sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Considerações

Redes Sociais. O mundo virou de pernas para o ar com elas, e pra mim, isso parece muito repentino. A tentação de conhecer e fazer parte, querer desbravar esse admirável mundo novo faz-me lembrar da antiga recomendação da minha mãe para que eu não brincasse com fogo. Não se trata de uma novidade, eu sei, mas para mim parece. Escrever em 140 caracteres, porquê a vida tem pressa e a objetividade demonstra... inteligência, ou abrir a face como num book dos tempos de colégio, quando no fim do ano a gente preenchia um questionário bonitinho num caderno que rodava entre as meninas e os meninos perguntando indiscrições, só que muito mais complicado que isso. Há que se ter uma imagem. Estudada, acrescida de muitos requintes e que me deixam tonta porque nunca vi tanta gente bem sucedida, bonita, viajada, resolvida e de bem com a vida como nessa rede moderna de ser. Um caderno. Lápis. Canetas... que nostalgia se abate sobre mim. Não me vejo nessas novas redes, sinto uma hostilidade doída quase na pele quando zanzo por elas. Penso que a minha tentativa não deve durar muito, eu estou tentando, mas saio entristecida delas. Definitivamente sou oldfashion e não gosto de novidades. Oque eu adoro são os blogs. Essa miscelânia, essa abundância, essa permissão de palavras, de imagens, de simplicidades. Eu adoro aqui. Aqui eu me sinto sozinha e ao mesmo tempo me sinto acompanhada de bons olhos. Apenas bons olhos. Sinto proteção e carinho. Estranho mas sinto.



Eu vou me permitir escrever um elogio que recebi de um amigo, porquê como eu não me poupo de me auto escolhambar frequentemente aqui, creio que não pegará tão mal.
Então, conversa vai, conversa vem, ele me disse:

_ Você é bastante simples. Mas paradoxalmente, você é muito sofisticada.

Eu tenho a impressão que o máximo da sofisticação seja justamente a simplicidade. E não me refiro àquela simplicidade estudada, calculada, que segue um padrão, mas a mera expressão do que se é, pura e simplesmente.

Voltando às redes sociais, sinto que é muito perigoso ser simples. Natural. Os sentimentos são estudados, as palavras precisam de pares combinados com muito estilo, e olhos críticos, validos de intelectualidade e padrões nem sei por quem estabelecidos, fazem com que eu me sinta uma idiota, oque talvez eu até seja mas, isso grita por lá. Como mania de perseguição é comigo mesma, quando vejo aquela sucessão de críticas, conselhos, dicas, e tanta coisa estranha eu penso que é tudo pra mim e saio deprimida. Eu sinto que nos caracteres está embutida uma obrigatoriedade de alguma coisa que não entendo, e que não alcanço. E para falar bem a verdade, não quero entender nem alcançar. Tentei porquê tive curiosidade, mas não gostei não.

Fico aqui, no meu bom e velho caderno de anotações. Mais feliz ficaria, se nada disso existisse, e as palavras dormissem felizes no bom e velho caderno, namorado safado de várias canetas Bic.



*

2 comentários:

Adriana ♣* disse...

Be,

Eu também passo por isso...
O twitter acho o pior: completamente sem sentido.
O facebook e o orkut também não gosto, mas fico pelos amigos.
Enfim, bom mesmo é o 'olho no olho'.
Isso sim é verdadeiro e faz sentido.
Bjs,
Adri

Denise disse...

José Saramago declarou que o Twitter
é mais uma evidência que o ser humano
caminha para o grunhido.

tb adoro papel em branco a espera de sentimentos e lapis ....com pontas bem feitas.

carinho