, e eu e meu maiô branco, caminhando no meio da calma, bem longe dos distúrbios da paixão.

C'est La Vie


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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Cadê os sentimentos?

Meus emaranhados cerebrais andam preguiçosos e repetitivos. Anestesiados e passivos. Comportados e chatos. Organizados e nada pecaminosos. Conservadores com nada de grego. Antiquados e cheios de reservas. Reservas bem mais para água do que para vinho. Resumidamente, um TÉDIO.

[Um tédio em tom pastel]


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sábado, 6 de novembro de 2010

Dona Maricota, isso é COVARDIA!

Por anos e anos a fio sonhei que estava caindo. Queda livre de um lugar indefinido, um vôo que não era vôo e que não tinha fim. Depois, por outros anos, sonhei com tsunamis. Enormes ondas que vinham do nada, enquanto olhávamos abismados, eu e quem mais estivesse comigo no sonho, aquela coisa gigantesca vindo em nossa direção. Assim como a queda, a onda vinha mas não chegava nunca. Agonia sem fim. O que será que Freud diria desses sonhos recorrentes? Nos últimos tempos não lembro dos meus sonhos. Sei que sonho porquê dizem que todo mundo quando dorme sonha, mas quase nunca lembro. Um mergulho em zonas desconhecidas que não me deixam lembrança. Sensação de estar caindo, medo do que virá, e o vazio. Em certos momentos acho viver muito parecido com sonhar sonhos estranhos, uma coisa difícil, contrário de tudo que meu lado cor de rosa crê. Não sei me relacionar com as pessoas direito, pessoas são minha queda, meu medo, meu vazio. Não fui talhada para as convivências. Ou fui, e não entendi nada. Não que eu não goste de gente, oque ocorre é que eu não entendo nada de gente. Quanto mais o tempo passa, maior em mim é essa convicção. Tenho evitado as pessoas. Conviver me magoa. Estar perto da imprevisibilidade das reações humanas me faz lembrar do sonho em que caio, em que temo, em que saio vazia e perdida no meio de coisa nenhuma. Parece amargo? De fato, é um pouco amargo. Olhar-se de frente nem sempre é uma surpresa de fazer alvorecer o coração. Tem vez que vira breu. Sei que de um lado existem as sete ou oito maravilhas do existir, mas não consigo ignorar o outro, a escuridão do existir. E no meio disso uma fina estrada de pedras por onde ando, equilibrando-me em passos incertos, em olhos cansados que precisam ficar abertos mas teimam no conforto de fechados ficarem. Gosto de ficar de longe, só olhando ou imaginando ou tocando o nada. Não que eu prefira, viver de verdade e de perto às pessoas é o vinho mais saboroso degustado em goles gulosos e garrafas largadas pelo caminho em meio a risos, festa, e algo mais que não compreendo. Sou fraca pra bebidas. Sou fraca pra gente. Sou fraca pra viver. Por isso, fico de longe.

O caminho é de flores,
é de borboletas, passarinhos,
bem te vis, girassóis,

e nesse caminho eu fico de perto.


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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Descobrindo

Felicidade
Brilha no ar
Como uma estrela
Que não está lá
Conto de fadas
História comum
Como se fosse
Uma gota d'àgua
Descobrindo
Que é o MAR AZUL

[Composição de Umberto Tozzi]