segunda-feira, 24 de maio de 2010

T e m p e r o s

O que dá, afinal, sabor à vida? Quero dizer, gosto, diferença, prazer em degustar, satisfação, bem estar. Inevitável fazer uma certa analogia com as comidas. Você pode fazer um mesmo arroz com feijão, por exemplo, de forma muito diferenciada, se for cuidadoso com os temperos, com a escolha dos ingredientes, com o capricho emprestado ao preparo, com o toque mágico dos olhos, com o carinho de quem gosta de estar a fazer oque está a fazer. E aí, existem os temperos, muitos deles, fresquinhos ou desidratados, intensos, suaves, multiplicados em inúmeras possibilidades de acordo com as combinações que sua imaginação lhe propuser. Depois disso que poderia-se chamar de 'ritual de preparo', você pode escolher colocar um bela mesa, com uma tolha florida, umas flores fresquinhas colhidas no jardim, expostas à mesa dentro daquela garrafa linda daquele vinho maravilhoso daquela outra noite inesquecível, e fazer desse momento, algo único, especial e ABSOLUTAMENTE PESSOAL. São suas escolhas, é a forma como você escolhe, e diz respeito apenas à você e à sua própria mesa. Penso algo parecido quanto ao rumo que damos às nossas vidas. Guardado o devido respeito aos demais, você pode fazer da sua vida oquê você bem quiser. Não pode? É!..., estou meio indignada hoje. Não gosto de olhares que censuram. Não gosto que me questionem sobre o que eu faço da minha vida. Pago minhas contas, meus impostos, e respondo pelos meus atos razoavelmente, e além de tudo, não dou a mínima para grandes conceitos de ética moral e cívica. Uma pessoa pode me contar qualquer coisa, eu vou sorrir e dizer: _ tá diboa?... então valeu! Não tenho nada a ver com o fato de fulano gostar de misturar alho e coentro, ou oregáno e páprica, ou se gosta de pouco sal. Eu adoro pimenta, adoro manjerona, alho, cebola, salsinha, cheiro verde, molho inglês, amo sal, muito sal, e gosto bastante de combinar temperos. Eu preparo, eu coloco a minha mesa, pago a minha comida, e no final, sou eu mesma que como. Se vou ter indigestão? Dane-se eu! fiz do jeito que eu queria, e sou grandinha pra arcar com as consequências. Sou boa de farmácia. Adoro remédios, porquê odeio sentir dor. Cada um sabe onde lhe apertam os calos, e esse é o meu. Me importo com as pessoas. Gosto de receber sorrisos. Carinho. Aprovação. Queria não ligar para as pessoas que censuram, mas ligo, e isso me rouba o apetite. Tenho vontade de perguntar se, só porque fazem de suas vidinhas uma comidinha muito da insossa, esperam que todos os demais sigam a vida sem desfrutar o sabor que a própria vida tem a nos oferecer?!... Eu penso o seguinte: A vida é um banquete, e toda vez que vejo uma pessoa se fartando de existência, subo no banquinho pra aplaudir, e gritar vivas, e tentar aprender um pouco mais. Ultrapassar limites de cotidiano é acrescentar tempero à vida. Manter o cotidiano porquê é assim que a pessoa curte, também é admirável. Legal é viver bem, e respeitar o viver bem dos outros. Podemos sim, sentar todos à mesma mesa, e saborear mil e uma histórias diferentes, e vibrar com elas, mesmo que com os temperos que não conhecemos, ou apreciemos. Então é isso, "cada um na sua, mas com alguma coisa em comum", todos comemos, vivemos, e comemos pra viver.

'Mangia que te fa bene! '


*

2 comentários:

Mariana Pimentel. disse...

Especiais especiarias! :)

Pipa. Agora eu era o herói. disse...

Diz o Guimarães Rosa, que na panela do pobre tudo é tempero, será?


rs


Lindo post

Beso