segunda-feira, 29 de março de 2010

EU

Tentei por tempo demais. Exagerado desperdício de tempo. Querer ser algo que os outros esperam que você seja. Tentei ser alguém perante os olhos dos outros, não o meu alguém, mas o alguém que imaginava eu, seria aceitável. Os olhos dos outros, os nossos espelhos quebrados. Cacos de mal querer. Busquei nos olhos dos outros o amor que só existe, fragmentos dele, dentro de mim. Queria ser oque você sonhava. É!...você moço, que me segue, persegue, atemoriza, bate e assopra. Pra quê? Tô me lixando pra você. Tô me lixando pra todo mundo. O único caminho que me interessa é o da minha casa, das minhas coisas, dos meus pequenos tesouros, da minha solidão escolhida, da minha paz sofrida. Fulanos, beltranos, ciclanos, todos tão aptos a julgar, não? Seria engraçado se não fosse tétrico. Um pedaço bobo da moça ternurinha que sou, cutuca-me dizendo que o tempo vai trazer a transparência dos fatos todos que se sucederam tão inadvertidamente. Eu a mando calar a boca. Calar bem calada. Chegou. Não quero mais. Ainda que esse querer distância não seja do fundo do coração, um dia há de ser, há de ser, farei tudo para não me importar mais com pessoas. Exceção feita para os anjos que voam em forma de gente perto de mim. São poucos e apenas com eles me preocupo. Interessante que , justo eles, não esperam nada de mim. É amor de grátis. Não preciso calcular nada, ensaiar nada, nem escolher meu melhor vestido, preciso apenas ser. Queria poder ser específica, mas é tão desnecessário. É desnecessário para com as pessoas que intencionam o meu mal e a minha queda em sangue. Sinto seus risos e seus gritos e seus delírios de , no fundo, querer algo meu, que nunca será seu. NUNCA.
E desnecessário se faz, ser clara para com os que me amam em todos os meus defeitos, manias, chiliques, bravezas, choros e ranger de dentes, pois são abraços que abraçam porque nasceram para abraçar. E ainda tenho a mim que, ainda que tardiamente, estou me colocando no meu devido lugar na minha própria vida: NA FRENTE, bem por primeiro, dentro do coração.


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sábado, 27 de março de 2010

P R E F E R I D A S

Eu acho que as pessoas deveriam ser fofas como cobertas de dormir. Elas não pedem nada em troca e, oferecem calor, afago à pele, aconchego, carinho, sensação de bem estar, mimam nosso sono, fazem o corpo da gente pensar que a vida é boa, e a alma , até a dona alma relaxa quando nosso corpo comunica que as cobertas queridas estão docemente confortando cada pedacinho do nosso ser. E são tão múltiplas: elas têm diferentes graus de fofura. Mantas leves, cobertores grossos, edredons, acolchoados, colchinhas, de listras, de florzinhas, lisas em cores calmas, ou fortes, ou misturadas, e verdade seja dita, faça frio ou calor, não existe nada melhor para abraçar na hora de dormir do que as adoráveis cobertas nossas de cada dia. Não seria bom se as pessoas fossem então, fofas como elas? Mais doação e menos cobranças? Porque o jogo é esse, dar sem esperar receber. E funciona. Todos os dias, depois de recebermos carinho a noite toda de nossas cobertas, chega a nossa vez. Brincamos com elas. Colocamos elas na janela pra tomar solzinho, damos umas sacudidelas, e elas riem, depois esticamo-as suavemente sobre a cama, alisamos, enfeitamos com almofadas, colocamos cheirinhos pefumados, e mandamos beijinhos de "até a noite, benzinho!" Linda relação amorosa essa, as pessoas e suas cobertas. Queria dizer o mesmo das pessoas com as pessoas, mas, vou ficar por aqui, com as cobertas.

[e porquê o frio tá tão próximo, elas passam a ser ainda mais do que nunca, BEM VINDAS]

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quinta-feira, 25 de março de 2010

c o n t r á r i o s

Sou feita de antíteses.
Sou a mais medrosa dos seres medrosos,

mas carrego em mim uma CORAGEM
que até à mim espanta. Ou escapa.


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segunda-feira, 22 de março de 2010

Vá saber...

Sempre tive desejo de saber:
_ o quê o agressor ganha ao agredir?


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PARA QUÊ?...

LOBO COM PELE DE CORDEIRO.

[alguém já ouviu essa expressão?]

É por essas e outras que sinto que escrever aqui é uma besteira muito grande.
Certos olhos nos lêem apenas para preparar a próxima infâmia.

Você vai acabar conseguindo, valeu?


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domingo, 21 de março de 2010

POR MIM

As pequenas futilidades. Voto a favor delas. Por muito tempo centrei minha atenção nos perigosos caminhos da paixão. Obsecadamente até. Todo o mais era adjacente pra mim. Ou melhor, complementar. Comprar um vestido novo era para estar mais bonita para ele. Uma agenda grande para marcar momentos com ele, as palavras dele. Um celular mais moderno para ter mais recursos para falar, com ele. Livros que inspirassem o amor. O ser que ocupasse o universo da minha paixão, era o meu sol. Meu tudo. E eu, uma barata tonta procurando agradar sem medidas. Jogo sem recompensa. Nos dias recentes dos meses recentes dessa minha vida, tenho observado uma certa mudança de foco no meu comportamento. Tenho olhado mais para mim. É bem lento o movimento mas, tenho tentado estar apaixonada por mim mesma. Comprar coisas para o meu próprio deleite. Desfrutar da minha companhia. Fazer coisas por mim. POR MIM. O jogo da paixão não tem conseguido me seduzir ultimamente. Causa-me até uma certa repulsa. Não quero perder meus pequenos passos de conquista em direção a mim mesma. Não quero. Hoje, depois de receber uma ligação de um certo alguém que exerce/exercia grande fascínio sobre mim, senti-me estranha. Não ouvi aquele espocar de fogos de artifício costumeiro, nem senti meu corpo flutuar ao ouvir aquela voz que já foi tão especial, e até continua sendo, mas que agora chega apenas até um ponto do meu eu, superfície. É, acho que fechei um pouquinho a porta e as janelas. Não pra sempre, não permanentemente, mas objetivamente por agora. Sim, meu eu quer desfrutar um estado de amor por si mesmo, e qualquer coisa que ameace esse namoro, vai ter que ficar de fora. Pelo menos , por enquanto. Quando eu voltar a abrir as portas, sinto que serei outra pessoa, uma outra vez. E, sinceramente, acho que vou gostar disso.


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sexta-feira, 19 de março de 2010

Quietinha, mas...

Repita o mantra dona maricotinha:

_estou calma, calminha,
não vou me precipitar,
nem fazer nenhuma caquinha.

Repita:

CALMA, CALMINHA.


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quinta-feira, 18 de março de 2010

HÁ DE SER, OQUÊ HÁ DE SER...

Saí catar margaridas
Pra saber, se afinal,
aquele moço

BEM-ME-QUER ou
mal-me-quer

Mas pra que desfolhar margaridas
se vai ser tudo como Deus quiser?











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DEIXEI EM PAZ AS MARGARIDAS!

sábado, 13 de março de 2010

Cena de Novela

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Ele chega angustiado, pede licença a todos, precisa falar a sós com ela.
[a sós, coisa linda esse termo...]. Uma vez sozinhos os dois, ela olhando desconcertadamente para ele, que fala:

Ele: Estou confundindo tudo?
Ela: Como assim?
Ele: Não estou mais cabendo na minha casa, no meu corpo, NOS MEUS PENSAMENTOS.
Perdi a paz, a fome, o sono, a calma. Preciso me livrar dessa angústia. Preciso saber se estou
ACOMPANHADO OU SOZINHO NESSA, se é ilusão, se eu inventei essa história PRA MIM.

[continua]

Ele: Escuta, só escuta. Ainda que isso não dê em nada, já valeu por tudo que EXPERIMENTEI
assim, na SOLIDÃO dos meus desejos, dos meus pensamentos.
Você sabe do que estou falando, não sabe?

[Ela faz que sim]

Ele: E tudo isso que eu sinto fica preso a um FIO DE ESPERANÇA que vem de cada encontro
que eu tenho com você, de cada vez que eu sinto o teu cheiro, que vejo seu sorriso.
Mas eu preciso me livrar dessa ANGÚSTIA que me mata, ainda que eu sofra a vida inteira
desse sentimento. Vim aqui, porque PRECISO MUITO te dizer:

_ EU TE AMO!

[essa última frase, tão linda e única, os dois dizem juntos.]


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É clichê?... é popular?... é brega?... é antiintelectual?
Quer saber? Dane-se! Eu amo o amor exposto assim,
lindamente para os meus olhos de amor.
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O diálogo em questão, foi extraído do capítulo de 15.Março,
da novela, Viver a Vida, diálogo este, entre os personagens
Luciana e Miguel.

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Modelon



Sou louca por

V
E
S
T
I
D
O
S



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quinta-feira, 11 de março de 2010

O CASTELO DO NUNCA


Já experimentei tantas vezes essa sensação enganadora de moça boba: a impressão de iminência. É uma sensação de que algo vai acontecer no próximo minuto. Então, os olhos ficam inquietos e os outros sentidos todos atentos, à postos, a atenção multiplicada em milhares de antenas que sentem ao longe uma estática estranha, que atrapalha a percepção, e ilude ainda mais, porque confunde, e no poder ou no privilégio da dúvida, do "será?", a expectativa sente-se em casa e relaxa. Eu não. Tive um dia maluco. Muitas pessoas, muitas conversas, muito trabalho, muitas risadas, muitas conquistas, muitas palavras, muito carinho, muita vida, e ainda assim... sinto um vazio. Um vazio que não me larga, e que é espaçoso, e barulhento e espinhoso, e impaciente e faz a boca do meu estômago ficar apertada, e minhas costas contraídas e minha vaidade impiedosa, me cobrando o que posso fazer para melhorar, para aproximar, para acontecer, para vislumbrar, uma brechinha que fosse, desse algo que anseio e já nem sei mais o que é de verdade, e se quero tanto assim. Sei que nada de especial vai acontecer. O especial da minha vida já está todo nas minhas mãos. Tenho tudo e mais um pouco do que preciso, não há razão para esperas. A ânsia que insiste, é o meu lado insano, que deseja abraçar a insanidade de crenças que não são pra se alcançar, são apenas, e tão somente, vontades e desejos e delírios que devem residir onde já residem, no CASTELO DO NUNCA.



[Aí, minha lembrança traz sorrateira que só, uma frase interessante à mente: "nunca é uma palavra pra não se dizer NUNCA.]



E assim, a gente levando.

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Emboscada: sf. Ato de esperar às escondidas o inimigo para assaltá-lo; espera, tocaia. Cilada, traição.

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quarta-feira, 10 de março de 2010

Um Dia depois do Outro

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Comprei um vestido vermelho hoje.
De inverno. Estou com um palpite que
os dias de frio serão mais interessantes
do que foram esses dias de calor.
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SENTIMENTO DO DIA

Sabe aquela vontade de dizer:
_ Eu não te falei? E agora? Que que faço?
Digo bem feito, ou te abraço de volta, hein?


[melhor eu ir dormir!]


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Porquê a vida tem que ser DOCE
















_ Açúcar no café, madame?

_ Sim, sim!
Pode caprichar.
Gosto de tudo doce,
bem doce,
doce de amargar.

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segunda-feira, 8 de março de 2010

Viva a Mulherada!

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S
E
X
O


F
R
Á
G
I
L



"não foge à luta, um sexto sentido maior que a razão!"

sábado, 6 de março de 2010

quarta-feira, 3 de março de 2010

Bom Dia!

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Li no jornal hoje,
um pedacinho de Drummond:


... e talhado em penumbra
sou e não sou, mas sou!



[Foi a notícia do dia]


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terça-feira, 2 de março de 2010

I M A G I N A Ç Ã O

A coisa mais fascinante que existe na vida humana pra mim, é a capacidade de imaginar. Nessa arte, as crianças são imbatíveis. De um giz que traça linhas e números numa calçada, pode-se chegar ao Céu. Lembro-me bem de quando brincava de amarelinha. Conforme chegávamos ao céu, partíamos logo para uma nova brincadeira, que era brincar no céu. No meu céu de criança, havia muitos anjinhos bonitinhos de cabelos cacheados, fazia sol o tempo inteiro, e tinha a maior quantidade de doces que a gente conseguisse afanar na cozinha da minha mãe e da minha vó. E a gente cantava, e brincava de roda, e tratava de não incomodar Deus, que devia estar resolvendo coisas mais importantes. Assim a gente imaginava. Aí, então, crescemos, e em graus variados, temos a imaginação ampliada ou reduzida. Não sei o que houve com a minha quota de imaginação. Sei que ela está aqui, presente, imagino coisas o tempo todo, mas, não ando imaginando certas coisas por precaução. O que será que é mais importante?... uma vida segura com a imaginação no controle, ou uma vida solta, que ultrapassa a dona imaginação, pois além de imaginar, realiza?... Eu diria que depende. Tudo depende, é relativo, é estranho até. A maioria das pessoas são muito sérias. Protegem-se, e acho que estão certas. Acho que ninguém endurece o coração gratuitamente. Sempre tem algo mais. Somos seres imaginativos imaginando formas de se proteger. Não todos, claro!... Ou seriam todos? Peculiar em mim é ficar imaginando palavras, como se elas estivessem a minha disposição. Imagino que posso fazer isso, colhê-las e fazer delas uma salada. De fato, ignoro o fato n.334 que diz que, quem escolhe quem, não são os autores, mas sim, as próprias palavras. Assim como os livros, que nos escolhem, e não a gente a eles. Mãos de anjos nos apontam, são os sopradores de palavras, de caminhos, de sinais, e oquê muitas vezes parece ser imaginação, pode bem ser um sinal de um anjo. Protetor. Aliás, tem anjo aqui do meu lado soprando que usei palavras demais pra dizer uma coisa assim tão simples: A imaginação nos dá asas para voar, mas é sempre bastante sensato ir devagar com o andor. Assim ele falou, e disse.


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segunda-feira, 1 de março de 2010

PAREDE

Talvez eu entenda de COISAS
mais do que pessoas e minutos e palavras vivas.
" Desaprendi a ser gente".

[e isso explica tudo]

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