quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Coisa boa de pensar...

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E há momentos nos quais você se sente muito sábia, superando a idade. Toma sol nas pedras, a água bate nos seus pés quando subitamente uma menina bochechuda e sardenta se aproxima, levando nas mãos algo invisível, mas evidentemente precioso, e pergunta:
_ Você sabe se A ESTRELA DO MAR prefere água quente ou fria?

Nessa hora, a gente pensa que talvez algo de bom esteja brotando discretamente, no anonimato da escuridão.


[Diários de Sylvia Plath, Julho de 1953]


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terça-feira, 28 de setembro de 2010

Nana Nenê


Coisa estranha!
perdi o danado do sono,
(mas aonde foi que eu coloquei?...)
daí, rezei pra São Longuinho
(que nunca me falha)
e achei aquele danado
que estava bem aqui, do meu lado.
ZZZzzzzzz!!!
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F o r m i g u i n h a s







Meninas são formigas. Mulheres são formigas. Creio que até os homens são formigas, e Setembro, o mês dos formigueiros se aprumarem. O sol vem com mais força, as janelas podem ser reabertas, as cortinas soltas ao vento, e à mesa, os doces. As permissões. Setembro é também um mês acanhado, ou melhor, um mês de engatinhar em direção às tentações. Um mês de encarar de frente as coisas todas, oquê nos seduz. Setembro é mês de São Cosme e São Damião, esses dois santinhos lúdicos, das crianças formigas, que nos trazem a lembrança que a vida não precisa ser amarga e nem carregada de dores, embora saibamos que até as dores podem ser véspera de doces alívios. Doces fazem isso. Aliviam. Aliviados, respiramos. Respiramos um ar doce, porquê fica ali no narizinho da gente a fragância das doçuras. E das flores. E das abelhas. E dos passarinhos. E dos dias que se alongam. E das noites de mais estrelas. E de sonhos mais bonitos... de tanta esperança. Eu sei que tudo parece utópico, mas tem dia que é assim, a gente canta e nem sabe porquê canta. Assim como há dias que a gente chora, e sabe muito bem porquê chora. Chora e então entram os doces. E depois dos doces a gente respira. E respirando doce seguimos andando, no meio da chuva, no meio do sol, feito pequenas formigas, um pouco perdidas, um tanto unidas, zanzando do meio do caos.
Que seja, ao menos então, doce. Bem doce. Né não, seu Caio?
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sábado, 25 de setembro de 2010

Feito Mantra

Tem vezes que a gente recebe palavras tão bonitas,
tão bonitas quanto sábias, que o gesto de guardar vai
muito além do coração, a vontade que nasce é de dividir:

'Respire, amor...!

Vai devagar, bem suave,
respirando verás que realmente tudo
isso é impermanente...

Respire, amor!'


[Se todos fossem iguais a você, que alegria viver!]


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Era pra ser assim...

Depois de eles terem passado sete dias a fazer amor com uma entusiasmo inesgotável, com uma ternura infinitae uma tal frescura de espírito que quase fazia pensar que todos aqueles gestos acabavam de ser inventados. Durante sete dias andaram nus, com o aquecimento no máximo, e fingiram ser amantes tropicais num país quente e luminoso dos mares do Sul. Jamshed, que sempre tinha sido desajeitado com as mulheres, disse a Pamela que não se sentia tão maravilhosamente bem desde o dia em que, já com dezoito anos, aprendera a andar de bicicleta. No instante em que as palavras lhe saíram da boca, ficou com medo de ter estragado tudo, receando que aquela comparação entre o grande amor da sua vida e a mísera bicicleta dos tempos de estudante fosse tomada pelo insulto, que inegavelmente era; mas escusava de ter se preocupado, pois oque Pamela fez foi beijá-lo na boca e agradecer-lhe por ter dito a coisa mais bela que alguma vez um homem dissera a uma mulher. Ele percebeu então que nada do que fizesse seria um erro, e pela primeira vez na suavida começou a sentir-se automaticamente seguro, seguro como uma casa segura, seguro como um ser humano que é amado; e o mesmo acontecei com Pamela.

[Salman Rushdie]


Delícia afanada de um blog único:
http://thewindscreamsmary.blogspot.com/


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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Porquê eu sou carola e acredito!

Das melhores frases de todos os tempos:


'RELAXA! DEUS TEM UM PLANO!'


[Yeah!]


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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Muito Forte Demais Da Conta

Sei lá porque, mas hoje dei de pensar em palavras. No uso que se faz das palavras e que, de repente, quando se vê, a gente erra mão. E erra feio. Tipo fazer um bolo, ou um prato qualquer, ou até um simples café. Tem a dose certa. As medidas exatas. Senão desanda, né? Não sei se faço bom uso das palavras. Certas vezes, na ânsia de que tudo de dê certo, tropeço no excesso. Ou na falta. Ou no mal uso. Já fui de muito mais palavras, tanto de falar quanto de ouvir. Hoje, certos excessos me cansam. No falar, no ouvir e no observar. Ou me causam um vazio que palavras não ditas não causariam com tanta eficiência. Oque me faz lembrar das primeiras palavras bíblicas, não ipsis literis, que nem lembro, mas algo que diz que Deus criou tudo a partir do verbo. Da palavra. Ou seja, palavra tem poder, certo?... eu tô numa roubada se tem mesmo poder. Tô meio de mal humor, ou por inteiro e não pela metade, tô irritada, e isso me machuca. Minhas próprias palavras me ferem. Irrito-me com a irritação que sinto com as euforias exclamativas que assisto nas telas da vida. São tantas declarações, e vibrações, e euteamonãovivosemvocê, que sinto meu estômago embrulhar. O que será que é isso? Lembro do Livro das Sombras que diz que oque a gente vê de ruim nos outros, de fato, são os nossos próprios defeitos refletidos. Isso me agonia porque passo por dias extremamente críticos. Tenho rezado pra não sentir isso, coloco minha cabeça no chão frio, pra ver se me disciplino, mas só consigo calar uns segundos. Depois, lá estou eu, bufando. Bufando... coisa mais feia. Vontade de parar. Aliás, vontade não, ordem, por que isso aqui é só pra ser um cafezinho metafórico, e vai ficar forte demais, mas tão forte que nem eu mesma vou querer tomar. Ai, Meu Deus!... será que isso passa? Será? Será Será?...


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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

domingo, 19 de setembro de 2010

Velhos Tempos, Novos Dias!

Responda rápido, sem pensar:
_ Qual é a melhor parte de uma casa? Pensou cozinha? Então, empatamos. Eu adoro uma cozinha. Quase tanto quanto um quarto, mas deixa pra lá... Tem lugar mais caloroso que o abraço desse território sagrado? Não sei como é nas suas casas, mas aqui, quando vemos, estamos todos, visitas, mais chegados, menos chegados, todos empuleirados na cozinha, disputando afazeres a fazer, com sorrisos que sala alguma consegue nos arrancar. Parecemos mesmo um bando de crianças na cozinha da casa da vó. Cozinha lembra avós, lembra afeto, lembra amor. Não deve ser coincidência dois fatos: um, as pessoas andam muito distantes e dois, as pessoas não querem essa distância. Então, o movimento que percebe-se é o prazer buscado bem ali, no coração das simplicidades. Casas são planejadas com a cozinha maior e integrada à sala, restaurantes usam e abusam de referências de passado para deixarem seus espaços acolhedores, com suas cozinhas abertas à visitação, ou à mostra mesmo, uma forte tendência, filmes moderninhos repetem cenas e mais cenas no espaço de cozinhar, e as pessoas, quando se visitam umas às outras, (observe!) vão feito gatinhos arrastando um pezinho depois do outro rumo ao lugar sagrado. Olha só, é como se a honra maior, a demonstração mais sincera de amizade fosse ter sido convidado a adentrar à cozinha. Ficam restritas à sala apenas... quem?... o carinha do censo? Não, nem ele, vem pra cozinha, tomar café com pão e manteiga, queremos todos mais perto. Queremos o contato. Queremos o aconchego. A intimidade real, longe de salas pomposas, de computadores de ponta, queremos calor. Humano. Tempos de carência. Tempos de mudança. Tempos de valores renovados. Tempo da Dona Ostentação dar lugar à s i m p l i c i d a d e . O mundo que conhecemos hoje, realmente vai acabar, e dará lugar e forma à um novo mundo, onde, parece-me, muitas coisas, valores , conceitos serão olhados com os olhos do bom e velho, oras vejam, coração! E na cozinha, claro!, merecidamente citada como o melhor lugar de uma casa, feito um grande coração.


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domingo, 12 de setembro de 2010

Bem fresquinhos!

Preciso de umas trocentas xícaras de café
pra ver ser acordo pra vida.


_ Café com sonho, por favor!


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Trapaceiro

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Nos jogos amorosos,
pode-se trapacear?

_ Pode, mas só ser for com Amor.

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sábado, 11 de setembro de 2010

Você sabe?...





'Eu não sei!
Por que não posso experimentar várias vidas diferentes,
como vestidos, para ver qual cai melhor e é mais confortável?...'

É, pois é Dona Sylvia Plath. Boa pergunta! Será que a gente gosta tanto de trocar vestidinhos e combiná-los com sandálias bonitas e tudo mais que a gente ama para sublimar às tentações de experimentar a vida mais intensamente, muitos amores, aventuras e vôos, mergulhos intensos além-Mar, será que mergulhamos no nosso mundinho de coisas para não lembrar do sacro santo direito que todos teríamos à liberdade sem punições e julgamentos?

Sei lá, meio anarquista pensar assim, mas, soube que os relacionamentos mais duradouros dão-se, justamente, nos sistemas onde o sentimento é a tônica a substância o motivo a base de toda e qualquer ligação. A história fala disso, antes da Igreja colocar suas intenções mercenárias nas vida das pessoas.

_ é, Sylvia, eu também não sei!


So, so Cute!

Seu cabelo está cheiroso, Pinny, falei, aspirando o perfume dos cabelos louros recém-lavados. Com cheirinho de sabonete.
_ E o meu olho?, ela perguntou, aconchegando seu corpinho aquecido pela camisola em meus braços.

_ O que tem seu olho?
_ Também está cheiroso?
_ Por que o olho estaria cheiroso?
_ Entrou sabão nele, ela explicou.


[Diários de Sylvia Plath, Julho.1953]


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terça-feira, 7 de setembro de 2010

A Garrafa Mágica


A vida é muito legal, queira a gente, ou não. Tem gente, e gente é um perigo de bom. Gente me lembra mergulho. Mergulho me lembra alguém que vou ter que esquecer, e me lembra igual e inevitavelmente o Mar, que eu não esqueço jamais. Gente é tudo de bom. Tenho uma nova amiga, muito querida, que já chegou chegando abrindo-me portas e janelas e a mente para novos prismas. Prismas que lembram cores, cores que lembram vida, vida que lembra gente, gente que lembra minha nova amiga e uma coisa fofa que ela me contou. Esteve ela esse fim de semana na casa de um querido dela que tem um hábito que achei dos mais peculiares. Na geladeira ele tem duas garrafas de água. Uma azul, onde está escrito Amor, e outra verdinha, onde está escrito Saúde. Adorei isso! Ela me explicou que tem que energizar com vontade e concentração, e lembrou-me daquela experiência com monges budistas abençoando água em recipientes hermeticamente fechados, e da beleza que formou-se a partir da energia deles. Cristais em formas bonitas, comprovando a realidade da palavra energia. Energia que lembra vida, que lembra partículas que lembram o divino existencial de cada um de nós. E tem o ato da fé pura e simplesmente. O mais puro, na verdade. O crer pelo natural ato de crer nas singelezas, no agir sem pensar, agir pela certeza ancestral de que tudo é Maior. Claro que vou comprar duas garrafas bonitinhas, uma azul e uma verde, rotulá-las de Amor e Saúde, e cada vez que me sentir fraca ou pequena ou dodói de corpo ou amor, renovarei minha células vitais e poéticas com essas águas mágicas. Interessante!... a palavra 'Mágica' nunca esteve tão perto de ser real quanto ultimamente. Cientificamente, falando, embora para os que crêem e tem asas na mente e no coração, essa é a maior verdade que transita pelo Universo: Tudo é muito mágico.



Você não acha?!...


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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

RELICÁRIO

A florzinha mais que querida Vanessa Leonardi, do blog encantado Caixa Mágica está estreando blog novo, um espaço de sutilezas escolhidas com as mãos do coração desse doce de menina moça que é a minha amorinha, minha irmã mais que preferida.
Senhoras e Senhores, com vocês:

http://relicario-blog.blogspot.com/


Enjoy!


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sábado, 4 de setembro de 2010

A m e n i d a d e s

Comprei três biquines iguais hoje. Os três iguaizinhos. Não é que eles tenham ficado nenhum espetáculo não, mas gostei do modelo, vestiu razoavelmente bem e assim, resolvo a questão biquine. Vou pra praia em Outubro. Vai ser legal. Comprei também um vestidinho lilás, decote imenso nas costas e levezinho para ser erguido safadamente pelo vento, ao entardecer. Dois pombinhos enamorados pousaram na árvore que dá pra janela da cozinha. Um em cada galho. Meio distantes um do outro. Creio que estavam em crise porquê a pombinha fazia um som parecido com um chorinho. E o pombinho se arrepiava todo, e cutucava as penas com o bico. Ou seria um ritual de acasalamento? Fiquei ali uns minutos pra ver oque rolava, mas resolvi sair da área pra deixá-los com mais privacidade, não sem antes, claro, pedir para que, caso fosse possível, depois de tudo resolvido entre eles, e caso eles fossem bater asas por aí, eles não deixassem de levar minha mensagem derradeira lá para as bandas praianas. Pombo-correio tira folga? Tem essa de feriado? Fiquei sem resposta, mas tenho a impressão que pombinhos costumam fazer coisas boas pras pessoas. Derradeiro será o destino caso eles resolvam só namorar e esquecer meu pedido. Veremos! Assisti dois filmes águinha doce doce com açúcar. Romances entre o bonitão gostosão que não sei o nome e a bonitinha da Jennifer Aniston, e o outro com Sarah Jessica Parker e Hugh Grant. Bonzinho até. Terei visitas logo mais. Prepararemos uma torta salgada de receita interessante que achei na internet e uma salada multimulticolorida. Falando em cor, tomei duas horas de sol hoje. Com protetor fator quatro. Adorei. Deu aquele leve tonzinho pra pele. Minha pele agradeceu. Tudo calmo, tudo terno, tudo como tem que ser. A noite está quente, oque é ótimo, assim, não será preciso fechar as janelas, nem as cortinas, e a brisa amiga pode entrar sem dificuldades e com ela trazer a atmosfera de um Nada pleno. Um Nada pleno? É!...uma zona de conforto onde habitamos eu, eu mesma e as amenidades talvez um pouco fúteis, mas reconfortantes do meu dia. Para finalizar a noite, sorvete!

Bom Feriado, meninos e meninas!


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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

DEZ

Dez coisas que vou riscar do meu dicionário:

1. romantismo
2. ingenuidade
3. pureza
4. incondicionalidade
5. burrice
6. monguice
7. idiotice
8. meiguice
9. cafonice

e por último, mas a mais definitiva das palavras exterminadas:
VOCÊ.


[never more, baby, never more!!!]



............................................................


Naturalmente, isso é específico, não genérico.



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NÃO

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E se em Setembro a gente resolvesse conjugar apenas
o verbo AMAR?


[ ] SIM
[ x ] NÃO
[ ] TALVEZ


Faça sua escolha!


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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Será?


Tudo bem, eu confesso!


_ Eu tenho medo de morrer. Tenho medo de cada dor que sinto. Penso coisas que me apavoram. Mas ando olhando-as de frente. Ou tentando. Tenho outro medo também: medo que você esteja morto. Por fora ou por dentro. Ou os dois. Ou só viva para me apavorar. Ou amar. Tenho medo que nunca aja um ponto de vida onde possamos nos olhar de frente. Vida com vida. Tenho tantos medos que tenho medo até de pensar. Mas ando pensando. Busco abraçar justamente oque mais temo. É oque sugere o livro das Sombras. Ser inteiro para poder SER. Como assim? Assim, mesmo!, sem fugir da escuridão interna, sem fugir das imperfeições tão múltiplas que tanto ofuscam o brilho e a luz que possam haver. Encarar as impertinências sem lógica, como encarar você dessa forma. Como um erro, como um castigo, como uma sombra a me odiar, a querer vingar-se, transbordando lavas de ressentimentos, dores emergindo dos teus olhos tão lindos. Caminho mais complicado esse!... Enigmas que mal consigo ultrapassar a mera visão estética, sinais confusos que nem você mesmo parece-me ser capaz de explicar. Mas é o caminho. Mergulhar nas trevas dos teus sentimentos carregando apenas um candeeiro com as oito velas que achei na arca esquecida dos anos meus: uma vela branca, para o amor, uma vela azul para o perdão, uma vela verde para a renovação das energias, uma vermelha, para que o Divino não me falte, amarela para lembrar que os dias têm sol, mesmo quando ele não aparece, uma lilás, para que aja delicadeza nos passos, e duas velas rosas. Sim, rosas, querido! Porquê mesmo em meio à essa caminhada tão bruta, eu me nego a não sentir, a não ser, a não querer te envolver de toda a doçura feminina que é oquê de melhor há em mim. Será que um dia você me perdoa e passa a me ver assim?... Assim, como uma pessoa inteira.





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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

E agora?...

_ Bem, eu só queria que você soubesse que,
eu não consigo achar a chave certa,
SEM VOCÊ.


[Eu não consigo!]


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