sábado, 28 de novembro de 2009

Do Poeta

(...) resta esse constante esforço
Para caminhar dentro do LABIRINTO
Esse eterno levantar-se depois
De cada queda,
Essa busca de equilíbrio no fio
Da navalha,
Essa terrível coragem diante do
Grande medo,
E esse medo infantil
De ter PEQUENAS CORAGENS.


_ Vinicius de Moraes

Um poema

*

O que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão...


*


_ dele, Fernando, o Pessoa.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Só pra constar: estou feliz

Ai, Meu Deus! estou com tanta coisa boa dentro do peito que tenho até medo de me mexer ou pensar ou piscar ou sei lá, e deixar escapar essa fina sintonia que faz música em meus ouvidos dizendo que sim sim sim, não são só sinais, não é delírio de uma mente que não pára, não é sonho, é hora de parar de falar, de correr pra janela, esperar o desfile das primeiras estrelas e suspirar devagarzinho pra nada disso me escapar. É hora de cuidar de ser feliz!

[meu coração tá palpitando tanto que até parece que vou te ver na próxima esquina]


*

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Das Janelas

Acorda, respira, sorri, abre bem abertas as suas janelas, e nelas deposita o seu melhor, o seu simples, o seu simplório, o seu sorriso, a sua esperança, as suas graças, o seu desajeito, a sua ingenuidade, a sua imaturidade, a sua alegria, a sua criança, que chama sem pudores á todos que vê passar:

_ Ei, VOCÊ!, chega aí, vem passar umas horinhas,
[ minutinhos que sejam ]
bem leves comigo, VEM!


*

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

QUASE

Uma música. E de repente, seu coração acalmou. Havia a música. E havia sua própria alma. Sua própria busca. Seus próprios elos com o Universo. Os elos que não podem ser roubados. E ainda haviam todos os vestidos floridos para os dias de sol de verão. E havia o sol. Imenso e disponível para ela também. Não podiam roubar-lhe a luz do sol. Nem os supiros que a grande lua desperta. Nem as estrelas que se movem e sussurram: _ ei, relaxa, tudo está no seu devido lugar. Havia a cama macia de todos os dias. E o sono gostoso, mesmo com visitas de pesadelos. Havia a meia noite. Todo dia. E a magia dessa hora que era dela. Não dele. Era dela e de quem adentrasse a porta. Que era dela. Havia a praia e suas águas quentes esperando por ela. Por todos, mas por ela também. E haviam ainda sorrisos. Os dela. Os do seu Joaquim da padaria. Os do mocinho de camiseta vermelha do restaurante. Das meninas amigas irmãs. Dos chegados de todo dia. Do menino bo_ bo, que ainda vem aqui e com isso, e mesmo sem saber os seus porquês, faz o meu coração sorrir. E tem o coração. O respirar. O entardecer. O amanhecer. Meu Deus!...tem tantas coisas lindas e eu aqui, me lamentando por causa de uma brincadeira de mau gosto?!..._ Tô fora, perdão, Vida!, mas acordei a tempo, voltei á tona, e disposta de novo. E quantas vezes for preciso. Agora e sempre, Amém!


*

terça-feira, 24 de novembro de 2009


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EM REFORMA
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Lenda Urbana

Eu sei que era você naquela esquina. Naquela quase madrugada que não estava fria. Pensei em ir até você. Perguntar todas aquelas perguntas que você nunca vai responder. Mas tive medo. Seus olhos me faziam em pedaços, tive medo que suas mãos também o fizessem. Enquanto te olhava sentia meu estômago em chamas, senti desespero ao te ver ali, desapegado de tudo, querendo que eu o visse, e sentisse a tua dor. A dor que você quer sentir. E me causar. Teus olhos pareciam relâmpagos em noite de tempestade. Por que me olhavas daquela forma? Eu não podia fazer nada. Eu não posso fazer nada. E estou cansada. Quase morri do coração quando você veio em minha direção. A sua expressão mudou. Indecifrável, como sempre. Nunca saberei se vinhas me matar, me abraçar ou me levar embora contigo. Pra sempre. Pra sempre. Precisei partir. Nossas horas não são as mesmas. Você burla a sintonia da vida só para me enlouquecer. Para onde você voltou depois daqueles minutos naquela esquina naquele intervalo de existência? Como você faz isso? Você deve estar rindo, agora. Rindo da insanidade que és capaz de causar. Tua obsessão é contagiante. Mas vou te contar um segredo. Deve ter amor nisso. Você fazer oquê você faz só faz sentido no ódio. E ódio, só faz sentido no Amor. Teus olhos traziam um pedido de socorro. Você não pode controlar tudo. Saiba que eu te vi, e trago-te pra perto, mesmo com teus jogos, mesmo com tua loucura, mesmo com tua maldade, porquê o que SÓ eu vejo em você, é tudo oque você mais sonha em ser. E ter. E permanacer. Nós dois sabemos disso.


domingo, 22 de novembro de 2009

sábado, 21 de novembro de 2009

SE




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Se um dia me quiseres,
[mesmo, mesmo, mesmo]
te darei
o mapa dos pomares.
*


sexta-feira, 20 de novembro de 2009

DAS APOSTAS

*

Aposto
que ninguém te imagina mais lindo,
do que eu te imagina ao meu lado.

[nem mais feliz]


*

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Dilema

.

Estou no começo do meu desespero,
E só vejo dois caminhos:
Ou viro doida ou santa.

De que modo vou abrir a janela
se não for doida?
Como fecharei, se não for santa?


[Adélia Prado]


*

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O VENTO E A FLOR



















Não que eles fossem especialmente diferentes, embora, de fato, fossem. Ela mais lembrava uma camponesa de algum campo florido da Provence, imensamente livre de conceitos, mas portadora de tão poucas malícias para os dias atuais... Tinha dentro dela espaços reservados apenas ao que era leve e belo, como suas flores ou suas águas, e suas contas e suas miçangas e seus balangandãs de palavras bobas. Ele, por sua vez, era um selvagem. Se ela era livre, ele era o vento. Um viajante do tempo que se encaixaria em qualquer século das existências. Sua alma a ninguém pertencia, era resistente ao Amor, mas perguntava-se : _ seria capaz de resistir para sempre? NÃO. Souberam-se, e desde então, pertenciam-se. O paradoxo do impossível. Sem elos, nem amarras. Ele a levava em suas andanças, enquanto ela, o retinha em seus livres verdes campos. Pertenciam-se espiritualmente. Mundos distantes. Essências opostas. Antagonistas na vida. Amores de morte. O tempo teria que parar por instantes para estarem juntos, então, não poderiam se encontrar em um lugar comum. Não eles. Seria uma única vez. Precisavam de uma luz cuidadosa, que os protegesse um do outro, que iluminasse a única coisa que tinham em comum: o Amor, o desejo de serem um, o outro. SEREM UM. Precisavam que ninguém houvesse por perto, apenas olhos e ouvidos angelicais os espiassem, nenhum vestígio humano, além deles mesmos. Precisavam de um lugar mágico, marcado como portal, pois se quisessem, poderiam abrir mão da vida. Poderiam optar por partirem juntos. Como almas. Como Romeu e Julieta. E pagariam, como já pagavam, por não saberem como resistirem-se. Poderiam ficar e aceitar. Cumpririam seus carmas separados, na esperança de encontrarem uma possibilidade. Improvável possibilidade. O vento e a flor. Um distruiria o outro. O vento veloz quando parado, não existe. A flor, ao sabor daquele vento inquieto, despedaçaria-se. Aqueles instantes juntos seria a exceção concedida pelo Senhor do Amor, condoído com aquela paixão irrealizável.

Então, a terra girou mais lenta naquela tarde. Ninguém notou, mas foram acrescentados muitos minutos a mais àquele dia. Os minutos deles, para a tarde eterna deles. Notou-se na terra apenas uma brisa mais leve, uma calmaria estranha, as falas tão mais baixas, fora do habitual, e um eco de beijos e suspiros, e uma luz dourada que fazia aquele pôr do sol, ter o dourado mais incrível que se vira. E aquele perfume de azaléias.

[ como a pequena Azaleia branquinha que você deixou no meu portão hoje. Foi você, não foi?]

Pássaros cantaram mais lindo do que nunca, e as borboletas surgiram tantas, em tantas cores, e tudo pareceu tão mais intenso e lento naquele dia... Houveram mais beijos e mais abraços no mundo. Mais sorrisos, mais afetos. Mais calma. O mundo teve um dia mais lindo, que é o que sempre acontece quando algum milagre de Amor é permitido. Há que se prestar atenção aos dias... e as noites...
O vento e a flor? O que teriam decidido? Teriam arriscado, e ultrapassado o portal? Separaram-se, ou teriam achado maneira de convencer o super rígido senhor do Amor a liberá-los do carma?
_ Não sei. Mas sopram-me aos ouvidos uns anjos safados, que foi uma linda tarde Amor. A tarde de Amor do Vento e da Flor.














domingo, 15 de novembro de 2009

NUVEM

Foi um início de noite chuvoso. O céu estava eletricamente bonito com aqueles raios todos. Eletricidade. Positivos e negativos em choque. Seriam dores de amores entre nuvens? À pouco parou de chover. Há um cheiro de limpeza no ar. Não há estrelas, mas elas merecem uma folga. Fui até a janela como sempre, te desejar Boa Noite, pois ia me recolher, eu e o meu sono de séculos. Notei algo estranho. Aqui, na região onde moro, as nuvens caminham sempre do sul para o norte. Mas, de repente, vejo umas nuvens pequenas e baixas, muito distantes umas das outras, vindas do norte para sul. Pareciam, _ oras vejam! , sinais de fumaça. E formavam corações. De todo jeito. Pequenos, grandes, tortos, de ponta cabeça, redondos e quase perfeitos. LINDOS. Delírios de uma mente que não pára? Não sei. Mesmo assim, resolvi vir aqui avisar que recebi os teus sinais, e que para cada coração que me enviastes, seguem rumo ao norte, beijinhos, afetos, coração acelerado e um pedido que não te demores, pois tenho sono e sonhos de séculos. Boa Noite, Amor Meu!


*

SONHO

Acho sonho uma palavra gordinha. Lúdica palavra. Ilusória palavra. Diferente de pesadelo, que é uma palavra magrinha e ruim de falar. Não tem nada de lúdico e tudo a ver com ilusão. Estranha associação. Sonho, ilusão, pesadelo. Verbos associados. Sonhar, se iludir e acordar. No pesadelo. Estados mentais que invadem as entranhas. Mas quem consegue resistir a palavra sonhar? Amiga irmã da palavra ACREDITAR. Sou doida em sonhos. Os de creme com aquele açúcar fininho de confeiteiro são a minha tentação. Acho que sou capaz de comer uns dez de uma só vez, se bobear. Gulosa, credo! Feito cair em tentação. Caio feito as mil palavras de Caio.Depois, colho as consequências. Sonhos demais engordam, e como boa taurina, tenho que me cuidar. Cuidar com sonhos sonhados sem cuidado, sem proteção, porque assim como quilos a mais, dores incham a alma. Doem, e trazem neuras. E deixam a gente meio estranha frente ao espelho. Porque pesadelo tem a ver com chorar. E chorar deixa o rosto triste. E quem vai querer sonhar com uma pessoa triste? Levanta, sacode a poeira e vai à padaria, Maria. Às três, saem sonhos fresquinhos. Mas vai devagar com andor!


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sábado, 14 de novembro de 2009

Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?

Quando alguém faz outro algúem de "trouxa",
quem é mais "trouxa",
quem acredita ou
quem engana?

No meu mundo, a resposta é ÓBVIA.


*

COLA

.

Quando a canção toca
no sábado,
de manhã,
de sol, de azul
de luz,
e diz:

Será, que a gente, ainda será,
A velha história de amor,
Que sempre acaba bem, meu bem?!

Meio demodé pra hoje em dia,
Antigamente, tudo era bem mais chic!
Porque, a gente nem sabe porquê.
Mas acontece que eu nasci
Pra ser só de você,
É claro que a sorte também ajudou,
Ultimamente um romance dura pouco.

Cola,
seu rosto no meu rosto e
enrola, seu corpo no meu corpo, agora,
Está na hora de DANÇAR.


[Deve ser um bom sinal]


Pra curtir:

http://www.youtube.com/watch?v=_R0D604LXMM&feature=related

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Quadras perfumadas

Estou ansiosa. Muito ansiosa, mas ansiosa do bem. Um estado de quase ver algo acontecendo, embora esse algo ainda não esteja acontecendo. Seria mais ou menos como, estar à alguns metros de uma padaria que faz doces deliciosos, e o aroma se espalha por quadras. Você está passando por uma quadra dessas, e não sabe de onde vem aquele cheirinho bom, mas sente. E inspira mais forte e se direciona para lá. Pelo instinto. Pelos sentidos. E pelo coração, óbvio, porquê eu acho que tudo que é gostoso e bonito, passa pelas mãos do coração de alguém. Você já fechou os olhos como se no ato de fechar, você pudesse ver mais? Ver além? ... é mágico, né? Pois é bem desse jeito que estou, com o coração em rebuliço como se algo maravilhoso fosse acontecer dentre alguns minutos. Tudo bem, ou horas. Ou até dias, ou meses. Não faz mal. Sentir já eleva minha alma às alturas, e de lá, tenho certeza, posso ver coisas que me deixam sem ar. De tanta felicidade. Deus permita!


*

domingo, 8 de novembro de 2009

CORANDO











Foi tudo quanto era coisa para o sol, para o corador, como Vó Ju, dizia. Ela achava que as roupas quando ficavam no sol para corar, ficavam mais branquinhas, limpinhas, cheirosinhas. Resolvi pois, seguir o conselho da vò, e de uma amiga querida, que tem sempre ótimos conselhos. Foi tudo para o sol, se encher de azul. O que é de estima, o que é de afeto, o que é de magia, o que é de encanto. Foram mágoas novas e antigas, essas, mais resistentes, dores que ardem ainda, cicatrizes recentes, outras, nem tanto... mas é tanto sol, tanto azul, e tanto de tudo que vai clarear. Vai ficar gostoso ao toque de novo. Bom de passar na pele e sentir aquele cheirinho misturado de maresia, sol que aquece, alfazema. Alfazema? é! , acho que alfazema tem um aroma azul. Lavanda também. Lavando com lavanda. Tentar, pelo menos. Todo dia é dia de tentar. Amanhã, coloco tudo de novo no sol, e vou junto, para ficar mais limpinha também. Beijos leves daqui, de onde o azul é tanto que dá até a sensação que é verde. Verde azul. Feito ESPERANÇA.






sábado, 7 de novembro de 2009

VOLTA AZUL

Vim de tão longe. Estou tão longe. Tudo parece tão perto e, paradoxalmente, como se ouve por aí, distante demais. Exageros. Onde estou existe um exagero de azul. Azul no céu, azul no mar, azul nos vermelhos, nos rosas, mas pouco amarelo. Quer dizer, tem o sol, que é amarelinho, mas aqui, ele é azul. Como os dias, só que é um azul que não dá pra levar para casa, e isso é frustrante. Tem muitas coisas lindas aqui, mas não vi nenhuma pipa no céu. Em compensação vi um bem-te-vi hoje. Em tudo quanto é parte que eu vou, ele vai. É sério, o mesmo bem-te-vi. Achei que ele nem vinha dessa vez, mas acabou vindo o danadinho. Fiquei feliz e triste porquê sei oque ele veio fazer: veio me buscar. Está quase na hora de voltar para minha vidinha, então acho que ele veio preparar o espírito da volta. O meu espírito para a volta. Palavra bonita, né?... VOLTA. Pensar na beleza dessa palavra até que me animou. Vou sair, encher mais um pouco os olhos e o coração desse azul todo, que daqui a uns dias tá na hora de fazer as malas e voltar. Voltar para o meu próprio azul, de onde na verdade, eu não saio jamais. Beijos.


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domingo, 1 de novembro de 2009

Volto logo!

Vou logo ali, e já volto. O portão está só encostado, e a chave da casa está embaixo do tapetinho, como sempre. Minha casa é sua, isso você sabe, né?... Colha umas flores, estão bonitas que só, agora que o sol voltou. Regue-as por mim, caso não chova. E se chover, venha tomar um banho de chuva aqui no jardim. As flores soltam um perfume que alucina quando chove. Tome uns golinhos de chuva também. Dizem que tomando água de chuva a gente consegue ver umas coisas especiais. Tipo o coração de quem a gente ama. Mas tem que ser chuva de verão. Daquelas lindas e quentes. Ah! e se puder, venha à noite também, porquê as estrelas vistas daqui, são mais bonitas. Tem umas que brilham colorido, piscam rapidinho feito piscapisca de Natal. Se você vier, eu saberei, porquê lá onde vou estar, estarei fazendo a mesma coisa. Com sorte, vemos ao mesmo tempo mais uma estrela cadente, sinal de que estaremos perto do coração um do outro. Que é o seu lugar. O meu coração. E que é o meu lugar, o seu coração. Te deixo um monte de beijos, e muitas saudades d'ocê.


"É que eu não sei como esquecer
O caminho do seu coração."

[pedacinho de uma música linda, de Gian Fabra]


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